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Sábado, 27 de Junho de 2009 | Versão Impressa

TCU apura irregularidades em obra da Vila Pan-Americana

O Tribunal de Contas da União (TCU) anunciou, ontem, que vai instaurar tomada de contas especiais (uma espécie de auditoria) para apurar indícios de irregularidades no contrato entre o Ministério do Esporte e a Fast Engenharia, responsável pela construção da estrutura temporária da Vila Pan-Americana dos Jogos do Rio, em 2007.

O TCU convocará Gonçalves e Rafael Barbosa, da secretaria executiva da pasta, para que justifiquem a celebração do convênio por valor superior ao orçado, alteração da programação de execução e não verificação dos objetos do contrato.

Luiz Custódio Orro Freitas e Ricardo Leyser Gonçalves, envolvidos na execução do contrato entre o Ministério e a Fast, terão de apresentar defesa ou devolver R$ 22.454.151,33 em 15 dias. Vale recurso. O TCU também apontou possíveis erros na aplicação do convênio entre a pasta e o governo do Rio.

O Ministério do Esporte informou que “os questionamentos feitos pelo TCU serão devidamente esclarecidos”, porém não antecipou as justificativas. A pasta já bloqueou os recursos destinados ao pagamento dos contratos investigados.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090627/not_imp393928,0.php

Imaginem que sua empresa está selcionando uma pessoa para ocupar determinado cargo. Você recebe quatro curricula vitae. Um deles não preenche, absolutamente, as condições essenciais para o emprego. A política de sua empresa obriga-o a entrevistar os quatro candidatos.

Ao entrevistar o candidato sem chances, Você não gasta muito tempo com ele. É atencioso e faz meia dúzia de perguntas triviais, com cordialidade, a fim de não desapontá-lo. Ao despedir-se do pretendente ao emprego, por educação, cumprimenta-o efusivamente e deseja-lhe boa sorte. Justamente por saber que esse estará fora do páreo.

Já os outros três candidatos são todos excelentes. Cada qual está apto a assumir a tarefa. A decisão é dura. Não lhe será fácil escolher o melhor. Então Você desfere, a cada um deles, uma bateria de perguntas para que o comitê de seleção possa ter o maior número possível de informações e tomar a decisão acertada.

Um desses três será o escolhido porque é melhor. Sua empresa não adota o regime de quotas. Contrata o mais competente para a função, não interessando o sexo, idade, condição social, credo religioso, cor, ou local de origem do candidato.

Transfiram isso para o cenário olímpico e terão o contexto das recentes apresentações havidas em Lausanne, pelas Cidades candidatas às Olimpíadas de 2.016.

Após a apresentação das candidaturas em Lausanne, os jornais brasileiros noticiaram que a patoto olímpica do Rio 2.016 vai percorrer os continentes em buscas dos votos (que certamente ainda não têm e que continuará sem tê-los). Como o COB e o Co-Rio não têm competência, ou credibilidade, para arranjar patrocínios privados, essas contas nababescas serão pagas com dinheiro do povo mesmo. Para alguns, essa é a chance de conhecer o mundo de graça e ainda gozar das benesses que essa “candidatura” oferece.

Daí cabem as perguntas que tanto os incomoda: (a) Quantas pessoas irão nesses excursões olímpicas?; (b) Quanto custará cada viagem?; (c) Quem irá emitir os bilhetes, reservar carros, hotéis e outros? Será a Tamoyo Turismo, ou a Voetur? (Sobre esse tema atentem para as recentes decisões do Tribunal de Contas da União sobre o assunto).

Quem lê esse Blog deve se lembrar sobre o post que eu escrevi há alguns mêses atrás. Eu fiz uma comparação muito detalhada entre a prestação de contas de uma viagem da trupe olímpica a Lausanne e comparei os mesmos ítens por eles detalhados, a valores de mercado internacional. E mais ainda, em minha avaliação, tomei como base os preços dos locais e serviços de maior luxo, tais como quartos de hotéis, locações de vans, fotógrafos particulares, restaurantes. Ainda assim a “minha”viagem, em comparação com a deles, com o mesmo número de pessoas, teria custado cerca de U$ 60,000.00, ou pouco mais do que isso, mais barata. Como escrevi na época, a sobra deve ter sido dinheiro do café. Ou das gorjetas nos hotéis.

