“O COB Vendeu ao CIO Gato Por Lebre?”

Hoje cedo, antes mesmo de abrir os jornais, fui verificar as minhas mensagens eletrônicas. Havia três, vindas do exterior, que tratavam exatamente do mesmo tema. De gente que acompanha o esporte no Brasil e com quem tenho mantido comunicação, à partir deste blog. Pessoas que cobrem o olimpismo no Brasil à partir do exterior e repercutem em jornais, e blogs de outros Países o que se passa no esporte brasileiro. Elas perguntavam minha opinião sobre a reportagem de página inteira do Estadão de hoje, que entrevista uma série de engenheiros e arquitetos os quais, unanimemente, dizem ser impossível fazer do Parque Aquático Maria Lenk uma praça esprotiva olímpica, nos termos exigidos pelo Comitê Internacinal Olímpico.

Fui ler o jornal. Um dos entrevistados diz que “O COB vendeu ao COI gato por lebre”, ressaltando que é tecnicamente mpossível transformar aquele Parque Aquático em uma praça olímpica, quase dobrando o número de expectadores. E sem falar nas demais adaptações, que serão necessárias.

Se os leitores voltarem alguns posts, verão que eu já havia escrito que não somente o Parque Aquático Maria Lenk, mas as demais obras que sobraram do Pan-Americano, haviam tornado-se “elefantes brancos” e que, além de não atenderem às especificicações olímpicas, não estavam à serviço da população do Rio.

Aliás, para saber o que fazer com essas obras mal planejadas (não pelos Arquitetos e Engenheiros), mas pelo próprio COB, foi anunciado que o Comitê Nacional contrataria empresas de consultoria internacional para saber o que fazer com elas. Devem ser essas consultoria, contratadas com dinheiro público, sem licitação, por milhões de Reais.

O fato é que nem o Maria Lenk, nem as demais instalações que restram, não obtante o altíssimo preço dessas obras, prestam para Jogos Olimpicos. Há cerca de um ano e meio atrás, eu também escrevi isso na Folha de São Paulo, como um dos argumentos pelos quais o Rio de Janeiro não estaria apto a receber Jogos Olímpicos. Mesmo sabendo disso, àquela altura, minha esperança é que, ainda assim, essas praças esportivas seriam colocadas a serviço da população do Rio de Janeiro, que fossem criadas escolinhas de esportes em cada um deles. Mas nem isso foi feito. Viraram, mesmo, alvíssimos “elefantes”, construídos à preço de platina.

Há, ainda, a questão do direito autoral. Se os Arquitetos, autores das obras, não quiserem que sejam alterados os seus projetos originais, eles têm direito de pleitear na Justiça a manutenção do projeto. Há de se ver se eles já deram, ou dariam essa autorização. De qualquer forma, eles mesmos dizem que, independentemente disso, a ampliação do Parque Aquático Maria Lenk é tecnicamente inviável.

Nunca ví tamanha incompetência e falta de planejamento. Que , agora, pelo menos, o COB, que administra essas praças desportivas,  abdique da intenção de contratar consultorias esportivas e crie, em cada um delas, métodos de massificar o esporte, dando acesso à população pobre do Rio de Janeiro de frequentá-los. Tome como exemplo o que há anos é feito com os Conjuntos Desportivos Baby Barioni e Constâncio Vaz Guimarães, em São Paulo.

Agora vou responder aos meus e-mails e afirmar que meus interlocutores têm razão. O Maria Lenk não é e nem poderá ser praça esportiva olímpica. Aliás, nem precisa mesmo, porque o Rio de Janeiro não tem chances de vencer o pleito para 2.016.

As notícias no Brasil correm o mundo. A mentira não dura muito.

Categorias olimpismo

3 comentários em ““O COB Vendeu ao CIO Gato Por Lebre?”

