Com o corte de 94.5% no orçamento (ou bloqueio, como dizem alguns) do Ministério do Esporte, o governo federal, na prática, extinguiu-o. Agora só falta eliminá-lo de direito. Se R$ 1,3 bilhão já era pouco para criar uma política esportiva social de base para o País, R$ 75 milhões não dão nem para o começo. Pior ainda quando o dinheiro é mal gerido e as prioridades desse ministério são equivocadas.
É claro que a saúde, a educação, a habitação, os transportes e a infra estrutura são mais importantes que o esporte. Por isso, tiveram cortes menores. Mas, ainda assim, o governo deixa claro que não enxerga a prática esportiva como um elemento formador de seu povo, para criar cidadãos mais saudáveis, o que teria um reflexo positivo em outros vários setores, como a saúde, por exemplo. O esporte não faz parte da prioridade do governo.
Nós, que gostamos da área, sempre achamos que um ministério próprio seria bom para o esporte. Mas desde sua criação, a experiência vivida foi desastrosa. Com exceção de Caio Luiz de Carvalho, que tem um bom conhecimento do setor (mais foi interino), todos os demais Ministros foram jogadas de marketing (Pelé), ou objeto de barganha política. A criação do Ministério do Esporte não melhorou em absolutamente nada a condição paupérrima em que vivem nossos Atletas e deu continuidade à falta crônica de uma estrutura de base, do desporto educacional, em que o Brasil, há anos e anos, continua patinando. Não se criou uma política de longo prazo para o esporte brasileiro.
Hoje, talvez, tenhamos o pior momento da história do Ministério do Esporte, desde a sua fundação. Temos um Ministro incompetente, que não entende patavina do assunto. O Ministério está recheado de denúncias de má gestão de dinheiro público, investigado pelo TCU, pelo Ministério Público e pelo próprio Poder Executivo, a Controladoria Geral da União. Criou-se um feudo partidário, de pseudo comunistas, cujo propósito maior é aparar as estruturas da candidatura do Sr. Orlando Silva a Deputado Federal. Assim como o Comitê Olímpico Brasileiro, esse Ministério parece ter um fim em si mesmo.
Com um orçamento já apertado, o Ministro entrou na canoa furada da candidatura olímpica Rio 2.016 . Como se já não bastasse o que o Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) recebe da lei Piva, ainda faz jorrar milhões e milhões de dinheiro público, através de convênios, nos cofres dessa famigerada candidatura. Em vez de optar pelo social, o Ministro optou pela festança desenfreada, não sei se por má fé, ou porque de fato acredita em fada madrinha.
Com quase a totalidade do seu orçamento bloqueado, ou extinto, o que fará o Ministério? Se continuar injetando dinheiro na Candidatura Rio 2.016, o deboche para com o povo pobre do Brasil será ainda mais gritante. Aí será caso de mandar essa gente para o Pinel, para Presidente Prudente fazer companhia ao Fernandinho Beira Mar, ou, melhor, para marte em uma dessas naves que vão lá ver se há vida naquele planeta. E pode comprar passagem só de ida, com direito a primeira classe.
Se resolver investir no social, já será tarde, porque falta pouco para acabar esse mandato, nunca criaram uma política de esportes para o País e, ainda que quisessem, o dinheiro, a essa altura, não vai dar. E que não me digam que o Programa Segundo Tempo é bom, porque não é. Basta ver os seus resultados práticos e a demanda de denúncias que há contra ele.
Assim, o Ministério, que mal e mal existia, na prática, acabou.
A Lei Piva dará ao Comitê Olímpico Brasileiro mais recursos do que receberá o Ministério. Quem agora vai mamar nas tetas de quem?
É dura essa constatação. Mas é real que o Ministério do Esporte não deu certo. Uma sucessão de erros, a começar pelos nomes que ocuparam a pasta, sem qualquer preparo na área, que lá chegaram somente por motivos de troca troca político. Parece que os Governos criaram e mantiveram o Ministério do Esporte apenas para ter mais uma cadeira disponível para um aliado colocar o seu bumbum, em troca de votos no Congresso Nacional.
