Por que o COB Não Explica na Câmara Aonde Vão Parar os Milhões Olímpicos? Nas Mãos dos Atletas, Nem dos Medalhistas Olímpicos, Certamente Não É.

27/11/2004

O bronze não mudou nada 
 por Daniel Brito 
 
Primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica em esportes individuais, a judoca Ketleyn Quadros está desiludida. Ela acreditava que a medalha de bronze conquistada em Pequim, há menos de quatro meses, faria sua vida mudar para melhor. Mas não foi isso o que aconteceu.
 
Assim que chegou da China, ainda em agosto, a brasiliense apresentou propostas de patrocínio a 40 empresas de Belo Horizonte, onde mora desde 2006. Ouviu 40 vezes o “não” como resposta. Cada um à sua maneira. “Algumas empresas disseram que era por causa da crise nos Estados Unidos, outras falaram que já tinham fechado o orçamento para 2009, ou que faltava verba para o final deste ano”, relata ela, em entrevista ao JT. “Sinceramente, não sei mais o que um atleta precisa fazer para conseguir apoio financeiro no Brasil.”
 
Ketleyn sobrevive com R$ 1,2 mil mensais, a ajuda de custo que recebe de seu clube, o Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte. Isso a impede de ser contemplada pelo Bolsa-Atleta, programa do governo federal para atletas sem patrocínio. A agremiação mineira ainda dá alojamento, alimentação, curso superior e passagens para competições no Brasil.
 
“Muita coisa mudou para mim depois da Olimpíada. O assédio das pessoas nas ruas, a mídia fica toda em cima… Só não teve diferença em termos financeiros”, lamenta.”Fiz o meu papel. Fui lá e ganhei uma medalha. Agora estou até um pouco descrente.”
 
Dinheiro sempre foi problema sério na carreira de Ketleyn, de 21 anos. Ela não tinha patrocínio quando competia em Ceilândia, cidade-satélite das mais pobres do Distrito Federal. Ainda assim, a judoca conseguiu uma seqüência de resultados expressivos nas categorias de base e foi isso o que a levou ao Minas, em 2006.
 
Para ela trocar de federação, a mãe teve de pagar R$ 1,5 mil. Só conseguiu depois de fazer uma rifa entre amigos. Os mesmos que ajudaram Rosemary, a mãe da judoca, a angariar R$ 6,3 mil para viajar à China e ver a filha competir. Na porta do ginásio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pequim, onde ocorreram as disputas do judô, ela perambulou com um cartaz escrito em mandarim pedindo ingresso para acompanhar a trajetória de Ketleyn das arquibancadas. Conseguiu após dois dias de tentativas.
 
 
Categorias olimpismo

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