Ontem jantei em São Paulo com um experiente jornalista estrangeiro, que conhece muito bem o Brasil. Foi correspondente no País, na década de 60, de um dos maiores órgãos de imprensa do mundo. Voltando seu País, seguiu sua brilhante carreira aposentou-se em dos mais altos postos de direção de um grande jornal de tiragem espetacular. Hoje, é Consultor de outro influente jornal. Gosta muito do Brasil, fala bem a nossa língua e conhece melhor ainda o mundo olímpico. Aliás, foi pelo esporte que eu o conheci, ainda adolescente.

A opinião do Jornalista, que é um fã de carteirinha do Brasil, é de que o Rio de Janeiro ainda não tem infra estrutura para sediar Jogos Olímpicos e que o Comitê Internacional Olímpico não dará à Cidade a honra suprema de organizar a competição.

Bola de cristal ele não tem. Mas experiência, tem de sobra.

Braço Forte

POSTADO POR Por Michel Castellar.

Este post é para pagar uma promessa feita ao Luiz, um dos 12 leitores deste blog (se bem que com a chegada do Renerson acho que subimos para 13).

Há um tempo, conversamos neste espaço sobre o comercial elaborado para o Ministério do Esporte promover a candidatura do Rio aos Jogos de 2016. Na ocasião, avaliamos que a peça publicitária se assemelhava a uma outra exibida por Londres, durante sua campanha para a ser escolhida a sede da Olimpíada de 2012.

Nesta terça-feira, conversei com Sidney Campos, presidente da Fields Comunicação, agência de Brasília, responsável pela campanha “Braço Forte”. Ele me explicou todos os detalhes da campanha e assegurou: “não houve plágio”.

O presidente da Fields Comunicação concordou que as peças são semelhantes mas destacou que, em momento algum, ocorreu a participação londrina em sua confecção ou que o comercial inglês tenha servido de inspiração.

Aproveitou para explicar que o objetivo dos comerciais foram o de mostrar o quanto a olimpíada influenciará no dia-a-dia da população, com a melhora de vários setores como infraestrutura, educação e meio ambiente.

- Acho que há uma semelhança. Mas não houve plágio. Não tivemos reunião alguma com os ingleses – destacou o presidente da Fields Comunicação. – Buscamos mostrar essa interação entre os Jogos e os benefícios que trarão para a cidade.

No total, foram gastos R$ 6 milhões para a realização da campanha, que incluiu comerciais na TV, anúncios em revistas e jornais, além de propagandas em aeroportos, por exemplo. E por ser a empresa de Brasília detentora da conta do Ministério do Esporte, ela foi contratada em regime de urgência, sem licitação.

- Fomos contratados em regime de urgência, porque não haveria tempo hábil para o Ministério do Esporte realizar uma licitação – afirmou Campos. – E ficamos felizes com os resultados obtidos pela campanha, porque seriam necessários uns R$ 30 milhões para chegarmos a eles. E o fizemos por bem menos.

A previsão é a de que a campanha “Braço Forte” seja encerrada neste mês. O presidente da Fields contou ela foi programada para seu fim coincidir com a visita de avaliação feita pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) ao Rio.

Com a argumentação do presidente da Fields, todas os envolvidos no comercial deram sua versão.

Qualquer um dos oganizadores da Candidatura do Rio: “Não temos nada a falar sobre o assunto. O comercial foi feito pelo Ministério do Esporte”.

Ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior: “O comercial pode até ser parecido mas não teve influência alguma de Londres”.

Quem desejar ver os dois comerciais, acesse:

Rio 2016 – http://www.youtube.com/watch?v=ApjaWWxiKYI

Londres 2012 – http://www.youtube.com/watch?v=6jPpZyBgROY

Comentário de Luiz 14/04/2009 20:40

Caro Michel – boa noite. Agradeço, imensamente, a sua resposta, e, sobretudo, a busca aos elementos desta. Esta noite estou impossibilitado de responder, com a mesma devida consideração, o seu mail. Farei amanhã, infelizmente de forma absolutamente contestadora quanto ao que você relata, à partir do que as suas fontes colocaram. Obrigado, Luiz

Comentário de Michel Castellar 14/04/2009 22:24

Ok, Luiz. Fico no aguardo.

Comentário de Luiz 16/04/2009 01:06

Michel – antes de tudo, obrigado pelos seus inputs quanto à pesquisa que fez, junto aos responsáveis pela contratação, criação e órgãos diretamente interessados nesta campanha “Braço Forte”.

Esclareço que, apesar de ser contrário à candidatura do Rio pelos motivos já expostos no meu longo comentário no seu post “Malhação dos Judas”, a minha insistência e indignação quanto ao tema do Braço Forte deve-se exclusivamente ao fato de eu ser atento ao que fazem de bom, e de ruim, em campanhas publicitárias. Sobretudo, por me indignar com o que me parece copiado.

