O jornal Lance publicou, hoje, uma nota que diz “Governo se reúne por Copa 2014″. Na nota aparece a fotografia da Ministra Dilma, da Casa Civil.

O que se comentou, hoje, no Ministério do Esporte, é que essa reunião foi um sinal de alerta de que algo não anda bem entre eles e o Palácio do Planalto. 

Parece que as sucessivas denúncias de corrupção no Programa Segundo Tempo, Panamericano 2.007, feitas pelo Tribunal de Contas da União, pelo Ministério Público Federal, publicadas pela larga imprensa, assim como o fracasso do Timemania começa a deixar a turma do Palácio aflita com administração de Orlando Silva.

O que já se sabe, ao certo, é existe uma pressão do PT e do PMDB para ficarem à frente da administração do Ministério do Esporte, porque esse Ministério conseguiu aprovar um orçamento de R$ 1,3 bilhão para o ano de 2.009 e, portanto, será uma vitrine da Copa de 2.014 que vai ajudar a eleger muita gente deles.

É o que eu falo e escrevo sempre. O esporte no Brasil não é levado a sério. É tudo um balcão de negócios. É tudo objeto de barganha política.

O jornal gaúcho Correio do Povo de hoje traz uma matéria que merece comentários. 

Em 2.008, o Ministério do Esporte tinha na conta chamada de “investimento” R$ 892 milhões. Desse total, R$ 646 milhões foram empenhados. Mas pagou, apenas, R$ 201 milhões.

Pior do que isso, é constatar que do montante pago, R$ 191,4 milhões eram de “restos a pagar”. Isto é, ainda de contas do ano de 2.007.

Na prática, o Ministério do Esporte gastou em investimentos, no ano de 2.008 apenas R$ 9,7 milhões, o que significa 1% (hum por cento) do que tinha disponível.

Foi considerado o pior desempenho administrativo da Esplanada dos Ministérios. É um Ministério sem planejamento, que serve para dar dinheiro para essas benesses ridículas atreladas a essa candidatura falida do Rio 2.016.

Quem quiser, verifique esses número no website Contas Abertas, no www.contasabertas.com.br

tudo pagoMinistério gasta até com roupas da Rio-2016

 

Valor é parte dos custos com viagem para entrega do dossiê de candidatura na Suíça

Desde o ano passado, pasta investiu em contratações de consultorias, viagens e até em festa do COB visando à disputa pela Olimpíada

GIULLIANA BIANCONI
MARIANA LAJOLO
DA REPORTAGEM LOCAL

O apoio à candidatura do Brasil aos Jogos de 2016 inclui até o pagamento de vestuário para a equipe que entregará o dossiê de candidatura na Suíça.
Um dos últimos convênios assinados entre o Ministério do Esporte e o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) prevê o custeio da viagem da comitiva que irá à sede do Comitê Olímpico Internacional -a data final de entrega é 12 de fevereiro.
O valor ultrapassa R$ 273 mil e inclui gastos com passagens aéreas e ferroviárias, hospedagens, aluguel de vans, vestuário e serviços fotográficos. Segundo texto publicado anteontem no “Diário Oficial” da União, esses itens são “necessários à realização de ação de relações públicas internacional”.
O comitê organizador da candidatura brasileira afirmou, por meio de nota, que “a entrega do dossiê de candidatura é um momento estratégico para a campanha do Rio” e que “o convênio citado se refere a uma ação estratégica para a entrega do dossiê, que será divulgada oportunamente em todos os detalhes”. Segundo a entidade, como existem outras três cidades candidatas a sede do evento (Madri, Tóquio e Chicago), “o sigilo em alguns pontos do processo é fundamental”.
O comitê não explicou como serão os gastos com vestuário.
O ministério já investiu altos valores no processo de candidatura do país aos Jogos.
A Folha mostrou em novembro que os gastos com a contratação de consultorias já atingia cerca de R$ 50 milhões. Os contratos envolvem empresas com experiência na organização de eventos ou para auxiliar na confecção do dossiê e na definição do orçamento para a Olimpíada de 2016.
A pasta também bancou a festa de fim de ano do COB. A edição de 2008 do Prêmio Brasil Olímpico consumiu R$ 1,8 milhão. Foi a primeira vez que o ministério investiu no evento, sob o argumento de que daria visibilidade à candidatura.
Ontem, novo convênio foi publicado no “Diário Oficial”. Assinado em 31 de dezembro, destina R$ 469.644,23 para evento promocional da candidatura na Sportaccord, convenção anual de esporte que, nesta temporada, acontecerá em março, nos Estados Unidos.
Os recursos serão gastos em produção de material de divulgação da Rio-2016, montagem da estrutura de exposição e custeio de gastos dos integrantes envolvidos na viagem.
Além do aval financeiro à ida da comitiva à Suíça e aos EUA, o governo também abraçou, entre outros convênios, os gastos da Visita de Avaliação Técnica do COI ao Rio, prevista entre abril e maio. A despesa de R$ 7.310.254, 54, assinada pelo ministro interino, Wadson Ribeiro, é, de longe, a ajuda federal mais significativa publicada nesse início de ano.
Os gastos do governo com o esporte olímpico nacional e com a candidatura aos Jogos de 2016 já provocaram a movimentação no Congresso pela instalação de uma CPI. O pedido ainda será analisado.
A assessoria do ministério disse que ontem estava com problemas de e-mail e telefone e não conseguiu responder à reportagem até o fechamento da edição. A pasta afirmou que daria esclarecimentos hoje.

