O ex-jogador da seleção brasileira de basquete, Marcos Abdala Leite, o Marquinhos, lançou sua candidatura à Presidência da Confederação Brasileira de Basketball. Suas chances são, senão impossíveis, quase nulas. E por que isso? Por que as entidades que organizam os esportes olímpicos no Brasil ainda vivem sob as amarras de um colégio eleitoral pequeno e, portanto, facilmente controlável. Esse fato, aliado à regra de mandatos indefinidos para seus presidentes, dificultam muito, ou impedem, a alternância de poder.

Por isso, neste momento em que tramita no Senado Federal um projeto de lei que veda reeleições indefinidas para as entidades dirigentes do esporte do Brasil, dever-se-ía encontrar uma fórmula de regulamentar, por lei federal, a ampliação obrigatória dos colégios eleitorais desses mesmos organismos.

Eu, por exemplo, assim como outras pessoas, sou membro eleito do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) e não tenho, estatutariamente, voto em questões, diríamos, mais delicadas, dentre as quais a eleição presidencial e vice-presidencial.

Outro dia, em uma entrevista a um canal de televisão, o Presidente do COB, que parecia muito nervoso na medida em que se chacoalhava todo, disse que “essa fórmula de limitar as reeleições de mandatos no Brasil já foi testada no passado e não deu certo”. Não deu certo em que? Não deu certo por que? Quando vigia essa lei, os presidentes cumpriam os seus mandatos. Se fossem bons, elegiam seus sucessores e continuavam nas Confederações ajudando na gestão. Se fossem ruins, davam lugar a gente nova. Nada mais democrático. Nesse período, o único presidente de Confederação que ficou no cargo por vinte anos sucessivos, foi o atual chefão do COB que, lastreado em uma liminar que lhe fora concedida e devidamente engavetada, lá permaneceu até que a lei fosse mudada (aliás, esse processo, que, por ser público, tem-se cópia, merece uma discussão qualquer dia desses). Ele, no volleyball, oferecia essa “tese jurídica” a vários presidentes de outras Confederações. Todos recusavam.

Um argumento imbecil que o certas pessoas utilizam hoje em dia, para defender a permanência indefinida no poder, é a de que se o dirigente não ficar muito tempo no seu cargo, não fica conhecido no exterior e, assim, o Brasil nunca terá gente em postos importantes nas Federações Internacionais. Isso não é verdade. Apenas para citar um exemplo, os Estados Unidos promovem uma rotação contínua entre as pessoas que dirigem o esporte naquele País. E nem por isso deixam de ter indivíduos em cargos de relevância nas Federações Internacionais. Este é apenas um exemplo. Há vários. E, de mais a mais, o que deve ser forte e respeitado não é a pessoa que ocupa o cargo. Mas o esporte que representa. E nada impede que o dirigente que larga a sua Confederação, seja cooptado pela Federação Internacional de seu esporte para lá trabalhar, caso tenha prestado bons serviços em seu País.

O próprio Comitê Internacional Olímpico em uma profunda reforma estautária, ampliou o seu colégio eleitoral e impos a limitação de seus próprios mandatos. O  colégio eleitoral do CIO deixou de ser composto apenas pelos seus membros natos (escolhidos por ele próprio). Passou a destinar quotas a Atletas, Presidentes de Federações Internacionais e de Comitês Olímpico Nacionais. Hoje, o Brasil possui apenas um membro nato, Dr. João Havelange ( até a morte de Sylvio de Magalhães padilha, o CIO tinha no Brasil dois membros natos. Hoje, um só). O assento no CIO hoje destinado ao atual presidente do COB não é dele pessoalmente (embora ele pense que é). Ele tem assento no CIO em razão da alteração estatutária que houve na entidade e está na quota de presidentes de Comitês Olímpicos Nacionais. Assim, se deixar o COB, sai, imediatamente, do CIO. Isso ele não explicita. E é uma das razões pelas quais ele não quer, de jeito algum, deixar o COB, mesmo sabendo que a sociedade brasileira não mais lhe quer lá.

Se o próprio CIO fez um autocrítica e reformulou seus estatutos, impos limitação de mandatos e ampliou o seu colégio eleitoral, por que o COB também não faz a mesma coisa, seguindo o bom exemplo que vem de fora (e que, inclusive, beneficiou o própiro atual presidente do COB)?

É a síndrome de pequenos deuses, que atacam alguns dirigentes no País e que impede o desenvolvimento do nosso esporte.