Quando Eike Batista anunciou o seu apoio financeiro ao Rio de Janeiro 2.016, este Blog publicou que o Comitê Olimpico Brasileiro não explicará a contrapartida. É claro que que haveria alguma. Alias, Eike Batista é o unico patrocinio privado a essa bobagem de Rio 2.016. O resto é somente dinheiro público jorrando e indo pelo ralo. A Folha de São Paulo de hoje publica a resposta.

“Adivinho. Ao saber da participação de Lula em evento de repasse de verba para a revitalização do cais do porto do Rio, parte da campanha a 2016, membro do Movimento Olímpico lembrou que havia cantado a bola de que a obra interessava a Eike Batista.

Contrapartida. À época da previsão, o empresário realizara doação à Rio-2016. “

TRIBUNA DA IMPRENSA

HELIO FERNANDES

TERÇA-FEIRA, 16 DE JUNHO DE 2009

TCU contra Nuzman

O Tribunal de Contas da União, no Diário Oficial de ontem, (páginas 108 e 109), publica dois acordãos condenando procedimentos de Carlos Artur Nuzman à frente do Comitê Olimpico. Motivo: questões ligadas aos Jogos Panamericanos.

O primeiro é um estranho contrato com a empresa Voetur Turismo para fornecimento de passagens aereas contrariando a lei 8666/93, a de licitações publicas. O pregão eletronico convocado por Nuzman e 2008 contém enormes irregularidades. O relator da materia foi o ministro Augusto Nardes. Nuzman desqualificou, sem motivo aparente, propostas de outras companhias em beneficio da Voetur.

O segundo acordão teve como relator o ministro Marcos Vilaça e se refere a contratos de hospedagem, irregulares, que somaram 2,3 milhões de reais. Foram “serviços temporarios” de hotelaria firmados com a JZ Engenharia e Comercio. O TCU determinou que Nuzman e também Ricardo Leyner Gonçalves, José Pedro Varlota e José Mardovan Carvalho Pontes devolvam a importancia aos cofres publicos no prazo de 15 dias.

Fonte:  http://heliofernandes.blogspot.com/2009/06/tcv-contra-nuzman.html

SEMINÁRIO: FILOSOFIA, PESSOA E ESPORTE

 A Escola de Educação Física promove no dia 30 de junho, das 9 às 18h, o Seminário: Filosofia, Pessoa e Esporte. O evento é uma realização conjunta do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, do Projeto Esporte Brasil (PROESP) e do Centro de Estudos Olímpicos e conta com o apoio do Diretório Acadêmico e do PET da ESEF-UFRGS.

Com a participação de conferencistas da Universidade do Porto (Portugal), da Universidade Gama Filho (Rio de Janeiro) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o seminário visa a refletir e inquirir sobre as demandas por um esporte situado no eixo dos valores, da educação e da cultura. O evento será realizado na Sala de Seminários do LAPEX, Campus Olímpico (Rua Felizardo, 750 – Porto Alegre).

Serão disponibilizadas 80 vagas. O preenchimento das vagas será por ordem de inscrição. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas, a partir de 24 de junho, no site do Programa de Pós-Graduação da Escola de Educação Física da UFRGS (http://www.esef.ufrgs.br/pos). Para aqueles que desejarem certificado, haverá uma taxa de R$ 4,00. As informações sobre pagamento da taxa de certificado serão fornecidas no dia do evento. A freqüência mínima exigida para a obtenção de certificado é de 75%.

Informações adicionais podem ser solicitadas pelo telefone 3308-5866.

 Programa do Seminário

 9h – Palestra de Abertura

Filosofia do Desporto – filosofia das coisas simples

Prof. Dr. Rui Proença Garcia – Professor Catedrático da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, Portugal.

 10h30min – Mesa 

 Cuidado do corpo como cuidado de si

Prof. Dr. Luiz Carlos Bombassaro – Professor da Faculdade de Educação e membro do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

E se Sócrates fosse professor de Educação Física?

Prof. Dr. Alberto de Oliveira Monteiro – Professor da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 14h – Palestra

Olimpismo e o Equilíbrio do Homem 

Prof. Dr. Lamartine Pereira DaCosta, Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Gama Filho, RJ e Professor Visitante da Academia Olímpica Internacional, Grécia.   

