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Ouro para os corruptos.

Hoje o jornal O Globo publica reportagem sobre o abandono da Vila Olímpica, construída para o Pan 2007, no Rio de Janeiro. Dos 1.480 apartamentos construídos, pouco mais de 300 estão vendidos e já há vários processos de compradores que querem devolver os imóveis por alteração do preço e pela péssima qualidade. O conjunto de 17 edifícios começa a deteriorar e são visíveis os sinais de abandono. O custo da obra foi de R$ 316,6 milhões, sendo que a Caixa Econômica Federal, através do Fundo de Amparo ao Trabalhador, financiou R$ 190 milhões. O resto ficou por conta da Agenco que, sintomaticamente, já fechou o estande de vendas no local. Resta saber se a Caixa terá que entubar com os imóveis, se os mesmos não forem vendidos. Conhecendo a corrupção que gira em torno do esporte brasileiro e o descaso do governo petista com o dinheiro público, tem tudo para o verdadeiro trabalhador pagar a conta. E ninguém mexe um dedo a respeito. É muito difícil achar um deputado ou um senador para solicitar o contrato à Caixa Econômica Federal. Neste momento, eles estão muito mais preocupados com as reforminhas dos seus apartamentos funcionais na longínqua Brasília.

http://coturnonoturno.blogspot.com/2009/01/ouro-para-os-corruptos.html

 


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Uma comissão
com gol de placa

Na CBF, até acordo com a AmBev
é uma caixinha de surpresas

Marcelo Carneiro

Roberto Price/Folha Imagem
Teixeira, o presidente: a maior parte da comissão paga pela AmBev foi para os amigos


A mais nova sensação do futebol brasileiro não faz lançamentos de 40 metros nem dribla três zagueiros de uma vez, mas é capaz de jogadas espetaculares. Trata-se da dupla Tiraboschi-Peixoto, dois jogadores anônimos, mas de uma eficiência incrível. Atenção: eles jogam fora dos gramados. No fim do mês passado, Renato Tiraboschi e Carlos Peixoto, os craques de que falamos, ganharam quase 8 milhões de dólares numa única jogada. A fortuna é o pagamento pela intermediação de um contrato entre a AmBev, gigante do setor de bebidas, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A façanha de Tiraboschi e Peixoto é um gol de placa, mas causa estranheza quando se sabe que a dupla nunca havia atuado na área de marketing esportivo. O detalhe que explica a história está no único elo entre os dois e o futebol: esse elo se chama Ricardo Teixeira, o presidente da CBF. Teixeira é amigo da dupla. A apreensão de gente próxima ao negócio é de que haja muito mais do que amizade unindo o trio nesse contrato. Segundo suspeitas que rondam os gramados e os gabinetes, Tiraboschi e Peixoto seriam, na verdade, parceiros do cartola, que comanda a CBF desde 1989 e, nos últimos meses, tem enfrentado a artilharia pesada de duas CPIs, na Câmara e no Senado. Os parlamentares querem saber se Teixeira mistura seus negócios particulares com as finanças da entidade.

Na semana passada, quando o nome de Tiraboschi e o de Peixoto vieram a público como intermediários entre a AmBev e a CBF, os dois apressaram-se em dizer que as negociações começaram em março deste ano e chegaram a termo no fim de maio. Na verdade, os primeiros indícios de um namoro entre a cervejaria e a entidade surgiram em junho de 2000. Nessa época, os personagens principais eram os empresários cariocas Roberto Osório e Carlos Eduardo Jardim. Foi deles a idéia de oferecer à AmBev uma proposta de marketing em parceria com a CBF. Osório é amigo de um dos principais sócios da AmBev e Jardim, um estrategista de marketing, já foi vice-presidente da Kaiser.Nós tivemos a idéia e fizemos a parte técnica”, disse Osório a VEJA, na última quinta-feira. A dupla Tiraboschi-Peixoto, é claro, prefere chamar os louros para si. “Se durante a negociação o Osório abriu a boca seis vezes, foi muito. Eu participei de reuniões que duraram 35 horas”, gaba-se Peixoto. O resultado do que seria essa maior carga de trabalho é uma substancial diferença de remuneração. Os amigos de Teixeira faturaram 85% da comissão de 9 milhões de dólares paga pela AmBev. Osório e Jardim ficaram com apenas 15%.

