Lars Grael Recebe Importante Homenagem Na Itália.
setembro 30, 2010
Lars Grael recebeu a importante homenagem, denominada Fullaro D`Oro. Aconteceu na cidade de Gaeta, na região do Lazio.
Foi o quinto a receber esta homenagem, primeiro velejador e primeiro não italiano.
Fullaro D`Oro é uma moeda de ouro cunhada no ano 1000 e que simboliza o valor da região.
Parabéns Lars, um exemplo do Olimpismo brasileiro.
Comitê Olímpico Brasileiro Na Berlinda 2 – Folha De São Paulo – Por Rodrigo Mattos.
setembro 28, 2010
Por atraso na prestação de contas, TCU ameaça COB
NA FOLHA DE S.PAULO – HOJE
RODRIGO MATTOS
DE SÃO PAULO
Não foi entregue parte das prestação de contas obrigatória da campanha do Rio-2016, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União). Por isso, uma decisão do órgão ameaça impedir o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) de receber verbas públicas.
O comitê alegou já ter enviado toda a documentação ao Ministério do Esporte -apresentou números de protocolos como prova. A pasta confirmou que recebeu os dados do COB. Mas diz que cumpre as “formalidades” na “análise” dos dados.
Pelos protocolos apresentados pelo COB, as últimas informações foram enviadas pelo comitê em 23 de agosto ao ministério. Mas alguns dados requisitados pelo tribunal foram mandados ao governo em abril deste ano -há mais de cinco meses.
Sem receber a documentação, o TCU considera cinco convênios -que totalizam R$ 12,7 milhões- firmados entre o COB e o ministério como contas pendentes. Alguns dos programas foram concluídos no ano passado.
Por isso, o tribunal exige que, se as informações não forem enviadas em 15 dias, o ministério torne o COB inadimplente nos convênios. O prazo começou a contar na última sexta-feira, quando foi publicada a decisão.
Pela lei federal, isso significa que a entidade não poderá mais firmar acordos para receber repasses públicos. A maior parte do esporte olímpico nacio nal é sustentado pelos cofres do governo.
Ou seja, se o ministério não entregar a documentação a tempo, todo o projeto de potência olímpica brasileira pode ser comprometido.
As despesas não explicadas pelo comitê olímpico, segundo o TCU, são: contratação de serviços de consultoria para relacionamento internacional; itens para produzir o dossiê de candidatura; apoio operacional à campanha; hospedagens e passagens para realizar a Casa Brasil (promoção do país no exterior); e gastos com tradução, correspondência, passagens e hospedagens.
Esses não são os únicos questionamentos do TCU em relação à campanha olímpica. Outros 11 convênios firmados pelo COB com o ministério estão sob a mira do órgão. Eles totalizam R$ 44,7 milhões em recursos públicos dados à entidade.
O tribunal exige que a pasta do governo “pronuncie-se conclusivamente quanto aos aspectos técnicos e financeiros” desses programas. O prazo é de 60 dias.
O TCU ainda pediu que o ministério explique se funcionários do comitê organizador, pagos por dinheiro público, estavam atuando somente na campanha olímpica, sem outras funções.
O Comitê Olímpico Brasileiro Na Berlinda 1 – Diário Oficial
setembro 28, 2010
http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=24/09/2010&jornal=1&pagina=715&totalArquivos=760
RELAÇÃO Nº 38/2010 – Plenário
Relator – Ministro JOSÉ MÚCIO MONTEIRO
ACÓRDÃO Nº 2458/2010 – TCU – Plenário
Os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, quanto ao processo abaixo relacionado, com fundamento no art. 43, inciso I, da Lei nº 8.443/92 c/c os arts. 143, inciso III; e 250 a 252 do Regimento Interno/TCU, ACORDAM em mandar fazer o seguinte alerta e determinações, além de adotar as demais medidas sugeridas, conforme pareceres emitidos nos autos, arquivando estes em seguida.
1. Processo TC-021.117/2008-0 (ACOMPANHAMENTO)
1.1. Interessado: Tribunal de Contas da União
1.2. Unidade: Secretaria Executiva do Ministério do Esporte
1.3. Unidade Técnica: 6ª Secretaria de Controle Externo (SECEX-6)
1.4. Advogado constituído nos autos: não há.
1.5. Alertar a Secretaria Executiva e a Consultoria Jurídica do Ministério do Esporte acerca da impropriedade de celebrar aditivo contratual com objeto distinto do contrato original, em violação ao art. 65, inc. I, alínea “a”, da Lei nº 8.666/93, conforme observado na celebração do aditivo ao Contrato nº 25/2008, firmado com a Fundação Getúlio Vargas;
1.6. Desentranhar:
1.6.1 os documentos das pertinentes folhas destes autos (Anexo 6, fls. 115-199; volume principal, fls. 115-126), a fim de que, em processo apartado, seja aprofundada a análise do Contrato nº 64/2009 quanto à existência de dano ao erário, e seja realizada a citação e/ou audiência dos responsáveis arrolados a seguir, pela aprovação da justificativa de preços e pela celebração do Contrato nº 64/2009 com a Fundação Instituto de Administração, ante os indícios de contratação antieconômica para a Administração:
a) responsáveis pela aprovação da proposta de preços que fundamentou o valor do Contrato nº 64/2009, com indícios de antieconomicidade: Rui Batista dos Reis (Assessor Técnico), pela elaboração do parecer de aprovação; Ricardo Leyser Gonçalves (Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento) e Wadson Nathaniel Ribeiro (Secretário Executivo do Ministério do Esporte), pela manifestação de acordo com o parecer;
b) responsável pela assinatura do Contrato nº 64/2009 com a Fundação Instituto de Administração: José Lincoln Daemon;
1.6.2. os documentos das pertinentes folhas destes autos (Anexo 4, volume principal completo; Anexo 9, volumes principal, 1 e 2; Anexo 10, volumes principal e 1), a fim de que, no âmbito das contas da Secretaria Executiva do Ministério do Esporte relativas ao exercício de 2009, seja realizada a audiência dos responsáveis pelas presentes irregularidades:
a) responsáveis pela execução de despesas fora da vigência do Contrato Emergencial nº 32/2008: Marcos Antonio Capitani, Coordenador- Geral de Publicidade, e Maria José Costa Mundim, Assessora Especial do Ministro, pela emissão de atestados de recebimento e aprovação dos pagamentos; Marília Ferreira Galvão, Reni de Paula Fernandes e Guilherme Calhao Motta, pela autorização para os pagamentos irregulares;
b) responsáveis pela execução de despesas do Contrato nº 20/2008 com dotação orçamentária não autorizada, emitida originalmente em favor do Contrato nº 32/2008: Hernan Dutra Soares Pena e Marcos Antonio Capitani, ocupantes do cargo de Coordenador- Geral de Publicidade, pela aprovação dos pagamentos; Marília Ferreira Galvão, Rení de Paula Fernandes, Guilherme Calhao Motta, Sérgio Cruz e José Lincoln Daemon, pela autorização para os pagamentos irregulares;
1.7. Determinar à Secretaria Executiva do Ministério do Esporte que no prazo de 15 dias, com fundamento no art. 28, § 5º, e art. 38, da IN STN nº 01/97, bem como no art. 56, §§ 1º e 2º, da Portaria Interministerial nº 127/2008, proceda ao registro da inadimplência, no SIAFI ou no SICONV, dos convênios a seguir relacionados, e adote as providências para instauração de tomada de contas especial, caso persista, conforme o caso, a omissão da prestação de contas ou a ausência de manifestação relativamente a diligências realizadas junto ao Comitê Olímpico Brasileiro:
a.2) avalie, nas prestações de contas dos convênios celebrados com o Comitê Olímpico Brasileiro, relativos à candidatura olímpica do Rio de Janeiro, se os trabalhadores designados pelo COB trabalharam integralmente nas atividades desses convênios, de forma a justificar a indicação dessa força de trabalho como contrapartida dos referidos convênios, glosando o que não estiver comprovado;
b) findos os prazos acima, informe a este Tribunal as medidas adotadas, acompanhadas de cópia de documentação pertinente.
