Catuzinho Não Gosta de Oposição.

Eu não sou mais membro do Comitê Olímpico Brasileiro. Já fui. Por um lado isso é muito bom. Não é de hoje que tenho sido alertado, inclusive por gente próxima ao governo federal, de que o “COB está mais sujo que pau de galinheiro e será o próximo grande escândalo do Brasil.” Mais de uma pessoa já me disse isso, muito antes do Pan Americano, há anos atrás. “O Lula  detesta o Nuzman” , falavam-me. Estavam com a razão. Vejam o escândalo financeiro que assolou aquela competição, as denúncias de superfaturamento no relatório do TCU, os processos investigatórios na CGU e no Ministério Público Federal, a oposição ferrenha dos Atletas e de seus pais, da sociedade, da imprensa, contra absolutamente toda essa podridão, execrável, que está aí. O lado ruim da história é que Catuzinho (como Carlos Arthur Nuzman é carinhosamente chamado no seio familiar. Vide post abaixo) não vai ter uma voz de oposição nas suas assembléias gerais, bem como (na cabeça dele), impede a minha eventual candidatura a alguma coisa lá dentro (nesse particular, o artigo 26 dos estatutos do COB é ilegal e inconstitucional e uma medida liminar derrubaria isso).

Para mim, na prática, não muda nada. Há anos que já não mais comparecia às Assembléias Gerais do COB, como forma de protesto e porque não tinha tempo para perder. Elas não serviam para nada que não fosse ouvir de  algumas poucas pessoas palavras laudatórias ao vaidoso presidente. Para se ter uma idéia, a aprovação das contas se dava em assembléias cujos balanços, nada detalhados, eram entregues momentos antes da reunião. Dai deixei mesmo de comparecer àquele circo. Nunca mais pisei lá. O palhaço não sou eu.

Ouvi tantas bobagens como, por exemplo, quando o presidente Catuzinho apoiou o Nelson Nastas, que bufafa porque seus Atletas recusavam-se a entrar em quadra na Copa Davis, como repúdio contra a administração incompetente e nefasta que ele fazia. Catuzinho, do alto da sua arrogância, disse aos presentes: “Imaginem se a moda pega. E se os atletas do basquete resolvem fazer o mesmo?”  Outra barbaridade que Catuzinho disse, dentre tantas outras, foi afirmar que o jornal Folha de São Paulo atuava contra o esporte quando fez uma bela matéria denunciando que a seleção brasileira de ginástica fora passear na Disney World com dinheiro público. O Catuzinho piscava, chacoalhava o pescoço e espumava como nunca. Esbravejava: “Por causa da Folha agora o TCU vai apertar ainda mais as fiscalizações das contas”. Tudo isso está gravado. Quem sabe um dia não fazemos um CD com as pérolas do Catuzinho.

Mesmo antes do Pan Americano, enxergando o descalabro que era a administração do COB, a opção por prioridades menos nobres, digamos assim, manifestei-me publicamente, em várias ocasiões, expondo democraticamente as minhas idéias, com as quais Catuzinho não concordava. Escrevi na Folha, em outros jornais, pus o Blog no ar, tive a honra de ir ao Juca Entrevista, depois a outras emissoras de rádio e televisão, arregimentei apoios, fui ao Senado Federal e, com clareza, pus o dedo na ferida sem fazer média com ninguém, lutei ( e sigo brigando) pela CPMI do Esporte. Catuzinho quase deve ter tido outro treco daqueles, que lhe pos de cama por alguns meses. E a culpa era minha? Não, a culpa era do próprio, cuja vaidade lhe faz invejá-lo (e não somente admirá-lo), ao mirar sua própria figura no espelho. Catuzinho fez pouca análise e não suporta ser contrariado, deparar-se com oposição. Notem como ele age quando é confrontado, a exemplo do que fez na semana passada ao ser questionado por jornalistas sob o fracaso do Pan, no momento em que falava sobre o Rio 2.016. Foi embora da coletiva.

