Djan Madruga Está Deixando O Ministério Do Esporte
Janeiro 31, 2009
Em 1.980, nos Jogos Olímpicos de Moscou, ainda um garoto de 14 anos, vi Djan Madruga subir ao podium e ganhar uma medalha de bronze nos 4 x 200, ao lado de Jorge Fernandes, Marcus Matiolli e Cyro Marques. Djan já era um Atleta de destaque. Tinha batido na trave do podium olimpico anteriormente. A medalha em 1.980 coroou sua carreira de bom nadador. Djan sempre teve personalidade forte. Em várias ocasiões, tomou a frente para defender interesses dos Atletas, alguns corretos, outros não, em minha opinião. Mas o fato é que Djan sempre teve atitudes. É melhor ter atitudes e errar vez por outra, do que ser uma pessoa sem opinião. Ou, pior, que tem medo de expressá-la.
Djan aceitou o cargo de Secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte. Eu tenho escrito e falado que, hoje, o Ministério é um aglomerado de gente despreparada, um feudo de um partido jurássico, que parece ter um fim em si mesmo. Djan, assim como algumas outros poucos (alguns professores da USP que hoje estão lá), são a exceção à regra. Pode-se até dizer que Djan não conseguiu fazer muito no cargo que ocupou. Mas não se pode dizer que ele não conheça o esporte de perto. O Ministro, o Secretário-Geral, esses, sim, pode-se dizer, tranquilamente, que não conhecem o esporte, nem de perto, nem de longe.
Não sei, ainda, a razão pela qual Djan está deixando o Ministério. Não sei se por vontade própria, ou se para dar sua cadeira a alguém do partido do Ministro, atualmente desempregado e necessitando de um “empregote” público.
Mas posso assegurar que na China, durante as Olimpíadas, Djan e o Comitê Olímpico Brasileiro desentenderam-se. Brigaram. O Comitê discordou de algumas atitudes e declarações de Djan e, eu ouvi e vi, em uma partida do volleyball de praia feminino do Brasil, vir uma ordem expressa do chefão do COB para que Djan não tivesse mais acesso a qualquer coisa referente à delegação brasileira, à Vila Olímpica, que lhe fossem cortados ingressos que eventualmente ele pedisse.Ou seja, alijar Djan de todo e qualquer contacto com a representação brasileira em Beijing. Eu ouvi, Djan ser duramente criticado pelo Comitê Olímpico Brasileiro em Beijing. Ví o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro passar por ele, em uma competição de volleyball masculino, sem cumprimentá-lo (aliás, o que é um costume quando ele ouve críticas a seu respeito. Hoje, deve estar sem cumprimentar muita gente, pois é uma das pessoas mais criticadas do Brasil). Enfim, Djan e o COB romperam em Beijing. Se negarem, estarão mentindo. Eu ví e ouvi isso.
Na audiência pública em que participei no Senado, achei Djan extremamente constrangido. Não achei Djan a vontade. Pode ser apenas impressão minha. Eu sentia no ar ainda as rusgas surgidas há alguns meses atrás em Beijing. Nessa Audiência Pública, debateu-se muito a culpa do super faturamento de 1.000% no Panamericano do Rio 2.007. Eu bati muito nessa tecla. O Comitê, por sua assessoria de imprensa (lembre-se de que o Presidente fez aquele papelão e, com medo de debater, sumiu, foi embora), dizia “que o relatório do TCU, em momento algum, acusa o Comitê de alguma coisa”. Isso era uma mensagem clara do COB para o Ministério do Esporte, ali representado por Djan ( o Ministro também ficou com medo e sequer apareceu). O COB queria dizer que o problema do super faturamento era do Ministério do Esporte e não dele próprio. O escárnio dessa gente era tanto que, a um certo ponto eu mesmo disse: “Djan, o Comitê está querendo jogar a bomba no seu colo, porque alguém vai ter que responder por esse super faturamento”. Djan olhou-me constrangido. Tudo isso está gravado.
Repito que não sei se Djan sai porque quer, por pressão do COB, ou para dar assento a algum cupincha do Ministro.
Sou a favor da extinção desse Ministério inócuo e inoperante, como escrevi em alguns posts abaixo. De todas as formas, em existindo o Ministério, espero que a Secretaria de Alto Rendimento seja ocupada por alguém do esporte. E não por algum projeto de político, hoje desempregado.
