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A consagradora vitória do César Cielo mostra, mais uma vez, que o esporte brasileiro vive de heróis, de talentos naturais que são cuidadosamente lapidados e que, por esforço brutal, consegue chegar ao patamar mais alto do pódium. Será que se o gigante César Cielo tivesse nascido na França, ou nos EUA, o caminho dele para a glória teria sido menos difícil? Sim, acho que teria. Lá o Atleta de alto rendimento tem efetivo apoio dos órgãos dirigentes do desporto. O esporte brasileiro, a cada dia, dá demonstrações de que suas conquistas não são fruto de um trabalho planificado, de longo prazo, da famosa política esportiva. Cielo lutou muito para chegar aonde está. Um dos melhores depoimentos do programa Brasil Olímpico, da ESPN Brasil, foi dos pais do nadador brasileiro, que deixaram muito claro que se não fosse o sustento financeiro deles próprios, esse talento teria ficado pelo meio do caminho. Emocionante a declaração da mãe de Cesar Cielo, ao afirmar que as medalhas olímpicas eram dele e que vieram sem apoios oficiais. Melhor ainda foi quando a corajosa mãe intimou a cartolagem a nunca mais trancar o filho em uma sala e fazer sobre ele irresistível pressão para não falar a vedade, ou o que de fato sentia. Essas medalhas obtidas até agora em Roma, embora poucas em comparação com o potencial que o Brasil poderia desenvolver, são de enorme valia. E servem para comprovar que, cada vez mais, o Brasil precisa de mudanças na direção do esporte, de forma a arejar as arestas. Que não digam os dirigentes que a medalha de Cesar Cielo é produto de suas administrações competentes. Não é. Deixem o Cielo falar. Deixem os pais dele falarem novamente. Vale sempre questionar quanto dinheiro da Lei Piva foi investido na formação do Atleta, vis-a-vis a dinheirama que jorra pelos ralos da candidatura olímpica brasileira. Será que se o Comitê Olímpico Brasileiro parasse de jogar dinheiro em investimentos sem retorno e passasse a preocupar-se mais com a formação dos Atletas, não teríamos muito mais Cielos? Claro que sim.  Será que não cabe ao clube formador receber parcela da Lei Piva? Sim, desde que a eles, também, sejam impostas regras rígidas de controle uma vez que estarão lidando com dinheiro do povo e estabeleçam quotas mínimas para Atletas militantes. O que não é mais possível é uma entidade, o Comitê Olímpico Brasileiro, receber milhões de Reais de dinheiro público e gastá-lo como bem entender. Inclusive com candidaturas olímpicas . Não vamos usar as medalhas de Roma para tapar o sol com a peneira e jogar a sujeira para baixo do tapete. Vamos aproveitar o momento para discutir, a fundo, os rumos do esporte brasileiro.

Por José Cruz
 
30.07.2009

O drible do ministro


     A convite do ex-craque Raí, do São Paulo Futebol Clube, participei há poucos meses de uma reunião na capital paulista. Raí lidera o movimento Atletas pela Cidadania, de apoio às boas causas sociais, reunindo expoentes do esporte olímpico e paraolímpico: Magic Paula, Lars Grael, Gustavo Borges, Ana Moser, Joaquim Cruz, Fernando Meligeni, Rosane dos Santos, Gustavo Borges, Clodoaldo da Silva, Branca, Rogério Ceni e tantos outros.

     Minha participação foi para apresentar algumas análises sobre o que temos e como são usados os recursos públicos para o esporte. Lá pelas tantas, entrou na pauta a questão do momento, os gastos do governo com a realização dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Era recente o primeiro relatório dos auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), com indícios de irregularidades – superfaturamentos, principalmente.
                 

    Com base no que os auditores escreveram, manifestei aos atletas minha esperança de que teríamos um relatório final surpreendente e exemplar, assinado pelo então ministro do TCU, Marcos Vilaça, há pouco aposentado.

    Até então apenas ouvindo, Cláudio Weber Abramo manifestou-se. Diretor da ONG Transparência Brasil, ele discordou de meu entusiasmo e sentenciou, para a decepção de todos:

     “Não se iludam. Isso não dará em nada”, afirmou.

 
    Voltei aos argumentos otimistas e lembrei de um rápido encontro que tive com Marcos Vilaça, em seu gabinete. Na ocasião, ele recebia a visita do ministro do Esporte, Orlando Silva. Mais três ou quatro funcionários do TCU – imagino que fossem os auditores que trabalhavam no processo do Pan – estavam numa ampla sala.