 15h30min – Mesa

Situação Atual e Perspectivas da Ética no Esporte

Prof. Dr. Alberto Reinaldo Reppold Filho – Coordenador do Centro de Estudos Olímpicos e Professor da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 Para uma Filosofia do Esporte

Prof. Dr. Adroaldo Gaya – Coordenador do Projeto Esporte Brasil e Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

  SEGUNDA-FEIRA, 22 DE JUNHO DE 2009 – 17h00
 
 
 COB celebra medalhas e “esquece” clubes

 GUSTAVO FRANCESCHINI 
 Da Máquina do Esporte, em São Paulo

 

O Comitê Olímpico Brasileiro divulgou, nesta segunda-feira, uma mensagem de apoio e celebração às 68 medalhas conquistadas por brasileiros em competições internacionais no último fim de semana. O documento serviu para ressaltar a importância da lei Agnelo/Piva para os esportistas, e “esqueceu” do papel dos clubes na preparação dos mesmos.

“Os atletas brasileiros estão constantemente representando o país em competições internacionais. É importante alcançar resultados como esses para ratificar a importância do trabalho desenvolvido conjuntamente entre o COB e as confederações, e a responsabilidade com que os recursos da lei Agnelo/Piva estão sendo aplicados para o desenvolvimento dos esportes olímpicos no Brasil”, disse Marcus Vinícius Freire, superintendente executivo de esportes da entidade.

Os resultados em questão vieram de duas modalidades. No Aberto de Paris de Natação, preparatório para o Mundial do esporte, os brasileiros conquistaram 15 medalhas, sendo cinco de ouro. Já no Sul-Americano de atletismo, realizado no Peru, foram 53 medalhas, sendo 16 de ouro.

“Esse que é a grande coisa que nos incomoda. Nós fazemos e aí o Coaracy [Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos], de quem eu gosto muito, e diz que a Confederação está pagando. Não dá para querer que o clube banque a seleção. Os atletas estão viajando em algumas competições pelo COB, mas é para isso mesmo que eles existem”, disse Sérgio Bruno Zech Coelho, presidente do Confao.

A disputa aqueceu o debate sobre o benefício federal e chegou a mobilizar o Ministério do Esporte, que formou uma comissão para avaliar o assunto. O grupo não conseguiu concluir o estudo no prazo inicialmente estipulado, de 60 dias, e arrasta um desfecho até o momento.

Atualmente, apenas o COB e o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) recebem e verba proveniente das loterias. Os clubes, por sua vez, entendem que merecem parte desse bolo por sustentarem os esportistas na maior parte do ano.

A China anunciou que aumentou ainda mais o números de censores cibernéticos, para bisbilhotar (e certamente punir, pela sua ditaura política) quem olhar, ou escrever coisas que o establishment não gosta. Ainda assim, a China realizou um dos melhores Jogos Olímpicos da História.

Quem sabe a nossa patota olímpica brasileira também não pretende seguir o exemplo?

Outra coisa: Estou procurando algum texto científico, sobre olimpismo, que o Nuzman tenha escrito e publicado. Se alguém achar, por favor, mande-me. Não valem aquelas apresentações repetitivas, longas e modorrentas que ele lê por aí, em power point, mostrando o organograma do Comitê Olímpico Brasileiro, quantos funcionários tem, a divisão de seus departamentos e outros slides auto laudatórios. Refiro-me a textos realmente profundos, que tratam da filosofia olímpica. Gostaría de saber o que ele pensa sobre esse assunto.

Eu Sou O Culpado !

Junho 19, 2009

Pronto. A patota olímpica brasileira já achou alguém para despejar as razões da derrota que certamente advirá em outubro, no que tange à pretensão carioca de sediar os Jogos Olímpicos de 2.016: O Dr. Alberto Murray Neto. Hoje tive acesso ao inteiro teor da petição protocolada na Delegacia de Repressão A Crimes na Internet. Pasmem. A petição, dentre outras coisas, me acusa de criminoso cibernético em razão de que meus escritos atrapalham a candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2.016. É isso mesmo. A Cidade deixará de ser Maravilhosa por minha causa. As favelas voltarão ao mapa por minha culpa. Acusam-me de escrever a membros do Comitê Internacional Olímpico (“CIO”) promovendo a anti-candidatura. Nunca me senti assim tão poderoso, glorificado.