Natação – Quem É José Finkel? Por Pedro Junqueira
setembro 27, 2010
ARQUIVO HISTÓRICO
AFINAL DE CONTAS, QUEM É ESSE TAL DE JOSÉ FINKEL
Pedro Junqueira
Publicado em 05/09/2008
Uma mania que eu tenho é checar estátuta de praça. Pode ser no interior de Minas, no centro do Rio ou numa citadela amuralhada da Toscana. Lá vou eu investigar que busto é aquele, quem foi o tal médico, general ou filantropo. Nas respectivas placas quase sempre se encontram os mais exagerados elogios e epítetos de verdadeiros heróis da civilização. Mas pra mim estas estátuas servem como referência, um pedaço de história mal contado que, mesmo assim, me orienta onde estou no tempo.
Minha mania das estátuas se estende em relação aos nomes dos estádios de futebol e de outros esportes. Não me basta saber apenas Maracanã, Morumbi, Pacaembu, Mineirão etc. Quando piso lá, já fiz meu dever de casa e estou íntimo do irmão do Nelson Rodrigues, o Mario Filho, do tricolor Cícero Pompeu de Toledo, do radialista e cartola Paulo Machado de Carvalho, do banqueiro calvo e golpista de 64 Magalhães Pinto, e por aí vai … No mundo da natação, já sabemos bem quem foi Maria Lenk (um dia começo a série sobre ela e nossas outras nadadoras, sei que estou devendo), não tão bem quem foi Julio Delamare e muitíssimo bem quem é Cesar Cielo, todos eles com direito a estádios ou piscina homônimos, o último deles no Esporte Clube Barbarense.
Seguindo o mesmo raciocínio, considero uma obrigação moral estar a par de quem são aqueles notórios personagens que se tornam nomes de torneios. Quando chegar a hora, me cobre, caro leitor, uma informada biografia do Maurício Beckenn ou do Carlos Campos Sobrinho. Imagino que seria desnecessário eu contar a história de um tal Alexandre Azambuja Pussieldi, outro grande personagem da natação brasileira com direito a torneio homônimo.
Sem mais delongas, o motivo das minhas mal traçadas de hoje é lembrar a todos quem é este nome misterioso que faz com que o melhor da natação brasileira se encontre anualmente, em meses invernais, como está acontecendo neste momento nas imediações do Parque São Jorge, em São Paulo. Quem foi José Finkel? Como nasceu e cresceu este campeonato que tem a sua marca no calendário nacional? Talvez esta seja uma história de homenagem mais comovente e humana do que todas as outras dos dignatários que emprestaram seus nomes aos torneios brasileiros.
Em outubro de 1970, a pequena equipe de natação do Centro Israelita, de Curitiba, viajou para uma competição no Grêmio Náutico União, em Porto Alegre. O estado do Paraná era, então, fraco neste esporte. Jamais tinha produzido um nadador de destaque nacional. O melhor peitista do Centro Israelita era um garoto de 17 anos, José Finkel. Naquele tempo, em todas as piscinas do sul do Brasil, ninguém entrava n’água pra treinar entre os meses de abril e setembro. O frio não permitia. O treinamento no inverno era mínimo e quase todo a seco, fora d’água. Finkel era um bom jogador de basquete, seu esporte alternativo pra evitar a temporada de piscina gélida. Lá no GNU, em começo do período anual de competições natatórias, Finkel começou a se sentir mal.
De volta a Curitiba, ele encarou os exames médicos e a notícia foi de arrasar. Seu quadro clínico apontava câncer nos vasos linfáticos. Muito se andou na medicina e nos costumes desde então. Naquela época, só restava uma quimo braba. Finkel começou o tratamento e desapareceu do mapa, provavelmente poupado, pela família, dos tabus relacionados a esta doença, vigentes então. Algumas semanas depois, este garoto já tinha partido desta vida.
A pequena natação do Centro Israelita não sobreviveu à tragédia. Ninguém mais apareceu pra treinar. Mas daquela perda iria renascer uma natação paranaense muito mais vigorosa e que, na segunda metade da década seguinte, se transformaria em força nacional. O elo entre uma coisa e outra pode parecer tênue, devido à passagem de um longo tempo entre elas, mas os fatos que se sucederam comprovam a ligação causal.
A força motriz da natação paranaense era Berek Krieger, o presidente da federação estadual. Berek era amigo de Ruben Dinard de Araújo, o cartola chefe da natação nacional nos anos 70. O paranense foi um tanto visionário. Querendo homenagear o garoto Finkel, construir um clube decente para a natação curitibana e elevá-la a um nível competitivo nacional, e preencher um buraco no calendário nacional que deixava nossos nadadores coçando a barriga por vários meses por ano, ele pôs-se a trabalhar.
Com o apoio do Dinard, Berek convenceu alguns patrocinadores a bancar a logística, incluindo a alimentação dos nadadores, de uma nova competição de natação de âmbito nacional, sediada no Centro Israelita. Os melhores clubes do Rio e São Paulo toparam o convite. Berek engendrou um sistema de aquecimento para a piscina do clube, amenidade inexistente nos principais clubes nacionais de então. No inverno de 1971, nascia a competição Troféu Finkel, com o troféu de premiação ao clube vencedor exibindo a mesma figura de escultura que o troféu tem hoje. A piscina do Centro era de 25 metros. Com o tempo, a competição vingou e o Finkel foi ganhando a conotação de Brasileiro de Inverno em piscina de 25 metros.
Berek não parou aí. Arrumou uns sócios, comprou um lote ou terreno baldio, e construiu uma piscina e clube novos, de infra-estrutura mais moderna, para poder comportar um torneio nacional e uma equipe paranaense a altura do estado. Nascia o Clube do Golfinho, nova sede do Troféu Finkel, e sua equipe, toda importada do Centro Israelita.
No final do inverno de 1974, depois da realização do torneio daquele ano, Berek levou uma apunhalada psicológica da qual nunca mais se recuperou inteiramente. A ditadura Geisel o colocou no xadrez. A acusação: contrabando de armas para guerrilheiros. Como se vê, pra quem sabe do passado de Romulo Noronha, nosso chefe de delegação em Pequim, a dirigência da natação brasileira teve um passado sofrido nas mãos da ditadura. Oito meses depois da prisão de Berek, mas antes da edição do Finkel do ano seguinte, um tribunal militar o inocentou das acusações e ele foi solto. Mas o choque dos meses atrás das barras acabou por diminuir seu envolvimento com a natação.
No começo de 1977, na piscina do Minas TC, com casa lotada, durante o Trófeu Brasil daquele ano, diante dos meus olhos, uma menina bateu o recorde sul-americano da prova dos 200m costas, nadando na casa dos 2m25s, sendo este o único recorde continental quebrado durante aquela competição, na piscina funda antiga do velho Minas. Seu nome: Ilana Krieger, filha de Berek. Nascia o primeiro resultado de destaque nacional de um nadador paranaense. Do Clube do Golfinho.
Ilana nadava costas e borboleta e representou o Brasil nas provas destes estilos no Sul-Americano de 1978, em Maldonado, Uruguay. Ela foi contemporânea das campeãs mineiras, mais conhecidas minhas, Paula Bittencourt (mãe do Lucas Azevedo), Ângela Maestrini e da bela Bernadette Frossard Nogueira, todas exemplos e referências pra minha geração no Minas. Ilana foi a pioneira de uma geração de paranaenses que despontaria nos anos seguintes e disputaria a elite da natação nacional. A partir do meio dos anos 80 e até o começo dos anos 90, o Clube do Golfinho, juntamente com o Curitibano, liderados por atletas como Michelena e Romero, os melhores nadadores do país entre a aposentadoria do Prado e o despontamento do Gustavo Borges, e outros como Renato Ramalho, Newton Kaminski e Cristiane Santos, e treinados, no caso do Golfinho, por um técnico do calibre do Reinaldo Dias, iriam preencher com seus azes as finais e os pódios dos campeonatos brasileiros como nunca tinha acontecido antes e como nunca aconteceu depois.