    Antes da primeira pergunta e adiantando que não tinha muito tempo para atender repórter, Vilaça foi direto em sua mensagem. Em resumo, disse o seguinte:

     “Estou explicando ao ministro Orlando que não é possível driblar a lei. Sei que estamos próximos da realização do Pan-americano e promover licitações agora pode provocar mais atrasos nas obras. Mas não tem desculpas, pois não podemos concordar com qualquer proposta em contrário”.

    Ficou claro que Orlando Silva foi ao TCU pedir para “driblar a lei”, isto é, contratar obras e serviços sem licitação, uma afronta, uma agressão, uma fraude para quem conhece um mínimo sobre administração pública.
E insisti aos Atletas pela Cidadania que não deveríamos temer, pois o TCU seria, como é seu dever, rigorosíssimo, indiciando os fraudadores. Ricardo Vidal, que em Brasília dirige o Instituto Joaquim Cruz, estava nesse encontro de São Paulo e testemunhou a sentença de Cláudio Abramo:

     “Não se iludam. Conheço essa gente. Essa manifestação do ministro foi uma encenação”.

    Passa o tempo e sai, enfim, o terceiro relatório sobre os gastos nos Jogos Rio 2007. E o que se constatou? Que, lamentavelmente, Cláudio Abramo tinha razão.

     É preciso dizer que os técnicos, os auditores do TCU foram rigorosos. O levantamento que fizeram não deixa dúvidas sobre os deslizes cometidos com o dinheiro público, no Pan. Mas o ministro, em ato decisivo que antecedeu sua aposentadoria, foi complacente, omisso e parceiro do ato ilegal e imoral.

     Pior: consagrou que sua declaração à imprensa, naquela reunião com Orlando Silva foi, de fato, encenação. No melhor estilo do drible da vaca, Marcos Vinicius Vilaça encenou o jogo da mentira e driblou a lei, como foi lhe propor o senhor ministro do Esporte. Por tabela, colocou na cara do gol da salvação e da impunidade o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos, Carlos Arthur Nuzman.

Profissionalmente, confesso, tomei o drible da ingenuidade. Acreditei na autoridade, competência e firmeza de uma autoridade do TCU, Marcos Vilaça. Não honrou esses princípios.

    Vilaça, que chefiou a delegação da Seleção Brasileira num jogo contra a Argentina, é amigo íntimo de Ricardo Teixeira, o que dispensa comentários para traçar um perfil mais fiel sobre o ministro aposentado.

JUCA KFOURI

Deixem Jesus em paz


Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro

MEU PAI , na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: “Você não tem cultura para se dizer ateu”, sentenciou.
Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler “Em que Creem os que Não Creem”, uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.
De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.
Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.
Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.
Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.
E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.
Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.
E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.
Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.
É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos…
Ora bolas!
Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.
Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus…

blogdojuca@uol.com.br

Já manifestei-me que discordo da forma como a Academia Olímpica Brasileira (“AOB”) foi criada. Tudo amarrado à mão forte do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”). O presidente e o vice da AOB são indicados pelo presidente do COB, controlados por eles. Isso tira a liberdade de expressar livremente as suas idéias. Imaginem o que ocorreria com a AOB se fosse ali produzido um documento contrário à realização dos Jogos Olímpicos no Brasil. Ou criticando a falta de legado para o Pan Americano. Qualquer Academia, por definição, deve agir com liberdade de pensamento.

A AOB é formada por gente de alta qualidade. Estive lá em 1.994, em Olympia, na Grécia. É uma experiência enriquecedora. Recentemente, em uma palestra na FMU, em São Paulo, dividi um painel com o Professor Lamartine Pereira da Costa. O tema da nossa exposição era os Jogos Olímpicos de Pequin e a candidatura carioca. Redundante dizer o brilhantismo com que o Professor Lamartine abordou o tema. Ele estampou no telão uma fotografia muito significativa, em que mostrava os organizadores dos Jogos de 2.008, sentados em uma mesa, discutindo a organização olímpica, juntamente com Acadêmicos daquele País. A mensagem foi clara, objetiva, direta: Os Acadêmicos Olímpicos do Brasil não são ouvidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro. E eu vou além. Não recebem o apoio que deveriam.

