Correio Braziliense Critica “Dissidência Olímpica” do Presidente do COB. CPI Ganha Força no Congresso Após a Fuga! Senador Cristovan Buarque Diz “Se Ele saiu é porque tem algo a esconder. Vamos investigar”.

POLÍTICA ESPORTIVA
Dissidência olímpica


Luiz Roberto Magalhães
Da equipe do Correio

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Gustavo Moreno/Esp.CB/D.A Press
Carlos Arthur Nuzman (C), ao lado de Bernardinho (E) e Cristovam Buarque, durante audiência pública no Senado

 Ninguém entendeu bem quando o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, alegando ter outros compromissos, deixou a audiência pública da qual participou ontem no Senado, logo depois de defender seus interesses e quando as discussões estavam apenas no início. Pela terceira vez em duas semanas, o dirigente esteve no Congresso para explicar assuntos referentes ao desempenho brasileiro nos Jogos de Pequim e a aplicação das centenas de milhões de reais que o COB tem recebido desde 2001, com a Lei Agnelo-Piva. Nas duas audiências na Câmara, na semana passada, Nuzman permaneceu até o fim. Ontem, recebeu críticas por ter ido embora sem ouvir o que os outros convidados tinham a dizer.A retirada inesperada de Nuzman na audiência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal foi ainda mais sentida depois que o advogado Alberto Murray Neto tomou a palavra. Membro da Assembléia-Geral do COB e da Corte Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne, na Suíça, Murray — neto de Silvio de Magalhães Padilha, que presidiu a entidade por 27 anos e foi vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional — disparou uma verdadeira saraivada de críticas à entidade. E, em um dos momentos mais polêmicos, avaliou como desperdício de dinheiro público a candidatura do Brasil às Olimpíadas de 2016.

“O Rio de Janeiro não tem nenhuma chance de vencer esse pleito. Por que os R$ 80 milhões (a verba com a candidatura na verdade ultrapassará os R$ 100 milhões) não são gastos para investir no esporte? Só vamos fazer uma olimpíada no Brasil quando o país tiver uma mentalidade olímpica. Isso ainda não temos”, cravou o advogado. Ele declarou que, por conta do volume de dinheiro público que recebe, o COB perdeu sua autonomia. E hoje deve, mais do que nunca, prestar contas de tudo o que gasta. “O COB tem que parar de se classificar como uma entidade autônoma”, afirmou Murray. “Ele vive de recursos públicos.”

Outro ponto contestado pelo polêmico Murray, defensor da CPI do Esporte, que aos poucos ganha força na Câmara e no Senado, aconteceu quando ele criticou a reeleição de Nuzman para mais um mandato à frente do COB. O dirigente, que assumiu a entidade em 1995, garantiu-se no cargo em uma discreta eleição em outubro, com apenas uma chapa. Reeleito, ele estará no poder até 2012. Segundo o advogado, diversas confederações disseram que só apoiaram Nuzman porque temiam sofrer retaliações nos repasses de verbas. Entre as confederações que abertamente teriam declarado a ele a insatisfação estão as de boxe, futebol e badmington.

Outra ausência sentida foi a do ministro do Esporte, Orlando Silva, que mais uma vez preferiu não participar de uma audiência pública para debater o esporte nacional. Ele foi representado pelo secretário de Esporte de Alto Rendimento do ministério, Djan Madruga. Completaram a mesa o técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, Bernardinho; a ex-jogadora de vôlei Ana Moser, presidente do Instituto Esporte e Educação; e o secretário de esporte de São Paulo, Claury Santos Alves da Silva, além do senador Cristovam Buarque, que presidiu a audiência.

Para Bernardinho — que preferiu não se envolver na polêmica nem mesmo quando Murray disse que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) não precisava mais de tantos repasses porque a modalidade já havia alcançando um nível de excelência altíssimo —, o problema, não só do esporte, mas do país, passa pela capacitação dos profissionais. “Temos que trabalhar na formação das pessoas. E para isso não há atalhos”, ensinou Bernardinho. O treinador falou por 15 minutos e foi aplaudido ao final do discurso.

Sem Nuzman para rebater as críticas, coube ao ex-jogador de vôlei Marcos Vinícius, superintendente executivo de esportes do COB, esclarecer os pontos levantados por Murray. Ele defendeu a candidatura do Rio 2016, disse que a cidade fluminense tem sim condições de bater as concorrentes Tóquio, Chicago e Madri, mas preferiu não responder as declarações do advogado. “Quem critica tendo feito pouco pelo esporte brasileiro é irrelevante para mim e para o COB”, encerrou Marcos Vinícius. A assessoria de imprensa do COB disse que a entidade não irá se pronunciar sobre as declarações de Alberto Murray.


Confira videoentrevista com Alberto Murray Neto, membro da Assembléia Geral do COB


CPI ganha força
 
Ao que parece, as polêmicas levantadas pelo membro da Assembléia-Geral do COB, Alberto Murray Neto, são os menores dos problemas que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) terá que lidar nas próximas semanas. Afinal, a campanha para angariar assinaturas para a abertura de uma CPI do Esporte na Câmara e no Senado ganha força a cada dia.

Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), na próxima semana o requerimento já terá as 171 assinaturas necessárias na Câmara e as outras 27 que serão exigidas no Senado para a abertura da CPI. “Nós já tínhamos 100 assinaturas, mas teremos que recolher de novo porque agora a CPI será mista”, disse Teixeira.

