53ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CULTURA E ESPORTE, DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA, DA 53ª LEGISLATURA,

REALIZADA NO DIA 02 DE DEZEMBRO DE 2008.

 

AUDIÊNCIA PÚBLICA

 

(continuação)

… Então, portanto aberta essa 53ª reunião. Eu tenho… Temos seis convidados. O Djan Madruga vai estar substituindo o Ministro da Educação, do Esporte, desculpe. O Ministro da Educação disse que não poderia comparecer, foi convidado, o Carlos Arthur Nuzman, como Presidente falará pelo Comitê Olímpico; o Bernardo Rezende, o Bernardinho, falará como pessoa da atividade, como técnico da Seleção Brasileira Masculina de Voleibol; o Claury Santos Alves da Silva, como Secretário do Esporte, Lazer e Turismo de São Paulo; a Ana Moser, Ex-atleta e Presidente do Instituto de Esporte e Educação; e o Alberto Murray Neto, que é membro da Assembléia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro e membro da Corte Arbitral do Esporte em Lausanne, na Suíça.

(continuação)

SR. PRESIDENTE SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF): Eu agradeço e quero cumprimentar algumas pessoas que estão presentes, o José Roberto Perillier, que é Gerente-Geral técnico esportivo do Comitê Olímpico Brasileiro; Sérgio Lobo, sub Gerente-Executivo Administrativo Financeiro do Comitê Olímpico; Edson Sesma, Diretor do Instituto Brasileiro de Direitos Desportivos; Clodoaldo Silva, atleta paraolímpico em natação, e eu aproveito ao mesmo tempo que cito Marcus Vinícius Freire, Superintendente Executivo de esporte comitê olímpico, para convidá-lo a vir à Mesa. E funcionar como o que responderá aquilo que o Nuzman não vai poder. Então responderia pelo COB. Eu passo a palavra agora conforme pedido ao Alberto Murray Neto, membro da Assembléia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro e membro da Corte Arbitral do Esporte em Lausanne.

SR. ALBERTO MURRAY NETO: Muito obrigado, Senador, Presidente Cristovam Buarque, por quem eu tenho grande apreço, preocupado sempre com a educação do país e é com essa visão que eu vejo o esporte. O esporte é educação.

Para mim não interessa muito contar número de medalha, interessa que o esporte seja o elemento de base que esteja na educação, que faça parte do currículo da educação das escolas, das universidades, a minha maior preocupação é essa.

Eu quero cumprimentar essa Comissão pela iniciativa, quero cumprimentar os senadores que subscreveram o pedido de instauração dessa audiência, quero fazer uma menção especial a uma pessoa que ninguém falou, mas que está aqui, que é o Lula Pereira, técnico de basquete da Seleção Brasileira. Lula, a culpa da desqualificação do Brasil não é sua. É da desorganização do esporte brasileiro, o basquete brasileiro está acabado. Melhor do que ninguém você vai poder dizer isso. Eu quero cumprimentar a equipe da ESPN Brasil que venceu o prêmio EMBRATEL de jornalismo com um documentário chamado Brasil Olímpico, uma prestações de contas que desnudou a questão do esporte olímpico no Brasil, e aí nós temos o contraponto que é verdade, o que nós vimos ou o que a ESPN Brasil mostrou? O segundo vai ser melhor que o primeiro.

Eu quero cumprimentar um grande mestre do jornalismo, que está aqui recuperando-se de uma cirurgia, mas não deixou de vir. Jornalista José Cruz. Desnecessário dizer qual é a sua história, o combate pela moralidade, pela transparência no esporte. E os demais, o Senador já citou, endosso minhas palavras, é uma honra fazer parte dessa Mesa. Eu sou o único que não sou famoso aqui. Então deixa eu me apresentar um pouquinho.

Eu sou… Eu fui atleta, não cheguei a nível olímpico, e depois quando tinha ganho o campeonato brasileiro acabei parando, fui para a universidade e não era capaz de compatibilizar as duas coisas, fiz parte daquela equipe do Clube Pinheiros de atletismo liderado pelo João Carlos de Oliveira que ganhava tudo, do mirim ao adulto, e eu fazia prova de barreira. Eu sou Advogado militante, de onde tiro meu sustento, tenho um escritório de Advocacia, faço o esporte por amor, acredito ainda no ideal olímpico, tenho uma ONG que leva o nome do meu querido avô, a maior personalidade olímpica desse país de todos os tempos, ninguém vai copiar e ninguém vai esconder o nome dele, Major Sylvio de Magalhães Padilha, chama ONG Sylvio de Magalhães Padilha, que em Paraisópolis tem um trabalho com as crianças carentes, e eu posso ver pessoas que não tinham… Não freqüentavam a escola e hoje são modelos na comunidade de Paraisópolis que começaram pelo atletismo. E isso é uma coisa que muita gente tem… Muita gente faz, o Bernardinho tem um trabalho social também.