O Troféu José Finkel prestou papel fundamental no Brasil de ontem, suprindo uma bela razão motivacional para nossos nadadores treinarem, viajarem e competirem, em nosso precário ambiente competitivo daquela época. No Minas TC, ainda moleque infantil, eu ficava curioso de saber o que se passava durante aquelas viagens a Curitiba dos nadadores mais velhos. As “mães do Minas”, instituição legendária dos anos 70, repassavam as estórias que rolavam durante os dias no Paraná. O torneio foi ganhando importância e acabou escapando das mãos do estado. Seu formato, em piscina de 25 metros, também deixou de ser regra constante. Nos anos 90, a misteriosa piscina de 25m do Clube Internacional de Regatas, em Santos, sediou suas versões e lá estabelecemos recordes mundiais que não eram levados totalmente a sério pela elite mundial.
O Clube do Golfinho, ao longo do tempo, sofreu uma debandada. Romero e Reinaldo foram para o Minas. Michelena para o Rio. Hoje, mais de quinze anos depois, o Curitibano impera na cidade e seu adversário virou um pedaço de brejo, me dizem. Mas o Finkel está ai ainda. Prestigiado, não sei por quanto tempo… Empurraram o torneio pro fim de inverno, data desvantajosa no ciclo de treinamentos, dentro de um calendário de competições nacionais triplas, que inclui também seus dois irmãos relativamente mais importantes, o Open e o Maria Lenk.
Mas o espírito, ou melhor, o sangue de Berek continua nas veias da natação brasileira, através das grandes performances de seu filho curitibano Joel Krieger. É só checar no site da ABMN. Nas categorias 50-55 e 55-59 anos, na maioria das provas do livre, Joel detém os recordes sul-americanos. Um bom desafio para o meu amigo Mattioli, um pouco mais novo, quando chegar lá. Estas estrelas da natação master me fazem sempre lembrar que, ao contrários dos nossos anos adolescentes quando sentíamos os treinos quase como obrigação, a natação da meia idade vai muito mais além e reflete a adoração do esporte por seus verdadeiros aficionados.
Joel era amigo e companheiro de treinos do Finkel, há quarenta anos. A ele e a Ilana, agradeço as informações valiosas passadas. À senhora Búzia Finkel e seus filhos Alberto e Bea, se algum dia lerem este texto, presto através dele minha homenagem ao José. Perder este garoto aos 17 anos é uma tristeza eterna. Eu bem sei o que é isto.
Pedro Junqueira – ex-nadador do Minas Tênis Clube dos anos 70, aposentado precocemente das piscinas, pesquisador e aficionado da natação e história, está escrevendo um livro sobre a história da natação competitiva do Brasil e assina a coluna Arquivo Histórico do Bestswimming.
Entrevista A Flávio Clésio, Do Esporte Social. http://esportesocial.com/2010/09/26/bate-papo-edicao-de-aniversario-com-alberto-murray/
setembro 26, 2010
Esporte Social
O esporte tratado de forma lúdica de sociabilização e saúde.
Bate-Papo – Edição de Aniversário com ALBERTO MURRAY
O olímpismo nesse bate-papo será o assunto principal,
mas também veremos
como é ser um ativista do olímpismo em um país
que não liga a mínima ao esporte amador.
Com vocês… Alberto Murray!
ESPORTE SOCIAL: Olá Alberto, primeiramente
gostaria de agradecer
o prestígio em responder
essas perguntas, e queria dizer que sempre fui fã do s
eu trabalho. Conte-nos como foi a sua iniciação no esporte.
ALBERTO MURRAY: Eu nasci em uma família
de esportistas e vivo isso desde
que me entendo por gente.
Sempre gostei de praticar e assistir esportes.
Aprendi que o esporte
tem uma função social importantíssima
de inclusão social, como um elemento essencial para a formação
de um povo. Esporte é antes de qualquer
coisa educação. Hoje quando se fala em valores Olímpicos
as pessoas associam o assunto a dinheiro.
Olimpismo é uma filosofia de vida,
da união dos povos através da prática esportiva.
Simplesmente pedir aos povos que sejam amigos
é uma infantilidade. É preciso que gente de várias culturas,
credos, etnias se encontrem, se conheçam,
para que daí possam construir uma paz efetiva. E os Jogos Olímpicos
proporcionam isso. A juventude do mundo
se encontra a cada quatro anos para,
em minha opinião, construir um planeta melhor.
Eu comecei praticar esportes no Colégio Santo Américo,
muito cedo, aos sete anos de idade.
Jogava basquete pelo pré-mini da equipe filiada
à Federação Paulista. Aos treze anos fui para o atletismo,
no Esporte Clube Pinheiros. Tínhamos uma Equipe que
ganhava tudo, do mirim ao adulto.
Fui campeão paulista pelo Pinheiros mais de uma vez.
Em um determinado momento era o segundo do ranking
nacional na minha categoria. Competi também no esporte universitário,
ganhando algumas medalhas pela Faculdade de Direito da USP, o Largo de São Francisco.
ESPORTE SOCIAL: Como a sua família foi influente no s
eu processo de iniciação esportiva?
ALBERTO MURRAY: Absolutamente influente.
A figura do meu avô materno,
Sylvio de Magalhães Padilha, sempre foi muito marcante
em minha família. Em 1.972, com seis anos de idade,
fui aos meus primeiros Jogos Olímpicos.
E daí fui a todos os outros. Quando jogava basquete, todo
o final de semana tinha jogo cedo. Meus pais me levavam.
No Pinheiros, eu saia da escola no final da tarde e ia direito para o Pinheiros.
Treinava muito. E à noite meus pais, ou meu avô, me buscavam.
Meu avô às vezes ía assistir aos treino
ESPORTE SOCIAL: O seu avô foi um grande esportista, como ele pensava na forma de
fazer esporte e como ele influenciou o Olimpismo no Brasil?
ALBERTO MURRAY: Meu avô era um Olimpista. Sempre ouvi dele que muito
mais importante
do que medalhas olímpicas, era bem mais importante
ter um País de praticantes de esportes, do esporte para todos. Da quantidade, dizia ele, um dia tiraríamos a qualidade.
Como Professor de Educação Física, defendia que essa disciplina deveria ter a mesma importância que as demais, na grade escolar.
Esporte para ele era educação. Não era dinheiro, não eram medalhas. Ocorre que os governos nunca deram ao esporte a atenção que merecia. O Comitê Olímpico Brasileiro não tinha dinheiro para nada. Foram algumas vezes que, para levar nossas delegações a Jogos Olímpicos, meu avô o fazia no peito e na raça. Pedia empréstimos no banco em nome próprio. Meu avô tinha ojeriza à corrupção. Muitas vezes ele expulsava de sua sala no COB gente que queria patrocinar o esporte olímpico, mas que queria o famoso “rebate”. Ou seja, gente que queria um retorno, por fora, do dinheiro que pusessem no COB. Meu avô fuzilava essa turma com o olhar. Preferia não ter dinheiro a ter que participar dessas imoralidades. O Dr. André Richer e muitos são testemunhas disso.
ESPORTE SOCIAL: Alberto, como foi o seu processo de iniciação no olímpismo, e como você definiu isso como mote de vida?
ALBERTO MURRAY: Como disse, meus primeiros Jogos Olímpicos foram aos seis anos de idade, em Munique, em 1.972. Desde então eu me interessei muito pelo assunto e ví que aquilo não era apenas uma competição esportiva, mas uma filosofia de vida.
ESPORTE SOCIAL: Como é a tarefa diária de militar a respeito do esporte, e principalmente pelo o esporte olímpico?
ALBERTO MURRAY: É muito legal. Estou fazendo algo que gosto. Ao contrapor-me ao sistema e denunciar tenho a sensação de que estou fazendo um bem ao meu País.
ESPORTE SOCIAL: Como são os trabalhos na corte arbitral do esporte?
ALBERTO MURRAY: O CAS é o Tribunal máximo de resoluções de conflitos no âmbito esportivo, sempre que estão envolvidas matérias internacionais. É um Tribunal muito sério, que atua independente. Há excelentes Advogados no CAS. Eu aprendo muito com eles.
