Agência Estado – 24/03/2.010.
Alerta: O Engenhão está se deteriorando
Menos de três anos e mais de R$ 400 milhões depois, o Estádio Municipal João Havelange, conhecido como Engenhão, virou objeto de discórdia entre a Prefeitura do Rio, o Botafogo e o consórcio de empreiteiras que fez a obra. O local, que está sob administração botafoguense por um período de 20 anos (a contar de 2007), tem problemas estruturais. E, diante disso, as partes discutem quem deve arcar com os custos para solucioná-los.
A questão central passa a ser, portanto, como uma obra dispendiosa – e que tem dado pouco retorno financeiro ao Botafogo -, que foi inaugurada há tão pouco tempo, pode sofrer com problemas de deterioração tão cedo?
A reportagem procurou a Rio-Urbe (Empresa Municipal de Urbanização), a Secretaria Municipal de Obras e o próprio prefeito Eduardo Paes para levantar essa e outra questão: os materiais utilizados no Engenhão (que custou R$ 405 milhões aos cofres públicos) eram de qualidade adequada, condizente com a magnitude do projeto?
Diante das questões levantadas, seguiu-se um jogo de empurra, assim como aquele que está sendo protagonizado por Prefeitura, Botafogo e as empreiteiras. Por fim, a assessoria de Eduardo Paes informou que o prefeito, única pessoa autorizada a tratar do assunto, falará apenas depois de uma reunião entre as partes, marcada para acontecer na sexta-feira.
Apenas o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, esteve disponível para comentar o imbróglio. Segundo ele, o Engenhão não sofre com problemas estruturais graves e não oferece qualquer risco a jogadores ou torcedores.
“Não sou louco de brincar com uma coisa dessas. Até porque quem pagaria a conta depois seria o clube, seria eu. O estádio é seguro. Os problemas são vazamentos, goteiras e outros pequenos problemas estruturais que, segundo o próprio contrato de concessão, deveriam ser custeados pelo consórcio de empreiteiras que construiu o estádio”, comentou o presidente do Botafogo.
As fortes chuvas recentes que caíram no Rio, incluindo um temporal que provocou um apagão e tornou o campo do Engenhão impraticável numa partida entre Botafogo e Olaria, no dia 14 de março, agravaram os problemas.
Ainda de acordo com Maurício Assumpção, sua administração recebeu o estádio, em 2008, com diversas irregularidades, como parcelas do seguro e do aluguel em atraso, assim como manutenção precária, cujos custos então giravam na casa dos R$ 700 mil. Desde então, tudo foi solucionado e o clube estaria em dia com a Prefeitura – a qual paga R$ 39 mil por mês de aluguel. Além disso, o Botafogo diz ter diminuído os gastos de manutenção para cerca de R$ 400 mil.
“Estamos mantendo um patrimônio que sequer é do clube. É um ótimo negócio para a Prefeitura”, disse Maurício Assumpção, assegurando que o Botafogo, mesmo se assim quiser, não pode recolocar sequer um azulejo quebrado, por força do contrato. Ele garantiu ainda que o clube leva à Prefeitura relatórios regulares sobre a situação do estádio e que foi ele mesmo que, pessoalmente, procurou Eduardo Paes para tratar dos problemas estruturais. Por isso a reunião de sexta-feira, na qual o prefeito promete por um fim à crise.
HISTÓRICO – O Engenhão foi a grande vedete dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Construído ao custo de R$ 405 milhões, o estádio estourou o orçamento inicial em mais de seis vezes: o valor previsto era de cerca de R$ 60 milhões.
Durante o Pan do Rio, o estádio foi palco das provas de atletismo, além de algumas partidas do futebol. Desde então, o Engenhão foi repassado em concessão ao Botafogo, a quem cabe fazer a sua preservação.
Do ponto de vista financeiro, a instalação tem se revelado um elefante branco para o clube, que tem dificuldades em torná-lo rentável, com a pouca quantidade de público, mesmo em clássicos. Do lado esportivo, competições de atletismo são raríssimas.
Agência Estado