Eu sou membro da Assembléia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro, embora não compactuando com todas as decisões que são feitas lá, sou árbitro da Corte Arbitral do Esporte e, Lausanne, na Suíça. E sou formado em estudos olímpicos pela Academia Olímpica Internacional em Atenas.

Eu quero tocar em alguns pontos que foram falados pelo Presidente Nuzman que é o seguinte. De fato o artigo 217 da Constituição diz que dá autonomia às entidades esportivas dirigentes e a sua organização e funcionamento. Só que eu tenho pareceres de administrativistas. Eu sou Advogado, mas pedi pareceres para utilizar no momento que for necessário. O COB não é mais uma entidade autônoma. Por quê? Porque vive exclusivamente do dinheiro público. Toda entidade que vive de dinheiro público tem que prestar contas. E prestar contas na maneira como requer a lei, e não da maneira como acha.

Eu li hoje, eu tenho enorme respeito pelo trabalho do jornalista Cláudio Mota. Sei que o trabalho é difícil, ainda mais nesse momento conturbado que vive o movimento olímpico, é um trabalho honesto, um trabalho correto, mas hoje na Folha eu li que o TCU aprovou as contas do pan-americano. Acho que estamos lendo o relatório errado. Porque esse relatório do TCU, assinado pelo Ministro Marcus Vilaça, disponível na internet, e se alguém quiser depois eu posso mandar cópia, detona as contas. Eu não vou me ater a ler… Tem alguns trechos aqui que são escandalosos, não sou eu que digo, é o Ministro Marcus Vilaça.

Eu mandei isso para o Ministério Público Federal. Junto com isso, cem licitações Rio 2006 dá 46 milhões a consultores. Isso resultou, isso e uma série de coisas que tem aqui, isso resultou numa instauração de um processo investigativo do Ministério Público Federal através da portaria nº 39/08. Eu apenas mandei. E o Procurador da República, Carlos Henrique Martins Lima resolveu instaurar o inquérito.

Eu vou estar de olho. Advogados em Brasília estarão de olho. Seguirão isso. Eu acho que este Congresso Nacional atuante da maneira que está junto com o esporte deve ficar de olho nisso aqui. O relatório, não fui eu que escrevi. Foi o TCU. Então, superfaturamento de mil por cento está aqui as razões, pelo TCU. Eu não estou dizendo que houve irregularidade de minha parte. Eu quero apenas que as coisas sejam esclarecidas.

Quero também pedir aos Srs. Senadores e Deputados, que, porventura, ouvirem, que assinem a CPI do esporte. Não é uma CPI para detonar o comitê olímpico, o Ministério dos Esportes, mas, no momento em que há uma chuva de denúncias da imprensa contra o Comitê olímpico brasileiro e contra os órgãos dirigentes do esporte, elas estão todas aqui, são objetos da Procuradoria do Ministério Público. Então que se faça para esclarecer tudo isso, tomara que dessa CPI saia um resultado que diga: não há nada de errado, aí todos nós vamos aplaudir. Agora quem não deve não teme.

 Então sair por aí de gabinete em gabinete pedindo pelo amor de Deus para não assinar CPI, é porque, se fosse eu, faria. Eu quero uma CPI. Eu quero uma CPI para dizer que eu não tenho nada. E não ficar sujeito a esse tipo de coisa. Eu trouxe só alguns, mas se os senhores entrarem nos sites, os senhores vão ver que há mais de 200 blogs escritos com as mesmas coisas. Então o Congresso tem que investigar. De novo, não é uma caça às bruxas não. É um pedido de esclarecimento que a sociedade faz.