 Ainda no ano passado segui minha luta, tive a representação aceita no Ministério Público Federal, pedi investigação do TCU sobre o Comitê Olímpico Brasileiro, o que foi deferido no início de 2.009. Fontes de lá de dentro me garantiam que Catuzinho babava de ódio.

Quanto à eleição de outubro passado, existia uma lista de membros eleitos, entregue a mim, na qual meu nome constava. Tanto é assim que no dia da eleição protestei, ainda do exterior. E na volta ao Brasil, pedi a anulação das eleições. Catuzinho conseguiu a proeza de estar em todos os grandes jornais do Brasil ao mesmo tempo , alguns na capa, com matérias que o desancavam. Não me lembro na história recente do Brasil de ter havido alguém assim, cujas atitudes foram unanimemente repudiadas com veemência pela sociedade. Catuzinho virou a unanimidade nacional, a persona non grata do esporte nacional, conforme todas as matérias de jornais, blogs rádio e televisão que temos arquivadas. Já antes combalido e sabendo disso, Catuzinho fez sua reeleição à sorrelfa, à noite, com medo, acuado, trêmulo, piscando, movimentando a cabeça freneticamente de um lado para o outro naquele gestual ridículo que lhe caracteriza, no sub solo de um hotel na Barra. Tentou impor-se à base da força, da violência jurídica, defendendo ter havido uma legalidade em uma nota mal escrita, furtiva, revestida de cinismo, igual àquelas das piores ditaduras. Catuzinho sucumbiu.

Como as eleições foram feitas na surdina, sem que houvesse a convocação de maneira legítima, Catuzinho também não divulgou a chapa. Ninguém soube.  E Catuzinho, mesmo  tendo o COB mamando nas tetas do governo, sorvendo o dinheiro do povo, continuou achando que não devia prestar contas a ninguém, atitude que se assemelha aos déspotas da idade média.

O que se achava, é que a lista dos membros eleitos, era a mesma que havia me chegado às mãos anteriormente. Mas não. Do alto do seu fúnebre silêncio, da vontade de escamotear a verdade, a chapa que fora “aclamada” na hora da eleição já não constava o meu nome. Catuzinho achava que estava se livrando de mim.

Como eu já disse, para mim tanto faz ser membro, ou não ser membro, já que há tempos recusava-me por os pés naquele local. Para Catuzinho, pensa ele que conseguirá abafar a minha voz. Está redondamente equivocado. Eu não preciso de palanque para expor as minhas idéias. Aliás, não são idéias minhas. São idéias que apoio, que são da turma do bem, que quer um esporte mais transparente no Brasil, com menos “jogadas de marketing” e mais preocupações sociais.

Catuzinho já entrou para a histíria do esporte no Brasil como uma pessoa que não agradou, que não construiu nada de novo, que só pensa no “marketing”, que quer contar medalhas e construir obras, obras, obras, obras e deixá-las ao relento, como os elefantes brancos que sobraram do Pan Americano. Catuzinho não tem o prestígio que gostaria no Comitê Olímpico Intenacional, órgão ao qual envio relatórios quase que semanais, com provas de toda ordem, sobre a realidade do esporte olímpico do Brasil, completamente diferente daquilo que o mentiroso dossie Rio 2.016 tenta fazer parecer. Se o dossie do Pan Americano já não foi cumprido, alguém vai acreditar naquilo que Catuzinho e sua turma escreveram no dossie pretensamente olímpico?

É bom esclarecer tudo isso e ressaltar que, a cada dia que passa, a minha luta contra isso tudo fica mais aguerrida. Não vivo do esporte e nunca viverei. Minha formação é outra, completamente diferente. Não tenho empresas que vivem ao entorno do esporte olímpico, que vende tickets, que promove competições, que trata de marketing esportivo e nem agências de viagens que atendem o olimpismo. Não faço parte de seguradoras com interesses olímpicos e nem tenho intermediários para tratar de coisas ligadas à competições esportivas com empresas potenciais patrocinadoras. Basta uma leve olhada para se ver os conflitos de interesses que existem nesse mundo olímpico atual, que mistura negócio e entretenimento, mas que deixa o Atleta relegado ao último plano.