De acordo com o parlamentar, o que tem chamado mais atenção são os esforços do COB para evitar que os deputados e senadores aprovem a CPI. “Acho que na semana que vem a gente liqüida esse assunto, embora haja um lobby do COB para evitar a CPI”, revelou Miro Teixeira, que disse estranhar essa manobra.

“É no mínimo estranho que o COB esteja agindo assim, porque isso não é uma CPI contra a entidade. O nosso objetivo é avaliar a aplicação dos recursos públicos e promover uma discussão para que possamos chegar a uma política nacional para o esporte”, explicou. “Mas a partir de agora, depois dessa ação estranha e suspeita, vamos trabalhar com ânimo redobrado para que possamos instaurar essa CPI”, prometeu o parlamentar.

Quando discursou ontem na audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, como já fizera nas duas audiências públicas que participou na Câmara dos Deputados na semana passada, reforçou a transparência da instituição que preside. E afirmou: “Nenhum órgão no país é mais fiscalizado do que o COB”, referindo-se às auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU). Na semana passada, em entrevista ao Correio, Nuzman disse que não temia a CPI e justificou sua tranqüilidade: “Quem é auditado pelo TCU e pela CGU não tem medo de mais nada nesta vida.” (LRM)

O Rio de Janeiro não tem nenhuma chance de vencer esse pleito. Por que esses R$ 80 milhões não são gastos para investir no esporte?

 

O COB tem que parar de se classificar como uma entidade autônoma. Ele vive de recursos públicos
Alberto Muray Neto
 
Membro do COB detona a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016 e defende CPI do Esporte. Nuzman vai embora antes de ouvir as críticas
Categorias olimpismo

5 comentários em “Correio Braziliense Critica “Dissidência Olímpica” do Presidente do COB. CPI Ganha Força no Congresso Após a Fuga! Senador Cristovan Buarque Diz “Se Ele saiu é porque tem algo a esconder. Vamos investigar”.

  1. Não repassar verbas para o voleibol porque este alcançou um nível de excelência altíssimo é um contra-senso. É punir quem, ao longo dos anos, vem fazendo um bom trabalho em prol do esporte e da integração social do brasileiro através do mesmo (vide o projeto Viva-Vôlei). Só merecem as verbas as confederações improdutivas? Aquelas que não conseguem mostrar bons resultados?

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  2. Meu caro,Murray,primeiramente parabéns pelo blog e pela defesa de bons principios e pela coragem de se expor em meio a tantos interesses e interesseiros.
    Não deixe de nos presentear com essas informações. Apesar dos poucos comentários (até porque acredito que muitos preferem não se expor) tenho certeza que seu blog é muito visitado,lido e,independentemente disso,de muita credibilidade.
    Parabéns,mesmo!

    Além,gostaria de admitir que meu principal objetivo com essa participação é solicitar so senhor a íntegra de seu pronunciamento na audiência no Senado citada por você anteriormente.
    Meu objetivo com isso?
    Antes de mais nada me manter melhor informado daquilo que a “grande mídia” não nos permite conhecer. Tenho certeza que o senhor tem muito a oferecer à sociedade no esclarecimento necessário de vários fatores.
    Infelizmente,muitas vezes por falta de informação – e não por não buscá-las – fazemos críticas à entidades como COB,CBF e aos nossos representantes do Estado sem boas bases e argumentos.
    Tenho certeza que o senhor tem conhecimentos e argumentos suficientes prá embasar nossas insatisfações com certas posturas dessas partes citadas.

    Se quiser e puder mandar por e-mail a integra de seu pronunciamento – quem sabe até de outros – meu e-mail é:
    reinerfreitas@bol.com.br

    Desde já,um forte abraço!

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  3. hilson m.breckenfeld filho dezembro 3, 2008 — 9:28 pm

    surpresa seria o c.a.n.participar de alguma coisa ligada a democracia,desde à época da cbv seus metódos eram autoritários( a expulsão da jacqueline)e a não intervenção na fogueira de vaidade em 1984(medalha de prata,por briga por premiação)alguns acreditam que ele ajudou ao volley,mas o certo é que ele ajudou a si mesmo em detrimento ao esporte.

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  4. Parabens Alberto, o Brasil precisa de pessoas que tem coragem de mostrar a verdade que na maioria das vezes não aparece.
    Infelizmente vivemos em um país onde as mídias de massa não são imparciais. A maioria em alguma momento depende do governo e as coberturas jornalisticas só usam escandalos para ganharem ibope. Não existe acompanhamento posterior se realmente a punicação ocorreu, etc.
    O PAN ocorreu no país, todas as TVs esconderam a verdade do que foi o tremendo rombo nas contas públicas.
    A boa notícia é que muitos blogs como não tem rabo preso com ninguém estão colocando dedo na ferida. Pena que blog não tem o alcance de uma TV que é o veículo que tem o poder de controlar a opinião pública.

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  5. Olá Daniela. O que eu disse não é para não repassar verbas para o volleyball. O que eu entendo é que as Confederações que não têm patrocínios estatais deveriam ser contempladas com verbas maiores da Lei Piva, justamente para que elas, um dia, tenham condições de também atingir níveis de excelência. O volleyball já tem um patrocínio enorme do Banco do Brasil, enquanto outras Confederações ficam à míngua. Deveriam ser compensadas com repasses da Lei Piva. O proghrama Viva Volei é aquele em que parte da arrecadação daquelas taxas de transferência internacional dos Atletas é dirigido para ele?

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