PÚBLICOS e públicos.
junho 28, 2012
Nas seletivas olímpicas nos Estados Unidos para o atletismo e a natação, a média de público é de aproximadamente 20.000 e 15.000 pessoas, respectivamente. Como se não bastasse, ambas as competições foram veiculadas em diversos tipos de mídia, o que faz com que a população estadunidense tenha facilidade de acesso à informação. As competições foram empolgantes. Viam-se nas arquibancadas pessoas de idades diferentes vibrando com os resultados das provas.
Enquanto isso, aqui no Brasil, a boa seleção de basquete do nosso país, com todos astros da NBA e de grandes equipes européias joga no interior do Estado de São Paulo com ginásios praticamente vazios. Os espaços na mídia são 95% (noventa e cinco por cento) dedicados a jogos de futebol, mesmo aqueles que não têm muita importância se comparados com a preparação das nossas equipes olímpicas para a maior competição esportiva do planeta, que acontecerá em um mês.
Compreendo que, no Brasil, o futebol é parte do povo, que é capaz de deliciar-se mesmo com jogos sem relevância. O Brasil gosta muito de futebol. Pois natural que a mídia dê cobertura a essa modalidade. Ainda assim, sou da opinião de que deveriam haver espaços mais amplos para os esportes olímpicos na essência. Pode ser que o brasilero não goste de vela, por exemplo, porque não conhece bem a modalidade, não obstante seja um dos maiores mananciais de medalhas e títulos internacionais ganhos por nossos patrícios. Ultimamente, a vela tem tido muito mais sucesso do que o próprio futebol. O Brasil faz parte da elite da vela mundial e o brasileiro nada sabe sobre esse esporte. É um contra senso.
O Troféu Brasil de Atletismo tem sido outro desapontamento de público. É sempre assim. E parece que não fazem nada para mudar. Não há um mínimo esforço. Costumo dizer que fora os próprios atletas, quem vai ao Troféu Brasil são um cego e um baleiro. “Neste ano nem o cego, nem o baleiro”, escreve-me um desportista atento.
A falta de contato com os esportes olímpicos torna-se uma questão ainda mais séria, quando daqui a quatro anos receberemos em nosso país atletas do mundo inteiro para disputar os Jogos Olímpicos. E a falta de cultura olímpica faz com que o torcedor comum leve para as competições de atletismo, ginástica, tiro, esgrima e levantamento de peso a forma de torcer do futebol. No Panamericano de 2.007, quando as adversárias da Fabiana Murrer íam saltar, o Engenhão vaiava, esperneava, gritava, bradava terríveis palavrões para desconcentrar as competidoras. Já estive em 10 Jogos Olímpicos e inúmeras competições importantes no exterior. Isso não é comportamento adequado a provas de atletismo. Ou seja, o torcedor leva para as pistas aquilo que faz no futebol. Cada esporte tem a sua forma de ser, de se jogar, de competir, de torcer.
Acho que nesses quatro anos que nos separam do Rio 2.016, deveria haver um esforço conjunto para que as televisões abertas passassem a transmitir competições das modalidades olímpicas.
Isso dará cultura esportiva ao povo. E, tenho certeza, entusiasmará muitos brasileiros a enveredarem-se por esportes diferentes.
Detectado Doping Em Nadadores Olímpicos do Brasil, Anuncia O Jornal Estado de São Paulo.
junho 26, 2012
| 22/06/12 |
| Nadadores brasileiros apresentam teste positivo de doping
Glauber Silva, que está classificado para a Olimpíada de Londres, e Flávia Delaroli tiveram resultado positivo em teste antidoping. Os atletas ainda serão ouvidos pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos na terça, quando apresentarão suas defesas e será definido se receberão punição ou não. A informação foi confirmada por Sandra Soldan, do controle antidoping da entidade. Não foram divulgadas as substâncias nem em que provas os atletas foram flagrados. O campeão olímpico e mundial Cesar Cielo, Henrique Barbosa, Nicholas Santos e Vinícius Waked testaram positivo para o diurético furosemida. Waked, que era reincidente, foi suspenso por um ano. Os demais nadadores levaram uma advertência. Eles disseram ter usado suplemento contaminado. Ainda no ano passado, Fabíola Molina foi flagrada e suspensa. Ela voltou às piscinas e conquistou a vaga na Olimpíada de Londres, em julho. Fonte: Estado de São Paulo |
Os Observadores do Brasil.
junho 24, 2012
A Folha de São Paulo de hoje noticia que o governo gastou R$ 99.000,00 (noventa e nove mil Reais) em ingressos para observadores. A categoria “obsevadores” é conferida às pessoas que integram o comitê de organização de outros Jogos Olímpicos, no nosso caso, o Co-Rio.