A elaboração do projeto durou sete meses. No início deste ano, Osório e Jardim falaram sobre a idéia com Peixoto. Só aí a turma do presidente da CBF ganhou assento nas negociações. A CBF não estava satisfeita com as bases do contrato com a Coca-Cola. No ano passado, ele havia rendido aos cofres da entidade apenas 2,5 milhões de dólares, sendo que 20% desse montante era repassado à empresa Traffic, intermediária do negócio. Coube a Osório um primeiro contato com a AmBev. Os executivos da companhia fizeram duas exigências: um telefonema de Ricardo Teixeira confirmando o interesse em um novo patrocínio e a garantia de que a CBF não usaria a proposta da AmBev como peça de barganha numa possível renegociação de contrato com a Coca-Cola. Teixeira atendeu. Foi a senha para que os negociadores começassem a falar em valores. Finalmente, depois de muita discussão, chegou-se à quantia de 10 milhões de dólares por ano.

Homem de confiança – Antes, porém, a negociação esteve por um fio, porque Ricardo Teixeira insistia em manter o contrato com a Coca-Cola, apenas renegociando os valores. Nesse momento, foi decisiva a entrada em campo de Renato Tiraboschi. Só então Teixeira decidiu romper com a Coca-Cola e cair nos braços da AmBev. A freqüência com que Teixeira e Tiraboschi, amigos há vinte anos, mantêm relações comerciais é um dado fundamental para entender a operação que resultou no contrato entre AmBev e CBF. O nome de Tiraboschi já havia circulado nos bastidores da CPI do Senado. O empresário é considerado um homem de confiança de Teixeira. Os deputados já sabem que Tiraboschi foi sócio do presidente da CBF em um restaurante e, em 1999, fez um empréstimo de 97.000 reais a Teixeira. A transação está declarada no imposto de renda do cartola. Na semana passada, VEJA descobriu que essas não foram as únicas operações comerciais entre os dois. Em junho de 1994, o presidente da CBF vendeu a Tiraboschi um apartamento na Barra da Tijuca. Seis anos depois, foi a vez de Tiraboschi negociar com Teixeira a venda de outro imóvel, também no Rio de Janeiro. O presidente da CBF rebate a idéia de que o acordo só foi em frente por causa da presença de seus amigos, e especialmente de Tiraboschi. “Quem quiser uma carta de autorização igual à que dei para a negociação com a AmBev receberá na hora”, diz Teixeira, que na semana passada escapou de ser indiciado no relatório final da CPI da Câmara, por lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Uma manobra comandada aos gritos pelos deputados Eurico Miranda (PPB-RJ) e José Lourenço (PMDB-BA) implodiu o relatório.

Pelos termos do contrato com a AmBev, a CBF receberá 180 milhões de dólares, ao longo de dezoito anos. Os 8 milhões que cabem a Tiraboschi e Peixoto fazem parte da comissão de 5% sobre o valor total da transação. A quantia será paga pela AmBev, também em dezoito parcelas anuais, de 500.000 dólares cada, à empresa MB Promoções, da qual Tiraboschi possui 99% das cotas. A MB, aliás, foi comprada pelo amigão de Teixeira somente em abril, um mês antes de o contrato com a AmBev ser assinado. É difícil entender por que a AmBev, uma potência empresarial com 17.000 funcionários, cinqüenta fábricas e um faturamento anual de 6 bilhões de dólares, firmou um contrato milionário de marketing esportivo com uma empresa que nunca organizou sequer um campeonato de peteca. Desafio semelhante é compreender o motivo que levaria a AmBev a pagar essa fortuna sem prever no contrato as tarefas que a empresa de Tiraboschi terá de realizar nos dezoito anos de vigência do acordo. É dinheiro demais, fácil demais, por tempo demais. São dúvidas como essa que fazem dos negócios envolvendo a CBF e Ricardo Teixeira uma caixinha de surpresas.

Refriro-me a alguns posts atrás, para reiterar que gostaría mesmo de saber qual o papel desses dois personagens no cenário do esporte olímpico nacional. Continuem mandando e-mails, por favor, aqueles que têm conhecimento.

Elio Gaspari, que possui uma das mais influentes colunas do jornalismo brasileiro, faz, hoje, um comentário interessante sobre a CPMI Olímpica. Escreve o Jornalista que os dirigentes olímpicos fazem um lobby maciço no Congresso Nacional pelo “abafamento” dessa CPMI. E conclui que a necessidade de uma CPMI se afere, justamente, pelo tamanho da pressão contrária à sua instalação.

No Senado Federal, os homens do COB disseram (está gravado), que “não temem uma CPI”. Por outro lado, os mesmo almofadinhas que representam o movimento olímpico nacional, acompanhado dos seus lobistas, pululam, ridiculamente, de gabinete em gabinete, quase que ajoelhando-se para não serem investigados. Realmente, na Capital Federal, fazem papel de Bobos da Corte.

Pelo jeito que eles estão temerosos, acho que se essa CPMI sair e for bem conduzida, iremos nos deparar com um dos maiores escândalos já realizados com dinheiro público.