Fosse eu o responsável pelo Comitê Olímpico Brasileiro, começaria por alterar os estatutos da AOB. Faria eleições diretas. Os seus próprios membros elegeriam sua diretoria. Acabaria com a era do dedo poderoso do COB apontando a figura do presidente, do vice e de qualquer outro membro da diretoria.

Destinaria recursos da Lei Piva para desenvolvimento de estudos acadêmicos na área olímpica, fazendo com que fossem divulgados em todo o Brasil. Atualmente os recursos que o COB repassa para ações da AOB são asbolutamente irrelevantes.

Daria apoio democrático à publicações e pesquisas diversas. Hoje, o COB só apoia publicações de quem lhe é simpático. Não aprofunda a discussão. O COB não publica, por exemplo, as obras da Professora Katia Rúbio.

Acho, também, que um membro da AOB, escolhido por seus próprios pares, deveria ter assento na Assembléia Geral do COB. E, mais ainda, em seu Conselho Diretor.

Ocorre que as Academias são centros de pensadores, dos quais os ditatores normalmente têm medo. O meio Acadêmico sempre foi um celeiro de gente disposta discutir, a propor novas idéias, de contestação.  É claro que o COB tem receio de ter uma AOB livre para pensar.

Quando afirmo que o Brasil precisa ter uma mentalidade olímpica, isso não quer dizer, apenas, que deveríamos ter um projeto social de esporte para todos. Mas, igualmente, disseminar a filosofia olímpica, como opção de vida, na nossa sociedade. E a AOB teria papel fundamental nesse processo de educaçäo Olímpica.

Enquanto não houver mudanças profundas na forma em que o COB vê a AOB, ela nunca terá possibilidades de contribuir como poderia – e deveria – para o desenvolvimento educacional da nação.

Essa é a minha proposta.

 Texto de José Cruz.
26.07.2009 

Depoimento de Poliana\

    Poliana Okimoto, que recentemente ganhou a medalha de bronze no Mundial de Maratona Aquática, respondeu às minhas indagações sobre o seu orçamento de atleta. Acompanhe o depoimento:

 
     “O Pinheiros foi o grande incentivador da minha carreira. Eles acreditaram em meu potencial, mesmo antes de dar algum resultado internacional. Quando passei das piscinas para as maratonas, houve muita dúvida se eu iria me adaptar ou não. Porém, o clube me apoiou muito na nova decisão, acreditando no meu trabalho.”

     “Além do Pinheiros, nadei em outros clubes, e desde 14 anos me mantenho entre as melhores nadadoras de fundo do Brasil. Desde então, tive incentivo, com ajuda de custo e bolsa de estudos, para continuar a treinar tranquila.”

     “A CBDA sempre pagou minhas viajens com a Seleção Brasileira (minha primeira Seleção, foi em 1997). Porém, não recebia ajuda de custo. Após minhas duas medalhas de prata no Campeonato Mundial de maratonas aquáticas, em Nápoles (2006), comecei a receber ajuda financeira deles”.

Análise

    Com essa declaração ficam claras: a importância do Clube Pinheiros na formação de Poliana e a comprovação de que o dinheiro que a CBDA recebe do patrocinador (Correios) e da Lei Agnelo Piva não chegava ao atleta. Pode até estar chegando, agora, depois da bronca do medalhista de ouro, Césa Cielo, logo após os Jogos de Pequim. 

     E a CBDA, é oportuno lembrar, tem patrocínio dos Correios desde 1991 e é contemplada com cerca de R$ 2 milhões anuais da Lei Agnelo Piva (via COB), desde julho de 2001.

       Portanto, não é exagero pedir que as confederações apresentem não só as suas prestações de contas, mas seus planejamentos de gastos com verbas públicas, justamente para se saber quanto está sendo destinado aos atletas de ponta. Afinal, eles são a razão de ser do esporte. Sem eles, não haveria necessidade de patrocínios de estatais e outras verbas públicas.

Por José Cruz

Wilson Reeberg escreve-me e pede que eu publique esta nota de esclarecimento. Diz Wilson que o título do post abaixo com a expressão “apesar do COB” não valeria para este caso. Wilson afirma que no caso do Atleta juvenil Vice Campeão Mundial foi o Comitê Olímpico Brasileiro quem pagou as despesas da viagem, por intereferência do atual interventor da Confederação Brasileira de Remo, colocado no cargo por determinação da Justiça, que afastou Rodney Araújo. Assim, quero deixar claro que os custos, segundo informações de Wilson Reeberg, neste caso, foram pagos pelo COB.