Não sou contra credenciar e dar ingressos a essas pessoas. Muitas das bobagens que ouvimos dos organizadores é porque vários deles não têm qualquer idéia da magnitude de uma Olimpíada. Eles têm que ir para aprender.
A questão está em controlar com rigor quem são esses observadores, o que farão e aprenderão. O TCU e demais órgãos de controle dos gastos públicos devem ficar atentos, para que a viagem dos obsevadores não se transformem em um vistoso trem da alegria.
Sugiro alguns pontos a serem observados, no que se refere ao trabalho desses observadores:
- deve haver um comandante, que coordenará o trabalho dos observadores;
- deve ser avaliado corretamente quantos observadores são necessários para boa execução das tarefas. Não pode haver observador de mais, nem de menos;
- antes de sair do Brasil rumo aos Jogos Olímpicos, o coordenador dos observadores deve elaborar um cronograma e agenda de trabalho, indicando quem fará o que, para que cada um já possa fazer, previamente, a auto preparação para a função. O observador deve saber exatamente o que observar, o que é importante e o que é despiciendo. Necessário fazer uma lição de casa antes de viajar;
- durante os Jogos, a equipe de observadores tem que se reunir com muita frequência, trocar impressões, emitir relatórios parciais, avaliar o andamento dos trabalhos;
- ao final dos Jogos, cada observador deve entregar ao coordenador da equipe seu relatório final. O coordenador encarregar-se-á de concatenar toda a documentação recebida e transformá-la em um único documento;
- o TCU deve avaliar os gastos incorridos pelo Estado brasileiro com as viagens dos observadores e o relatório apresentado por eles.
Essas são algumas diretrizes que as autoridades do Brasil devem seguir para que o dinheiro dos brasileiros, que financiará as viagens, não seja mau utilizado.
Esse é um assunto que deve ser tratado com muito rigor.
A Seletiva do Atletismo Olímpico nos EUA.
junho 23, 2012
Quem assistiu, ontem, ao primeiro dia das provas qualificatórias para a Olimpíada de Londres do time dos Estados Unidos observou arquibancadas cheias, mesmo debaixo de forte chuva.
Cerca de vinte mil pessoas foram assistir à competição que definirá os integrantes de uma das mais poderosas equipes olímpicas de atletismo. Público muito superior aos principais clássicos do futebol brasileiro.
O número de espectadores em certames como esse também é um bom termômetro para medir-se o grau de desenvolvimento esportivo de um país.
Uma nação esportiva não é feita exclusivamente de atletas, mas, também, de um povo interessado pelo assunto, que participa estusiasticamente das manifestações esportivas.
Bom público indica interesse que, por sua vez, é mais uma evidência do esporte massificado, algo que faz parte das tradições e da cultura de um povo. O esporte faz parte da vida social.
O Brasil tem que criar um programa para atrair público para as competições olímpicas, criar uma cultura olímpica, não somente visando os Jogos de 2.016, mas para inserí-la definitivamente na sociedade brasileira.
Meias Verdades.
junho 19, 2012
Ontem o CQC colocou no ar um quadro brilhante. Vestiu um de seus produtores com várias peças que colhetaram com mendigos das ruas de São Paulo. Tudo, calça, camisa, sapato, um pano vermelho enrolado ao pescoço, chapéu e uma espécie de coletinho. Peças velhas e rasgadas. O rapaz, passando por “modelo”, entrou trajando essas roupas em um conceituado desfile de modas que ocorreu em São Paulo na semana passada, frequentado pelos grandes nomes do setor, empresários, estilistas, críticos e modelos.
O repórter do CQC, Mauricio Meireles, fez que não conhecia o “modelo”. Ligou a luz de filmagem e começou a entrevistá-lo. Não demorou muito para que pessoas parassem para assistir. Mauricio Meirelles perguntava ao público o que achava daquela “proposta de moda” que o moço apresentava. Os entrevistados eram só elogios. Buscavam todos os tipos de metáforas para ressaltar o bom gosto, a audácia, a combinação de cores e formas. Um deles disse que aquelas roupas custavam muito caro, pois o material “era importado do exterior e lá fora esse tecido é muito caro”.
Quando o entrevistador dizia que o “modelo” era um produtor da equipe do CQC e que as roupas tinha sido obtidas de moradores de rua, as caras dos críticos eram impagáveis. Bela matéria, espirituosa, bem homorada e que também nos faz refletir sobre o que escrevem e falam os chamados formadores de opinião, em todas as áreas deatividade. Neste caso, em especial, os telespectadores sabiam de antemão que se tratava de um blague. Mas os “formadores de opinião” da indústria da moda não. E desandavam a nos dar informações precisas e detalhadas sobre o “estilo de vestir-se do modelo.” Diziam da tal “tendência” da moda.
