Boas Águas Ainda Podem Rolar Nas Raias Do Remo Brasileiro.
Abril 14, 2009
Há alguns post atrás, eu reproduzi nest Blog um texto do José Cruz, em que ele relata a vergonha que foram as “eleições”, realizadas na Confederação Brasileira de Remo (“CBR”), que “reelegeu” o presidente. Pois bem, passadas algumas semanas, boas novas surgiram com relação a esse assunto. O Candidato da oposição, Wilson Reeberg, ingressou com uma medida cautelar na Justiça do Amazonas, aonde figuram como Réus a CBR e a Federação Amazonense de Remo. O processo corre sob o número 2009.001.10058202-9. O Magistrado de Manaus concedeu memida liminar ao Autor, determinando o cancelamento da Assembléia Geral que realizou o “pleito”, bem como obrigou a CBR a prestar contas da movimentação de seus recursos. Espera-se, agora que, com o decorrer do processo, seja confirmada a medida liminar por sentença definitiva e novas eleições sejam convocadas e realizadas, rigorosamente nos termos da lei. Wilson Reeberg, importante membro da família do Remo brasileiro, conta com uma lista de apoios respeitável. Suas idéias para o Remo do País estão no website www.remolivre.com, clicando-se em NOVA CBR.
O Remo, assim como a grande maioria dos esportes brasileiros, sempre sofreu com a falta de recursos. Atualmente, com o dinheiro da Lei Piva, a fatia de dinheiro que o Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) destina ao Remo é patética. Sob a égide daquela indigitada “meritocracia” imposta pelo COB, as chamadas Confederações “menores”, ficarão cada vez mais à merce de sua própria sorte (já escrevi aqui sobre a “Meritocracia” do COB e suas armadilhas).
Falar em Remo faz-me recordar do Buck, Guilherme Augusto Eirado da Silva, um batalhador desse esporte. Buck foi um grande Amigo do meu avô. Por algumas vezes presenciei conversas de ambos. Buck era um Olímpico no mais estrito sentido do termo. Buck dizia que não largaria o Remo enquanto não ganhasse uma medalha olímpica, tarefa muito difícil naqueles tempos que não havia dinheiro para nada. De qualquer forma, sob sua batuta, em Los Angeles, 1.984, o “Quatro Com” do Brasil obteve um honroso 7º lugar. Ser finalista olímpico é sempre uma grande vitória, principalmente para Países pobres como Brasil. Esses feitos não têm o reconhecimento que merecem. Esse pessoal do COB não deve nem saber quem foi o Buck.
Sempre gostei do Remo, aonde estão, definitivamente, fincadas as raízes do esporte nacional. Por mais que se queiram “industrializar” o esporte do Brasil, transformá-lo em um grande negócio (coisa que até hoje não se conseguiu, pois o COB não vive sem a “mão amiga” do Estado financiador), o Remo sempre deu exemplos de perseverança e Espírito Olímpico.
Minha visão da boa turma do Remo é aquela que meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, deu como exemplo, em uma entrevista à televisão, no ano de 1.984, quando indagado se a mudança nos princípios que geriam o esporte nacional não resultariam em resultados melhores.
Reproduzo, abaixo, parte da entrevista dada ao Jornalista Luciano do Valle.
“Nós pertencemos a uma geração que se desenvolveu e consolidou seu espírito sob a influência da áura romântica gerada em fins do século passado e que teve em Coubertin o símbolo de uma figura doutrinadora e de excepção, atraindo consciências que se mantiveram consolidadas até a primeira metade do século seguinte.
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Esta geração permitiu a revelação de valores extraordinários.
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Não menos relevante será mencionar que o espírito da Carta Olímpica influenciou profundamente aquela geração, assegurando aos valores de então respeito à disciplina e sujeitando-os a todos os sacrifícios possíveis, sem a obsessão da pecúnia. Entre muitos, destacaríamos a presença das guarnições de remo nos treinamentos a que se submetiam nas águas dos rios, ou do mar, fazendo-o madrugada alta e para isso utilizando-se dos barracões de barcos dos respectivos clubes como dormitórios de modo a permitir-lhes o comparecimento aos seus locais de trabalho na hora convencional.
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Os exemplos aí citados evidenciam a incompatibilidade de duas épocas porque hoje tais fatos não se registrariam, pela razão pura e simples de que o esporte está sendo encarado como figura representativa de uma nação, valorizando-a em função da sua conduta nos torneios que participa e não mais como meio de lazer e diletantismo, como ocorria no passado.
