Panique à Copacabana, par Jean-Pierre Langellier
La guérilla urbaine entre policiers et trafiquants de drogue, d’ordinaire cantonnée aux ruelles pentues des favelas, s’est brusquement propagée dans les avenues de Copacabana, à deux pas de la plus célèbre plage du monde.
Des rafales crépitent, des grenades explosent, un hélicoptère tournoie. Les piétons, médusés, cherchent un abri. La police bloque des rues, ferme un tunnel, paralyse la circulation. Le Rio de “l’asphalte”, comme on dit ici, moderne et opulent, tressaille, victime à son tour d’un spasme de violence pareil à ceux qui secouent périodiquement l’une ou l’autre des collines pauvres et surpeuplées d’alentour.
Tout commence l’avant-veille, le 21 mars. Une bande de narcos, maîtres du trafic à Rocinha, la plus grande favela de Rio, tentent de “conquérir”, armes à la main, les points de vente de drogue de Ladeira dos Tabajaras, un petit bidonville qui surplombe Copacabana.
Ils profitent de l’absence obligée du caïd local, sous les verrous pour un bon moment. Echec et seconde tentative à nouveau repoussée. Au troisième jour, l’affrontement entre bandes rivales déborde vers les beaux quartiers, où sifflent des balles perdues. Des commerces, des écoles et des crèches ferment précipitamment leurs portes. La police intervient en force. D’où les fusillades et les scènes de Far West, évoquées plus haut.
Rocinha est dans le collimateur. Le lendemain, dès l’aube, 300 policiers conduits par des tireurs d’élite encagoulés et appuyés par des blindés investissent la favela. L’opération dure neuf heures, à peine retardée par l’huile, que les bandits, prévenus de l’assaut, ont jetée sur le sol.
La police saisit une tonne de marijuana, qu’elle emportera dans un filet accroché sous un hélico. Elle démantèle deux laboratoires de raffinage de cocaïne, qui produisaient 200 kg par semaine. La drogue, venue de Bolivie et de Colombie, via Sao Paulo, était “allongée” avec une poudre de ciment blanc.
Une quinzaine de fusils, dont un à la crosse plaquée d’or – le dernier chic pour un narco -, un gros stock de munitions et une machine à cloner les cartes de crédit complètent le butin. Au total, une dizaine de trafiquants, ou supposés tels, auront été tués en une semaine dans les deux favelas visées, dont l’un des chefs locaux, surnommé “le Mexicain”.
Ces turbulentes péripéties ont le mérite de relancer spectaculairement plusieurs débats récurrents sur l’urbanisation sauvage, l’insécurité, et le combat, largement perdu pour l’instant, contre les narcotrafiquants.
Au sud de Rio, le tissu urbain mêle étroitement les favelas et les quartiers riches, qu’on appelle ici, “nobles”. Pour contenir l’expansion, horizontale et verticale, des quelque 1 000 favelas, l’Etat de Rio a décidé de commencer par entourer onze d’entre elles d’un mur surmonté d’une clôture métallique. Ce n’est pas un hasard si celles-ci se trouvent toutes dans la “zone sud”, celle qu’il faut “protéger” en priorité des méfaits de la “favelisation” chaotique.
Les premières victimes du narcotrafic sont l’immense majorité des habitants des favelas – 98,5 % selon la police – qui n’ont rien à voir avec l’économie de la drogue. Améliorer leur vie quotidienne suppose au préalable de chasser les délinquants en réaffirmant l’autorité de la puissance publique.
A l’instigation du gouverneur de l’Etat, Sergio Cabral, plusieurs centaines de policiers sont désormais installés en permanence dans trois favelas, dont la Cité de Dieu, rendue célèbre par le livre de Paulo Lins (1997) et le film de Fernando Meirelles (2002). Mais Rio a-t-elle les moyens de décupler ce genre d’opérations ?