Leve esse fato para outros campos do conhecimento humano. Imagine-se vendo na televisão, ou lendo nos jornais, uma reportagem sobre ecologia, por exemplo, para citar algo que está bem em voga. Ecologia é um setor importante em que muita gente fala bastante, usa termos específicos, cita dados muito particulares e faz previsões que nos afetam diretamente. Eu, que não entendo nada do assunto, me fio naquilo que disseram, afirmaram, os experts no assunto. Como desconheço totalmente a questão, não tenho argumentos para rebater, debater nada daquilo. E como eu devem haver milhões de pessoas no mundo que veem especialistas falando sobre os mais variados tópicos com absoluta propriedade. E as informações e análises que ecoam passam a valer como verdades. Como somos ignorantes na matéria, não há como contestar.
O mundo deve ser feito de meias verdades. Muita coisa do que se fala por aí deve ser um apanhado de bobagens. Fazem o trote do CQC sem saber que o estão fazendo.
Ministro do Esporte Não É Fiscal de Obras.
junho 17, 2012
O Ministro Aldo Rebelo está orgulhoso porque tem acompanhado pari passu o ritmo das obras dos estádios para a Copa do Mundo. Se essa fosse a atribuição do Ministro do Esporte, melhor colocar no posto um engenheiro civil. Um dos problemas de dar o cargo a quem nada entende do assunto, é que seus ocupantes acham que sua função restringe-se a organizar uma boa Copa e, dois anos mais tarde, a Olimpíada.
Assim com outros segmentos, o Esporte é teceirizado pelo governo federal. Entrega a Pasta a um partido qualquer, para que com ela faça o quem quiser, em troca de votos no Congresso. Desde que foi criado, não ví nenhum presidente da república exigir e discutir um plano de políticas públicas de massificação dos esporte no Brasil. Até porque os que têm ocupado o posto não são do ramo. Não sabem como fazer isso.
Com Copa e Olimpíada, a situação do esporte educacional no Brasil está ainda pior. Cada um que ocupa o Ministério do Esporte acha que sua função primordial é fiscalizar o andamento das obras. Se alguém disser que Copa e Olimpíada estão contribuindo com o desenvolvimento do esporte social no país, estará errado. O esporte estudantil resume-se a uma competição nacional ao ano, na qual participam muito mais escolas privadas do que públicas. E mais nada. E ainda assim essa competição é feita porque a Lei Piva obriga que parcela de sua arrecadação seja destinada ao desporto escolar. Então, é uma competição para desemcumbir-se de uma obrigação legal. E não com o intuito de organizar e ensinar a prática esportiva nas escolas de todo Brasil.
Há uma enorme desconfiança do que será do esporte brasileiro após 2.016. Parece que esses grandes eventos têm um fim em si mesmos.
Os Mistérios de Crystal Palace.
junho 12, 2012
Muita coisa no Comitê Olímpico Brasileiro é misteriosa. Um órgão que vive pendurado no dinheiro público insiste em esconder da sociedade coisas muito relevantes. O Comitê Olímpico insiste em não adotar regras de governança corporativa e manter o estatuto velhaco, autoritário e despudoradamente ilegal. Também não revelam a folha de pagamentos, principalmente quanto ganham os diretores de seu alto escalão. Estima-se que os salários, pagam com dinheiro do povo,da Lei Piva, gira ao redor de R$ 100.000,00 (cem mil Reais) por mês. Impossível saber se existe e aonde é um tal depósito em que o Comitê Olímpico Brasileiro despeja uma série de equipamentos. Parece haver muita coisa que foi utilizada no Pan de 2.007 e outros objetos que poderiam estar à disposição dos clubes, técnicos e atletas.
O mais novo mistério é quanto o Comitê Olímpico Brasileiro gastará com a aclimatação da delegação do Brasil em Crystal Palace, no período que antecede os Jogos Olímpicos. Nosso Comitê Olímpico elegeu as instalações do Crystal Palace para alojar os atletas durante o período de adaptação ao clima e fuso horário londrinos. São instalações boas. Mas devem ser caríssimas. Sempre que indagado sobre as condições da contratação do Crystal Palace, o Comitê Olímpico Brasileiro recusa-se a prestar qualquer tipo de informação.
Uma vez que quem sustenta o Comitê Olímpico Brasileiro é o dinheiro do povo, é obrigação da cartolagem explicitar como aplica cada centavo dessa incursão pelo Crystal Palace. O Brasil tem o direito de saber se as condições de contratações foram boas. Se o custo benefício do Crystal Palace valerá a pena. Se havia alternativas melhores.
Na medida em que começam a esconder coisas e números, natural que surjam desconfianças.