ESPORTE SOCIAL: Como foi a sua entrada no COB, e como foi o seu começo? Quais eram os maiores desafios na época em que você entrou?
ALBERTO MURRAY: Foi em 1.996, se não me engano. Foi um convite pessoal do Nuzman. Depois disso teve gente que me disse que ele via em mim uma ameaça e que, por isso, preferia ter-me sob sua supervisão. Uma bobagem dele. Ele é uma pessoa insegura. Basta prestar atenção que Você nota logo. Em um dado momento fui convidado por acadêmicos para dirigir a Academia Olímpica Brasileira. Mas como pelos estatutos autoritários é ele quem nomeia o Presidente, ele vetou. Claro que não me disse. Soube por terceiros. Minhas ações como membro da Assembleia Geral do COB sempre foram neutralizadas. Aliás, a Assembleia é apenas uma formalidade estatutária para referendar o que ele, Nuzman, já resolveu antes com sua tropa de choque. Uma perda de tempo. O grande desafio do COB àquela altura, na medida em que estava entrando mais dinheiro do governo, era massificar o esporte. Mas isso nunca foi preocupação desta gestão.
ESPORTE SOCIAL: O COB hoje passa por diversas controvérsias a respeito do seu papel, e principalmente a distribuição dos recursos?
ALBERTO MURRAY: Sim. O COB tem muito dinheiro e fica reclamando que quer mais. Dinheiro há. O que não há é boa gestão. A distribuição das verbas da lei Piva pelo COB é absolutamente errada. O COB privilegia as Confederações mais ricas em detrimento daquelas que eles chamam de “nanicas”. Assim, o volleyball, que já tem um patrocínio monumental do Banco do Brasil, ganha a maior fatia da Lei Piva. Por outro lado, Confederações como a esgrima, o levantamento de peso, o tênis de mesa, a luta olímpica, o badminton e outras continuam de pires na mão É correto isso? Claro que não. Além do mais, o COB consome com sua própria burocracia interna cerca da metade do dinheiro que recebe da Lei Piva, para pagar salários e outras coisas. Ora, se o Nuzman diz que o COB não tem a função de formar atletas, não seria correto enxugar a estrutura do COB e repassar mais dinheiro aos Atletas?
ESPORTE SOCIAL: O COB é o principal ‘agenciador’ (digamos assim) das olímpiadas no Brasil. Como o COB está se preparando para este evento, não como responsável pela a prospecção de valores esportivos, mas sim como somente agenciador da festa inteira?
ALBERTO MURRAY: Se a organização dos Jogos Olímpicos estivesse em mãos diferentes, isso poderia ser muito bom para o Brasil. Não somente para evitar estouros financeiros, mas para deixar um legado físico e, sobretudo, cultural. Poderíamos aproveitar o evento para criar uma mentalidade Olímpica no Brasil. Mas à preocupação do COB é usar as Olimpíadas para fazer negócios, construir obras que depois serão elefantes brancos. O COB deveria estar preocupado em criar material humano. Mas isso não faz parte da cartilha deles.
ESPORTE SOCIAL: Hoje você praticamente é a única voz combativa e contestadora do COB no esporte nacional, não te surpreende que as confederações não discordem dos métodos do COB?
ALBERTO MURRAY: Não sou a única. Tem muita gente boa que contesta o COB. A maioria dos atletas e das Confederações discorda do COB. Mas não falam abertamente com medo de retaliações. O COB transformou seus estatutos em uma espécie de Ato Institucional. Ele distribui o dinheiro como quer. Possibilita intervenções nas Confederações a seu bel prazer e por tempo indeterminado. Veja a intervenção autoritária que fizeram no levantamento de peso e na vela. O artigo 16 do estatuto do COB veda que qualquer brasileiro seja candidato aos cargos de presidente e vice-presidente. Somente podem concorrer a esses cargos quem está há cinco anos nos poderes do COB. Isto na prática significa dois mandatos. E além do que há de se ter 10 (dez) Confederações apresentando uma candidatura. Em uma entidade que vice de dinheiro público, isso é jurídica e moralmente um escárnio. Se alguma Confederação falar muito contra o COB, leva paulada, perde verba. O COB é truculento com a oposição.
ESPORTE SOCIAL: Como é ser a única força combativa no esporte nacional?
ALBERTO MURRAY: Como disse, não sou a única. Há muita gente legal e séria. O Juca Kfouri, o José Cruz, o Trajano, o pessoal todo da ESPN Brasil e vários blogs, como o seu, por exemplo, têm um papel muito importante para mudar as coisas do esporte. Eu sempre brinco que se alguém me mandar algum texto de jornalista sério elogiando o Nuzman e o COB, eu dou um picolé de tangerina. Até agora nunca achei nenhum.
ESPORTE SOCIAL: O que te motiva mais nessa luta a favor do esporte, e quais as suas motivações?
ALBERTO MURRAY: O esporte virou sinônimo de negócio. O COB e o governo não dão pelota para o esporte social. Eu acho que fazer o que faço é uma forma de contribuir com o Brasil. O COB é covarde por não contestar os governos e vice versa.
ESPORTE SOCIAL: De que forma você realiza a conciliação entre a sua vida profissional como advogado com a sua reponsabilidade pessoal com o esporte?
ALBERTO MURRAY: Concilio bem. Eu viajo muito em razão da minha profissão. Tenho uma equipe e sócios fantásticos que me cobrem. Fico ligado no Blackberry 24 horas por dia. Levanto no meio da noite para responder e-mails de clientes. O esporte é uma coisa que, sem a qual, acho que não conseguiria trabalhar muito. É um incentivo para as demais atividades.
ESPORTE SOCIAL: A sua vivência no olímpismo é muito extensa, gostaria que o senhor contasse uma história que te marcou profundamente.
ALBERTO MURRAY: O mundo do esporte revela sempre grandes e novas emoções. Todas as medalhas brasileiras sempre me marcam muito. Eu sei como é difícil para um Atleta do Brasil subir ao pódio olímpico. Mas um fato que me marcou muito foi o massacre à equipe israelense nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1.972. Eu era pequeno, mas lembro-me muito bem do dia. Foi muito tenso, muito triste. Meu avô era membro da Comissão Executiva do Comitê Internacional Olímpico. A um dado instante a Comissão Executiva ofereceu-se para ser trocada pelos Atletas reféns. Pouca gente sabe disso. Os terroristas não queriam. Eles queriam os judeus. Já sabíamos que na chegada ao aeroporto de Munique haveria uma carnificina. No dia seguinte, o culto ecumênico no estádio olímpico foi emocionalmente.
ESPORTE SOCIAL: Qual foi a sua pior derrota no esporte como dirigente?
ALBERTO MURRAY: Eu trabalhei muito no esporte universitário. A Federação Universitária Paulista de Esportes, a FUPE, ganhou um terreno da prefeitura. Mas ganhou somente o terreno. A construção do complexo esportivo deveria ser por conta da Federação. Nós íamos até o terreno e tinha lodo, mato. Sonhávamos em um dia ver ali o complexo esportivo dos universitários. Com a ajuda do Shopping Center Norte o complexo saiu do chão e virou um ponto de encontro dos desportistas universitários. O presidente da FUPE à época, Paulo Roberto Trivelli, falecido prematuramente, aos 34 anos, era um cara fantástico, inteligente, abnegado, honesto. Anos mais tarde, quando novas gerações assumiram a FUPE, fizeram tanta bobagem, utilizaram aquele terreno em benefício próprio, descumpriram o contrato com a prefeitura que lhes tomaram o terreno e tudo que lá estava construído. Não vejo isso como uma derrota, pois já havíamos deixado a FUPE fazia tempo. Mas vejo como uma grande tristeza.
ESPORTE SOCIAL: Qual é o atual momento olímpico no Brasil, e qual o futuro em aspectos como estrutura, esporte de alto rendimento e competitividade?