La contagion de la “zone sud” par la violence liée au narcotrafic tient à une raison essentielle : c’est ici, dans ces quartiers où réside la classe moyenne, que se trouve le gros de la demande de drogue. Au fil des ans, les trafiquants se sont rapprochés, par commodité, de leur marché.
Les consommateurs de marijuana et de cocaïne ont évidemment leur part de responsabilité dans l’essor d’un commerce dont ils sont les destinataires. Un film de Mauro Lima, sorti il y a un an, et lui aussi adapté d’un livre, Je ne m’appelle pas Johnny, avait dénoncé, sur ce thème, la culpabilité sociale de la jeunesse branchée de Rio.
Le fléau de la drogue ravage aussi les plus pauvres, et parmi eux, les jeunes, plus vulnérables au trafic, notamment à celui du crack, dont la consommation monte en flèche. En 2008, les cailloux de crack ont représenté 40 % des saisies effectuées par la police dans l’Etat de Rio.
L’autre dimanche, dans le centre-ville, un drogué en manque de crack a assassiné Karla Leal dos Reis, une étudiante en administration de 25 ans qui sortait d’un office religieux. Il lui a logé une balle dans la nuque, sous le regard horrifié de ses parents, alors qu’elle priait son agresseur de lui laisser sa Bible. Le meurtrier, un récidiviste, s’est enfui avec le sac de la jeune femme, avant d’être arrêté deux jours plus tard. Le sac contenait, en petite monnaie, l’équivalent de sept euros.
Courriel : langellier@lemonde.fr.
A imagem do COB está absolutamente desgastada e a ordem lá dentro é criar, rapidamente, fatos para tentar reconstruí-la. Essa Comissão feita às pressas é parte dessa estratégia. Assim como faz parte dessa estratégia publicar algumas licitações publicas de baixo valor e sem relevância, veiculadas em jornal de grande circulação. O grosso mesmo, fica sem licitação e é feito em consultorias no exterior, com contratos escondidos a sete chaves, embora seja tudo pago com dinheiro do povo (vejam a EKS na Suíça).
Juridicamente, essa Comissão de Atletas não tem efetividade alguma dentro dos poderes estatutários do COB. Nada mais é do que um Conselho Consultivo, digamos assim, cujas deliberaçoes serão encaminhadas ao COB meramente a título de sugestão. O COB não está obrigado a acatar nenhuma deliberação dessa Comissão, pelo que ela não tem força alguma. É pura espuma.
Notem que o Presidente da Comissão tem o direito de presenciar as Assembléias Gerais do COB , desde que não eletivas e que, enquanto possa falar, não tem direito de voto. Ou seja, novamente, sem eficácia. Hoje, o Presidente dessa Comissão já é membro da Assembléia Geral do COB. Assim, nenhum novo Atleta terá assento na Assembleia Geral do COB. Fica tudo como está. Até nisso a patota teve o cuidado de deixar tudo como está. Aliás, o autoritarismo e as aberrações já começam pelo próprio regulamento da Comissão que, em vez de ser debatido com os Atletas, foi-lhes imposto goela abaixo.
Percebam, ainda, que a forma de eleição dos Membros é indireta. As Confederações vão indicar os dois candidatos. Alguma dúvida de que serão escolhidos “vacas de presépio”? No Comitê Internacional Olímpico não é assim. O voto é livre dos Atletas, em urna fixada na Vila Olímpica.
A obrigação de seguir os regulamentos do COB não deixa de ser uma ordem para rezar de acordo com a cartilha da entidade. Ou seja, saiu da linha, punição. Lei da mordaça mesmo.
Dar direito de voto aos Atletas, dar poder aos Atletas de interferir nos destinos do Comitê, de saber quanto recebe e quanto gasta de dinheiro, quanto ganham seus funcionários, de opinar e ter voz nos critérios de aplicação da verba pública que mantém o COB, de ter força nos planejamentos olímpicos brasileiros, de opinar nos contratos firmados com terceiros, por exemplo, isso não muda nada e os Atletas continuam como mero coadjuvantes, ou nem isso.
