A Que Ponto Chegamos. O COB Tem Que “Dobrar” Deputados.

Acho que, realmente, o Comitê Olímpico Brasileiro conseguiu “dobrar” os Deputados. Fez o que queria. Concentrou os debates apenas nos resultados brasileiros em Pequin, quando isso é um aspecto de menor importância em face do vendaval de denúncias que assola o movimento olímpico brasileiro. Será que não teve nessa audiência pública uma única boa alma que perguntasse sobre o relatório e o voto do TCU sobre os Jogos Pan-Americanos do Rio 2.007 que indica má gestão de dinheiro público e indícios de super-faturamento? Será que ninguém se preocupou com as causas e ficou, apenas, debatendo as consequências? Ninguém falou em licitação pública?
26/11/2008 – 17h40

COB ‘dobra’ deputados, mas distribuição de verba

ainda gera polêmica

Paula Almeida
Em São Paulo*

O Comitê Olímpico Brasileiro obteve êxito nesta quarta-feira durante audiência na Câmara dos Deputados para discutir o desempenho do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim. Em geral, os membros das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Turismo e Desporto ficaram satisfeito com os dados e conclusões apresentados por Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, e Marcus Vinicius Freire, superintendente geral da entidade. No entanto, alguns pontos, como a distribuição de verbas entre os esportes, não tiveram consenso.

Cristina Gallo/Divulgação COB

Carlos Arthur Nuzman (e) discursa durante a audiência na Câmara ao lado do gerente geral de eventos do COB, Edgar Hubner
INTERCÂMBIO COM O REINO UNIDO

Propositor do debate, o deputado Juvenil Alves Ferreira Filho, do PRTB-MG, foi um dos parlamentares ‘dobrados’ pela apresentação do COB, embora tenha feito ressalvas ao projeto desenvolvido para os Jogos de Pequim.

“Fiquei convencido de que os resultados foram bons, mas acho que muito precisa ser feito para melhorar”, afirmou o deputado em entrevista ao UOL Esporte. “Foi muito esclarecedora a presença do Nuzman. Foi de extrema valia para o povo brasileiro”.

Antes da sessão, que durou cerca de três horas, o congressista considerava o resultado brasileiro na China – 15 medalhas no total, 23ª colocação no quadro geral – como “vexatório”. Após o encontro, sua opinião mudou parcialmente. “A gente nunca sabe diferenciar o deputado do torcedor. Como torcedor, continuo achando um resultado vexatório. Mas como deputado, vejo que está condizente com o que poderia se fazer”.

Durante a audiência, Nuzman e Freire, acompanhados dos presidentes de quatro confederações brasileiras – Handebol, Voleibol, Desportos Aquáticos e Atletismo – e de representantes de empresas estatais que patrocinam o esporte no país, afirmaram que o COB investiu, ao todo, R$ 288 milhões no último ciclo olímpico (cerca de US$ 133 milhçoes). Ambos fizeram questão de enfatizar que estas cifras, mais do que aplicadas aos Jogos de Pequim, também serviram para formar campeões mundiais em modalidades como ginástica artística, judô, vela e vôlei, entre outras.

POR LEI DE INCENTIVO, COB PEDE R$ 37 MI À PETROBRAS
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) deve continuar usando a Petrobras como seu principal meio para obter recursos da Lei de Incentivo fiscal ao esporte. Segundo a Folha de S. Paulo desta quarta-feira, a entidade encaminhou cinco projetos para a estatal, somando R$ 37 milhões em investimento.

Nesse ano, a empresa liberou R$ 27 milhões para o COB, para ajudar na preparação olímpica para Pequim-2008. Segundo o jornal, a justificativa para o aumento do investimento é a escolha da sede da Olimpíada de 2016.

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Além de citar números e recordes obtidos pela delegação verde-amarela em Pequim, a apresentação do COB também procurou mostrar que os investimentos brasileiros ainda são muito inferiores ao de outras nações, como Austrália, Reino Unido, Alemanha e China, que teriam investido, respectivamente, US$ 550 milhões, US$ 1 bilhão, US$ 1,2 bilhão e US$ 2 bilhões. Vale lembrar, porém, que essas nações ficaram entre as seis primeiras colocadas na classificação geral.

“São países que, como o Brasil, investem em uma gama variada de modalidades. A diferença está no montante dos recursos. Para se obter resultados como os desses países são necessários investimentos a longo prazo, entre oito e 12 anos, definição estratégica do que se quer atingir e gestão profissional para programas de alto rendimento”, argumentou Nuzman

Tal variedade mencionada pelo presidente do COB, porém, não encontrou eco na opinião dos deputados. “É preciso diluir um pouco mais o investimento”, opina Juvenil Alves, para quem a distribuição pela Lei Agnelo/Piva prioriza alguns esportes em detrimento de outros. “Temos que acompanhar de perto o patrocínio das empresas estatais, não com relação a fraudes, porque não creio que isso exista, mas nas modalidades esportivas em que nós não estamos ganhando medalhas. Há uma grande concentração em cima daquelas em que já temos tradição”.

Segundo Juvenil, os parlamentares também concordaram que o Brasil precisa investir mais nas categorias de base. “Apesar de o resultado ser louvável, ainda temos muito a fazer nas bases. Precisamos construir um centro olímpico, fundamental para que a gente possa crescer”, opinou o deputado.

Gilmar Machado, do PT-MG, concordou com o colega. “Acho que temos que discutir melhor o desenvolvimento do esporte dentro das escolas”, avaliou o congressista, que atentou ainda a outro aspecto: a interiorização do esporte. “O esporte não pode ficar restrito às grandes cidades, tem que ser expandido às cidades do interior”.

*Atualizada às 18h14

Categorias olimpismo

Um comentário em “A Que Ponto Chegamos. O COB Tem Que “Dobrar” Deputados.

  1. Nilson Duarte Monteiro novembro 27, 2008 — 5:46 pm

    Olá Alberto,

    Não é que o COB dobrou os deputados, é que eles só exergam aquilo que querem enxergar. Não duvido que alguns deles estejam envolvidos com o COB.

    Curtir

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