Não basta trocar Nuzman por um dos seus fantoches. Mais do mesmo é mais coisa ruim. Alguns pontos que devem ser imediatamente discutidos para arejar a estrutura autoritária e velhaca do COB:

- alterar o estatuto de forma a permitir que qualquer brasileiro possa ser candidato a presidente e vice,

- ampliar tanto a Assembléia Geral do COB, assim como o colégio eleitoral. Devem fazer parte delas atletas em atividade eleitos diretamente pelos próprios atletas. Representantes de algumas federações estaduais. Representantes de clubes formadores, cada qual, também, escolhidos diretamente por seus pares,

- publicar todas as contas do COB, mensalmente, na internet. Afinal, trata-se de dinheiro público,

- mudar a forma de gerir esse dinheiro público. Hoje, o presidente do COB tem poderes imperiais para decidir, sozinho, como aplicará cada centavo dessa verba. É necessário que o dispêndio desse dinheiro público seja investido conforme deliberação da Assembléia Geral ampliada e democratizada,

- dar maior apoio às modalidades que não têm patrocínio próprio, invertendo-se a política adotada hoje, em que os esportes ricos recebem mais dinheiro do COB,

- limitar a duração e a renovação dos mandatos do presidente e do vice, estabelecendo um mandato de 4 anos com direito a uma reeleição,

- estabelecer a obrigação de apresentar uma política pública de desenvolvimento do esporte, desde a base, até o alto rendimento. Isso deve ser feito em consonância com a sociedade civil e militar, assim como repartições federais, tais como ministérios da educação, esporte e saúde, pelo menos,

- licitar, de forma transparente, TODAS as obras e serviços contratadas pelo COB e pagas com dinheiro público.

Tem mais um monte de coisas. Se eles começarem por aí, já será um grande avanço.

Juca Kfouri, definitivamente, é um dos mais influentes Jornalistas do Brasil. Angariou este predicado em razão da forma coerente e destemida com sempre exerceu o seu ofício. Um dos temas mais discutidos, hoje, na internet, sobre esportes, é a sua matéria sobre “Nuzman dar adeus ao COB.”

Nuzman assumiu o COB com um discurso bobo, ufanista, de “transformar o Brasil em potência olímpica”. É verdade que Nuzman conseguiu que seu Comitê tivesse em caixa em quantidade enorme de dinheiro público. Mas seu projeto fracassou, porque sua administração não soube gerir esses recursos. Tivesse Nuzman olhado para baixo, para a base, com tanto dinheiro, ao longo desses anos, estaríamos em situação muito melhor.

A saída de Nuzman do COB é excelente notícia. Não encontrei ninguém, na internet, que escreva o oposto. Mas não basta tirar Nuzman, para substituí-lo por alguém que não fará as mudanças necessárias. Há tempos o COI vem pressionando Nuzman para que opte pelo COB, ou pelo Co-Rio. Não existe, na história dos Jogos, quem acumule os dois cargos. Nuzman queria tudo. Deu-se mal. Posto na parede por Jacques Rogge, o pajé olímpico do Brasil optou pelo Co-Rio, aonde estará concentrada a receita de preparação para os Jogos de 2.016.

Nuzman faz 70 anos em 17 de março deste ano. Será jubilado do COI. Fez de tudo para mudar as regras. Deu, novamente, com os burros n’água. Receberá um prêmio de consolação no COI, de nome pomposo, mas quase que somente decorativo. Nuzman não mais será membro do COI. Esse é o ponto.Doido pelo poder, embora não seja o caso, Nuzman vê seu mundo ruir. Deixa o COI por idade. E abandona o COB por determinação de Jacques Rogge.

