“Deus Está de Mau Humor”

À partir do momento em que o Czar assumiu a presidência do COB, passou a ser habitual a recepcionista avisar aos funcionários que chegavam: “Hoje Deus está de mau humor”. O conselho era de que para não incomodar o patrão, não de deveria, rir, chorar, falar alto, recomendava-se andar devagar, tudo para Sua Majestade não se sentir desconfortável. O ambiente de trabalho no Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) passou ser horroroso. De fato, aqueles que vieram com ele da CBV, tratavam-nos com um Deus. Não por respeito. Mas por paúra. Algumas pessoas, jocosamente, diziam nos corredores que “o COB é a lijeira da CBV”. gente dispensada pela CBV, arruma seu empreguinho no COB.

O Czar começou a montar o seu cabide de empregos, alagar sobremaneira a folha de pagamentos e os gastos do Comitê que, é a mais pura verdade, a entidade vivia pendurada em bancos, pagando juros (na época ainda não havia a Lei Piva). O próprio Dr. Richer, vice-presidente, me falava isso.

As salas do COB na Rua da Assembléia são de propriedade do próprio órgão. Não se pagava aluguel. O COB vivia dignamente com as contas em dia, sem dinheiro jorrando dos cofres do governo.

Alguns projetos interessantes foram anunciados pelo Czar, com toda pompa e circunstância, como fazem esses políticos que querem aparecer e angariar votos de incautos. Lembro-me bem da festa (tudo é festa. O Esporte Olímpico brasileiro é uma festa, só que paga com dinheiro do povo) de lançamento do Museu Olímpico. Anunciaram na frente das televisões, dos jornais, das rádios (não havia ainda internet, embora o Czar nunca tenha levado muito a sério a mída eletrônica, de tal forma que já lhes negou, mais de uma vez, credenciais para competições olímpicas) a construção do Museo Olímpico, no Jardim de Alah, no Leblon, com direito a maquetes, fotografias e discursos. Isso faz mais ou menos uns oito anos e o assunto sumiu. Nunca mais se falou no assunto. O cargo atribuído à pessoa responsável pelo museu ficou e a remuneração continua até hoje sendo paga, com dinheiro público.

Hoje o COB tem uma folha de pagamento altíssima, desnecessária, com um batalhão de diretores, chefes de departamentos, funcionários, superintendentes, que poderiam,  muito bem, serem dispensados. Os gastos de manutenção com aquele prédio da Barra é astronômico. Tudo pago com dinheiro do povo.

Uma das primeira medidas que se deve tomar no COB, seja por moto próprio, ou por ações do TCU e do MP Federal, é auditar a necessidade dos gastos de manutenção da entidade, que chegam a R$ 23 milhões, conforme eles próprios escrevem e divulgam. Não há razão para que o COB tenha gastosde manutenção dessa monta.

Fará muito mais sentido e o COB estrá sendo muito mais útil à sociedade, se diminuir os seus gastos de manutenção e repassar mais dinheiro para ser investido efetivamente no esporte.

Quando eu escrevi o post “Se Eu Fosse Presidente do COB” (vide publicações atrás), esse foi um dos pontos que levantei,  como uma das propostas para tornar o Comitê um órgão útil e não uma entidade megalômana, que parece existir para ter um fim em si mesma.

Categorias olimpismo

Um comentário em ““Deus Está de Mau Humor”

  1. Nilson Duarte Monteiro fevereiro 19, 2009 — 12:59 am

    Olá Alberto,

    Me revolta ver você chamar o Nuzman de Czar, se fosse “DÉSPOTA”, aí sim, cairia perfeitamente.

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