A expressão “apesar do COB” foi minha. E, na minha visão, ela fica valendo. Isto porque o COB não pode obter para si os louros dessa vitória do remo juvenil brasileiro, somente porque pagou essa conta. Durante anos o COB deu guarida e proteção à gestão conturbada e constestada de Rodney Araújo à frente da Confederação Brasileira de Remo. Como bem disse o Wilson Reeberg, no ano passado houve erro no planejamento do Atleta, o que lhe tirou a medalha. O COB náo fez nada e não pode ser isentado de culpa. O COB nunca mexeu um dedo para afastar Rodney de suas funções, porque esse lhe era um voto seguro nas eleições. Por nada jurídico e nem por qualquer desvio financeiro, o COB interveio na Confederação Brasileira de Levantamento de Peso. Em minha opinião uma intervenção absolutamente ilegal, segundo os estatutos e regulamentos do próprio COB. O COB atua com dois pesos e duas medidas. Assim, se o remo hoje anda mal e tem suas contas discutidas na Justiça, o COB também tem responsabilidade sim. Essa é a minha opinião.

Texto de Wilson Reeberg, o candidato de oposição à Confederaçaão Brasileira de Remo.
O remador brasileiro peso-leve (até 72,5 kg), Ailson Eráclito da Silva, acaba de sagrar-se vice-campeão mundial de remo na categoria sub-23, remando no barco single-skiff.
 
A prova foi disputada em Racice, República Tcheca, às 11,24 h (hora local), correspondente às 6,24 h deste domingo.
 
Ailson, remador amazonense treinado pelo técnico Manasseh Barbosa, disputou contra 31 concorrentes e teve um desempenho brilhante em todas as etapas do campeonato mundial: venceu a eliminatória, as quartas de final e a semi-final, sempre fazendo os melhores tempos. Ele e o iraniano Mohsen Shadi Naghadh, vice campeão no ano passado, eram os mais cotados a medalha de ouro.
 
Hoje, na final, Ailson teve um problema técnico na partida (seu remo ”enforcou”), o que fez com que nos 500m iniciais estivesse em 5º lugar. Porém, recuperou-se durante o percurso e foi ganhando posições, terminando a prova em 2º lugar, somente 1 segundo e 79 centésimos atrás do iraniano. Os demais colocados foram Alemanha (3º), Servia (4º), Venezuela(5º) e Holanda(6º).
 
Esta é a primeira vez que um brasileiro do remo olímpico sobe ao pódio. No ano passado, ele já tinha plenas condições de ser medalhista, mas a Confederação Brasileira de Remo, num ato de grande displicencia, inscreveu-o na categoria pesado, onde ele não tinha nenhuma chance contra competidores mais altos e mais fortes. Mesmo assim, correndo em desvantagem, os tempos de Ailson provaram que se ele tivesse sido inscrito na categoria certa teria subido no pódio.
 
A CBR, na época presidida por Rodney Bernardes de Araujo (deposto do cargo pela Justiça em maio deste ano), nunca se dignou em dar explicações públicas sobre esse erro.
 
Agora, sem Rodney Araujo  para atrapalhar, Ailson foi buscar a medalha que  teria sido sua já no ano passado, mas não sem antes enfrentar mais um desafio: o orçamento de 2009, feito por Rodney Araujo, não previa a participação do Brasil no Mundial Sub-23 e o COB afirmava não dispor de verba para este evento. Mas depois acabou por disponibilizá-la, possibilitando a viagem.    
 
Ailson é amazonense, assim como seu técnico Manasseh Barbosa. Ele é fruto de um trabalho social desenvolvido pela ONG de seu técnico, que também treina vários outras promessas de medalhas, no futuro. Apesar de residir e treinar em Manaus, Ailson compete pela Tuna Luso-Brasileira, de Belém, uma vez que a federação amazonense de remo não admite relacionar-se com o clube de Manasseh, por razões de ordem política. 
 
O Brasil ainda participou de duas outras provas neste mundial: o quatro com (categoria pesado) ficou em 10º lugar entre 10 concorrentes. Já o quatro-sem (peso-leve) ficou em 12º lugar entre 19 concorrentes.
 
