Bruno Losada foi extremamente feliz em sua matéria de hoje, no jornal O Estado de São Paulo. Como já martelamos aqui várias vezes, essa patota do Rio 2.016 nada tem para mostrar a não ser maquetes e promessas. Mas tem muito a esconder e muita lorota para contar. O pessoal do CIO não é bobo. Foi fácil a eles notar que a candidatura do Rio, do ponto de vista técnico, é vazia. Ficou patente para a Comissão de Avaliação que o legado do Pan Americano foi zero (apesar do super faturamento de 1.000%) e que tudo aquilo que viram não serve para uma Olimpíada, nem mesmo com o “tapa” que o dirigentes dizem que vão dar em cada estádio. O CIO constatou, é claro, que são necessárias obras permanentes e de alto valor econômico para a Cidade poder viabilizar Jogos Olímpicos. E vale ainda notar que na Cidade do Rio de Janeiro, propriamente dita, somente os pavilhões 2, 3 e 4 do Rio Centro passariam raspando no teste. As demais instalações são estádios de futebol em outras Cidades (Mineirão, Mané Garrincha, Fonte Nova e Morumbi) e, mesmo assim, desde que sejam reformados para a Copa do Mundo de 2.014. O pessoal do Rio 2.016 tem mesmo, repito, é que ir lamber sabão. De preferência em outras plagas.
Publico Sim, André Buriti, Com Muito Prazer.
Abril 30, 2009
Caro Alberto Murray.
Primeiro de tudo, parabéns pela coragem de colocar num blog tudo o que você sabe, seja bem-vindo ao grupo daqueles que estão há anos nessa batalha contra o roubo do dinheiro público em benefício de meia dúzia de pessoas.
Meu site está no ar desde 2004, brigando pela permanência do autódromo de Jacarepaguá, muitos falam que só conseguimos mantê-lo graças à minha mobilização, mas eu não tenho essa ilusão, ele ainda está de pé graças à incompetência dos ladrões do dinheiro público, que não conseguiram um motivo plausível para acabar com ele.
Agora com essa candidatura, quem tentam enfiar goela abaixo da população, no grito, sem consultar ninguém, oferecendo bilhões de dólares de recursos, fazendo os cidadãos de reféns e pessoas de segunda categoria, porque estas benfeitorias só serão feitas porque os estrangeiros precisam e não porque a sociedade precisa, eles mais uma vez ameaçam a pista que tanta história fez para o automobilismo brasileiro.
A minha luta pelo autódromo tem sido continuada, hjoje estou na surdina, porque as pessoas que me apoiavam ou se contentaram de ter meia pista para correr ou então ficaram com medo de me apoiar porque sofreram sanções ou ameaças do governo.
De qualquer forma meu caro, eu não tenho nada a perder com isso, poderia ter virado as costas e ido cuidar da minha vida, porque “é assim mesmo”.
Mas ainda tenho a esperança de ver o Comitê Olímpico Brasileiro desfeito e todos os envolvidos na cadeia.
Sei que isso é difícil num país em que existe sempre uma “caneta amiga”, como dizia o falecido Sérgio Naya (que o inferno o tenha): “o preço da justiça está no canhoto do meu talão de cheques”.
Sei que você, Murray, defende o movimento olímpico e não compactua com essa roubalheira que existe hoje dentro do esporte, e que também gostaria que realizassem os Jogos no Brasil.
Isso claro, se vivessemos num país justo, onde os recursos seriam aplicados de forma correta, onde não houvesse clientelismo nem desvios de conduta das pessoas que deveriam comandar o país.
Mas o que temos hoje é uma teia de comprometimentos e relações perigosas entre governantes, empresários e dirigentes esportivos, que me leva a acreditar que talvez isso (a dissolução definitiva do COB e a prisão de seus dirigentes) nunca acontecerá.
