Recebi uma ligação da Espanha, da Universidade Autônoma de Madrid. Já haviam deixado um recado na semana passada. Eles estão fazendo um trabalho acadêmico em todos os Países em que há Cidades candidatas aos Jogos Olímpicos de 2.016. Pediram uma entrevista comigo, que foi marcada para o dia 05 de março de  2.009, às 10h00min.  Perguntei por que eu? Tem tanta gente por aí melhor e mais importante. A questão é que o Blog repercutiu no meio olímpico da Espanha, tem sido lido e comentado por lá. Assim, querem ouvir a minha opinião sobre a candidatura Rio 2.016.

Bom, isso me faz lembrar algo que já citei aqui. Na época da ditadura militar Dom Helder Câmara dizia ao exterior: “Denunciem. No meu país tem tortura.” E os generais de plantão acusavam-no de falta de patriotismo.

Sem pretensões, claro, de comparar-me a Dom Helder, vou aproveitar e dizer ao madrilenhos “que no meu país tem tortura”, o que significa que vou expor, com clareza e sem medo, como costumo fazer, tudo o que acho da candidatura olímpica brasileira.

E que se danem aqueles que não me acharem patriota.

O COB Está Acuado, Com Medo!

Fevereiro 4, 2009

É paulada de todo lado. E paulada bem dada. Com fundamento. A cada dia crescem as denúncias, o descontentamento com a atual administração do Comitê Olímpico Brasileiro, que tanto mal tem causado ao esporte brasileiro. Ninguém consegue enganar por muito tempo. Esses daí, já eram.

Hoje reuniu-se em São Paulo os clubes formadores de Atletas, na sede do competente Esporte Clube Pinheiros, para fundarem a Fundação dos Clubes Formadores de Atletas Olímpicos. Mais do que a criação de uma entidade representativa dos Clubes, o evento virou uma saraivada de críticas ao Comitê Olímpico Brasileiro e sua gente. E relevância do encontro deu-se, também, pela presença maciça de inúmeros Atletas Olímpicos, que apoiaram a iniciativa dos Clubes. Os Clubes querem uma parcela do dinheiro da Lei Piva, pois são eles que formam os Atletas.

Em ocasiões anteriores eu já disse, já escrevi, que o Comitê Olímpico Brasileiro nada mais é, atualmente, do que uma entidade que, com dinheiro público, organiza eventos e distribui camisas.  Desde que o atual presidente assumiu o cargo, com todo dinheiro público que recebe, não contribuiu em nada para a melhora do esporte educacional do Brasil (ele não liga para isso. Diz que isso não é com ele) e, na mesma medida, não inovou em rigorosamente nada a triste realidade desportiva do Brasil. As medalhas que o País ganha ainda são fruto de valores esporádicos que surgem, de talentos naturais e que são trabalhados individualmente. Não são fruto de planejamento. Os esportes são os mesmo em que o Brasil tem tradição em ganhar medalhas, com raríssimas exceções.

O Comitê Olímpico Brasileiro também tornou-se em um promovedor de candidaturas olímpicas fracassadas, uma atrás da outra, cujas contas não fecham. O Panamericano não deixou legado algum para Cidade do Rio de Janeiro (desafio alguém provar que deixou. Rebato ponto por ponto) e impos aos cofres da nação um super faturamento de aproximadamente 1000% (hum mil por cento). Não fosse lenta a Justiça no Brasil, se estivessemos falando de um País Europeu, ou na América do Norte, a gente responsável por isso já estaria na cadeia e, claro, defenestrada de seus cargos.

Conforme também já havia demonstrado, mais de 50% (cinquenta por cento) do dinheiro arrecadado pelo COB com a Lei Piva é consumido com gastos da própria entidade, de manutenção. Isso é um escândalo. O COB esmera-se e orgulha-se em ter uma folha de pagamento alta, sob o argumento de que presta vários serviços. Que serviços são esses? Presta serviços coisa alguma. É tudo gente que pega carona nas boquinhas das candidaturas olímpicas sucessivas. O COB virou uma estatal inoperante, repleto de plumagens, que serve de cabide de emprego para muita gente.