Eu tenho um blog que está hospedado na ESPN Brasil. Eu recebo diariamente pedido de gente que diz para não se identificar. Atletas, hoje mesmo um veio me falar. Falou: “não fale porque nós não podemos porque sofremos retaliações”. Que temor é esse? Até de confederação brasileira eu tenho e-mail, se for necessário eu mostro, é que eles pedem para não serem identificados, porque vão sofrer retaliação no repasse de verbas. Ora, que democracia é essa? Quer dizer, não pode falar, eu falo, eu não sou presidente de confederação, não vivo de dinheiro do esporte, nunca viverei de dinheiro do esporte, porque o esporte que eu aprendi foi o esporte educação. Não tenho pretensão a ser presidente de coisa nenhuma. Então eu falo as coisas como elas devem ser.

O Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro disse uma coisa correta, que o COB não forma atletas. Realmente não forma. Então eu quero saber por que mais de 50% do dinheiro arrecadado com a Lei Piva, no ano de 2007, que é pré-olímpico, mais de 50% ficou Comitê olímpico? Aí diz assim: “Não, não é como falaram, 23 milhões em despesas de manutenção. Isso inclui eventos esportivos”. Não inclui não. A menos que isso que foi retirado do site do Ministério do Esporte esteja errado. Porque aqui diz: “O total foi de mais ou menos 85 milhões. Manutenção da entidade, 23 milhões, quase. Manutenção de atletas, zero. Eventos esportivos, 14 milhões”. Então não confundam manutenção da entidade com eventos esportivos. Pelo menos pelo que o próprio Comitê Olímpico fala. Então, isso tem que ser corrigido.

Agora, o Presidente diz também que o grande avanço do Comitê Olímpico Brasileiro foi aumentar o número de funcionário, está gravado aqui. Bom, se for assim, vamos aumentar aqui manutenção da entidade para 40 milhões, contratar mais 200, e aí nós resolvemos os funcionários e nós resolvemos o problema do esporte olímpico no Brasil. Está gravado aqui que esse foi o grande avanço do esporte brasileiro. Que hoje o Comitê tem não sei quantos funcionários. Eu faria justamente o contrário. Eu enxugaria essa máquina, enxugaria essa máquina e repassaria tudo para as Confederações.

Eleições: o Presidente disse que vai responder os Srs. Senadores as questões que forem encaminhadas. Eu acho que isso está corretíssimo, mas tinha que responder as minhas também. Porque eu sou um cidadão do povo, sou membro do Comitê Olímpico, represento um segmento da sociedade e escrevi pedindo a anulação da eleição. É possível fazer isso em juízo, ainda não decidi se vou fazer. Tem muita gente que quer que faça. Agora, dizer que foi subscrito por todas as Confederações, não foi.

Eu tenho o boxe, o badminton, o futebol, tênis de Mesa, esportes com gelo, que se manifestaram por escrito e me autorizaram a falar aqui. E tenho outras Confederações que pediram pelo amor de Deus para não falar isso, porque a eleição foi feita justamente antes da determinação do repasse de verbas. E aí tinham medo de retaliação, mas se for necessário eles vêm também, pelo menos assim me disseram.

Licitações públicas: o Presidente disse que de um ano para cá foram feitas licitações públicas. Ora, a lei existe desde 2001. De um ano, eu vi três licitações publicadas agora, depois que começaram essas pressões todas da sociedade. O decreto, eu tenho ele aqui, 5.139, de 2004, que regulamentou a Lei Piva, que existe desde 2001, se eu não estou enganado, é muito claro. Diz o que Comitê Olímpico Brasileiro e o Comitê Paraolímpico Brasileiro têm que licitar tudo, tudo, tudo. Não existe estado de emergência. Outro dia eu li no jornal que foi contratada uma consultoria com o dinheiro repassado do Ministério do Esporte; juntei isso também naquilo que encaminhei ao Ministério Público, em que a justificativa era, emergência. Ora, a lei é clara. Eu sou advogado. Quer dizer, eu conheço. O país não está em guerra, o país não vive, quer dizer, até vive problema de calamidade pública no esporte, mas não é uma questão para pedir licitação pública, dispensar licitação pública. Não há emergência. Foi contratada uma empresa chamada EKS, por milhões, eu quero saber quanto. Se houve licitação, pelo menos há quatro, cinco no mundo que podem fazer esse serviço. 

Outra questão que eu queria levantar: eu tenho propostas aqui. Eu acho que se nós ficarmos debatendo, se… Pois não, Senador.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do microfone].