A coisa funcionava melhor quando existia o SEED MEC. O Esporte era uma Secretaria vinculada ao Ministério da Educação. Não que fossem ótimos, mas os programas de massificação do esporte andavam melhor. E havia o Ministro da Educação, a controlar eventual gastança irresponsável de dinheiro público, a exemplo do que estão fazendo com esse Rio 2.016.
O Ministério do Esporte tem que acabar de direito, ser extinto mesmo, por Decreto Presidencial. Desbaratar aquilo que hoje não passa de um cabidão de empregos, sem finalidade, sem projetos, haja vista que o Ministro Orlando Silva foi o mais mal avaliado pelo próprio Palácio do Planalto. Por que manter isso?
O que o Brasil necessita é uma agência regulamentadora para o esporte brasileiro, a exemplo, da ANEEL, ANAC, ANP, ANATEL e as demais. Com diretores escolhidos por sua competência técnica comprovada, sem influências, ou jogatinas políticas, com mandatos que transcendam governos, que possa estabelecer uma política de longo prazo para o esporte nacional.
A área governamental do esporte deve retornar ao Ministério da Educação, com uma Secretaria própria a ele subordinada, até por motivo de economia em tempos de crise. Manter um Ministério, mesmo que inútil e inoperante, como o do Esporte, custa caro.
Ao Comitê Olímpico Brasileiro cabe viver dos recursos da lei Piva e dar destinação mais adequada a esse dinheiro, fazendo-o chegar, também, nas mãos dos Clubes comprovadamente formadores e, principalmente, dos Atletas. Ao Comitê deverá caber, também, por lei, a obrigatoriedade de promover, juntamente com o governo federal, uma política social para o esporte. Se parar de pensar nessas coisas megalômanas de candidaturas olímpicas, se houver uma gestão adequada e profissional da destinação dos recursos da lei Piva, se houver democracia na entidade, redução de sua exorbitante e desnecessária folha de pagamentos,o Comitê Olímpico Brasileiro poderá ser muito útil à sociedade e ao esporte de base e de alto rendimento, deixando de ser, como é hoje, um mero organizador de eventos e um órgão distribuidor de camisas, nada além disso. Aliás, como eles se consideram os Reis do Marketing esportivo, causa-me espécie observar que toda a fonte de dinheiro do Comitê Olímpico Brasileiro é publica. Deveriam, como todo seu tão falado conhecimento de marketing, buscar verbas na iniciativa privada, aliás, como fazem os Comitês Olímpicos mais respeitados.
Bom, se ainda assim o Presidente Lula quiser manter o Ministério do Esporte, no papel, que seja, tomo a liberdade de dar um conselho ao Ministro Orlando Silva: Ministro, manera aí no cartão corporativo que agora a grana está curta.
Janeiro 29, 2009 at 6:07 pm
Prezado Alberto,
Meus Parabens. O seu texto é perfeito.
Muito bem colocado e escrito, fruto da análise e da reflexão crítica que faz, e principalmente, dos valores que acredita. Obrigado.
Jan
Janeiro 30, 2009 at 12:35 am
Caro Alberto,
Assino embaixo. A constatação é triste mas verdadeira. Digo triste pois como você, acredito que uma política esportiva nacional pode elevar significativamente a evolução de uma sociedade, via saúde, via formação pessoal, via construção de valores, entre outros. Triste pois vemos que nós mesmos em primeiro momento ficamos felizes ao saber de um corte tão pesado para este ministério, pois pensamos erroneamente que assim “eles” roubarão menos, desviarão menos…logo percebemos que na verdade a política esportiva que tanto acreditamos, sofreu um duro golpe, golpe esse que poderá atrasar ainda mais uma construção ideal deste projeto.
Parabéns novamente!
Abração!
Outubro 11, 2009 at 3:01 pm
eu acho que o monistro deveria de ter um representante na nossa região .