  1. Nilson Duarte Monteiro novembro 30, 2008 — 6:49 pm

    Olá Alberto,

    Não esqueço uma frase do Romário bem antes de construirem o Estádio do Engenhão. O Baixinho disse, “é uma tremenda idiotice fazer pista de atletismo em estádio de futebol, ou vise-versa. Um dos dois esporte vai ser escanteado”. Estamos vendo que a pista de atletismo do Engenhão só foi utilizada no Pan.

    Eu fico orgulhoso do legado que o Pan deixou para o Rio de Janeiro. Nada.

    Em 2001 eu já dizia que o legado do Pan de 2007 seria igual ao legado do Pan 1963, ou seja, nenhum. Poxa, eu deveria ganhar na loteria, previ 6 anos antes o que iria acontecer, legado zero e desvio de verba 10.

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  2. Caro Nilson permito-me discordar de Você. O legado do Pan-Americano de 1.963 foi enorme. Em primeiro lugar, foram uns Jogos feitos dentro do orçamento previsto que, ao final, geraram lucro. Foi com parte desse lucro que o Comitê Olímpico Brasileiro comprou sua primeira sede. Depois, a estrutura do Pan-Americano foi inteiramente montada para melhorar as instalações dos Clubes, que são os grandes centros formadores de esporte e os conjuntos esportivos já existentes, como o do Pacaembu, por exemplo. O legado ficou para os Clubes, que tiveram suas instalações melhoradas e ampliadas para que continuassem cumprindo seu papel formador de atletas. O complexo esportivo do Pacaembu foi melhorado, para continuar atendendo a população, o que é feito até hoje. E muito do que há na Universidade de São Paulo, o Crusp por exemplo, foi feito por conta do Pan-Americano e até hoje está lá sendo utilizado pelos estudantes.Centor desportivos do estado já existentes e a Universidade de São Paulo receberam melhorias significativas. Alguns Clubes só puderem continuar com seus departamentos de esporte depois do apoio do Pan-Americano. O que não houve em 1.963 foi a construção de nenhuma obra faraônica, nenhum “elefante branco” e sem contas superfaturadas. Há várias mateérias, inclusive recentes, que tratam do Pan-Americano e Você vai poder observar os legaos do Pan-Americano de 1.963 pra a a população da Cidade. O que norteou a elaboração do Pan-Americano de 1.963 foi o sentido educacional que se deu a ele. Obrigado. Um abraço. Alberto Murray Neto

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  3. Nilson Duarte Monteiro dezembro 1, 2008 — 12:49 am

    Olá Alberto,

    Grande legado que o Pan de 1963 deixou, mas continuamos na mesma.

    Alberto comecei a praticar atletismo em 1970, o meu primeiro contato com o esporte foi no colégio em 1968 assistindo as Olimpíadas de 1960 e, desde aquela época eu vejo as dificuldades que o atleta passa. Os clubes nunca foram formadores de atletas, pelo menos eu nunca vi um clube formar atleta, todos os atletas que eu vi passar por um clube, foi formado ou descoberto na escola. Fui atleta do Vasco da Gama, Flamengo e Fluminense e todos os atletas da minha época vieram das escolas.

    Não tenho saudades da ditadura, mas uma coisa eu não posso negar, o esporte escolar foi muito valorizado naquela época.

    Quanto ao legado do Pan de 1963, eu discordo de você, eu vivi aquela época como atleta e sei que não teve legado algum. Em São Paulo o Pinheiros, Polícia Militar e alguns clubes que não de futebol é que apoiavam o esporte amador, o resto era só futebol como ainda é hoje em dia.

    A redenção do esporte está na volta da prática esportiva nas escolas, mas infelizmente são poucas as escolas que tem espaço para isso, pois a grande maioria das escolas só tem espaço acadêmico e em vez de quadra poliesportiva, dão prioridade para estacionamento de automóveis. Os governos “democráticos” pós ditadura não quer saber de prática esportiva, eles só pensam em educar para o mercado de trabalho, mas se esquecem que a educação sem a prática esportiva, é uma educação capenga.

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