Eu apoio totalmente o pleito dos Clubes. Sempre sustentei que os Clubes são a célula mater do esporte brasileiro. Isso não quer dizer que o dinheiro deve, simplesmente, ir para os cofres dos clubes sem uma rígida fiscalização e contrapartidas, de modo a provar que os recursos estão sendo, efetivamente, aplicados nos esportes olímpicos (eu desconfio um pouco, sempre, de clube de futebol. Não é pré conceito. É pós conceito mesmo. Nada que tem vindo do mundo do futebol me agrada e temos que olhar com suspeita). Mas há clubes como o Pinheiros, o Minas Tênis Clube, a Sogipa e outros que são eminentemente formadores de Atletas Olímpicos e que não vê a cor do dinheiro da Lei Piva.

Do alto da sua empáfia, da sua arrogância, o COB diz que seu relacionamento é somente com as Confederações e não com os Clubes, ou mesmo as Federações Estaduais. Quanto mais arrogante, mais paranóico fica o nosso Comitê Olímpico que deveria, sim, ter a iniciativa de dialogar com todos os segmentos esportivos do Brasil.

Mas como os Clubes não votam, na prática, o COB quer que os clubes se danem e acabam dando atenção exclusivamente ao seu colégio eleitoral. Ainda assim, exclui de suas preferências as Confederações que ele próprio considera de menor expressão (talvez aonde não se possa fazer tantos negócios). O COB despreza as Confederações menores.

O COB vai gastar, conforme publicado no Diário Oficial da União, mais de R$ 7 milhões para acolher na Cidade do Rio de Janeiro a Comissão de Avaliação do Comitê Internacional Olímpico (“CIO”). Em primeiro lugar, está evidente que esse dinheiro é excessivo para receber essa Comissão. Quero ver se o COB vai ter coragem de listar, item por item, para onde terá sido destinado cada centavo dessa verdadeira fortuna. Em segundo lugar, se esse dinheiro fosse injetado na formação de Atletas, em Confederações pobres, teria muito mais utilidade à nação.

Hoje, conversando com alguém próximo à cupula do COB, fui informado de que realmente aquela gente está acuada, tem medo. É processo no TCU, processo no MP Federal, investigação promovida pela CGU, CMPI em vias de acontecer, Atletas de renome defendendo a renovação e maior transparência no COB, a união dos Clubes por mudanças na lei, a imprensa diariamente publicando matérias que desnudam a verdade do COB, que os tornam atentos e temerosos com relação ao futuro. Eles sabem que o Rio 2.016 vai perder e, à partir daí, não haverá mais argumentos para defender “a união do esporte”. Quando o Rio perder, o COB será questionado, de forma ainda mais veemente do que está sendo agora. E aí, há gente que fala até em exigir a renúncia do atual presidente. na minha opinião, chegou a hora de ele sair e dar espaço a gente mais jovem, com novas idéias, cujo pensamento esteja alinhado com aquilo que deseja a sociedade brasileira.

 
03/02/2009 – 15h36

Clubes pedem 30% da Lei Agnelo-Piva, e Ministério sinaliza apoio

Bruno Império
Em São Paulo
Ao contrário do que chegou a ser ventilado dentro do próprio Ministério do Esporte, começa com forte apoio da pasta o lobby de clubes para que uma fatia da Lei Agnelo-Piva chegue às agremiações. Nesta terça-feira, na sede do clube Pinheiros, em São Paulo, presidentes de Corinthians, Vasco, Flamengo, Fluminense, Grêmio Náutico União, Minas Tênis Clube, Sogipa e do próprio Pinheiros anunciaram a fundação do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (CONFAO) para, fundamentalmente, disputar um repasse estatal que giraria em torno de 30% do valor hoje destinado ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB).

“Pelas informações que temos acesso, o COB utiliza cerca de 50% da verba com gastos administrativos. Na nossa concepção, um valor razoável seria aplicar 20% com esse tipo de demanda. Logo, teríamos 30% aí ’sobrando’ e que deveriam ser destinados aos clubes”, afirmou o presidente da entidade, Sérgio Coelho, mandatário do Minas Tênis Clube.

Ainda segundo o CONFAO, o COB arrecadou no último ciclo olímpico (4 anos) cerca de R$ 288 milhões. Isso daria às agremiações, no período até os Jogos de Londres em 2012, algo em torno de R$ 86 milhões.

