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A vela, desde a década de sessenta, tem sido um esporte de glórias para o Brasil. É aquele que, ao longo do tempo, vem acumulando medalhas para o nosso  pobre paisinho olímpico (como diz José Cruz). Paradoxalmente às vitórias dos heróicos velejadores, administrativamente, essa modalidade nunca enfrentou tão grave crise.  Vejam o exemplo recente, em que o número de Atletas que participou do pré-olímpico ficou aquém do esperado, uma vez que muito deles não tinham condições financeiras de fazê-lo (leiam matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo sobre o tema). Pior ainda é o estado da Confederação Brasileira de Vela e Motor, cujas condições administrativas e financeiras são calamitosas.  O Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”), sob o pretexto de resolver os gravíssimos problemas daquela Confederação, promoveu, há tempos, uma intervenção. Além de ser uma atitude arbitrária, ditatorial, o COB nada fez para sanear a entidade. Vejam que absurdos:

-  A intervenção, aceitável em casos  muito específicos (corrupção, por exemplo), deve ter um tempo definido. No caso da vela e Motor, o COB entrou lá, nada fez e nunca mais saiu. Caberia ao COB, no menor espaço de tempo possível, auxiliar a restruturação da Confederação e logo convocar eleições. Internevção por tempo indeterminado e sem prestar contas do que anda fzendo com o dinheiro público, é coisa de ditador;

- Claro que o interventor que lá está é homem de confiança do COB, Carlos Martins, que além de ser, pretesnsamente, o responsável pela solução dos problemas da vela, também ocupa um cargo importante na organização do Rio 2.016. Ora, se ele tem a obrigação de tirar a Confederação do buraco e, ao mesmo tempo, atuar no Rio 2.016, como fará para dar conta das duas coisas, sendo que ambas, supostamente, lhe devem tomar bastante tempo? O interventor carlos Martins deveria optar, ou cuida da Vela, ou vai trabalhar no Rio 2.016;

- O COB não revela a real dívida da Vela. Mas ela é gigantesca. Dizem que varia entre 30 e 100 milhões.  Não entendo porque o COB faz mistério sobre esses números. Há jurisprudência de que o dinheiro proveniente da Lei Piva é penhorável. O que acontecerá se todos os recursos da vela forem penhorados, em ações judiciais movidas contra a Confederação por seus credores públicos e privados? Como dar-se-á a preparação dos Atletas para os Jogos Olímpicos, principalmente aqueles que terão sede no Rio de Janeiro, em 2.016? Qual a explicação que o COB tem para isso? Existem alternativas propostas pelo COB? Esse dinheiro faz parte do balanço do COB? Pelo menos não naquele que é divulgado à imprensa.

- Outra situação juridicamente curiosa é que o interventor, Carlos Martins é um funcionário do COB lotado na Confederação. E a ele é dado poder de voto na Assembléia Geral. Como pode um funcionário da entidade, nomeado interventor, votar como se fosse  um presidente eleito?

O COB tem obrigação de prestar contas, publicamente, a quantas anda a situação da vela e o que pretende fazer com ela. Afinal de contas, tudo isso tem sido bancado com dinheiro público.  O COB também tem que contingenciar esse valores em seu balanço. E, na maior rapidez possível, convocar eleições livres e democrátcas para que a própria gente da vela, assuma a Confederação. Há pessoas muito competentes que podem fazer isso.

A intervenção por tempo indeterminado por parte do COB, além de ser uma aberração jurídica, típica dos deploráveis regimes de exceção, é muito conveniente para controlar o voto da Vela e Motor nas Assembléias Gerais.

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