Nuzman mudou o estatuto do COB de tal forma que os candidatos a presidente e vice seriam restritos a alguém escolhido por ele. Um absurdo. Nuzman fez isso por temer nomes certamente invencíveis, como Lars Grael, citado por Juca, e Paula. Por mais que Nuzman pudesse influenciar, se a eleição fosse democrática, Lars, Paula e outros seriam nomes dificílimos de derrotar. A ironia é que a mudança autoritária que Nuzman fez no estatuto do COB foi um tiro no próprio pé. Nuzman, agora, está em sinuca de bico. Não pode impor seu candidato favorito, Marcus Vinícius Freire, uma vez que este é funcionário muito bem remunerado e não mais membro da Assembléia Geral do COB.

Ainda que Nuzman mudasse novamente o estatuto, conforme a sua conveniência e viabilizasse a candidatura de Marcus Vinícius, este provocaria um racha na Assembléia Geral do COB. Ele está muito longe de ser nome de consenso. E, também, como escreveu Juca, correria o risco de uma candidatura boa, forte e com respaldo, de Lars.

Ary Graça (que tem dado entrevistas boas, reconheça-se), seria a solução do bolso do colete de Nuzman. Mas nesse caso ele teria que engolir um nome de oposição na Vice Presidência e a consequente divisão de poder. Esse nome da oposição seria, provavelmente, o médico Alaor Azevedo, que vem contestando publicamente a administração de Nuzman e de seus assessores. Além do que Ary é candidato e está em campanha para a presidência da Federação Internacional de Volleyball. COB, portanto, não é a prioridade da vida do presidente da CBV.

Agora é o momento. Nuzman está cambaleante. Vive esse dilema, perde poder, não tem unanimidade na Assembléia Geral, tem a imprensa, atletas e acadêmicos contra si. Na esteira de mudanças que Aldo Rebelo diz querer fazer em seu ministério, seria muito bom se, usando de sua autoridade, chamasse as partes à mesa e fizesse, claramente: “Agora é hora de arrumar isso tudo. Vamos democratizar o COB. Alterar esses estatutos. Fazer eleições livres e permitir a oxigenação administrativa da entidade.” Se Aldo tentou levar Lars para sua equipe no Ministério do Esporte e não conseguiu, diante da recusa do grande velejador, talvez veja com bons olhos sua ida para a presidência do COB.

Há de se aproveitar o momento. O que não se pode é sair Nuzman e entrar algum de seus estafetas.

E qualquer apoio dos atletas e da sociedade civil será feito não somente em cima de nomes, mas de um programa de profundas mudanças nos conceitos errados que hoje presidem o Comitê Olímpico Brasileiro, que tanto mal têm feito ao nossos esporte.

Nuzman deve deixar o COB
Juca Kfouri

O Comitê Olímpico Internacional  pressionou e Carlos Nuzman deve deixar o Comitê Olímpico Brasileiro ainda neste ano,  para ficar apenas no Co-Rio, o comitê que organiza a Olimpíada de 2016 na Cidade Maravilhosa e movimenta muito mais recursos.

E ele tem até o dia 1o. de abril para apresentar seu candidato nas eleições do COB em outubro.

Se depender de sua vontade, o candidato será Marcos Vinícius, o superintendente de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro, mas, para tanto, Nuzman terá de promover uma mudança no estatuto, pois Vinícius não é mais membro da entidade e sim seu funcionário.

Se optar pela modificação estatutária, corre-se o risco de surgir alguma outra candidatura, de fora do COB e com respaldo não só da sociedade como até do governo — alguém, por exemplo, como Lars Grael.

Daí parecer mais conveniente que Nuzman apoie Ari Graça, da Confederação Brasileira de Vôlei, com algum nome da oposição como vice-presidente.

Graça, no entanto, já é candidato à presidência da Federação Internacional de Vôlei, posto de maior importância,  embora nada impeça que acumule os cargos.

No acordo entre o COI e Nuzman, o organismo lhe oferecerá um cargo, já que, ao completar 70 anos em março deste ano, o cartola será automaticamente jubilado como membro da entidade.

(O blog segue em férias até 24 de janeiro)

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