O Discurso Pífio E Presunçoso No Prêmio Brasil Olímpico
Dezembro 17, 2008
O chefão do COB é vaidoso. Adora platéias laudatórias. Detesta ser questionado. Foge da raia como aconteceu, mais uma vez, na audiência pública no Senado Federal quando percebe que será confrontado. Ela já fugiu outras vezes. Esquivou-se de debater o esporte com o Jornalista Juca Kfouri em um Simpósio organizado por uma Universidade em Campinas. Recusa convites de televisão quando sabe que vai ser apertado.
Mas o palanque do prêmio Brasil Olímpico é o tipo de coisa que ele gosta. Posso garantir que a maioria dos Atletas que estiveram lá não aprovam a sua administração. Ele finge que não sabe disso. Tiveram a coragem de homenagear a judoca medalha de bronze em Pequim 2.008, mesmo após ela ter criticado, publicamente, a administração dos recursos da Lei Piva. A judoca merece todas as homenagens. Mas merece, mais do que isso, uma explicação pública sobre as críticas severas que ela fez ao sistema esportivo vigente.
É a hora do mandatário falar. Ele se sacode na cadeira. Mexe a cabeça de lá para cá. Entorta o pescoço. Mexe os punhos como se estivesse no guidão de uma motocicleta. Procura os holofotes da televisão. E, tentando fazer cara de estadista, de momento histórico, sobe no pulpito do Teatro do MAM, no Rio de Janeiro. Chacoalha mais um pouco. Dá outras mexidinhas na cabeça e começa a falar. Ele parece nervoso.
Em vez de fazer uma oratória de estadista, de quem conhece os problemas cruciais do esporte nacional, da pobreza real vis-a-vis à derrama de verba pública despejadas nos cofres do seu Comitê, usando aquele espaço para apontar soluções, o presidente do COB diz que ” a candidatura Rio 2.016 é uma aventura”. É claro que todos ali aplaudem. Uns porque não entendem nada e ficam inebriados com a festa. Outros porque têm o dever de ao saco. Alguns por mera educação. E o rei tremelica mais um pouquinho. E volta para a sua cadeira, nu e contente.
Ao qualificar a candidatura do Rio 2.016 “como uma aventura”, ele acertou. É uma aventura mesmo. Nada mais do que isso. Ele apenas esqueceu, ou não quis comentar, que é uma aventura paga com dinheiro do povo, muito dinheiro do povo.
Lá do alto do seu púlpito, ele também não contou que aquela festa também havia sido paga com dinheiro do povo, com mais um repasse milionário do Ministério do Esporte para o Comitê Olímpico Brasileiro (vide post abaixo), sob a argumentação de que o convescote serviria para impulsionar a candidatura olímpica do Rio. Quero saber quantos votos o Rio ganhou com a festança.
E o Ministro? Bom, o Ministro está inebriado com tudo isso. Ele não percebe que paga a conta, só que o poder de interferência dele na gestão desses recursos é zero. Mas acho que ele se contenta com os salamaleques que lhe prestam em virtude do seu cargo. Isso ocorre aqui no Brasil e no exterior. Ele embarcou nessa de Rio 2.016 sem saber muito do que se trata. Foi na onda. Isso lhe proporciona viagens e atenções às quais nunca sequer pensou que teria em sua vida. Ele quer aproveitar o momento. O contacto com o cenário olímpico mundial pode mesmo cegar e afagar os pruridos daqueles mais vulneráveis aos ambientes luxuosos. O Ministro, que não entende nada da pasta que ocupa, parece caminhar nas nuvens. O Ministro do PC do B aprendeu a gostar de mordomias. Então, desde que continue assim, tudo bem em ele pagar a conta. Essa é a impressão que dá. Ele é um mero “assinador” de convênios. Nem mesmo nas competições escolares e universitárias ele interfere. A bolsa atleta e o programa segundo tempo são patéticos. Um repositório de falhas.
Eu fui apenas a um prêmio Brasil Olímpico, o primeiro deles, já faz tempo. Depois, apesar de receber convite, não ia. Hoje, adivinhem, não recebo convite, embora seja membro da Assembléia geral do COB. melhor, economizam papel. Sempre achei esse prêmio, feito do jeito que é, desnecessário, megalômano, hipócrita, caro demais. Tudo feito muito mais para o próprio COB aparecer, do que para, realmente, homenagear os Atletas. É assim até hoje. Assisti a essa edição de 2.008 meramente por dever de ofício, para escrever algo sobre ele. Eu aprendi que cargos se ocupam com discrição, com respeito ao trato do dinheiro público, sem necessidades de gastar com bobagens, principalmente com festanças, sem afetações e crises de vaidades. Aposto que o pessoalzinho do COB acha que o prêmio Brasil Olímpico é um avanço do esporte nacional. Assim como o mandatário acha que ter na folha de pagamentos um número enorme de funcionários “foi o grande avanço do esporte nacional”. Ele disse isso, sim, na audiência pública no Senado Federal. Está gravado e escrito.
