PANORAMA ESPORTIVO: PAN ACABA NA SERASA

Divulgação

RIO DE JANEIRO, 12/01/2009 15:03
O Globo

ANTONIO MARIA FILHO e JORGE LUIZ RODRIGUESDe volta, após duas semanas de férias, encontramos os três níveis de governo e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) se empenhando com ações de marketing para dar fôlego à campanha do Rio como cidade candidata à sede das Olimpíadas 2016. Porém, rastros ruins da organização dos Jogos Pan-Americanos-2007 prejudicam a imagem do projeto olímpico.

Tudo porque o nome do Comitê do Pan, quem diria, foi parar na Serasa.

A Centralizadora dos Serviços dos Bancos S/A, sociedade anônima especialista em pesquisas, análises e informações econômico financeiras para apoio a decisões de crédito e negócios, registra uma execução ao CO-Rio-2007.

O Pan terminou em 29 de agosto de 2007, mas a empresa Fotosfera (de serviços digitais de imagens) precisou cobrar na 6ª Vara Cível do Fórum da Barra da Tijuca uma dívida de R$ 209.787 do CO-Rio, que deveria ter sido quitada em 8 de outubro de 2007.

O valor, finalmente, foi pago, em julho de 2008: R$ 237.688,67, (1% de juros de mora e R$ 21.608,06 de honorário de sucumbência, estipulado pelo juiz para ser pago ao advogado patrono da causa).

Porém, falta quitar o total de R$ 4.928,59 de custas e taxas judiciais, o que impede a baixa do processo e a liberação no cadastro negativo da Serasa.

Ser cobrado judicialmente, pagar honorários altíssimos e taxas judiciais arranham a credibilidade no exterior de quem defende um novo projeto, depois de um Pan cuja salgada conta beirou os R$ 5 bilhões.

Ainda mais quando se sabe que o presidente e o secretário-geral do comitê do Pan-2007 (CO-Rio) são os mesmos do Comitê de Candidatura Rio-2016: respectivamente, Carlos Nuzman e Carlos Roberto Osório.

 

 

 

 

DEU HOJE NO CLAUDIO HUMBERTO

12/01/2009 | 00:00

Na corda bamba

O fracasso da Timemania, o superfaturamento no Pan do Rio e o “Segundo Tempo” enfraqueceram o ministro Orlando Silva (Esporte).


http://www.claudiohumberto.com.br/

Date: July 31, 2007 

People Who Live in Houses With No Glass

By Philip Hersh

RIO DE JANEIRO –  Carlos Nuzman, head of the Brazilian Olympic Committee and the Rio de Janeiro Pan Am Games organizing committee, showed up at a Saturday press conference with Mario Vazquez Rana, president of the Pan American Sports Organization. Nuzman was basking in the praise Vazquez rightly heaped on the 2007 Pan Am Games organizers.

Once the press conference was over, I tried to ask Nuzman a question about Rio’s plans for its 2016 Summer Olympic bid. He emphatically refused, saying he would not talk about 2016 until the Pan Am Games ended Sunday.

Fair enough.

So I started to ask Nuzman a question on a different subject, but he cut me off.

I tried again, saying it was unrelated to 2016, and he said, “My English isn’t clear? Do you want me to say it in another language?”

No need to, Senhor Nuzman. I am sure you could have been rude and arrogant in any number of languages.

After all, this is what you said to Ed Hula of Around the Rings when he asked Monday about how the Pan Am Games had handled street crime and security:
  
“The problems that we have in the city, you have in all the cities of the world. … We don’t have terrorists, we don’t have troops with the bombs that kill thousands and thousands of people.”

Every major city, 2016 candidate Chicago among them, does indeed have crime and poverty problems. Who has not been horrified by the recent spate of murders of Chicago schoolchildren?

And yes, Mr. Nuzman, behind the protective wall of security put in place for the Pan Am Games, there were no reported major incidents of violence in Rio.

But it was in Rio this February that thugs who hijacked a car dragged a 6-year-old boy behind it for miles, as pieces of his body shredded before he died.

