Tenho muita honra em dizer que meu avô, Major Sylvio de Magalhães Padilha, ainda Atleta Olímpico, convidado pelo então Governador do Estado Adhemar de Barros, criou e dirigiu o Departamento de Esportes e Educação Física do Estado de São Paulo, que virou o famoso D.E.F.E. e , depois, a Secretaria de Esportes. A regulamentação do esporte no Estado de São Paulo precedeu a da União Federal (quem quiser saber mais sobre isso visite www.sylviodemagalhaespadilha.com.br). Alguns anos depois, o ditador Getúlio Vargas resolveu criar as leis esportivas federais. Vivíamos a época do Estado Novo. Getúlio fez com o esporte aquilo que fez com os Sindicatos e com todas as instituições nacionais. Impos tudo, por decreto,  atrelado às mãos do Poder Central. Estabeleceu que cada Estado teria uma única Federação para cada esporte, que seria, obrigatoriamente, filiada à uma Confederação Brasileira. Essa estrutura era mais fácil de controlar. Na época, meu avô insurgiu-se contra o modelo ditatorial de Getúlio. Deu uma entrevista de página inteira a um jornal paulista. Por ser quem era, teve enorme repercussão. O ditador não gostou, é claro. E isso valeu a meu avô, militar de carreira, uma transferência forçada para Passo Fundo que, na ocasião, não tinha água quente e nem luz elétrica à noite, no quartel. Por isso meu avô deixou o exército e dedicou-se, exclusivamente, à sua outra profissão, Professor de Educação Física.

A grande novidade da lei Zico, redenominada como lei Pelé, foi a libertação dos esportes das amarras de uma única Federação. Qualquer uma das modalidades pode formar quantas ligas quiser e  não mais estar sob a égide de uma única Federação. Isso quer dizer que se determinados clubes não estão contentes com os rumos da sua Federação, a lei passou a permitir que eles se agrupem em ligas e promovam os seus próprios campeonatos. Ocorre que, ao menos para os esportes olímpicos, não se viu criação de ligas (a não ser a do basquete, que fracassou). Muitos Clubes continuam desgostosos com suas Federações e seguem dando murros em ponta de facas, porque não conseguem nenhuma mudança, nenhuma melhora. Ora, porque os clubes não abandonam as sua Federações e criam suas próprias ligas? Em primeiro lugar, porque paira sobre eles a ameaça de que, se fiserem isso, seus Atletas podem ficar fora de competições oficiais internacionais, na medida em que as Federações Internacionais e o Comitê Internacional Olímpico (“CIO”) não reconheceriam tais ligas. Em segundo lugar, porque a mentalidade dos dirigentes ainda reside nos decretos impostos pelo ditador Vargas.

Eu acho que, muitas vezes, em vez de perder tempo querendo mudar os rumos de uma Federação, melhor seria aos clubes abandoná-la e fazer suas próprias competições, criando suas próprias ligas. A ameaça de que tais Atletas não seriam convocados para seleções nacionais são puro blefe. Imaginem se o clube do Cesar Cielo abandonasse a Federação Aquática Paulista e, com outros cinco grandes outros clubes, formassem sua própria liga. Vocês acham que os resultados obtidos pelo Cielo o afastariam de campeonatos mundiais e Jogos Olímpicos? Duvido que alguém o teria coragem de deixá-lo de fora. O mesmo raciocínio vale para qualquer Atleta de qualquer esporte.

Nos Países mais desenvolvidos esportivamente, a Confederação serve apenas para cuidar das seleções nacionais. O dia a dia dos campeonatos fica sob a administração dos próprios clubes e das ligas por ele formadas. Não existe essa hierarquia impositiva de clube, Federação e Confederação. Mesmo no futebol acontece isso.