Minha luta continua hoje, como continuará após, o Pan, pois o Sr. Nuzmann deseja com todo o vigor que o autódromo seja demolido para dar lugar ao COT, um aceno aos seus aliados de que ainda pode-se ganhar muito dinheiro mesmo que não se ganhe a olimpíada, ou pior, apenas um aperitivo para as verbas que poderão vir no bojo de uma candidatura (mais uma) para 2020.
Então estou aqui desejando-lhe sorte em sua empreitada, sua luta por um mundo mais justo é a minha luta também, em campos diferentes, mas buscando um ideal de país e de mundo que muita gente pode considerar piegas, ou impossível.
Em tempo, caso lhe interesse, consegui copiar todo conteúdo do extinto “A Verdade do Pan”, se lhe interessar uma cópia desse material terei prazer em lhe entregar.
Um grande abraço e votos de sucesso.
PS: se desejar, não precisa publicar esse cometário, me escreva para que possamos conversar.
Rio 2.106 e Maluf.
Abril 30, 2009
Em conversa havida ontem com uma das maiores autoridades em educação olímpica do Brasil, ouvi uma frase muito espirituosa:
“Esse Rio 2.016 é como as candidaturas do Maluf. Entra só para competir e faturar algum.”
E eu acrescento: ” E nas duas hipóteses há muita lorota”.
O fato é que eu não conheço ninguém sério, que entenda do assunto, que acredite nesse Rio 2.106.
Pelo painel de controle e estatíscas do Blog, notei que nesses dias que antecederam a chegada da Comissão de Avaliação do Comitê Internacional Olímpico (“CIO”) ao Rio, aumentou a audiência de leitores, no Brasil e no exterior, em busca do tema. Já escrevi aqui o que eu acho disso. Mas considerando que agora eles efetivamente chegaram, volto à questão. Antigamente não existia uma Comissão Avaliadora. Cada Membro do CIO visitava a Cidade e, individualmente, tirava as suas próprias conclusões. Hoje a Comissão de Avaliação é escolhida e é ela, somente ela, que visita as Cidades. Posteriormente, apresenta ao colégio eleitoral as suas opiniões. Muitas vezes, tais opiniões não são seguidas. Vota-se por amizades, ou por qualquer outro interesse. Isso pode ocorrer, normalmente, quando os níveis técnicos das candidaturas assemelham-se. Se A e B são boas candidaturas, um Membro pode decidir por uma, ou outra, de acordo com suas amizades em cada Cidade, ou por outros fatores quaisquer. É assim mesmo que ocorre.
Porém, quando uma Cidade está muitos degraus abaixo das demais, é extremamente difícil que, por mais que se tenha simpatias pelo local, dar-lhe o voto olímpico. É impossível não ter simpatias pelo Rio de Janeiro. Principalmente para quem o vê de longe. É uma Cidade que possui uma áura de misticismo e curiosidade. Mas daí, a escolhê-la como sede olímpica, vai uma distância enorme. Como se sabe, o Rio parte nessa disputa vários degraus abaixo de suas concorrentes, conforme a avaliação preliminar feita pelo CIO. As razões são óbvias. Instalações desportivas inadequadas, ou inexistentes; candidatura puramente baseada em promessas de políticos; violência urbana de proporções inaceitáveis para padrões internacionais; falta de hospitais de excelente nível; falta de hotelaria boa e suficiente para atender á demanda olímpica; trânsito da pior qualidade e sem perspectivas de melhoras em um curto período de tempo; falta de transporte público de qualidade; praias e Baía da Guanabara poluídas; pouca atenção à questão do meio ambiente em comparação com os padrões internacionais e uma outra série de coisas que são analisadas cuidadosamente pelo CIO e que fazem parte do chamado “Caderno de Encargos”. Acho que esse método de avaliação adotado hoje pelo CIO muito mais efetivo e transparente do que o que se fazia no passado.