ALBERTO MURRAY: O atual momento do esporte do Brasil é aquilo que mencionei acima. Tem dinheiro e falta gestão competente. Pelo dinheiro público que o esporte olímpico recebe do poder executivo e das estatais, o Brasil deveria estar muito além. Mas continua patinando e as medalhas que ganhamos são naquelas modalidades que já nos dão medalhas desde a década de sessenta. Não aconteceu nada de novo. Se não houver mudanças na forma de administrar os destinos do Olimpismo, continuaremos sempre dependendo da abnegação de pessoas, de valores esporádicos para subir ao pódio.
ESPORTE SOCIAL: O Panamericano de 2007 foi o exemplo mor de sangria aos cofres públicos, onde de orçamento inicial de 400 milhões saiu por mais de 4 bilhões. O que deu errado?
ALBERTO MURRAY: Ou os organizadores são realmente muito incompetentes, ou eles realmente fizeram esse superfaturamento de má fé. Deu tudo errado. O TCU e o MP estão investigando e esperamos respostas. Não é possível que tenha havido um superfaturamento de 1.000 % e que tudo continue como está. Como diz o Antônio Roque Citadini, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o Nuzman é o inventor do orçamento flexível. Um truque que se pode usar é deixar tudo para a última hora, daí, apertados pelo tempo exíguo, vira obra emergencial e a coisa sai sem licitação pública por ordem do governo federal. Vamos aguardar as respostas do TCU e do MP (Ministério Público). As poucas obras esportivas que sobraram estão inúteis e não tem função social alguma. Não estão à disposição do povo. Isso é outro erro grave. É mais desesperador é ver que as mesmas pessoas que fizeram a lambança do Pan 2.007 vão querer organizar as Olimpíadas de 2.016.
ESPORTE SOCIAL: A Copa de 2014 vai ser a oportunidade do esporte nacional provar que pode ser sede de grandes eventos, ou vai ser um review requentado do Pan 07 em termos de gestão?
ALBERTO MURRAY: A Copa de 2.014 será um escândalo muito maior do que o Pan.
ESPORTE SOCIAL: Vou pedir um exercício de imaginação do senhor, como vai ser o Day After das Olimpíadas de 2016? Quais vão ser as principais notícias no dia 22 de agosto de 2016?
ALBERTO MURRAY: Manchetes como: “Ainda Falta Muito Para O Brasil Ser Potência Olímpica”; “País Tem Que Achar Função Social Para As Obras Super Faturadas” e por aí vai.
ESPORTE SOCIAL: O TCU tem apontado diversas irregularidades na gestão do Nuzman, bem como nos orçamentos do PAN 07. O que o senhor espera pra 2014 e 2016?
ALBERTO MURRAY: Se os órgãos fiscalizadores e o povo, assim como a imprensa não ficarem de olhos bem abertos, essas duas coisas juntas podem constituir-se no maior escândalo financeiro do Brasil. O dinheiro público do Brasil vai escoar pelo ralo e não haverá contra partida social. O Pan será muito pequeno perto do que pode acontecer.
ESPORTE SOCIAL: O senhor, assim como este webmaster é um opositor ferrenho do Sr. Carlos Arthur Nuzman (Presidente do COB), o que o senhor acha dele como gestor do esporte nacional, e quais foram os erros dele na sua gestão?
ALBERTO MURRAY: Nuzman tem um ego na lua. Ele não se ama, se inveja, quando se vê no espelho. Embora isso seja uma coisa que ele deveria tratar com psicólogo, acaba afetando o País, na medida em que ele é uma pessoa pública. Os grandes erros de suas sucessivas e intermináveis gestões é não saber gerir os recursos que recebe do governo, é não compartilhar com todas as Confederações um plano de longo prazo para o desenvolvimento do esporte de massa no Brasil, é querer medalhas imediatas para aparecer ao lado dos Atletas, é não estar nem aí para o lado social do esporte. Não temos um plano de desenvolvimento global do esporte, de longo prazo, embora haja dinheiro para isso. O projeto de Nuzman de transformar o Brasil em potência olímpica falhou.
ESPORTE SOCIAL: Até onde o senhor acha que o projeto de promoção pessoal dele vai chegar como presidente do COB?
ALBERTO MURRAY: Nuzman faz setenta anos daqui um ano e meio. Daí ele tem que sair do Comitê Internacional Olímpico, por idade. Ele tentou mudar as regras em Copenhagen, na Dinamarca. Mas tomou uma invertida. Assim, no CIO ele tem vida curta. Aliás, ele não é membro efetivo do CIO. Ele é membro na quota destinada aos presidentes de Comitês Olímpicos Nacionais quando da reforma estatutária do CIO. Isso quer dizer que se ele sair do COB hoje, também sai do CIO. Ele já tentou ser eleito membro da Executiva do CIO duas vezes. E perdeu as eleições. Tentou, também, aumentar o número de integrantes da Comissão Executiva do CIO. Sua proposta foi novamente derrotada. Nuzman vai tentar se segurar no COB até 2.016. Eu acho que ele deveria sair em 2.012. Em todos os Países que organizam Jogos Olímpicos, o presidente do Comitê Olímpico é um e o do Comitê Organizador é outro. Aqui no Brasil ele acumula os dois. E fica por isso mesmo. Nuzman faz o COB parecer ter um fim em si próprio.
ESPORTE SOCIAL: O esporte de alto rendimento vem sofrendo nos últimos anos para apresentação de resultados consistentes. Como o senhor vê esse atual momento do esporte nacional de alto rendimento?
ALBERTO MURRAY: Ainda dependemos de valores esporádicos, de talentos natos e de esportes que há anos, muitos anos, já dão medalhas ao Brasil. Não há qualquer planejamento de longo prazo.
ESPORTE SOCIAL: Nos mundiais, bem como nas olímpiadas tivemos uma queda significativa de número de medalhas, e uma baixa renovação, isso te preocupa e de que maneira isso pode ser solucionado ou agravado?
ALBERTO MURRAY: Enquanto o governo não entender que o esporte começa na escola, será impossível fazer o Brasil virar potência olímpica. Sou a favor da criação de uma agência reguladora do esporte nacional, que crie uma política esportiva de base, de longuíssimo prazo, que siga em frente independente dos humores dos governos. Se essa Agência existir e não for usada para barganhas políticas, pode ser uma boa opção.
ESPORTE SOCIAL: Se formos olhar com um óculos de ceticismo vemos que recursos financeiros não são problemas tão recorrentes assim para as confederações, haja vista que além dos recursos da lei Piva, tivemos alguns dos recordes de arrecadação nas loterias – a que disponibiliza, me corrija se eu estiver errado 47% de repasse -, mas porque o esporte de alto rendimento não anda?
ALBERTO MURRAY: Justamente porque não se tem um planejamento adequado para ele. A distribuição de verbas é injusta e somente ajuda a distanciar os ricos dos pobres. Igualmente, o que o COB consome com sua própria burocracia e salamaleque com dignitários estrangeiros é exagerado. Daí falta dinheiro aos esportes “nanicos”.
ESPORTE SOCIAL: De que forma pode-se exigir de um atleta um rendimento maior, e de que forma – se que é existe – pode ser criados dispositivos de cobrança aos atletas, bem como seguridade a eles em caso de contusão?
ALBERTO MURRAY: Quando o COB convoca suas seleções, há seguro para eles. Uma coisa que denunciei é que a empresa que fazia os seguros do COB era a AON Seguros, na qual um dos diretores do COB era diretor. Não posso afirmar que havia interesses pessoais aí. Mas o conflito de interesses é evidente. Não baste ser honesto. Tem que parecer honesto.
ESPORTE SOCIAL: O senhor é praticante do esporte social? E qual esporte pratica?
ALBERTO MURRAY: Corro duas Maratonas por ano. A de Paris e a de Chicago.
ESPORTE SOCIAL: A maioria das confederações não possuem artifícios para a prospecção de talentos espalhados nos rincões do Brasil, o Senhor Tem alguma alternativa para esse desperdício de talento?