Essa Comissão não tem poder legal algum de interferir em nada do COB. Serve para mascarar os problemas maiores do esporte olímpico nacional, para dar a impressão de que o COB ouve os Atletas e usá-los para palanque, escada, para os interesses pessoais dos atuais dirigentes. O Atleta que aceitou integrá-la o faz, ou ou porque faz parte do sistema e tem interesses pessoais, ou porque não está nem ai com a coisa e anda no vai da valsa, ou para por no curriculum, ou porque é puxa saco de carteirinha, ou até mesmo por pura inocência. Duvido que a maioria tenha sequer lido o regulamento.
E também duvido que daqui a quatro anos alguém diga que essa Comissão contribuiu com alguma mudança nos rumos do esporte olímpico brasileiro.
A Notável Comissão De Atletas Do Comitê Olímpico Brasileiro, Por Juca Kfouri, Na Folha de São Paulo.
Abril 9, 2009
Por Juca Kfouri, na Folha De São Paulo.
Notável comissão
A comissão de atletas que o COB, enfim, montou, chama mais atenção pelas ausências que pelas presenças
O desgaste da imagem do Comitê Olímpico Brasileiro não apenas aumentou os tiques nervosos de seu presidente, Carlos Nuzman, ele mesmo um ex-atleta bem sucedido, como João Havelange, prova de que nem sempre quem competiu é capaz de olhar mais para o esporte do que seus próprios interesses.
E não é que pé-de-atleta tenha cura e a cabeça não, como diz a piada preconceituosa.
Porque não são poucos os nossos atletas com cabeças privilegiadas.
O problema está nas ambições do bolso mesmo
Mas o desgaste tem levado a entidade até a fazer licitações de pequena monta e a tomar iniciativas como a de formar uma comissão recheada de atletas e ex-atletas de sucesso, como a que acaba de anunciar, composta por 19 membros.
Presidida, é claro, por Bernard, lugar-tenente de Nuzman desde o tempo em que sacava o “Jornada nas Estrelas”.
A comissão no entanto, chama mais atenção pela ausência de nomes que se caracterizam pelo espírito crítico, gente como Amaury Pasos, Ana Moser, Jade Barbosa, Joaquim Cruz, Lars Grael, Raí, Marcel, Oscar (este talvez pelo litígio recente com a TV Globo), Paula, Sócrates, Wlamir Marques, entre tantos outros.
É verdade que certos convites são mesmo difíceis de serem recusados, ainda mais para quem ainda está em atividade, caso de César Cielo (que ainda não aceitou o convite), por exemplo, que, com carradas de razão, vive exibindo as feridas. Porque sabe que uma recusa pode custar ainda mais caro.
Outros, como a Rainha Hortência, que conhece muito bem como as coisas funcionam (melhor seria ter escrito, não funcionam) têm lá suas atividades empresariais e dão uma boiada para não brigar.
E existem, é claro, os desfrutáveis de sempre, como Robson Caetano e Doda, alienados, acríticos, que se deixam usar pela suposta honraria e que devem argumentar que é melhor tentar fazer alguma coisa a ficar apenas apontando as mazelas.
Marta, do futebol, e obrigada a viver fora do Brasil, foi indicada pelo COB mais para cutucar a CBF do que por outro motivo.
Amanhã, quando a sociedade cobrar resultados do trabalho da comissão, seus membros dirão que pouco se reuniram e não tiveram meios para fazer nada de efetivo. E os cartolas dirão que faltou a eles idéias, capacidade gerencial, presença nas reuniões, essas coisas.
E ficará tudo por isso mesmo.
Sem se dizer que o regulamento da Comissão tem uma verdadeira lei da mordaça em seu capítulo sobre “Infrações”: “Os membros da Comissão de Atletas são jurisdicionados do COB e estão sujeitos às penalidades que lhes forem impostas por infração à Carta Olímpica, ao Estatuto e aos Regulamentos e decisões do COB”.
Houve membro da Comissão que nem leu…