SR. ALBERTO MURRAY NETO: Claro. Então, não vamos nos iludir por resultados, não vamos desviar o foco. A base do esporte brasileiro hoje não existe. Se existe, é muito pouco. Só 12% das escolas públicas desse país têm quadra de esporte. Mesmo assim o que se faz é uma propaganda contra a ginástica. Por quê? Porque são espaços apertados, onde professores mal pagos e desestimulados, têm que se esforçar para ensinar para o aluno o que é esporte. Então a criança cresce pensando que o esporte é aquilo, praticado em condições precárias. E aí, quando chega na idade adulta fala: “não, não quero, porque o esporte que eu aprendi era aquilo”, e não pratica.

Agora, eu posso afiançar vocês, depois vocês podem me cobrar isso. Eu vivo o esporte desde que nasci, conheço o Comitê Olímpico Internacional muito bem, tenho amigos, estive há 10 olimpíadas, a primeira eu era garotinho. Converso. O Rio de Janeiro não tem chance nenhuma de vencer o pleito. Então, 80 milhões que foram gastos para o lobby, por que nós não gastamos na educação? Por que nós não gastamos isso para construir escolas públicas com praças de esporte? Quer investir no esporte? O Governo tem investido muito, sim, mas não tem investido certo em todas as áreas, não. Não vamos dar mais dinheiro. Porque sabe o que vai acontecer se ninguém fizer nada? Nós vamos chegar em outubro do ano que vem, falamos em Rio 2004 que não estão com as contas aprovadas ainda. Rio 2000, não sei o quê… Rio 2016, vamos estar falando em Rio 2020. E não é Rio não, é São Paulo, é qualquer cidade brasileira.

Antes de sermos olímpicos nós temos que ser campeões em saúde, em educação, em infra-estrutura, saneamento básico, em esporte. Esporte para todos. Então vamos parar com esse negócio de megalomania, de dizer: “não porque…” não tem chance mesmo. Eu tenho contato. Os votos da América do Sul, por exemplo, não vão para o Rio de Janeiro, eu posso garantir para vocês. Não tenho liberdade para dizer, autorização para dizer isso, mas o meu avô freqüentou Comitê Olímpico por mais de 40 anos, foi o primeiro vice-presidente. Eu tenho amigos de família que quando vêm ao Brasil, ainda procuram meus pais, a minha casa, que vem… Outro dia me disseram: “Eu não sei de onde o Rio vai tirar voto”. Posso garantir, e depois, se eu tiver errado, se o Rio de Janeiro ganhar, eu venho aqui e dou a mão à palmatória, mas não vai ganhar. Vamos pegar esse dinheiro, vamos parar com isso. Vamos investir na educação.

As reformas educacionais que foram feitas no país até hoje, elas não trataram o esporte como deveria ser tratado. Elas trataram o esporte como um elemento marginalizado. O currículo, a grade escolar colocava o esporte, isso acontece até hoje nas universidades, num horário extra-aula. Tem que ser matéria obrigatória. As reformas educacionais, o Ministro Fernando Haddad, meu companheiro de faculdade, de São Francisco, Largo São Francisco, está fazendo um bom trabalho no Ministério da Educação, tem essa consciência social do esporte, nós convivemos juntos na universidade. Ele sempre foi uma pessoa que teve essa visão social. Então tem que inserir o esporte como ele deve ser inserido na educação.

Eu não quero me estender muito mais, mas finalizar com algumas questões. Eu acho que essa mesma reforma educacional tem que ter uma política pública clara do esporte dando a função das escolas estatais e privadas. Para que eles saibam qual é o seu papel na formação do atleta. Eu acho que nós temos que pegar esse dinheiro de lobby de candidatura, e utilizar na construção de praças esportivas, em locais mais pobres. Se alguém acha que a realidade do esporte é boa, basta ver o programa Caravana do Esporte, que a Ana Moser participa. Por que não vai lá e investe aquele dinheiro lá? O Senador tocou muito bem num ponto que eu ia abordar aqui sobre a formação dos nossos atletas. Não é plausível que, num país de dimensões continentais, nós tiremos os nossos, formações olímpicas de três ou quatro Estados no máximo. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas, com reflexos em alguns Estados do Sul. Não existe o esporte de base no Nordeste. Não existe. No Norte também não existe.

Então, eu acho que as verbas que se têm devem ser votadas para lá. Nós só vamos fazer uma olimpíada no Brasil, isso não é palavra minha, isso é palavra de membro do Comitê Olímpico Internacional, quando nós tivermos uma mentalidade olímpica. O Brasil não tem uma mentalidade olímpica ainda.