And it was in Rio this June that 100 people died as trigger-happy police battled gangs in the Complexo do Alemao slum. 


An independent report by the Order of Brazilian Attorneys alleged some of the dead were victims of “cold-blooded killings” by the police.

And it was in Rio this year that a pregnant maid waiting for a bus was brutally beaten by five young men described as middle-class college students.

How do I know all that? The July 9 edition of the Brazilian magazine Epoca, beginning a story dedicated to the Pan Am Games, described the incidents, saying it hoped the sporting event would bring a truce from “one of the saddest years in the city’s history.”

And what about the incident some years ago, when police were convicted in the massacre of homeless children sleeping on the steps of Rio’s main cathedral? Or the constant gun battles between gangs and between police and gangs?

You are an attorney, Mr. Nuzman. So perhaps you best look after your own house(s) before making accusatory statements that put down those of others.

Those would be the houses that reflect the dire poverty of so many Rio residents, the houses everyone saw beside the freeway running from the main press centers and athletes village to the stadiums used for soccer and track and field.  That is a freeway Rio residents usually do not dare take at night, for fear of being carjacked or hit by stray bullets.

As Canadian soccer player Rhian Wilkinson said after taking several of those trips, “I’m not used to seeing houses with only three walls.”

What do you say to that, Mr. Nuzman?

Any language will do.

Fonte: http://newsblogs.chicagotribune.com/sports_globetrotting/2007/07/

 

<!–

–>

O puxadinho do ministério

 

 


Sem aval da Secretaria de Patrimônio da União, pasta do Esporte aluga salas comerciais no centro de Brasília. Imóveis pertencem a uma empresa que presta serviços ao órgão na organização de eventos

——————————————————————————–

Prestações de contas do programa Segundo Tempo são analisadas no Centro Empresarial Norte

Oficialmente, o Ministério do Esporte funciona em dois endereços no Plano Piloto. O ministro e seu staff mais próximo despacham no bloco A da Esplanada. Os setores operacionais ficam num prédio do Setor de Autarquias Norte. Há 15 dias, porém, um terceiro endereço foi inaugurado sem qualquer alarde. Ele fica nas salas 126 e 128, bloco B do Centro Empresarial Norte, um prédio discreto e moderno, de localização estratégica. E vem sendo apontado à boca miúda como espécie de repartição pública clandestina, onde pessoas não autorizadas analisam processos que envolvem milhões de reais gastos pela União no programa Segundo Tempo, vitrine da pasta.

De tão recente, o terceiro endereço não tem sequer telefone. Ele foi visitado pela reportagem do Correio na última quinta-feira. É notória a falta de espaço no lugar. Processos estão empilhados em cima das mesas. Havia um computador no chão. Na porta da sala 128, uma placa mandava o visitante entrar pela porta ao lado, número 126. Nesta, nenhum indicativo de que se tratava de repartição federal. Na portaria do prédio, onde uma grande placa informa as empresas que ocupam cada uma das salas nos diversos andares, nenhuma menção ao Ministério do Esporte.

As insinuações sobre a suposta clandestinidade, contudo, não têm nada a ver com a inexistência de placas identificadoras no lugar. Mas com outra, mais grave. Nenhum órgão federal pode ocupar instalações físicas, seja construindo, comprando ou alugando, sem autorização prévia da Secretaria de Patrimônio da União ou da Secretaria Nacional de Gestão, ambas do Ministério do Planejamento. Nesse caso, foi o que aconteceu.

Para montar o terceiro endereço sem o devido aval público, o Ministério do Esporte lançou mão de um verdadeiro drible burocrático e legal, que deixou de cabelos em pé um auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) e um procurador da República a quem o caso foi relatado. Os dirigentes da pasta fizeram um contrato de adesão a uma antiga licitação do Ministério da Justiça, pela qual se atrelaram à Aplauso Eventos. Como o próprio nome diz, essta empresa é especializada na montagem de eventos.

