Alberto: é preciso resgatar a credibilidade do COB

Minha posição contrária à candidatura olímpica brasileira foi pública e democrática, fosse a cidade escolhida Rio, São Paulo, Cuiabá, Porto Alegre, ou qualquer outra metrópole do País. É claro que gostaria de ver os Jogos Olímpicos realizados no Brasil. Mas não agora.

Defendo que o vasto dinheiro público que se gastará com essa competição seja investido em saúde, transporte público, alimentação, educação, habitação, esporte para todos e outras áreas sociais em que somos carentes. E só depois, daqui a alguns anos, os Jogos Olímpicos viessem como um prêmio em razão de o País ter conseguido debelar, ou minimizar, suas mazelas.

Mas o fato é que o Rio sediará os Jogos Olímpicos já em 2016. E temos que lidar com essa realidade. Venderam ao povo brasileiro que os Jogos Olímpicos serão a solução dos nossos problemas. Isso não é verdade. Tendo em vista que o legado dos Jogos Pan Americanos em 2007 foi zero, enquanto o orçamento explodiu em 1.000% e considerando que as pessoas que pretendem organizar as Olimpíadas são exatamente as mesmas, nada me faz acreditar que poderemos esperar algo melhor. Para eles, tenho a impressão de que os Jogos Olímpicos não passarão, apenas, de um grande negócio. Mas, ainda assim, não devemos dar a causa como perdida. Justamente pelo passado negativo dessa mesma gente é que caberá ao Ministério Público Federal, ao Tribunal de Contas da União, à Controladoria Geral da União e ao povo fiscalizar com verdadeiro rigor, denunciar e processar os culpados sempre que houver desmandos no uso do dinheiro público.

A vitória da candidatura olímpica não é um salvo conduto para que os dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) façam o que bem quiserem com o nosso dinheiro. Eles não têm do povo brasileiro uma “carta branca”. Se dessa vez as autoridades cumprirem o que prometeram, se não houver o mau uso de dinheiro público (superfaturamentos e falta de licitações públicas), se atrelado aos Jogos Olímpicos criarem uma agenda social em que o povo seja realmente beneficiado pelo legado que a competição deixará à sociedade, terá valido à pena. Contudo, se forem repetidos os erros e desmandos do Pan Americano, veremos um escândalo de proporções muito maiores. E o Brasil levará anos para pagar a conta. Diante dessa preocupação, melhor será que os atuais dirigentes do COB saiam e dêem lugar a novas pessoas, para aparar as arestas do esporte olímpico nacional e resgatar a sua credibilidade em face ao povo brasileiro.

Alberto Murray Neto é advogado de Paulo Roberto Murray – Advogados, em São Paulo.

2 Responses to “Que saiam os dirigentes do COB! – Artigo publicado no Jornal Perspectiva!”


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  2. Alonso de Toledo Says:

    Caro Alberto:

    Meu maior medo é que, dado o fatídico atraso na concretização de todos os investimentos e obras de infraestrutura, que irão consumir a maior parcela do orçamento, ou pior, se permitirmos, muito além dele, ocorram chantagens do tipo “não há tempo para fazermos licitações conforme manda a Lei Nº 8666, então teremos que contratar sem concorrência”, “quem está conra as obras está contra o Brasil”, ou ainda, “não podemos deixar de fazer as obras sob risco de não termos os Jogos”.

    Repare que isso irá acontecer muito em breve com relação à Copa do Mundo, pois o tempo está passando e não se adotou medida alguma com relação às obras de melhoria até agora, parecendo que estamos até o momento apenas discutindo a validade ou a exequibilidade dos projetos, e de onde sairá o dinheiro para as prometidas revoluções urbanas em troca de 5 ou 6 jogos de futebol!

    O fato é que a “Carta Branca” está muito próxima, e parece inevitável, infelizmente.


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