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Em 2.007 o total arrecadado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) em decorrência da Lei Piva foi de R$ 84.956.905,00 e o total aplicado de R$ 90.606.957,00, considerando as sobras do ano anterior. Em 2.008 a arrecadação subiu para R$ 91.931.656,00 e o total aplicado foi de R$ 93.473.511,00. Desses valores, em 2.007, descontada a parte que, obrigatoriamente, é destinada ao esporte escolar e universitário, as Confederações Olímpicas ficaram com R$ 32.463.754,00 (47%) e o próprio COB com R$ 42.031.382,00 (53%). Em 2.008 a situação agravou-se. Para as Confederações Olímpcas foram R$ 34.171.305 (43%) e o COB reteve para si R$ 44.677.638,00 (57%). Esses dados são do próprio sítio do COB. Ora, se o COB tem por princípio não formar Atletas, não é correto que a burocracia da entidade consuma tanto dinheiro em detrimento dos interesses das Confederações Olímpicas e dos Atletas que dela dependem para viver, para treinar. Apropriado seria que o COB enxugasse a sua estrutura administrativa que, hoje, é desnecessariamente grande e tivesse em caixa dinheiro apenas e tão somente para as suas despesas ordinárias, sendo todo o resto repassado para quem forma o Atleta. É de se notar que, além do dinheiro da Lei Piva, o COB também tem repasses diretos do Ministério do Esporte, por meio de Convênios assinados entre as partes, dinheiro decorrente do aluguel de imóveis que possui no Rio de Janeiro e de alguns poucos patrocínios privados.  Por mais que o COB tente explicar as razões pelas quais retem para si verbas tão altas, não é possível concordar com essa política. Se formos verificar quanto cabe à cada Confederação, o assunto fica ainda mais preocupante. O COB destina cerca de 75% das verbas para três, ou quatro Confederações, justamente aqueles que não precisam, pois têm polpudos patrocínios estatais para si. Enquanto isso, a enorme maioria das Confederações, que o COB trata como “nanicas”, ficam com fatias muito pequenas do bolo. E depois o COB ainda quer cobrar delas resultados. Está tudo errado na administração desse dinheiro que provém da Lei Piva. Por isso defendo que ele não pode ser gerido por uma só pessoa, com poderes plenipotenciários para destinar aonde vão investir o dinheiro que é de nós todos, pois é público. E ás Confederações discriminadas pelo COB, cabe a elas um contraponto a esse descalabro administrativo.

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