ALBERTO MURRAY: Sim, dar às escolas públicas e aos professores de educação física de todo o Brasil condições de ensinar essa disciplina com dignidade. Hoje somente 12% das escolas públicas têm algum tipo de praça de esportes e ainda assim em condições muito precárias. Não existe esporte organizado no interior pobre do Brasil. Se existisse, com um projeto social sério, deixaríamos de selecionar as nossas delegações olímpicas somente em três, ou quatro Estados. Isso é um absurdo em um País com uma extensão territorial como o nosso.
ESPORTE SOCIAL: Pergunta de vestibular para o senhor: Como pode um país com aproximadamente 200 milhões de pessoas, com uma miscigenação altíssima e com uma amplitude de material genético como o nosso não conseguir se destacar em esportes olímpicos?
ALBERTO MURRAY: Pura falta de projetos sociais de longo prazo na área do esporte e prioridades equivocadas de todos os governos do Brasil, desde sempre.
ESPORTE SOCIAL: Aproveitando a pergunta anterior, o que o senhor acha desses dados?
[...] O Brasil saiu de Cingapura com 6 medalhas: 2 de ouro, 3 de prata e 1 de bronze e na 21ª posição no quadro de medalhas.
http://esportesocial.com/2010/08/28/rescaldo-jogos-olimpicos-da-juventude/Jogos Olímpicos
EDIÇÃO – OURO – PRATA- BRONZE- POSIÇÃO
Atenas 2004 5 2 3 16º lugar
Pequim 2008 3 4 8 23º lugar
Outros números:
- O Brasil levou a Cingapura a 5ª maior delegação ( 81 atletas ) sendo superado apenas pela anfitriã Cingapura ( 129 atletas ), Austrália ( 100 ), Rússia ( 96 ) e EUA ( 82 ). – Algumas potências esportivas e econômicas que ficaram a frente do Brasil ou tiveram um desempenho similar:
A frente do Brasil:
Cuba, a nossa “pedra no sapato” ( 5ª posição ), Azerbaijão ( 11ª ), Tailândia ( 14ª ), Israel ( 15ª ), Quênia ( 18ª ) e África do Sul ( 20ª ).
Superadas apenas no nº de medalhas de prata ou de bronze:
Colômbia e Etiópia ( 22ª posição empatados ), Egito e Cazaquistão ( 24ª empatados ), Irã ( 26ª ), Nigéria ( 29ª ) e Mongólia ( 32ª ).
Outros números chamam a atenção:
Países pequenos e que levaram delegações bem menores que a do Brasil, também chegou à nossa frente na classificação geral, cito três:
- Cuba, olha a nossa “pedra no sapato” aí de novo (41 atletas, ou seja, a metade da delegação do Brasil – 9 ouros, 14 medalhas no total e 5ª posição na classificação geral).
- Israel (15 atletas, três medalhas de ouro e 15ª posição).
- Quênia (11 atletas, três medalhas de ouro e 18ª posição). [...]
Fonte: Esporte Social – http://esportesocial.com/2010/08/28/rescaldo-jogos-olimpicos-da-juventude/
ALBERTO MURRAY: Reflexo da absoluta falta de política esportiva de base. Se essa geração, que será a de 2.016, tivesse tido a massificação do esporte, com trabalho nas escolas, certamente os resultados seriam melhores. A solução do esporte está nas escolas.
ESPORTE SOCIAL: Como universitário há mais de 3 anos, e tendo passado por mais de 3 faculdades (FATEC, Oswaldo Cruz e FIRB) a não ser ações isoladas dos alunos nunca vi nenhum representante de qualquer movimento ligado ao esporte universitário. Na sua visão porque os universitários hoje estão mais concentrados em bares e bebidas do que na prática do esporte?
ALBERTO MURRAY: Porque as universidades também não disseminam o esporte como um fator importante. Embora seja disciplina obrigatória, o fato é que tirando aqueles que estudam esportes, ou educação física, ninguém atende às aulas. Arrumam atestados. O CEPEUSP, por exemplo, tem uma estrutura fantástica, que foi totalmente deteriorada. É uma atitude criminosa. O governo do Estado de São Paulo deveria ter como uma de suas prioridades a recuperação do CEPEUSP. As competições universitárias, que no passado eram concorridas, hoje são deprimentes. Como mencionei acima, em São Paulo, o complexo esportivo que a FUPE construiu com muito esforço, foi tomado pela prefeitura por má utilização do terreno.
As autoridades não estão nem aí para o esporte nas universidades. Assim, por falta de interesse dos dirigentes e por falta de boas condições, os alunos acabam por desinteressar-se pelo esporte.
ESPORTE SOCIAL: Qual é a sua posição em relação ao esporte universitário no Brasil, e o que o senhor acha de atletas que ‘se matriculam em universidades’ somente na época da Universia e outros torneios?
ALBERTO MURRAY: Esse tipo de “matrícula fantasma” é o chamado “gato”. Não é esporte universitário. Não ajuda em nada. O mesmo está acontecendo agora com as Forças Armadas, que criaram o “gato militar”, só para participar dos Jogos Mundiais Militares. Sou absolutamente contra esse tipo de procedimento.
ESPORTE SOCIAL: Porque mesmo os clubes tradicionais como o Pinheiros, Hebraica, Tietê não revelam grandes expoentes internacionais como antigamente?
ALBERTO MURRAY: Muitas vezes a empresa entra apoiando o esporte de forma errada. Ela cria os seus próprios “clubes”, tirando os Atletas dos clubes formadores. A função das empresas não é de formar Atletas. Isso é função dos Clubes. As empresas deveriam entrar no esporte patrocinando os Clubes e não tirando deles os Atletas. Na medida em que isso ocorre, os clubes, sem dinheiro, acabam abandonando o seu viés esportivo e passam serem clubes essencialmente sociais. Há raríssimas exceções. Quando essa empresa que formam os seus “clubes” resolve encerrar com as suas atividades esportivas, os Clubes formadores não têm mais condições de reabsorver esses Atletas e Você vê equipes desmancharem-se e Atletas desempregados. Isso acontece a toda hora no Brasil.
ESPORTE SOCIAL: Como foi essa queda de produção dos clubes e há alguma explicação pra isso?
ALBERTO MURRAY: E explicação que dei acima, aliada ao fato de os Clubes rejeitarem os Atletas experiência e militante. Acho que aquele Clube formador que vier a receber dinheiro público deve apresentar a contra partida de ter um determinado número de Atletas experiência e militante.
ESPORTE SOCIAL: O Blog do José Cruz expõe quase que semanalmente os valores de patrocínios das confederações, como explicar que o seu avô (Sylvio Padilha) mesmo 70 anos depois, com o mesmo tempo dos 110 com barreiras ficaria em 10° mesmo com todo o advento tecnológico?
ALBERTO MURRAY: Porque a evolução do atletismo no Brasil nesse período foi patética. O presidente Gesta de Mello está no poder há cerca de vinte e cinco anos e, com todo respeito, fez muito pouco pelo atletismo de massa. Ele tem uma postura paternalista, que acha que está fazendo alguma coisa porque paga a casa de um punhado de gente. Isso resolve os problemas de alguns. Mas não do esporte dele, de maneira geral. Suam permanência longa no poder o desgastou perante a opinião pública.
ESPORTE SOCIAL: Em meados do ano passado houve uma explosão de casos de doping no atletismo brasileiro, em especial com a condução do Jayme Netto (hoje endorse da Probiótica Suplementos Alimentares). Na opinião do senhor, o que houve com esses atletas?