Mas a matemática do repasse não é exatamente como explica Coelho. A Lei Agnelo-Piva destina 2% do valor bruto arrecadado em loterias federais para COB e CPB. A entidade presidida por Carlos Arthur Nuzman fica com 85% do montante. O resto é destinado à entidade paraolímpica. O CONFAO não definiu ainda quais armas irá utilizar para brigar por uma fatia da lei. Mas, por hora, o lobby junto ao Ministério do Esporte já tem mostrado eficiência.

“Entendo que a reivindicação dos clubes é legítima. Certamente conversaremos com eles com mais calma para conhecer bem qual a proposta e vamos trabalhar por um consenso. Mas tudo o que foi falado aqui, até pelos números mostrados, é muito razoável”, afirmou Alcino Rocha, diretor do comitê de aprovação da Lei de Incentivo Fiscal do Ministério do Esporte, enviado ao encontro como emissário do titular da pasta, Orlando Silva Jr. 

O COB, que conserva boas relações com o ministério, já se mostrou contrário à mudança na legislação. Pessoas ligadas a Nuzman já dão conta de que ele está inclusive temeroso em perder parte da verba que recebe atualmente do Governo Federal. O que, segundo o enviado de Silva Jr., pode mesmo acontecer. 

“O relacionamento do COB com o Ministério do Esporte é saudável, mas estritamente institucional. Se acharmos oportuno que parte da verba da Lei Agnelo-Piva seja realmente repassada aos clubes, vamos nos aproximar do presidente Lula e tratar do tema. Isso pode ser implementado com um decreto. E não acredito que o COB possa ficar irritado com isso”, disse Rocha.

A presença de Rocha no encontro foi recheada de afagos ao governo Lula. Márcio Braga, presidente do Flamengo e segundo vice-presidente do CONFAO vez questão de salientar a boa relação com dos clubes com a União. “Não existe nenhum ponto em que possamos criticar Lula sobre o incentivo ao esporte. O governo dele está fazendo um ótimo trabalho. Além disso, o Ministério do Esporte sempre foi sensível e nos atendeu”, disse o cartola.

O discurso é bem diferente quando o assunto é o COB, inimigo declarado da entidade. “Estamos vivendo um escândalo. Quando o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro [Nuzman], atleta olímpico formado em um clube, diz que não acredita mais nos clubes como formadores de esportistas, é o ‘fim da história’. Fica claro que precisamos construir algo novo”, completou Braga.

“Se conseguirmos sensibilizar o presidente da república sobre nossas reivindicações, podemos alcançar nosso objetivo. Vamos conversar com todos os setores, trazer o máximo de suporte que pudermos para a nossa causa. Mas acreditamos que essa ponte possa ser feita pelo Ministério do Esporte, que parece ter entendido nosso ponto de vista”, afirmou Coelho, quando questionado sobre a possibilidade de tentar apoio na Câmara Federal.

Para reivindicar que os clubes tenham direito a 30% da Lei Agnelo-Piva, o CONFAO alega que 213 dos 277 atletas que compuseram a delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim pertenciam a alguma agremiação.

 
 
APOIO VEIO NA ÚLTIMA HORA
Até às 17h da última segunda-feira o Ministério do Esporte não havia destinado nenhum representante para acompanhar a reunião que marcou o início das atividade do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos. A entidade havia convidado o ministro Orlando Silva Jr. para participar do evento, mas o titular da pasta não poderia comparecer ao encontro por conta de um compromisso no Rio.

Havia, inclusive, temor de que um apoio declarado ao CONFAO poderia minar a relação do Ministério do Esporte com o Comitê Olímpico Internacional (COB). Por conta disso, a pasta não havia definido ninguém para acompanhar a fundação da entidade, nesta terça-feira, em São Paulo. 

A ausência de representantes de Silva Jr. no encontro havia sido confirmada à reportagem do UOL Esporte pelo departamento de comunicação do Ministério do Esporte. No entanto, tudo mudou no final da tarde da última segunda-feira, quando o diretor do comitê de aprovação da Lei de Incentivo Fiscal Alcides Rocha foi convocado, por telefone, para ir à sede do Pinheiros nesta manhã. 

Rocha ainda estava de férias e tinha acabado de retornar da Bahia. O emissário só retomará seu expediente normal em Brasília na próxima segunda-feira. “Mas achei que era importante atender a este chamado. E como estava em São Paulo, não vi problemas em comparecer a este encontro”, disse.