Na opinião unãnime dos remadores brasileiros, o resultado de Ailson veio injetar ÂNIMO novo no remo brasileiro, desmoralizado que estava durante a gestão de Rodney Bernardes de Araujo, que em quase vinte anos de gestão não conseguiu nada melhor do que deixar os atletas brasileiros sempre entre os tres últimos colocados, nos campeonatos mundiais de que participavam.
 
PARA MAIORES DETALHES, CONTATAR MANASSEH BARBOSA: e 3088-7202
 
Cordialmente,
 
Wilson Reeberg

JOGOS PAN-AMERICANOS

  Tribunal aprova a farra.

Mesmo com irregularidade constatada, TCU isenta autoridades do Jogos Pan-Americanos em gastos de R$ 21,5 milhões, aplicados nas solenidades de abertura e encerramento do evento

José Cruz

  Dois anos depois de ter sido realizado, revela-se o mais recente escândalo financeiro dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, conforme auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).

   No terceiro processo que julgou a exorbitância dos gastos naquele evento — cerca de R$ 4 bilhões —, auditores do TCU identificaram que as cerimônias de abertura e enceramento da competição esportiva, ao custo de R$ 21,5 milhões aos cofres públicos, não teve licitação de preços.

  Apesar dessa flagrante irregularidade, plenamente identificada pelos auditores do processo, o então ministro relator, Marcos Vinicios Vilaça (aposentado no último dia 30), isentou os acusados de qualquer culpa. Entre eles estão o presidente do Comitê Organizador do Pan, Carlos Arthur Nuzman, e Ricardo Leyser Gonçalves, do Ministério do Esporte. A ordem de Vilaça foi arquivar o processo.

 Ao fugir da exigência legal, o Comitê Organizador do Pan e Parapan-americanos fez duas contratações. Inicialmente, chamou o senhor Scott Givens como consultor. Ele é da Five Currents, empresa dos Estados Unidos, especializada em grandes eventos, entre eles os Jogos de Inverno de Salt Lake City (EUA), em 2002, as Olimpíadas de Atlanta, em 1996, e comemorações dos 50 anos da Disneilândia.

     Só por essa consultoria, o governo do Estado do Rio de Janeiro pagou R$ 883.350.

    Em seguida, o Comitê Organizador do Pan contratou a brasileira WA Tranze Eventos, Promoções e Publicidade Ltda para executar o projeto das cerimônias do Pan. A abertura, inclusive, ganhou destaque internacional devido a uma vaia do público ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua chegada ao estádio do Maracanã.

    O mais estranho nesse processo que o TCU arquivou é que o presidente do Comitê Organizador do Pan e Parapan, Carlos Arthur Nuzman, justificou que fugiu da concorrência para contratar serviços por se tratar de uma “emergência”.

     A explicação, contudo, contrasta com o anúncio do Rio de Janeiro para receber o Pan, feito em 2002, isto é, cinco anos antes    

     Sobre esse argumento, que está no Acórdão 1250/2009, o ministro relator do processo, Marcos Vilaça, reforça as datas extremas:

     “A necessidade de realização das cerimônias e mesmo sua data já eram conhecidas pela administração pública em 2002, quase cinco anos antes do evento, quando foi assinado o Acordo de Obrigações e Responsabilidades com a Organização Desportiva Pan-americana (Odepa)”.

 Jogo de empurra

     A análise que consta no relatório não deixa dúvida de que houve séria irregularidade. A demora para realizar a tal licitação de preços deveu-se à indecisão dos governos municipal e estadual do Rio de Janeiro, bem como o Governo Federal, que se lançaram em um jogo de empurra para decidir quem pagaria a conta.

     Na emergência, e apenas a seis meses da abertura do Pan, sobrou para a União desembolsar os R$ 21,5 milhões.

     Em decorrência, o Comitê Organizador formou um Núcleo de Criação e Gerência das Cerimônias dos Jogos (NCGJ). Mas a iniciativa da equipe liderada por Nuzman não foi bem-sucedida, com afirma o próprio relatório de Marcos Vilaça, quando ressaltou “a inexperiência gerencial do Comitê Organizador do Pan, que, mesmo após dispor da verba federal, demorou demasiadamente em adotar medidas à celebração do convênio (com a WA Tranze Eventos)” 

Superfaturamento identificado duas vezes

     O primeiro processo do TCU já concluído, em maio, com indícios de irregularidades nos gastos dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro refere-se ao contrato de R$ 22,4 milhões, entre o Ministério do Esporte e a empresa Fast Engenharia, para a construção de estruturas temporárias na Vila do Pan.