Já escrevi aqui que se alguém acha que algum Membro da Comissão vai esculhambar o Rio em público, está rendondamente enganado. Assim como ocorreu em Chicago, em Tokyo e ocorrerá em Madri, oficialmente, escutaremos apenas elogios. Mas os Membros não são bobos e sabem aonde estão pisando. Sabem que nas demais Cidades, as candidaturas não somente têm o apoio dos governos, das empresas privadas, mas que, sobretudo, várias arenas esportivas já estão prontas, ou em construção. Aqui no Rio, verão somente maquetes, promessas, ouvirão uma saraivada de lorotas e verão a proposta mais cara dentre as demais, mesmo sendo o Brasil o País mais pobre e com grandes desníveis sociais. Será que o CIO vai arriscar e dar os Jogos Olímpicos, um grande negócio financeiro,a uma Cidade que não tem nada, só maquetes?
É importante frisar que a grande imprensa é mantida afastada da visita. Existirá uma rápida coletiva de imprensa, ao final, aonde as perguntas e respostas são geralmente laudatórias e protocolares. Caberá aos Jornalistas especializados, após a visita, atrávés de suas fontes, buscar a verdade dos fatos e analisá-los com frieza. É muito importante que ninguém se deixe contagiar pelo clima de euforia, decorrente de um possível elogio da Comissão, aqui, ou acolá.
Também é muito importante prestar atenção ao fato de que, por a grande imprensa não ter acesso direto aos Membros do Comitê e às solenidades oficiais, nós todos ficamos sujeitos à notícias que surgirão dos assessores de imprensa oficiais, que são pagos para dar notícias chapa branca.
O que vai valer mesmo, será na hora em que os Membros sentarem, sozinhos, para atribuir as suas notas.
E nesse quesito, na avaliação preliminar, o Rio esteve em quinto lugar, atrás até de Doha, que por questões de data acabou ficando fora da disputa. Será que de lá para cá o Rio melhorou tanto, a ponto de superar Chicago, Madri e Tokyo? O que de tão bom ocorreu na Cidade nesses poucos meses para mudar o cenário ruim traçado pelo próprio CIO? A resposta é nada. Portanto, não se iludam.
E tomem cuidado, porque senão em outubro estaremos falando em Rio 2.020 e mais dinheiro público estará sendo jogado no ralo, enquanto o povo ainda morre de fome.
Membro do COI pega engarrafamento na Linha Vermelha
Publicada em 27/04/2009 às 15h44m
Cristiane de Cássia, Hugo Naidin e Paulo Roberto Araújo
RIO – Se o transporte é mesmo uma das principais preocupações dos organizadores da candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016, a primeira impressão que ficou para pelo menos dois integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) não foi das melhores. A viagem do Aeroporto Internacional Tom Jobim até o Copacabana Palace durou 50 minutos para o nadador Alexander Popov, ex-recordista olímpico, e outro membro do COI. Eles saíram do aeroporto às 8h50m, e encontraram o trânsito congestionado na Linha Vermelha.
Para chegar ao hotel onde os 16 integrantes do COI ficarão hospedados por uma semana para avaliar a cidade, a comitiva ficou um bom tempo retida na Linha Vermelha e no Viaduto do Gasômetro. Na via expressa, eles passaram ao lado do Complexo da Maré, região onde vários ambulantes acabam indo para as pistas tentando vender biscoitos e refrigerantes para quem fica parado no tráfego. O veículo onde estava Popov não teve o apoio de batedores, mas foi seguido por outros dois, onde estavam seguranças.
O nadador foi recebido no Aeroporto às 8h30m pelo prefeito Eduardo Paes e o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. O horário em que a presidente da Comissão de Avaliação do COI, Nawal EL Moutawakel, chegou, junto com outros dois integrantes do grupo, tinha o trânsito bem mais tranquilo. Eram apenas 5h20m quando eles desembarcaram e o tráfego era bem menor. Nuzman, Paes e o governador Sérgio Cabral receberam a presidente. O primeiro representante do COI chegou na tarde de domingo e os outros chegam ao longo do dia desta segunda.