ALBERTO MURRAY: Não convivi com esses Atletas e nunca falei com o Jayme na vida. Assim, não sei o que aconteceu com eles. Mas acho que o doping deve ser exemplarmente punido. Acho que o controle de doping no Brasil ainda é fraco. Veja o laboratório Ladetec, em que uma matéria do Jornal O Estado de São Paulo mostrou as suas dificuldades de trabalhar. É o único laboratório credenciado pela WADA no Brasil. Nas provas de rua de atletismo, pelo interior do Brasil e mesmo nas capitais, a maioria ainda não tem controle de doping. Uma vez a ONG Sylvio de Magalhães Padilha flagrou em um exame de doping no atletismo seis frascos com a mesma numeração. Nós tiramos uma fotografia dos seis frascos com a numeração igual. A Mariana Lajolo, da Folha de São Paulo, fez uma matéria exemplar. Para quem não sabe, o kit de exame tem que conter três, apenas três, frascos com numeração igual. Um para a prova, outro para contraprova e outro de reserva. Com seis frascos, pode ocorrer que o atleta dopado urine em três e outra pessoa qualquer urine nos outros três. Depois eles trocam os frascos. Os dirigentes quando viram a matéria da Mariana deram de ombros, disseram que era um “simples erro”. Eu acho isso muito grave. Seis frascos podem servir para manipulação de exames. E por mais que haja controle, isso é controlado por humanos, que estão suscetíveis à corrupção.
ESPORTE SOCIAL: Como é ser a voz combativa e destoante frente ao exército de bajuladores que tomou conta da nossa mídia?ALBERTO MURRAY: Como disse, não sou a única voz. Há gente muito melhor do que eu que ecoa muito mais longe. Eu me sinto bem fazendo isso. Acho que faço um bem para o meu País denunciando o que está errado e apontando soluções. A cartolagem não gosta e alguns tolos dizem que somos ante patriotas. Antipatriotas são eles, que em vez de lutar pelo Brasil, estão afinados com as entidades internacionais que representam.
ESPORTE SOCIAL: Qual o seu desejo para que o próximo presidente faça pelo o esporte nacional?
ALBERTO MURRAY: Um grande programa de massificação de esporte, uma política ampla absolutamente voltada para o lado social do esporte.
ESPORTE SOCIAL: De que forma o próximo presidente vai influenciar nas políticas esportivas? E o que o senhor achou dos governantes do município e do governo de são Paulo estarem com o pé atrás em relação a obras referentes à olímpiada e a copa do mundo?
ALBERTO MURRAY: O próximo presidente, ou presidenta, pode influenciar bem se fizer a tal política social do esporte. Se pegar esse programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, fraco e recheado de denuncias de corrupção, no lixo. Eu acho um absurdo entidades internacionais virem aqui impor suas regras. Esse assunto da FIFA é ridículo. Sempre achei que a FIFA fosse vetar qualquer estádio já existente em São Paulo porque o interesse deles é fazer obras. Se eu fosse prefeito, ou governador, teria mandado a FIFA plantar batatas e diria que São Paulo, então, ficaria fora da Copa. Mas precisa ter peito para fazer isso. E político geralmente é covarde, a não ser no horário eleitoral gratuito.
ESPORTE SOCIAL: Quais Projetos Sociais que senhor apoia além do instituto SYLVIO DE MAGALHÃES PADILHA?
ALBERTO MURRAY: Com dinheiro e tempo, somente a ONG Sylvio de Magalhães Padilha, junto com outros três diretores e mais algumas pessoas físicas e poucas empresas que contribuem. Mas nosso orçamento é baixíssimo. E não queremos dinheiro público de jeito algum. Conseguimos fazer um trabalho produtivo, na área social do esporte. Além disso, beliscamos as nossas medalhas. Obtivemos agora dois ouros no Troféu Brasil de Atletismo. Um menino da categoria infantil já está entre os vinte melhores tempos do mundo entre os juvenis, na categoria juvenil, uma acima da dele. E uma outra menina também já está na seleção brasileira juvenil. Mas o mais importante é ver a criançada aprendendo esporte e os valores reais do Movimento Olímpico.
ESPORTE SOCIAL: Quais são as principais atividades da ONG, e quais as dificuldades de se tocar um projeto dessa amplitude aqui no Brasil?
ALBERTO MURRAY: Damos formação em atletismo para crianças de Paraisópolis, Tentamos ensinar olímpismo e acho que temos obtido bons resultados. Eu não reclamos da falta de dinheiro, Nós fazemos isso porque queremos e ninguém está obrigado a ajudar. Aqueles que ajudam são muito bem vindos. Sabemos que não é fácil pegar uma criança absolutamente pobre e fazê-la ver, assim como a sua família, que o esporte é um caminho bom para a vida. Mas temos conseguido. Interessante ver como, de fato, o Estado inexiste em setores essenciais da atividade humana, dentre os quais eu incluo o esporte de base. O pobre não tem apoio de ninguém no Brasil. À elite do País também é muito insensível.
ESPORTE SOCIAL: Alberto se for de seu conhecimento, gostaria que citasse alguns projetos de atletas, ex-atletas ou pessoas que condizem projetos de esporte social para a divulgação posterior aqui no site.
ALBERTO MURRAY: O Laes Grael, a Ana Moser, o Joaquim Cruz e a Paula têm trabalhos sociais muito bons. Há vários outros Atletas Olímpicos que fazem o mesmo. O pessoal do judô, o Flávio Canto, além de outros, também têm.
O CQC é o melhor programa da televisão aberta no Brasil. Mônica Iozzi é a musa da telinha. Fantástico ver um político malandro em palpos de aranha, com cara de bobo, tentando ser mais inteligente do que os seus sagazes entrevistadores.
O CQC, no quesito humor, só é superado pelo próprio horário eleitoral gratuito. O CQC faz graça refinada enquanto mostra a cara real das "personalidades" que dirigem o Brasil. Um excelente serviço prestado a todos nós.
Já o horário político, que pretende ser sério, escamoteia a verdade. Ou pelo menos tenta escamotear. Os pretendentes em ocupar cargos públicos falam de si como se fossem capazes de resolver as mazelas do seu Estado. Tipo: "Na Câmara Federal eu vou trazer mais verbas para a educação da minha cidade e região." Será que o sujeito sabe como vai fazer isso? Fico imaginando o possível futuro deputado indo bater na porta do ministro do planejamento e dizendo:"Tem verba aí para a minha cidade e região?".
O que torna o horário político uma comédia trágica não é somente o deboche escancarado de alguns candidatos. Acho que por trás do personagem do palhaço Tiririca (ele de novo!) deva existir um cidadão, uma pessoa que pensa alguma coisa. Mas ele prefere pedir votos sob o manto do personagem. Nunca vamos saber o que o pensa o homem e não o comediante Tiririca. É curioso ver que o candidato confia mais no personagem que criou para atrair o eleitor, do que nele próprio. Este é apenas um exemplo. Há vários outros que se escondem atrás de um tipo qualquer.
Alguns candidatos, percebe-se, não são debochados. Mas ainda assim são engraçados pela ingenuidade que transpassam. Gastam seus míseros segundos de televisão para dizer que "no Congresso Nacional vou resolver o problema das filas nos ambulatórios." Gostaría de perguntar como.
Mesmo com o Waldemar Costa Neto, o Genoíno e outros tipos fazendo cara de vestal, ainda acho que o pior de todos é o Maluf. Esse é imbatível. Quando se pensa que ele já deu o que tinha que dar, reinventa-se. Além de repetir toda a ladainho dos velhos tempos, ele desta vez posa como o "pai do pré sal." Fala da Paulipetro, que ele inventou quando foi governador de São Paulo, como se fosse o grande homem de visão que, há mais de vinte anos atrás, já havia farejado petróleo e gás nas profundezas abissais dos mares da Bacia de Santos. Assim como o Costa Neto não fala do mensalão, o Genoíno faz cara de paisagem sobre o caso do dinheiro na cueca, o Maluf pensa que ninguém sabe que a Paulipetro foi um dos maiores escândalos financeiros que São Paulo já enfrentou.
Esse tipo de político pode até ser pior que o Tiririca. Como disse, não sabemos que há por trás daquela roupa de Jeca Tatu New Wave. Assim, contra o Tiririca político temos preconceito. Contra os demais, é pós conceito mesmo, por tudo que já fizeram de ruim.
Ainda bem que nós temos o CQC, que de um jeito espirituoso, mostra-nos o homem, ou a mulher, que está atrás da fantasia de político.
