Para conseguir transformar a cidade em sede dos Jogos de 1976, Jean Drapeau assegurou aos membros do COI que a promoção seria modesta e as instalações simples,  funcionais e pouco dispendiosas. O evento seria autofinanciado e a despesa total oscilaria  entre 200 a 250 milhões de dólares. Os argumentos foram convincentes  e todos acreditaram estar ali a oportunidade de acabar com o gigantismo que caracterizara as últimas Olimpíadas.

Final: enquanto alguns jornalistas definiam os Jogos de Montreal como a “Olimpíada da Eletrônica”, por ter provocado uma autêntica revolução no mercado das  comunicações, a imprensa canadense definiu-a como “Olimpíada da Vergonha”. Foi a mais cara  de toda a história. Um jornal francês apresentou completa descrição de despesas e provou que o custo dos Jogos de 1976 foi dez vezes maior que os de Munique.

Os modestos jogos de Jean  Drapeau transformaram-se em um “best-seller”. Com o título de “The Billion-Dollar Game” o autor, Nick Auf Der Maur provou que todo o dinheiro gasto daria para construir casas que abrigariam 40.000  famílias; poderia ser concedido transporte gratuito para a população de Montreal durante dez anos  ou ainda, para edificar 400 praças esportivas em toda a província de Quebec.  O cálculo inicial de 250 milhões de dólares, havia ultrpassado a cifra de um bilhão, seiscentos e cinquenta  milhões de dólares. Findos os jogos ocorreu instauração de um inquérito para apuração dos fatos.

Quatro anos mais tarde as investigações chegaram ao término e a conclusão foi divulgada  ao público. Jean Drapeau fora acusado de irresponsabilidade desde o início do movimento que foi chamado “A Aventura Olímpica”.

Fonte: Jornal “O Globo” – Rio de Janeiro

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