Fosse eu o responsável por tudo isso, faria uma homenagem aos Atletas, claro. Porém não faria algo megalômano. Teria vergonha, vergonha mesmo, de pedir ao governo mais de R$ 1,7 milhão para fazer festa, em um País que tem tantos desníveis sociais, inclusive no esporte.
É lamentável como jogam dinheiro facilmente pelo ralo no País. O prêmio Brasil Olímpico, nos termos em que é feito, é outra maneira de debochar dos Atletas do Brasil, os ricos e os pobres, os olímpicos e os não olímpicos.
O Ministério Público também tem que investigar isso. É mais uma vez muito dinheiro do povo tratado como se privado fosse.
Ministério do Esporte
EXTRATO DE CONVÊNIO Nº 14035/2008
ESPÉCIE: Convênio que celebram entre si a União, por intermédio do Ministério do Esporte – CNPJ 02.961.362/0001-74 e o COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO – CNPJ 34.117.366/0001-67.
OBJETO: O presente Convênio tem por objeto a transferência de recursos financeiros para custear despesas de hospedagem, alimentação, passagens aéreas, transporte, marketing, seguros, material de premiação, produtora, mestre de cerimônia, serviço de apoio e serviço de comunicação, necessários para organização e realização do Prêmio Brasil Olímpico 2008, bem como promoção e divulgação para a Candidatura da cidade do Rio de Janeiro/RJ em sediar as Olimpíadas de 2016.
DESPESA: Os recursos decorrentes do presente Convênio são provenientes do Ministério do Esporte, Orçamento Geral da União, no valor de R$ 1.721.977,06 (um milhão, setecentos e vinte e um mil, novecentos e setenta e sete reais e seis centavos), no Programa de Trabalho 27.811.0181.2360.0001, Natureza de Despesa 33.50.41 e Fonte de Recursos 100, e R$ 62.650,00 (sessenta e dois mil, seiscentos e cinquenta reais), referente a contrapartida, perfazendo o total de R$ 1.784.627,06 (um milhão, setecentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e vinte e sete reais e seis centavos).
NOTA DE EMPENHO: 2008NE900872, de 08 de dezembro de 2008, UG/Gestão: 180002/00001. VIGÊNCIA: O presente Convênio terá vigência da data de assinatura até 28 de fevereiro de 2008, para a execução do objeto expresso no Plano de Trabalho.
Se o Pan-Americano Era Olímpico, Por Que Precisam Investir Mais de R$ 1 Bilhão Nos Jogos Militares?
Dezembro 17, 2008
A dinheirama pública gasta nos Jogos Pan-Americanos de 2.007, no Rio De Janeiro, tinha a “justificativa” por parte dos mandatários de que os jogos seriam “de nível olímpico”. E de centavo em centavo, sob a argumentação do “Pan Olímpico”, chegamos a um super faturamento de 1000% (hum mil por cento), cujas contas foram rechaçadas pelo Tribunal de Contas da União. E agora o COB/Co-Rio querem jogar a coisa para o colo do Ministério e vice-versa. Se possível, as três entidades juntas vão tentar enfiar o fato embaixo do tapete.
Pois bem, a mesma Cidade do Rio de Janeiro vai sediar os Jogos Mundiais Militares. E o Governo já avisou que vai empenhar mais de R$ 1 bilhão nessa nova jornada esportiva.
Se o que foi construído para o Pan-Americano, tinha o intuito de deixar a Cidade pronta para competições maiores, por que é necessário gastar mais tanto dinheiro em infra-estrutura? Se o que restou do Pan-Americano não serve nem para os Jogos Militares Mundiais, quem dirá para Jogos Olímpicos.
Essa gente pensa que somos idiotas. O fato é que o Pan-Americano não foi Olímpico. Muito longe disso. Cerca de 60% , ou mais, das caras instalações desportivas construídas eram temporárias e já desapareceram. Obras de infra-estrura na Cidade, não foi feita uma única sequer. A piscina Maria Lenk, já está provado, não serve para atender aos requisitos do Comitê Internacional Olímpico.
Então, se alguém, com conhecimento de causa, continuar falando que o Pan-Americano Rio 2.017 teve nível olímpico, os Deuses do Olimpo, ofendidos, vão fazer o nariz dessa pessoa ficar maior do que o do Pinóquio.
Enquanto isso, a nossa medalhista olímpica de judô vive com apenas R$ 1.200,00 por mês. Sem falar nos milhões de jovens das regiões pobres do Brasil que não têm acesso ao esporte.
Isso tudo soa como bofetada nas caras das pessoas de bem.
O Movimento “Sapatista” Do Juca Kfouri – Genial
Dezembro 17, 2008
Já antecipo que o dono do blog, por modéstia, não aceita ser votado…

O movimento sapatista pergunta: em quem você atiraria seu sapato em 2008?
| Carlos Nuzman | |
| Ricardo Teixeira | |
| Orlando Silva | |
Escrito por Juca Kfouri às 11h48
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Nossa nova enquete já está no ar, aí do lado esquerdo da tela.


