A Raia Olímpica De Remo Do Brasil Está Repleta De Lama. O Comitê Olímpico Brasileiro Omite-se. Mas Há Salvação.
Maio 17, 2009
O Estado de São Paulo na semana passada publicou duas excelentes matérias sobre a situção deplorável que a Confederação Brasileira de Remo (“CBR”) impôs esse tradicional esporte no País. A chapa de oposição ao atual mandatário, liderada por Wilson Reeberg, conseguiu medida liminar para anular a eleição indecente que fizeram em Manaus e, ainda, o Magistrado obrigou a CBR a uma severa prestação de contas, nomeando um interventor para o cargo de presidente. Dentre todas as irregularidades que viraram rotina em segmentos do esporte olímpico nacional (mau uso do dinheiro público repassado pelo COB, nepotismo, contabilidade escondida dos filiados, ações federais e outras), quero ater-me à pior idéia que assombrou o esporte olímpico no Brasil: Os Bingos, a jogatina.
A CBR (assim como várias outras entidades desportivas), quis envolver-se com o mundo do jogo, do Bingo. Para isso, abriu, sem conhecimento da assembléia geral, três sub-sedes, em Maceió, Bangu e Taubaté. Notem que são locais aonde não existem raias, ou clubes de remo, pelo que está claro que isso foi feito para beneficiar os bingueiros. Por anos a fio, a CBR participou da farra do bingo, em que, pela lei federal, deveria caber a ela 7% (sete por cento) do valor da arrecadação. Não se sabe aonde foi parar todo esse dinheiro e isso e uma das questões investigadas pelo Justiça. Em Taubaté, por exemplo, a herança da casa de bingos da CBR é a de um local em ruínas e de 47 ações trabalhistas, somente naquela Comarca, contra a entidade.
Como se não bastasse o custo com a contratação de Advogados, é de se enfatizar que algumas, poucas, dessas ações trabalhistas foram pagas, cuja condenação final de todas elas pode chegar à casa de R$ 1.000.000,00. Com a CBR falida e contas bloqueadas, indaga-se de onde saiu o dinheiro para para tais pagamentos de algumas ações? Se foi com fundos da Lei Piva, decorrentes dos repasses feitos pelo COB (que não cessaram, apesar de tudo), está aí uma grande irregularidade que envolve não somente a própria CBR, mas o COB também.
Obrigada a CBR, pela Justiça, a entregar seus livros contábeis e demais documentos, verificam-se várias irregularidades que, ao que parece, durante anos, não foram objeto de questionamento pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Verificou-se, por exemplo, que o seu quadro de funcionários é composto por quinze pessoas, enquanto a Confederação realiza apenas duas competições por ano. O maior salário pertence ao filho do presidente, no valor de R$ 8.600,00. Embora não conste da folha de pagamentos, outras três pessoas da suposta comissão técnica, recebem salários diretamente da CBR sob a rubrica de “manutenção de comissão técnica”. Há uma relação, no mínimo duvidosa, com a agência de turismo Turisport Viagens e Turismo Ltda, que vence sistematicamente as licitações da entidade. Conforme certidão obtida na Junta Comercial do Rio de Janeiro, essa empresa de turismo pertence à Francerose Ribeiro Peres Duarte, companheira do presidente da CBR e membra do STJD da entidade e à Zenira Francisco Monteiro que, até 2.005, era membra de seu conselho fiscal e, depois, nomeada, nomeada Diretora Jurídica. Ainda por conta da relação com bingueiros, a CBR tornou-se ré em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, por improbidade administrativa, em razão do escândalo que envolvia as loterias no Estado do Rio de Janeiro e as entidades desportivas. Há, também, dezoito ações em que a CBR litiga com a União Federal e com a Caixa Econômica Federal, no Rio de Janeiro e em Taubaté. Também em Taubaté, há dois inquéritos penais, um com o objetivo de apurar suposta apropriação indébita e outro para apurar eventual crime de frustação de direito assegurado por lei trabalhista.
Isso ocorre há anos, sem qualquer interferência do Comitê Olímpico Brasileiro que continuou, candidamente, repassando verba pública para a CBR. Por muito menos, sem que tivesse sido constatada nenhuma irregularidade, o Comitê Olímpico Brasileiro interveio na Confederação Brasileira de Levantamnto de Peso (essa é outra história interessante de como o COB defenestrou, com mãos de ferro, sem causa jurídica, alguém que não lhe era simpático).
Se há crimes e irregularidades da CBR, talvez o COB possa ser culpado também. Nem que seja por omissão.
Esse é o País que quer sediar uma Olimpíada. O COB trata das coisas como se nada disso existisse.
Vamos torcer para o remo brasileiro limpar a sua raia. Há gente boa e competente na oposição, com bons projetos para a salvação desse belíssimo esporte.