De fato escrevo aos membros do CIO e não escondo isso de ninguém. Publico no Blog que escrevo a eles todos. Ocorre que não minto quando mando minhas cartas. O que eu remeto ao colégio eleitoral são apenas recortes de jornais e revistas, mapas do google, dvd’s de programas televisivos, decisões do TCU, para que eles próprios tirem as suas conclusões. Se a trupe olímpica nacional acha que vou parar de expressar a minha opinião com liberdade, está rendondamente enganada.

Aliás, como exceção de um, não achei qualquer outro Blog na internet que elogie a candidatura Rio 2.016, o Co Rio , o Comitê Olímpico Brasileiro e o seu atual presidente. Há vários outros sítios na internet, muito melhores e mais contundentes que o meu, de gente muito mais importante, que senta a lenha nessa turma toda. Mas sou eu e somente eu o objeto do Inquérito. É a mim que eles amam.

Um dos Advogados que subscrevem a petição é o Dr. Sérgio Mazzilo. O outro eu não lembro o nome. Não tenho nada contra eles. Como Advogado que também sou, entendo que eles estão apenas exercendo o seu ofício. Nunca tinha ouvido falar deles até que, em Pequin, enquanto o Brasil levava um coro da Argentina na semi final do futebol,  na hora do intervalo, um camarada sentado a umas três fileira na minha frente levanta-se e começa gritar, de forma exuberante, patriótica, segurando na mão direita uma camisa canarinho;” Vamos lá Thiago, O Fluminense. Vamos lá.” Dirigia-se ao zagueiro Thiago Silva, que jogava pela seleção olímpica. Tentava inflamar o nosso zagueiro. Belíssimo gesto. Tamanho foi o rompante patriótico do brasileiro que, curioso, indaguei a quem estava ao meu lado de quem se tratava. “Esse é o Sérgio Mazzilo, Advogado do COB”. Essa foi a única vez que o ví e primeira que dele ouvi falar. Também no intervalo, em pé, nas escadas, absolutamente ao meu lado, uma outra moça simpática, bem vestida e devidamente credenciada pelo nosso Comitê dizia ao nosso vizinho: “Eu sou a Advogada do COB”.

Ou seja, mutatis mutanti, o COB levou a Pequim dois Advogados do mesmo Escritório, devidamente credenciados. Se tiveram muito trabalho, se era necessário haver dois causídicos, quanto cobraram de honorários profissionais, quem pagou suas passagens, alimentação e hospedagens, são perguntas que devem ser feitas. Não que eu queira me intrometer na relação cliente advogado de terceiros. Mas, sim, porque estamos falando de coisas públicas, de homens públicos, de fatos notórios e, mais importante que tudo isso, de dinheiro do povo, que sustenta o Comitê Olímpico Brasileiro. O que é público, ex lege, não deve ser escondido.

Também vale a indagação se os Advogados do COB, por mais nobres que sejam, foram contratados como claramente obriga o artigo 4º do Decreto que regulamenta a Lei Piva, isto é, por meio de licitação pública. Por isso que, hoje, encaminhei ao Ministério Público Federal cópia da notificação extrajudicial que recebi e de minha resposta, para que aquela Douta Instituição, na Capital Federal, também inclua esse ponto da contratação de Escritórios de Advocacia em suas investigações.

Uma outra nota curiosa. Na procuração ad judicia et extra que o Nuzman outorgou ao Escritório do Dr. Mazzilo, publicada neste Blog, ele está qualificado da seguinte forma: “ora de passagem pelo Brasil”. (Vejam lá, alguns posts abaixo. Leiam também a minha resposta). Há três hipoteses a considerar: (a) eles se equivocaram ao minutar o documento; (b) o Czar mudou mesmo de País depois que os relatórios do TCU começaram a ser publicados; ou (c) o Escritório acertou mesmo na mosca, pois o presidente do COB passa mesmo mais tempo viajando do que cuidando do Comitê, haja vista que todos os Convênios de repasses de dinheiro público são firmados pelo presidente em exercício Andre Gustavo Richer.

Nunca me senti tão poderoso. O homem que vai derrotar o Rio Olímpico.

Vai lá Thiago, vai lá. O Fluminense! Quisera eu ter esse ideal patriótico.