A Piscina Maria Lenk É O Retrato Do Legado Do Pan Americano Rio 2.007. Texto e Fotografias de Aurélio Andrade dos Santos.
setembro 23, 2010
Mais uma evidência do legado do PAN:
Cadeiras do Parque Aquático Maria Lenk acumulam água e estão deterioradas
21/09 às 17h08 Texto e fotos do leitor Aurélio Andrade dos Santos
RIO – Estive na Copa do Mundo de Natação , realizada no Parque Aquático Maria Lenk , de 10 a 12 deste mês, e fiquei decepcionado com o que vi. As cadeiras estão desbotadas e feias, as indicações de acesso também. O parque foi construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e imagina como estarão em 2016?
O pior, acumulam água das chuvas, o que me deixou muito preocupado com a possibilidade de transmissão do mosquito da dengue. Bastaria apenas que tivessem um pequeno furo na cadeira para escoar a água.
Este texto foi escrito por um leitor do Globo.
Aguardem, vêm aí o legado das Olimpíadas do Rio de Janeiro.
Por Erik Figueiredo
Medalha Olímpica Por Medida Provisória!
setembro 22, 2010
Um dos Livros do Professor Darcy Ribeiro chama-se “Aos Trancos e Barrancos. Como o Brasil Deu no que Deu.” Apesar da profusão de escândalos de corrupção e das bobagens adminitrativas, o País vai indo. Penso naquela imagem do Brasil indo pelo ralo, mas que por ser muito grande, fica entalado, faz um esforço danado e desvencilha-se do buraco para ir seguindo o seu rumo. Planos mirabolantes já tentaram acabar com a inflação por decreto. A Medida Provisória editada pelo Executivo quer criar medalhistas olímpicos pelo Diário Oficial.
O lado bom da Medida Provisória é que, enfim, o esporte olímpico vai ter que prestar contas ao povo brasileiro de como gerencia a vastidão de dinheiro público que recheia os seus cofres. Desde a edição da Lei Piva, o Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) tem reinado soberano, mamado nas tetas do governo e escudado-se na falaciosa interpretação da Constituição de que, por serem entidades desportivas de direito privado, podem dar de ombros no momento de explicar como tem manuseado esses recursos. Se a Medida Provisória virar lei e se esta for cumprida, o COB terá que explicar o porque de nossos sucessivos malogros olímpicos, apesar dos cofres cheios. O exemplo mais recente foi a desastrosa participação nacional nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Singapura. E como o COB sabe que em seis anos não vai criar uma geração de medalhistas olímpicos, teve que engolir a seco essa imposição do governo. No domingo à noite houve uma tensa reunião na capital federal, de Nuzman com sua tropa de choque, Ary Graça, Coaracy Nunes e Roberto Gesta de Melo para esmiuçar o novo diploma legal. Ficaram apavorados, pois a festança pode estar no final. Terão que cumprir metas, previamente acordadas por escrito. Desta vez, não teve escapatória. Nuzman e sua turma tiveram que se curvar ao poder central. Tirando isso, a Medida Provisória não vai modificar em nada a estrutura do esporte brasileiro. Apenas servirá para aumetar a distância que já há entre a elite e aquelesq ue não têm acesso ao esporte.
A Medida Provisória ignora o fato de que somente 12% das escolas públicas no Brasil tem algum tipo de praça esportiva. E que nas privadas esse número é de 52%, o que também é baixo. Se o governo quer realmente alterar as estruturas do esporte, terá que começar alterando esta triste realidade. Até 2.016, o Brasil certamente não formará medalhistas olímpícos. Nossas medalhas continuarão vindo de esportes que desde a década de sessenta sobem no pódium olímpico, muito mais pela tradição, pelo esforço individual de um grupo diminuto de abnegados, do que por fruto de uma política esportiva popular e de longo prazo. Para começar a surgir uma nação olímpica, estudos internacionais comprovam que são necessários, pelo menos, doze anos de investimentos. E, ainda assim, em Países que já possuem estrutura de base, coisa que o Brasil está longe de ter.
Ganharia muito mais o País se a Medida Provisória destinasse recursos para que os colégios públicos pudessem construir praças de esporte de alto nível. Se houvesse um artigo que desse à educação física a mesma importância que se dá a outras disciplinas, tais como português, matémática, história, ou geografia. A educação física é tratada como disciplina de segunda categoria. Os professores de educação física da rede pública deveriam ter sido contemplados com aumentos salariais, para que pudessem realizar melhor seu trabalho. Hoje, esses professores ganham muito pouco. Têm que ministrar várias aulas, em locais diferentes, pulando de um lugar para o outro durante o dia, para ganhar um mínimo para sua subsistência. As aulas de educação física que o governo proporciona às crianças são um verdadeiro desistímulo à prática da ginástica.
A Medida Provisória tratou o Brasil como se não existisse miséria esportiva, como se não fossemos um País de sedentários pelo simples motivo de que o povo não tem acesso e nem meios de praticar esportes. O governo mostrou que não tem projeto social para o esporte. E que não digam que o projeto Segundo Tempo, eivado de denúncias de corrupção e desvio de dinheiro, é bom. Não é. É mal formulado, feito por gente aquinhoada do Ministério de Esporte que não entende nada do assunto. O Projeto Segundo Tempo não é projeto. É um escândalo.
A Medida provisória também não tratou do dinheio das estatais que vai diretamente para as Confederações (ex. Caixa Econômica Federal/Atletismo; Correios/Desportos Aquáticos; Infraero/Judô). Dinheiro de estatal também é dinheiro público. Deveria haver metas para isso também. Quem vai controlar isso?
A Medida Provisória deveria, também, ter regulado a questão dos mandatos dos presidentes de Federações, Confederações e do Comitê Olímpico Brasileiro, impedindo que haja reeleições indefinidas. Não adianta nada injetar mais dinheiro se quem vai continuar gerindo são exatamente as mesmas pessoas que, há anos, o vêm fazendo de maneira incompetente. Se hoje o esporte olímpico vai mal, se estamos aquém das nossas possibilidades, a culpa maior é dos gestores dos recursos. Como já escreveu José Cruz, dinheiro há. O que falta é gestão.
O Governo deveria ter preocupado-se em disseminar a cultura olímpica pelo País, incluindo como uma disciplina obrigatória na grade escolar a história do olimpismo. Ora, se o País vai sediar Jogos Olímpicos, temos que criar na nossa juventude uma mentalidade olímpica. O povo tem o direito de saber sobre o que se trata aquele evento cuja conta cara é ele que está pagando. Olimpíada, para o desgosto da nossa catolagem, não é somente negócio. É cultura e educação.
A Medida Provisória deveria ter ido além e modificado a forma como o Comitê Olímpico Brasileiro distribui o dinheiro público entre as Confederações filiadas. Hoje os esportes que já são mais ricos ganham as fatias mais polpudas dos repasses da Lei Piva. Aquelas Confederações que o próprio COB chama de “nanicas” continuam por aí, com pires na mão, à míngua e dependendo dos humores e agrados do tutancamon olímpico. O que adianta a um esporte “pequeno”, que o COB apenas pague a um atleta uma passagem para disputar competições no exterior? Isso pode ajudar a uma pessoa específica. Mas não é política para definitivamente popularizar aquele esporte. As Confederações “menores” não precisam de esmolas. Precisam de apoio contundente, pois somente assim poderão crescer. E dinheiro o COB tem, mesmo considerando que mais da metade do que recebe do Estado é consumido com a sua própria parafernália interna, enquanto que deveriam ser repassados aos Atletas.
Até 2.016 não seremos uma potência olímpica. Este governo e todos que o antecederam nunca trataram o esporte com a seriedade que merece. Nunca pensaram que a qualidade virá quando houver quantidade. Potência olímpica somente seremos quando os governos conscientizarem-se de que a solução do esporte está na escola. Somente depois de muitos anos trabalhando na base, poderemos selecionar atletas olímpicos capazes de brigar por medalhas. E que , considerando a vastidão do território nacional, estes não sejam selcionados em apenas três, ou quatro Estados.
Como disse o Professor Darcy, o Brasil vai aos trancos e barrancos para ver no que dá. O País da imprevidência. E do descaso.




