Do Blog do José Cruz.

Do atletismo ao judô No país de cultura futebolística por excelência, os esportes olímpicos são os primeiros a sofrer os efeitos da crise econômica. Quando venceu a 3ª Maratona Brasília de Revezamento, na terça-feira, o técnico do Cruzeiro, Alexandre Minardi, estava mais preocupado com o futuro de sua equipe do que com a conquista do bicampeonato da prova. A se confirmar a previsão da direção do clube mineiro, de encerrar as atividades do departamento de atletismo, Minardi fechará uma história de 25 anos à frente do Cruzeiro. Pior: mais de 20 atletas ficarão sem espaço para treinar e sem camisa de clube para vestir. No Rio de Janeiro, a brasilense Laisa Santana, de 21 anos, e mais uma dezena de atletas estão na rua. Com um inesperado comunicado, eles perderam o patrocínio da Universidade Gama Filho, que mantinha uma equipe de judô. Motivo: a crise da economia mundial. Além do espaço no tatame, perderam a matrícula na faculdade de educação física. São os mais novos órfãos esportivo-culturais da Cidade Maravilhosa. Silêncio Toda essa triste realidade estarrece. Enquanto o caos se instala com fracassos individuais ou coletivos, o Brasil discursa ufanista, lá fora, vendendo a imagem de que temos, sim, condições de sediar uma olimpíada em 2016. Construímos a imagem ilusória de um potencial em que o maior patrimônio, o atleta, está sem rumo. A essa campanha olímpica se associa o Ministério do Esporte, que gerencia a Lei de Incentivos, por exemplo. Com muito dinheiro e sem metas, aprova projetos para o São Paulo Futebol Clube (R$ 17 milhões), para a Confederação Brasileira de Golfe (R$ 5 milhões), para Emerson Fittipaldi (R$ 15 milhões) promover uma corrida de automóveis. Que explicação há para esse contraste de realidades, em que há fartura de dinheiro de um lado, em detrimento de aplicações de outro? Temos um ministério que age sem norma técnica e, por isso, escreve por linhas tortas um triste capítulo da história de nosso esporte olímpico.

Alberto – não se preocupe – não dá para esconder. Além do que este pessoal está fazendo turismo pois ninguém pode levar esta estória de Rio a sério. Dr. José Luiz Cabello Campos