Eu não quero um país contador de medalhas. “Ah, ganhei dez medalhas” então, está tudo bem. Sabe como é que nós ganhamos medalha até hoje? Pelo esforço individual de pessoas que estão aqui. Eu vi o Djan ganhar medalha em 1980. Eu era garoto, eu era garoto, me emocionei. Essas pessoas são heróis olímpicos, mas são produtos olímpicos, mas são de produtos e valores individuais. O Brasil nunca, na história, nunca ganhou medalha como um produto de trabalho de base, de longo prazo, dizer: “olha, isso aqui veio debaixo, veio da educação, veio de um programa de longo prazo”. Nunca. Não há isso na história do Brasil, e hoje o esporte continua como elemento de conveniência momentâneo. Nós temos que acabar com isso.

Eu acho que tem que exigir, sim, do Comitê Olímpico Brasileiro uma prestação absoluta rigorosa das contas, e fazer de modo público. E mais, eu acho que o Comitê Olímpico Brasileiro tem que assinar todos os seus contratos, mesmo os privados, que são poucos, como fazia o Dr. Giullite Coutinho quando Presidente da CBF, numa sala como essa, aberta, e distribuir cópia para todo mundo.

O senhor mencionou a Globo, Deputado. Eu quero ver esse contrato. Todo mundo quer ver. Tem alguma coisa para esconder? Eu quero ver esses contratos, todo mundo quer. A imprensa tem pedido. Por que sonegar esse tipo de informação? Se tem algo errado, eu acho que não tem nada errado, mas por que não podemos ter cópia? Não deve ter nada errado, mas então, vamos acabar com esse negócio, porque senão vão acabar dando pau, dando pau, dando pau aqui e no exterior.

Isso aqui eu já falei, eu queria falar outra coisa, a destinação também do repasse do Comitê Olímpico Brasileiro às Confederações, agora inventaram a meritocracia. Parece que eu tenho bola de cristal, eu previ antes. A meritocracia nada mais é do que manter o que tem hoje. Então os esportes mais ricos, que têm as suas, os seus patrocínios, óbvio que são os esportes que vão ter melhor rendimento. Agora, essas Confederações que me escreveram aqui, que são dos esportes pequenininhos, não vão ter nunca a chance de chegar lá. Então, no momento que eu digo assim: “não eu vou dar para o mais rico porque ele é melhor olimpicamente”. Eu devia dar para o mais pobre, para ele conseguir chegar no nível do mais rico. Se o voleibol que é hoje um exemplo, realmente, e que eu estou sentado aqui do lado do maior técnico de voleibol do mundo, isso, dito por onde eu freqüento, eu freqüento ambiente esportivo internacional e todo mundo me diz que queria ter um Bernardinho no time de voleibol.

O voleibol tem um patrocínio fantástico do Banco do Brasil. Por que precisa vir em primeiro lugar no repasse das verbas do Comitê Olímpico Brasileiro? Levantamento de peso? E a esgrima? E o remo? E a canoagem? E os esportes do gelo? E o boxe que vive numa miséria? E outra coisa [soa a campainha] a gente precisa ter certeza, já vou concluir, que esse dinheiro chega na mão dos atletas. Eu tenho recebido muito e-mail de atleta com medo. Mas teve uma atleta, medalhista olímpica que deu uma entrevista ontem no jornal, saiu publicada ontem, anteontem, que a nossa garota do judô ela vive com 1.200 reais por mês. Que espécie de esporte olímpico é esse? O que é isso? Nós estamos falando de cifras milionárias, milhões e milhões e a menina que ganhou a primeira medalha de ouro, olímpica, brasileira no judô, vem reclamar que tem isso. Eu tenho uma série de outros atletas que estão me mandando e-mails para o meu blog.

Eu quero concluir o seguinte: diz que o que entrou esporte não foi 1 bilhão e 200 milhões de reais. Então, eu acho que teria que corrigir; foi isso sim, o site contas abertas mostra se você considerar tudo, não vamos mascarar números aqui. O site contas abertas mostra que foi realmente isso. É esse número que consta na justificativa de convocação dessa sessão pelos Senadores que a subscreveram, então é preciso avisar os Senadores que a justificativa está errada. Não está errada, está certa. O valor é esse mesmo.

Eu queria concluir mais uma vez pedindo. Vamos fazer a CPI do esporte. Não para caçar bruxas, punir, para entrar com processos, mas para que todas essas dúvidas que hoje existem, que elas sejam dizimadas. E vamos investir no esporte escolar. Vamos investir na educação, na criança, porque daqui a 20; 30 anos, talvez, não sei se nós estaremos aqui para contar essas medalhas, mas as gerações futuras vão lograr esse êxito. E aí nós vamos ter um país de esportistas, e não de medalhistas olímpicos. É isso que eu queria falar. Muito obrigado a todos.