Acho que é hora de pensar em abandonar esse sistema falido de Federações estaduais para cada esporte, filiadas a uma Confederação nacional. A admnistração dos campeonatos estaduais e nacionais deveriam ficar sob a organização dos próprios clubes, formando as suas ligas. E às Confederações Nacionais caberia somente a obrigação de cuidar das seleções do País. E parar de ficar impondo regras iguais para Federações em Estados cujas realidades esportivas são diferentes. É necessário parar de raciocinar como o ditador Getúlio Vargas e arejar o pensamento do nosso esporte. Enquanto o mundo democrático e esportivamente avançado segue um caminho, o Brasil prefere manter um esquema autroritário, que possibilita benefícios. Vai na contra mão da história.

Enviado por um Professor de Educação Física, leitor e colaborador deste Blog. 

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12/05/2009
A queda do esporte brasileiro em dados oficiais

Brasil cai em ranking olímpico que considera PIB e tamanho da população, mostra Ipea

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

 

 
  Brasília – Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o desempenho brasileiro na última Olimpíada, realizada em Pequim (China) no ano passado, considerado insatisfatório, é ainda pior se considerados a riqueza econômica do país, o tamanho da população e a esperança de vida ao nascer. O país ficou em 20º lugar no quadro geral de medalhas.

“O Brasil, contudo, em discordância com o elevado PIB [Produto Interno Bruto de US$ 1,9 trilhão, considerada a paridade do poder de compra] e com sua numerosa população [hoje, mais de 191 milhões de pessoas], não apresentou resultado de acordo com as expectativas, pois não foi eficiente sob nenhum critério e nem bem colocado no ranking oficial”, resume a pesquisa Avaliação da Eficiência Técnica dos Países nos Jogos Olímpicos de Pequim – 2008.

De acordo com Alexandre Marinho, Simone de Souza Cardoso e Vivian Vicente de Almeida, autores do estudo, o Brasil cai no ranking oficial e passa para o 47º lugar entre os 55 países que ganharam medalha de ouro naqueles jogos; ou 51º, se considerado o total de medalhas entre os 87 países que chegaram a ocupar lugares nos pódios nas diversas disputas realizadas em Pequim.

A vantagem da “abordagem da eficiência” feita no estudo é que permite uma avaliação mais aproximada das condições de desempenho. “Assim como países muito ricos e/ou populosos [como os Estados Unidos e a China] demonstram grande capacidade em gerar equipes e atletas vitoriosos, países com pequeno PIB e população reduzida, mas que atingem resultados relevantes de medalhas, também seriam considerados eficientes [como Jamaica, Mongólia e Zimbábue]“, compara a análise.

Conforme o economista Alexandre Marinho, “o Brasil não só ganha poucas medalhas, como é ineficiente na produção de medalhas. Em termos relativos, o país vai muito pior do que no ranking oficial”. Ele calcula que se o Brasil tivesse desempenho proporcional à sua riqueza, expectativa de vida e tamanho da população, deveria ter conquistado 21 medalhas de ouro, 18 de prata e 26 de bronze para ser considerado “eficiente”.

Se considerados  PIB, população e longevidade, o Brasil deveria ter disputado posição em Pequim com a Rússia, que terminou a competição em 3º lugar, com 57 medalhas a mais que o Brasil, 20 só de ouro. “Por esse quadro, o Brasil deveria ser uma potência olímpica, por que é que nós não somos?”, pergunta Alexandre Marinho, que entre os países mais populosos só vê a Índia com desempenho mais “sofrível” do que o brasileiro.

O economista esclarece que o objetivo do estudo não é explicar as razões do rendimento medíocre do Brasil nas olimpíadas, mas “fotografar esse mau desempenho”. A análise, no entanto, afasta a hipótese de que o bom desempenho tenha a ver com a situação socieconômica. “O Brasil tem problema na estrutura esportiva mesmo”, disse.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com o Comitê Olímpico Brasileiro e com o Ministério do Esporte para repercutir o estudo do Ipea. O COB pediu prazo até sexta-feira (15) para responder e o ministério não deu retorno até o fechamento da matéria.