Como disse ontem, contesto veementemente o que foi por você colocado, a partir dos depoimentos de todos, sem exceção.

Por respeito ao seu espaço na blogosfera, vou me limitar e brevemente comentar:

1- VALORES – se foram ou não gastos 06 milhões ao invés de 30 milhões – não é objeto principal destas linhas;

2) CONCORRÊNCIA – não ter tido concorrência por falta de tempo (???) – isso é novidade para alguém? Novamente, não é objeto aqui;

3) PEÇAS – para quem está inteirado quanto ao assunto, não cabe uma comparação dos “links” que você indicou, pois vejamos:

(a) O belíssimo filme London2012 tem mais de 4 minutos;

(b) O filme Braço Forte, indicado no link, mostra somente 30 segundos;

Considero:

(a) Há de se saber que no site da Magneto Interativa, produtora contratada pela agencia que criou o filme, com os 6 ou mesmo com 30 milhões, que produziram bastante mais material do que os 30 segundos do link indicado;

(b) que inclusive, no site da produtora www.magnetointerativa.com.br, tem um “making of” muito rico;

(c) que no final do filme remetem o espectador ao site do Ministério do Esporte, que nunca disponibilizou o filme, nem para “download” e nem ao menos para ser visto no próprio site. PORQUE??

(d) que consegui ver esse filme, desde fevereiro, não mais do que 2 vezes, uma em horário das corujas e outro em horário nobre. E foi a versão compactada, de 30 segundos, afinal, espaço na TV é caro e os contratantes também foram atingidos pela crise com um espetacular corte de verbas.

4) DEPOIMENTOS:

(a) Presidente da Fields: assegurou que “Não houve plágio” e concordou que “as peças são semelhantes”

(b) Sobre os organizadores da Candidatura do Rio não terem nada a falar sobre o assunto”;

(c) Sobre o Ministro Orlando Silva Júnior admitir que “pode até ser parecido mas não teve influência alguma de Londres”;

É natural que todos neguem, como fez o pessoal da Fields ou que se esquivem, como fizeram os órgãos que contrataram os serviços.

Mas estes argumentos, e principalmente a falta destes, não convence nem a uma criança.

5) DEFINIÇõES – observemos o que o Michaelis diz:

Sobre SEMELHANÇA (Fields):

se.me.lhan.ça

sf (semelhar+ança) 1 Qualidade ou estado de semelhante. 2 Conformidade, relação de fisionomia entre duas ou mais coisas ou pessoas que se parecem mutuamente; afinidade de caracteres. 3 Analogia, imitação, conformidade, parecença. 4 Geom Propriedade de duas ou mais figuras que diferem apenas pela escala na qual são construídas. 5 Em pintura e escultura, conformidade entre o modelo e o objeto imitado. 6 Ret Figura que põe em confronto dois ou mais objetos, duas ou mais idéias, que entre si tem qualquer ponto de contato. Antôn (acepções 1 e 2): dessemelhança.

Sobre PARECIDO (Ministro Orlando Silva):

pa.re.ci.do

adj (part de parecer) 1 Que se parece; semelhante. 2 Que tem semelhança fisionômica. 3 Análogo, idêntico.

Pode-se deduzir – “ANALOGIA, IMITAÇÃO, CONFORMIDADE, PARECENÇA, IDÊNTICO” - ou é implicância e/ou ignorância minha?????

6) FATOS - Em você ter escutado das autoridades que as peças “se assemelham” ou que “pode ser parecido”, estão definitivamente assumindo:

(a) que o vídeo Braço Forte não é original, o que seria sempre esperado e apreciado, não somente pela agência, mas…

(b) sobretudo pelo calibre dos contratantes, onde…

(c) em um momento com tantas denúncias em curso, o que menos precisam é ter algo “semelhante” em uma campanha nacional para um evento internacional desse porte.

Confesso ter por um momento achado realmente que algum profissional estrangeiro e que trabalha para diversos países candidatos em outros eventos similares, tivesse costurado uma parceira entre os ingleses que criaram a peça original e o pessoal daqui – contratantes e contratados.

Equivoquei-me, redondamente.

E lamento, profundamente.

Não sou eu que estou dizendo que foi um “plágio”, ou uma “cópia”. Isto quem disse foi o Michaelis, acima. Estou somente dizendo, baseado no que vi, que a peça do Braço Forte é, a meu juízo, amplamente calcada em cima do conceito e “takes” (cenas) absolutamente similares aos dos ingleses, realizado muito anteriormente, até onde sei.

Acho que, com todas as evidências e depois dos recentes depoimentos, um enorme imbroglio está se formando, crescente, e às vésperas da visita dos inspetores internacionais, quando a dita campanha culiminará, segundo o que você informou.

Contudo, penso que o veredito final disto não cabe a mim ou a você, e sim tão somente, em ultima instância, ao jurídico da agencia inglesa, como eu disse – uma empresa de 15 pessoas, incluindo a recepcionista.

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