      O TCU exigiu que Luiz Custódio Orro Freitas, da Fast, e Ricardo Leyser Gonçalves, do Ministério do Esporte, envolvidos na execução do contrato, apresentassem defesa à denúncia de superfaturamento ou devolvessem R$ 2,7 milhões ao Tesouro Nacional. A defesa já foi apresentada.

     O segundo processo do TCU, em junho, identificou superfaturamento de R$ 2,7 milhões no serviço de hotelaria da Vila Pan-Americana. Nesse documento, mais uma vez Ricardo Leyser Gonçalves, representante do Ministério do Esporte no Comitê Organizador do Pan, é citado como um dos responsáveis pelo ato, ao lado da empresa Consórcio Interamericano.

O perdão oficial    Depois que os envolvidos neste processo apresentaram suas jutificativas, o ministro Marcos Vilaça sentenciou:

  “Pelo exposto julgo que as razões de justificativas apresentadas por Ricardo Leyser Gonçalves, do Ministério do Esporte, devem ser acolhidas, afastando-se sua responsabilidade em relação aos atos praticados. Quanto aos gestores do Comitê Organizador, senhores Carlos Arthur Nuzma, André Gustavo Richer e Leonardo Gryner, mesmo reconhecendo que suas condutas foram irregulares, acredito que suas razões de justificativas também possam ser acolhidas, em caráter excepcional, em face do conjunto de circunstâncias atenuantes mencionado anteriormente (no processo)”.

O dinheiro do esporte

Por José Cruz

     O título deste artigo não é novidade. Nem o assunto que tratarei. Até os personagens se repetem. Mas é justamente por isso que volto ao assunto. 

     Ainda é recente a polêmica envolvendo a ginasta Jade  Barbosa e a falta de dinheiro para tratamento médico. Mais: falta de um salário para que pudesse ter uma garantia mínima como atleta profissional.O esporte de hoje, com mais recursos públicos do que privados, precisa, sim, remunerar os seus destaques olímpicos.

     Agora, vem a história da judoca Ketleyn Quadros, bronze nos Jogos de Pequim, que caiu no rendimento técnico porque não se dedicou aos treinos, como deveria. E isso ocorreu porque Ketleyn dedicava boa parte do tempo à busca de patrocínios. 

     Atleta do Minas Tênis, de Belo Horizonte, a judoca deve ter um salário. Mas não é o suficiente, quer mais. E está certa. Sua carreira é de prazo limitado, precisa garantir o seu futuro enquanto estiver no auge. 

     Paralelamente, da Itália o presidente da Confederação de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, revela que premiará os atletas que forem ao pódio no Mundial. Algo que a Confederação de Atletismo faz há bom tempo. Mais: paga bom salário aos atletas de ponta, para que tenham tranquilidade nos treinos e competições e não precisem se expor à busca de dinheiro extra. 

    Enfim, essa é a realidade do esporte. As loterias repassam 2% do que recebem aos comitês Olímpico e Paraolímpico. Só o COB recebeu R$ 92 milhões, em 2008. As estatais financiam o esporte com generosos recursos, mas os atletas mais expressivos reclamam e esperneiam. 

    Mais do que nunca, está na hora de serem abertas essas prestações de contas do dinheiro público. Tanto as estatais, como o Tribunal de Contas da União, devem exibir os relatórios dos gastos com esses recursos, para se saber, exatamente, em que o dinheiro está sendo gasto e porque, na maioria dos casos, não chega à ponta, isto é, ao atleta. 

    O próprio presidente Coaracy Nunes revela, hoje, que além das loterias e Correios (patrocinador desde 1991), a CBDA recebe também de outras fontes, entre elas a Rede Globo. Logo, o esporte olímpico não é mais o “pobrezinho” de outros tempos, em que os cartolas mendigavam verbas na Esplanada dos Ministérios. Justamente por isso, por serem subsidiados principalmente por verbas públicas, devem, têm a obrigação de exibir onde o dinheiro é consumido.

    Sobre isso, o próprio Ministério do Esporte deveria se manifestar, ao invés de ficar encolhido, como se não fosse de sua competência fiscalizar o uso do dinheiro público. Justamente porque não fez isso, no Pan-americano do Rio de Janeiro, é que seus funcionários são obrigados, agora, a devolver quase R$ 3 milhões aos cofres do governo. Por enquanto.