Por isso, não tenho dúvidas em afirmar-vos de que realmente alterado os conceitos que presidem a constituiçãso das equipes nacionais, os resultados seriam maiores e melhores. Infelizmente, porém, na formação de suas Equipe, o Comitê Olímpico Brasileiro deve ater-se ao cumprimento da lei consubstanciada na Carta Olímpica, embora esta última, tais as concessões já feitas, seja flagrantemente diversa daquela que prevaleceu nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna. A vida, pela força das circunstâncias que denominaríamos de naturais, impôs ao homem exigências novas e obrigando-os à concessões cada vez maiores à inflexibilidade das normas que herdara e às quais não lhe é possível dar correto atendimento nos dias de hoje e, muito menos, nos do futuro.”
(entrevista reproduzida no Livro do Jornalista Caetano Carlos Paioli, Padilha, Quase Uma Lenda,, às fls. 28 e 29, também reproduzido no website www.sylviodemagalhaespadilha.com.br).
Ou seja, independentemente de qualquer coisa, o COB era dirigido com príncípios, calcados nos fundamntos do esporte de massa.
Que o Remo tenha muita sorte . Desejamos que o novo Presidente da CBR, quando eleito, restabeleça os princípios de ética, moralidade , esforço e dedicação desse importante esporte, que já serviu de exemplo para tanta gente.
A Comissão De Avaliação Vem Aí.
Abril 14, 2009
O Rio de Janeiro já tem, entre as quatro Cidades candidatas aos Jogos Olímpicos de 2.016, a pior nota técnica, atribuída pela Comissão de Avaliação do Comitê Internacional Olímpico (“CIO”). Para quem se lembra, o Rio ficou atrás até de Doha.
A visita do membros do CIO ao Rio será uma festa. Terá o calor humano do povo carioca, samba, festa, caipirnhas exaltações, emoção, escola de samba e, claro, naquilo que efetivamente importa para uma avaliação, muito blá, blá, blá por conta da patota olímpica brasileira.
Se alguém pensa que a Comissão de Avaliação vai falar mal do Rio, está muito enganado. Pelo contrário, vão elogiar o empenho do Rio, como sempre fizeram, com todas as Cidade candidatas.
A coisa vai apertar no momento de elaborar o relatório e atribuir as notas. Daí a emoção não conta. A grande diferença entre o Rio de Janeiro e as demais Cidades reside no fato de que, nas outras, vão ver situações reais, em todas as áreas. E aqui, apenas maquetes e promessas. Ademais, o que conta não é somente o “esqueleto olímpico” que o Rio de Janeiro põe no papel. Vai ser analisada a questão social, a miséria nas ruas, puluição ambiental, violência urbana, briga de gangues, a falta de hospitais de alto nível, hotelaria de baixa qualidade e insuficiente, avenidas engarrafadas, transporte público lastimável, falta de metro e, de um modo geral, o índice de desenvolvimento da Cidade.
Por mais que a turma do Rio 2.016 queira alienar a Comissão do CIO desses problemas, eles são visíveis e, certamente, embora até possa parecer, durante a visita, que não tenham dado muita atenção a isso, o subdesenvolvimento patente vai constar do relatório final.
O fato de o governo garantir o dinheiro também não conta nada. Todas as demais também têm o dinheiro e, melhor ainda, com grande parte vinda da iniciativa privada. Palavra, inclusive escrita, de governos não conta muito e todo mundo desconfia.
Tanto Chicago, Madri e Tokyo fazem as Olimpíadas em seis mêses, se for necessário. O Rio não. E farão por um custo muito menor do que o Rio de Janeiro. Continuo afirmando que as chances da vitória carioca são abaixo de zero.
E continuo achando que seria muito melhor gastar esse dinheiro em programas sociais, do que ficar alimentando ambições e egos de alguns.
Rei Posto Rei Morto?
Abril 14, 2009
No Comitê Internacional Olímpico (“CIO”), não. Ao contrário do que normalmente ocorre com a maioria dos Presidentes de Honra, Juan Antonio Samaranch, continua tendo muita influência na entidade que presidiu. Não podemos nos esquecer que a maioria do Colégio Eleitoral que elegerá a sede dos Jogos Olímpicos para 2.016 foi formada durante a longa permanência de Samaranch no poder. E, ao contrário de querer aposentar-se, muito pelo contrário, o ex-presidente do CIO está trabalhando ativamente nessa campanha.