A Aplauso é proprietária das salas 126 e 128 do Centro Empresarial Norte. E as cedeu ao Ministério do Esporte, via contrato de adesão àquela licitação do Ministério da Justiça. Informações colhidas pela ONG CONTAS ABERTAS, especializada em gastos públicos, revelam que a pasta esportiva separou R$ 1 milhão de seu orçamento, no dia 13 de julho, para pagar “despesas com organização de eventos” justamente à Aplauso. No último dia 1º, houve um depósito de R$ 152.601,38 na conta bancária da empresa. Ou seja, o serviço está mesmo sendo pago. Embora não esteja explícita e publicamente contratado, o aluguel das salas parece ser parte dele.

“Interesse público”
“Mandamos ofício à Secretaria de Patrimônio da União e demos entrada no pedido para ampliar as instalações”, conta o secretário nacional de Esporte Educacional, Júlio Filgueiras, ex-secretário municipal de Guarulhos e militante do PCdoB assim como o chefe, ministro Orlando Silva. “Mas o processo tende a demorar alguns meses. Assim, decidimos fazer através da empresa que nos oferece suporte na montagem de eventos”, admite. “Era justificável e atendia ao interesse público.”

Na letra fria da lei, o terceiro endereço do Ministério do Esporte é uma aberração. Segundo o secretário de Esporte Educacional, não é formalmente reconhecido pelo Ministério do Planejamento. Além disso, seu custeio se dá a partir de uma espécie de contrato cruzado, feito para a montagem de eventos, mas que paga até locação de imóveis.

——————————————————————————–
Pilha de 300 processos

O terceiro e desconhecido endereço do Ministério do Esporte foi montado especificamente para abrigar uma força-tarefa incumbida de analisar 300 processos de prestação de contas referentes a convênios do Programa Segundo Tempo. Não se sabe exatamente quantos milhões de reais esses documentos representam. Mas é fato que todos estão pendentes e, por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), precisam ser examinados para que o governo continue enviando dinheiro às ONGs, prefeituras e secretarias estaduais conveniadas.

O acórdão do TCU mandou o Ministério do Esporte se mexer justamente porque pipocaram denúncias de algo que, no jargão burocrático, chama-se falhas no objeto. Ou seja, o dinheiro era repassado e a instituição que o recebia não prestava o serviço para o qual fora contratada. Ao menos havia indícios de que não prestara o serviço. Os exemplos se multiplicam.

No Distrito Federal, a Federação Brasiliense de Kung Fu (Febrak), por exemplo, recebeu R$ 2 milhões em 2005. Sua tarefa era oferecer aulas da arte marcial depois do turno escolar. Em março de 2006, o Correio revelou que a entidade retirava as crianças da sala de aula e então ministrava os treinos. E que encaminhava aqueles que se destacassem para virarem alunos da academia do presidente da instituição, João Dias, isso na parte da tarde, justamente o horário em que deveriam receber aulas gratuitas, pagas pelo Estado, para permanecerem no colégio.

A chefe da força-tarefa instalada no terceiro endereço, Danielle Gruneich, informou à reportagem que os convênios problemáticos geradores do acórdão do TCU estão sob análise de uma equipe formada por 14 técnicos contratados por intermédio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que tem até 10 de novembro para dar cabo do “passivo”. Ela nega que eles estejam assinando prestações de contas, atividade exclusiva de funcionários públicos. “Eles dão parecer sobre o cumprimento do objeto dos convênios”, diz. “Nós é que, com base no parecer, assinamos e encaminhamos a prestação de contas dentro do ministério.”

Servidores alarmados com tal formatação sugerem que as análises servirão mesmo é para legalizar falhas em convênios de interesse do PCdoB, partido que administra o Ministério do Esporte desde 2003, do qual Danielle é militante. Daí o motivo de a estrutura ter sido montada fora das sedes oficiais da pasta. “Isso não tem cabimento. Os pareceres são públicos”, rebate ela. (UB)

15/10/2007 – Correio Braziliense

Ugo Braga
Da equipe do Correio
Iano Andrade/CB