Eu acredito, sim, que irá haver uma CMPI, que o Ministério Público Federal, o TCU e a CGU vão agir como Instituições sérias e Catuzinho, se comprovadas as irregularidades objeto de cada processo, vai assistir aos Jogos de Londres, na melhor das hipóteses, sentado em uma agradável poltrona, no Rio de Janeiro. Quem acredita nisso, continue lutando. Eu não vou esmorecer.

Categorias olimpismo

6 comentários em “Catuzinho Não Gosta de Oposição.

  1. Guilherme Teixeira fevereiro 17, 2009 — 5:14 am

    Ainda bem que em nosso país existem pessoas conscientes e com sinceridade como você Alberto. Sou jornalista e quero lhe parabenizar pela sua luta corajosa demonstrada em seus textos brilhantes e coerentes. É preciso que o esporte brasileiro tome ciência de que em tempos atuais não temos condições algumas de realizamos uma olimpiada. E o pior disso são os gastos que o Catuzinho e o ministro da Tapioca estipulam para os jogos: R$30 bilhões. Isso é um cúmulo da canalhice. Muito triste isso. Mas vamos a luta e se Deus quiser eliminarmos esses Nuzzmans,teixeiras,Orlandos silvas que existem por ai.

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  2. Que a luta continue, Alberto! Ninguem melhor que voce para combater esse descalabro chamado COB. Só faltou dizer como se deu o desligamento: foi voluntário ou alguma armaçao?

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  3. Alberto
    através de sua atuação, podemos tomar conhecimento de mais um motivo para nos avergonharmos da política praticada por alguns (ou quem sabe, por muitos).
    Você consegue disponibilizar no seu blog o parecer do TCU a que Você se refere? Se possível, Você poderia destacar alguns pontos do parecer (que usualmente são textos complexos e técnicos demais para a leitura de leigos) que revelam os descaminhos da gestão?
    Não há um único deputado federal ou senador que queira adotar essa bandeira?
    Forte abraço
    Manhães

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  4. Alberto,

    A luta continua, ouço muito falar que o Brasil é um país jovem e possui uma democracia jovem, que está amadurecendo, porém este amadurecimento é um processo lento. Concordo em parte com este afirmação, pois apesar de sermos um país com uma democracia jovem o amadurecimento somente virá com participação e movimentação popular e isso que mudará nosso futuro, novamente parabenizo sua atuação e novamente me coloco a disposição para esta luta,

    Um abração!!

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  5. Edson de Lima Sobreira fevereiro 18, 2009 — 11:15 pm

    Se tivessemos mais pessoas sérias no comando do nosso país, esse tal de Catuzinho não faria essas palhaçadas que faz com o dinheiro do povo. Vi uma reportagem no Uol que estava mostrando as candidaturas das cidades para as olimpiadas de 2016 e fiquei pasmo ao ver o o valor do orçamento do Rio, 14,4 Bilhões de Dolares, contra US$6,3 de Tóquio, US$6,1 de Madrid e US$4,7 de Chicago, um absurdo. E o pior é o valor e dinheiro público investido, no Rio o valor é 3 vezes mais que em Tóquio e em Madri e pasmem 11 vezes mais que a candidatura de Chicago.

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  6. Já foi feito a sangria no panamericano agora basta.
    trabalhei 6 mêses no projeto da candidatura do rio 2016 e pude ver de perto os projetos inventados de ultima hora para satisfazer ao dossiê da candidatura, muitos projetos “sociais” milhonarios que se sair do papel será somente para lavar dinheiro, aproposito deixo aqui minha duvida a respeito da FIA (Fundação Instituto de Administração)com seus cordenadores e seus salários altíssimos pago por nós, para fazerem reuniãozinha no AUTBACK STAKE HOUSE da barra todos os dias as nossas custas, issso juntamente com a corja do COB.

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