Janeiro 31, 2009 at 2:00 pm
Olá Alberto,
NUm comentpario que eu fiz sobre o o Djan estar no Ministério, no lugar que foi da Magic Paula que saiu de lá constrangida com tanta safadeza que reina naquele Ministério, onde nunca deveia ter entrado, pois, mancha a imagem de qualquer um que é honesto. Pois bem, fiquei extremamente chateado por vê-lo lá, pois, conhecendo o Djan (participamos juntos dos JEBs de 1976), aquele lugar deveria estar deixando-o muito pouco a vontade naquele ninho de cobras (venenosas) (o Butantã é fichinha).
Graças a Deus ele saiu daquele antro, para poder voltar a ser o Djan que conhecemos, batalhador do esporte brasileiro e não um fantoche na mão de crápulas. Fico preocupado com a Ana Moser, pela saúde mental dela, fazendo parte daquela podridão.
Janeiro 31, 2009 at 4:45 pm
madruga sempre foi um homem honrado e mostra mais uma vez a verve de campeão que permeou sua vida,quem dera tivessémos mais djans entre o esportistas brasileiros certamente não seríamos tão afrontados pelos déspotas esclarecidos que tomaram o esporte dos desportistas;ainda persiste a esperança de uma grande reforma,antes da candidatura à olimpíada e tomara que a justiça seja rigorosa.
Fevereiro 2, 2009 at 4:23 am
SE OS HONESTOS E DE BEM ESTÃO COMEÇANDO A DEIXAR O MINISTERIO DO ESPORTE,A POUCA ESPERANÇA DE QUE O ESPORTE NO BRASIL SOBREVIVA VAI RALO ABAIXO.O QUE MAIS ME ESPANTA É QUE O PRESIDENTE NADA FAZ PARA MUDAR ESTE TRISTE CAMINHO QUE O ESPORTE ESTA SEGUINDO.SERÁ QUE QUANDO TUDO RUIR ELE VAI DIZER QUE NÃO SABIA DE NADA?? E NOSSOS DIRIGENTES MAXIMOS DO GOVERNO,SERÁ QUE ODEIAM TANTO O ESPORTE QUE NADA FAZEM PARA MUDAR ESTE “GRUPO”QUE ADMINISTRA O ESPORTE?
Fevereiro 3, 2009 at 1:11 pm
Das muitas passagens gloriosas na carreira do nadador Djan Garrido (será um derivativo de ‘garra’?) Madruga, uma, em especial, me recordo bem. Li em 1980, num jornal que guardo até hoje, qdo era um garoto cheio de sonhos em ver o Brasil olímpico. Em tempo: ainda sonho! No refeitório da Vila Olímpica de Moscou, um dos maiores fenômenos do esporte na história, estrela reluzente da época, desviou seu trajeto especialmente para comprimentar um jovem nadador brasileiro que fazia sua refeição quietinho num canto. Vladimir Salnikov, o primeiro homem a baixar os 15min nos 1500m livres da natação, chamava a atenção por onde passava. Admirado e respeitado (bateu 12 recordes mundiais) mostrou tb que era humilde e justo. Apertou a mão de um rival competente, vindo do distante Brasil, para ele. Distante na geografia e na qualidade esportiva da antiga União Soviética de Salnikov. Aquele simples gesto foi prova cabal do respeito de uma estrela por um jovem talento. Foi talvez uma medalha simbólica para Djan. Na sua maior especialidade (a prova mais longa nas piscinas) ‘perdeu’ possíveis medalhas individuais em Montrel’76 (num episódio lamentável) e tb em Moscou, onde sentiu o ‘cheiro’ do pódio ao terminar em quarto no miliqui. Atleta reconhecido, depois um empresário empreendedor. Ambos norteados pela competência. Ai, alguém lembrou dele no Palácio do Planalto. Parecia q um homem, verdadeiramente do esporte, poderia ter espaço na administração do próprio esporte aqui no Brasil. Mas Djan foi alijado do seu posto. Tenho certeza disso. Como era ‘fácil’ pra ele fazer sua melhor prova em 15min e 20 e poucos segundos. Difícil é suportar esse mecanismo insano da política brasileira.
Se o Ministério do Esporte tiver de continuar nas mãos de quem não sabe nada do assunto, tb acho que deva ser extinto. Mas ainda torço que nosso governo ‘acolha’ melhor a competência de esportistas brasileiros do que tem feito com ‘terrorista’ italiano.
Everton Domingues
http://www.vancouverolimpica.blogspot.com