Para recepcionar o COI, a CET-Rio instalou painéis luminosos com boas-vindas aos representantes do comitê. No domingo, Eduardo Paes pediu para população ser simpática com os integrantes do COI.
- Esta semana, peço para a população se mobilizar. Quando vir um inspetor do COI pela rua, deve bater palma, mandar beijinho, agradecer. Vamos tratar bem os caras. Do outro lado, eu, o governador e o próprio presidente da república que vai estar aqui, vamos mostrar que é a melhor alternativa é a cidade mais maravilhosa do mundo, o Rio de Janeiro – disse o prefeito.
Nuzman confirmou, nesta segunda-feira, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão se reunir a portas fechadas com o Comitê Olímpico Internacional (COI) na quinta-feira. O encontro será no hotel Copacabana Palace.
Os membros da comissão de avaliação vão passar pelo Forte de Copacabana, Arena Maria Lenk (Barra da Tijuca), Estádio João Havelange (Engenho de Dentro), Maracanã e Complexo de Deodoro. Essas visitas acontecem no feriado de 1 de maio, Dia do Trabalhador. A estratégia da campanha é mais sutil, apenas distribuindo faixas e cartazes pela cidade e pedindo aos cariocas que vistam roupas verde-e-amarelo. Diferentemente de Tóquio e Chicago , onde os organizadores das candidaturas contrataram claques de apoio, o Comitê Rio 2016 optou por um engajamento popular que fosse o mais natural possível.
José Cruz Analisa Em Seu Blog O Fracassado Modelo Olímpico Imposto Pelo Comitê Olímpico Brasileiro E Pelo Ministério Do Esporte.
Abril 26, 2009
Do Blog do José Cruz.
Do atletismo ao judô No país de cultura futebolística por excelência, os esportes olímpicos são os primeiros a sofrer os efeitos da crise econômica. Quando venceu a 3ª Maratona Brasília de Revezamento, na terça-feira, o técnico do Cruzeiro, Alexandre Minardi, estava mais preocupado com o futuro de sua equipe do que com a conquista do bicampeonato da prova. A se confirmar a previsão da direção do clube mineiro, de encerrar as atividades do departamento de atletismo, Minardi fechará uma história de 25 anos à frente do Cruzeiro. Pior: mais de 20 atletas ficarão sem espaço para treinar e sem camisa de clube para vestir. No Rio de Janeiro, a brasilense Laisa Santana, de 21 anos, e mais uma dezena de atletas estão na rua. Com um inesperado comunicado, eles perderam o patrocínio da Universidade Gama Filho, que mantinha uma equipe de judô. Motivo: a crise da economia mundial. Além do espaço no tatame, perderam a matrícula na faculdade de educação física. São os mais novos órfãos esportivo-culturais da Cidade Maravilhosa. Silêncio Toda essa triste realidade estarrece. Enquanto o caos se instala com fracassos individuais ou coletivos, o Brasil discursa ufanista, lá fora, vendendo a imagem de que temos, sim, condições de sediar uma olimpíada em 2016. Construímos a imagem ilusória de um potencial em que o maior patrimônio, o atleta, está sem rumo. A essa campanha olímpica se associa o Ministério do Esporte, que gerencia a Lei de Incentivos, por exemplo. Com muito dinheiro e sem metas, aprova projetos para o São Paulo Futebol Clube (R$ 17 milhões), para a Confederação Brasileira de Golfe (R$ 5 milhões), para Emerson Fittipaldi (R$ 15 milhões) promover uma corrida de automóveis. Que explicação há para esse contraste de realidades, em que há fartura de dinheiro de um lado, em detrimento de aplicações de outro? Temos um ministério que age sem norma técnica e, por isso, escreve por linhas tortas um triste capítulo da história de nosso esporte olímpico.
Alberto – não se preocupe – não dá para esconder. Além do que este pessoal está fazendo turismo pois ninguém pode levar esta estória de Rio a sério. Dr. José Luiz Cabello Campos