São as atitudes deles próprios que nos faz parecer assim.

Dose dupla de Vitamina de Sapo Preto ao Senador capacho Francisco Neves Dornelles (homúnculo da ditadura militar) e aos outros quatro do PMDB que retiraram suas assinaturas do requerimento. 

 Será que o Congresso Nacional ficará do lado dos Atletas, do povo, da ONG Atletas Pela Cidadania, ou do lado daqueles que querem escondero jogo?

A bola agora está com eles.

O Globo de hoje, domingo, dia 04 de janeiro de 2.009, em boa reportagem do Jornalista Cláudio Motta, mostra a situação tétrica em que se encontra a “Vila Panamerica”. Mal tratada, enferrujada, repleta de buracos, alagamentos e lixo amontoado, a Vila Panamericana é exemplo do que os Jogos deixaram para a Cidade. É mais uma grandiosa obra feita às pressas para a competição, que não serve para nada. Esperemos que não seja um outros triste caso “a la Sérgio Naya”.

É mais um assunto envolvendo o Rio 2.007 que, segundo diz o Advogado da Associação dos Moradores, Dr. José Roberto Oliveira, vai parar na Justiça. Aqueles que adquiriram imóveis ali sentem-se enganados.

Nós todos sentimo-nos enganados. Multipliquem todas essas coisas ruins por mil e esse seria o resultado final, catastrófico, de uma Olimpíada no Rio de Janeiro.

Amanhã tanto a matéria, bem como uma nota explicativa, irá, democraticamente, circular entre a comunidade olímpica internacional, que avalia e vota nas candidaturas.

Eu me solidarizo com o povo do Rio de Janeiro, mais uma vez enganado.

Faz anos que conheço o Éverton. O gosto pelo esporte e pelo Olimpismo nos uniu. Na época em que o conheci ele editava o competente jornal Quatro Bordas, que cobria os esportes aquáticos. Estivemos juntos nos Jogos Olímpicos de Seoul, em 1.988. Não foram poucas as vezes em que gastamos nossas horas conversando sobre esporte e olimpismo. Tenho grande admiração pelo seu trabalho e respeito por seus profundos conhecimentos sobre o tema. Ele tem uma vasta biblioteca e arquivo cuidadosamente catalogados, de fazer inveja aos maiores bibliotecários. O Éverton tem um Blog que recomendo, www.beijingolimpica.blogspot.com .

Olá Alberto

Visitei agora seu espaço eletronico que ainda não conhecia. Já vc eu conheço bem como apaixonado pelo olimpismo, assim como sei da tua conduta ética desde nossa época academica. Ácido, muitas vezes, mas comprometido com ideais que eu compartilho. Certa vez, muitos anos atrás, ainda como foquinha no jornalismo, a querida Maria Lenk me presenteou com seu livro Abraços e Braçadas. Na dedicatória ela deixou palavras de estimulo para aquele, então, pirralho do jornalismo. Mas em entrelinha tb deixou um recado ao me intitular de ‘filósofo do esporte’… rsss… acho q muitas vezes realmente ‘viajo na maionese’ pelo meu purismo em insistir no olhar em apenas um dos lados da moeda. Sei q preciso ser mais severo (não pela intolerância, mas sim pela busca do aperfeiçoamento) com os passos que nosso olimpismo (meio ufanista) vem trilhando desde 96. Nunca fui malufista e me dói ouvir tanto aquele jargão de botequim q já rendeu ao veterano político tantos votos (e ainda rende), justificando a conduta dele com o surgimento de obras monumentais. Pois é, ‘ele faz’. Só que a um preço muito alto a ser pago por cada um de nós. Não quero nenhum ‘Maluf’ em qquer camara, senado, presidencia ou mesmo na administração esportiva do Brasil. Preciso controlar meus sonhos otimistas e seus textos me fazem cair da cama… rssss
Continuarei lutando para olhar pelo melhor lado, Alberto, mas vou me vigiar mais…
Tomei a liberdade em colocar um link deste teu texto nos meus três blogs, justamente na matéria da inauguração da tal Roda Olímpica carioca. Espero contar com seu concentimento. Estou ingressando ainda nesta nova mídia pra mim q é a internet. Engatinhando, mesmo, nesta forma de teclar idéias. Mas quero aprender sempre e trocar com quem tem a oferecer. Minha porta está aberta para pessoas como vc, Alberto. Por favor, entre…

Gde. abraço desse seu novo leitor

Everton Domingues
Jornalista, ‘filósofo do esporte’ e apaixonado pelo olimpismo (mescla sui generis, eu diria)

Everton Domingues
http://www.beijingolimpica.blogspot.com
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