O Esporte Brasileiro Perde Rafael Duarte.
Fevereiro 25, 2009
O Sonho de Milhares de Atletas Pelo Mundo – por Rafael Duarte
“A China se prepara para celebrar a maior Olimpíadas de todos os tempos. E Beijing, uma das mais importantes e maiores aglomerações urbanas, porém conturbadas do planeta, vai sediar a maior festa do esporte. As instalações serão de proporções faraônicas e terão a mais bela e imponente estrutura de todos os tempos.
Acima de tudo, essa grande estrutura estará preparada para abrigar o maior numero de participantes da historias dos Jogos. Com 37 ginásios e estádios, um enorme e moderno terminal do aeroporto com um milhão de metros quadrados de área recém construída, e uma vila Olímpica preparada para receber 16 mil atletas.
Uma verdadeira população ocupará a capital chinesa nos praticamente 30 dias de competições.
A quantia é tão grande que os atletas só irão para as vilas olímpicas nos dias que antecederem as suas participações. Mesmo assim, o número de atletas que passarão por lá faz a primeira Olimpíada moderna de Atenas em 1896 parecer uma gincana inter-escolar de fim de semana (em questão numérica é claro!).
Mas acreditem! Essa enorme quantia de participantes terá uma torcida quatro vezes maior de compatriotas atletas que não se classificaram em suas seletivas nacionais e internacionais.
Posso dizer que farei parte desses numero de atletas que assistirão aos jogos em casa. Obtive o índice B para os Jogos (uma espécie de bola na trave para poder participar do evento) na marcha atlética, e não vou estar em Beijing. Mas fico muito feliz de ter vivido e aprendido com essa experiência. Talvez o mais importante do espírito Olímpico, o de ter tentado e lutado.
Digamos que em ano de Jogos as disputas e o clima Olímpico começam muito antes de serem declarados oficialmente abertos por seus presidentes, pelo menos para os atletas.
O chamado “ano olímpico” é formado por um calendário esportivo riquíssimo em circuitos e eventos, com competições, camping e clinicas de alto rendimento para que os atletas cheguem em um alto nível e obtenham os índices mais rapidamente. A corrida para garantir a vaga começa no ano anterior e vai até aproximadamente 20 dias antes da abertura dos jogos.
Posso dizer que fazer parte desse período que competi e treinei (no meu caso no circuito europeu) me fez sentir esse gostinho olímpico. Pude ouvir historias, conviver com atletas importantes, passar por estádios e cidades olímpicas.
Durante alguns meses convivi com uma parte da comunidade esportiva internacional, e mais do que nunca me senti em família.
Na verdade, eu acho que é isso em que ela se transforma após um período tão grande de convivência, uma grande família atlética com um ideal em comum, o ideal Olímpico!
Poder estar com esses atletas de diversas modalidades, consagrados em seus países e no mundo, medalhistas ou não, me fez sonhar mais alto em participar dessa grande festa da humanidade.”
Um Exemplo
Rafael Duarte, 24 anos, é marcha-atleta, atual campeão do Troféu Brasil de Atletismo na prova de 20km. Conquistou o índice B em Rio Maior, Portugal (1h24m10s), em abril. Muito mais que um atleta brasiliense, Rafael é um exemplo de vida. Conquistou a 4º colocação no Mundial de Juvenis em Kingston 2002, resultado inédito no nosso atletismo. Logo depois, em 2004, foi diagnosticada leucemia, que o fez ficar afastado das pistas. Voltou a treinar em 2005 e completou em 2008, um ano sem quimioterapia.
Um cara que me orgulho de conhecer. E que prometo realizar uma entrevista aqui ao final dos Jogos.
Fevereiro 25, 2009 at 8:39 am
Olá, Alberto. Obrigado pela citação de Os Geraldinos. Só peço que retire o “by Frango Geraldo”. O texto é do Rafael, e Frango Geraldo é apenas um personagem do blog, que na ocasião foi usado com o username para a portagem do texto.
Abraço,
Henrique Pinheiro
Fevereiro 25, 2009 at 4:20 pm
Olá Alberto,
Perdi um grande amigo, quase um filho para mim. Rafael era um parceiro, gostava das mesmas coisas que eu gosto, música, esporte e livros.
Na música, tinhamos os mesmos gostos, músicas entre os anos 40 e 70. Ele mesmo me dizia isso, “Nilson devo ser a reencarnação de algum cara que viveu nesse período, pois adoro as músicas dos anos entre 40 e 70, odeio as de hoje, as que a molecada gosta.
Se foi um companheiro, mas ficou uma espetácular lembrança, até o último dos meus dias.