COB Promete e Não Cumpre!

Janeiro 9, 2009

GUSTAVO FRANCESCHINI
Da Máquina do Esporte, em São Paulo

O início do novo ciclo olímpico promete quatro anos mais agitados para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que os que antecederam os Jogos Olímpicos de Pequim. Cobrada por diversos setores por um suposto mal resultado na China, diante do gasto de quase R$ 1 bilhão de verbas públicas, a entidade deve ganhar mais um adversário de peso nos próximos dias. No dia 3 de fevereiro, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Vasco, Sogipa, Pinheiros, Minas Tênis e Grêmio Náutico União devem lançar o Conselho de Clubes Formadores de Atletas, que vai pleitear verba da lei Agnela-Piva para as agremiações.

As negociações para a implantação da novidade estão bem avançadas, e uma ata do grupo já foi formalizada. Sérgio Bruno Zech, presidente do Minas Tênis, será o presidente, enquanto Márcio Braga, do Flamengo, e Antonio Moreno Neto, do Pinheiros, serão seus vices.

O principal motivo da união é a falta de repasses e reconhecimento do COB aos clubes que ainda sustentam equipes de várias modalidades. Os clubes pretendem entrar no jogo político para brigar por parte das receitas da entidade-mor do esporte brasileiro, que amealhou cerca de R$ 254,4 milhões no último ciclo olímpico somente com repasses de loterias.

“Ela vai ser uma entidade política, porque nós vamos querer que nosso espaço seja reconhecido e, se possível, que a gente receba também algum tipo de verba. Se nós somos importantes, então queremos entrar no bolo, porque nós que formamos esses atletas”, disse Sérgio Bruno Zech, presidente da futura entidade.

O anúncio será formalizado à imprensa em encontro na sede do Pinheiros, em São Paulo, e a idéia dos fundadores é trazer ainda mais entidades para a organização. No futuro, os dirigentes, que reclamam ter fornecido cerca de 77% da delegação brasileira em Pequim, podem até montar competições próprias, como forma de fomento ao esporte no país.

O impasse com o Comitê existe há muitos anos, mas ganhou força em 2007. Convidado de honra de uma reunião do Consenso Superior Interclubes, que reúne os 29 principais clubes sociais do Brasil, Carlos Arthur Nuzman ouviu as sugestões dos dirigentes e se comprometeu a ajudar. No dia seguinte, porém, a divulgação do encontro e da existência da pressão irritou o presidente do COB, que logo voltou atrás nas promessas.

 

Nota Oficial da Presidência

Esportes Olímpicos

 

O Clube de Regatas do Flamengo vem a público manifestar profunda indignação em face da nota emitida ontem pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) lamentando o corte de investimentos do clube nos esportes olímpicos.

 

O COB recebe anualmente milhões de reais em recursos públicos para a promoção dos esportes olímpicos no país e gasta mais de 50% disso com a própria administração e de suas filiadas.

 

O Flamengo é, e continuará sendo, um clube poliesportivo, mas é preciso registrar que os clubes que desenvolvem a formação e a manutenção dos atletas olímpicos não recebem nenhum centavo dos recursos públicos administrados pelo COB.

 

Enquanto as verbas públicas não alcançarem os atletas e clubes não haverá condições para realizar um trabalho consistente de formação esportiva, como temos alertado frequentemente, através de artigos na imprensa e até mesmo uma notificação extrajudicial, ainda não respondida, questionando diretamente ao COB a razão pela qual o clube não recebe recursos para desenvolver seus esportes olímpicos.

 

Hoje, a formação dos atletas ocorre apesar do COB e não promovida por ele, basta mencionar que 77% dos atletas enviados a Pequim são vinculados a clubes que, como o Flamengo, Fluminense, Vasco, Corinthians, Pinheiros, Minas Tênis, Sogipa, Grêmio Náutico União, etc. também investem recursos próprios nos esportes olímpicos e são penalizados porque seus atletas não podem usar as marcas dos patrocinadores nas competições oficiais, pois nelas se apresentam com o uniforme do COB.

 

O corte de investimentos nos esportes olímpicos não é somente um reflexo da crise global, mas principalmente uma consequência da política equivocada de distribuição do dinheiro público destinado ao COB, que aumentou consideravelmente no último ciclo olímpico e nem por isso os resultados obtidos em Pequim foram melhores que os alcançados em Atenas.

 

Fica uma mensagem ao COB: chega de lamentação, é preciso mais investimento nos atletas e nos clubes formadores.

 

O Flamengo só retomará seus investimentos nos esportes olímpicos quando o dinheiro público destinado à formação e manutenção dos atletas chegar ao clube.

 

Rio de Janeiro, 08 de janeiro de 2009

 

Marcio Baroukel de Souza Braga

PRESIDENTE