SR. PRESIDENTE SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF): Eu agradeço a fala enfática. Eu tenho algumas perguntas, mas deixarei para fazer no momento oportuno. Quero passar a palavra agora.

 

(continuação)

 

SR. PRESIDENTE CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF): Muito bem. Com a palavra o Dr. Alberto Murray Neto.

SR. ALBERTO MURRAY NETO: Só ler o relatório, acho que o Comitê Olímpico está empurrando para o Ministério. Alguém vai ter que se explicar. O relatório está aqui não sou eu que digo. E eu quero amanhã, por favor, ler no site do COB a opinião verídica dos Senadores. Porque a que houve na Câmara, o site do COB foi contestado por 100% da imprensa que disse que o que saiu lá não era exatamente.

Quero dizer o seguinte, acho uma descortesia do Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro vir aqui falar como se pairasse em cima da lei e ir embora. Ele está aqui para falar com os Senadores e para explicar um mundo de denúncias que existe.

Marcus, com todo o respeito que eu tenho. Eu tenho o maior respeito pelos atletas olímpicos. Eu acho que ganhar uma medalha olímpica é uma das coisas mais difíceis que tem. Você disse uma coisa que pode ser correta, mão-de-obra no Brasil foi criada para a organização de eventos esportivos. Então, por que consultar, pedir à consultoria 46 milhões de uma empresa chamada EKS, de outras no exterior se tem aqui, faz a licitação com o que está aqui. Aí eu leio aqui que não, que as do exterior é que têm know-how.

Então, acho que a formação desse know-how brasileiro não foi assim tão grande. O dinheiro é público, Senador Zambiasi, o dinheiro é público. Se quiser botar isso no site também que estou dizendo é o seguinte: sabe o que diz o art. 26 do Comitê Olímpico? Que eu ainda não sei se vou discutir na justiça também, tem gente querendo, olha só, hein. Isso foi mudado na gestão, não era assim. “Somente brasileiros natos que sejam membros do Comitê, por pelo menos cinco anos consecutivos poderão ser eleitos para os cargos de Presidente e vice-Presidente”.

Cinco anos representa, representam, na prática, dois mandatos. Se o Djan, se a Ana Moser, se o Secretário Claury, se eu, quer dizer, eu não porque eu faço, mas eu não tenho pretensão, mas se o Bernardinho, quiserem ser presidentes, se o Lars Grael quiser ser presidente não pode. Tem uma vedação aqui. Enquanto isso, nós é que estamos sustentando tudo isso. Isso aqui é inconstitucional. Tem o parecer sobre isso e tem o parecer de administrativista sobre a questão de que o Comitê não é mais um órgão privado.

Esse negócio de vir aqui e falar… Ontem tinham me avisado que ele falaria e não me enfrentaria.  Eu quero ter outra oportunidade para poder perguntar isso e ter resposta.

Finalizando. O Projeto de Lei tem que haver uma limitação de mandato para Federações, Confederações e Comitê Olímpico Brasileiro. Se o próprio Comitê Olímpico Internacional limita o seu mandato, por que é que nós não vamos seguir o exemplo? Isso tem que valer a partir de agora. Aí vem com aquela história de direito adquirido que é remédio para tudo no Brasil: “Ah, não, comigo não vale porque eu tenho direito adquirido eu nasci antes da lei”. Não, tem que valer [soa a campainha] para esse mandato. É isso aí, obrigado.

 

(continuação)

 

SR. PRESIDENTE CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF): Muito obrigado. Eu já perdi dois almoços. Vocês também. Eu tenho um compromisso às 2 horas que eu não vou. Mas, eu não quero sair sem ouvir uma resposta do Alberto. Por que você acha que o Rio não vai ganhar?

SR. ALBERTO MURRAY NETO: Assim, eu vou falar mais do que os outros. Eu tenho a minha opinião.

Eu conheço os meandros disso. Tenho os meus contatos. A… A apresentação do Rio, em Istambul, foi ótima. Aí saiu de lá me liga um amigo: “Vocês tem a apresentação, foi melhor que teve. Usaram o teleprompter como nunca, mas mostraram o Rio de Janeiro que não é verdade”. Quer dizer, pensam que o sujeito lá é idiota? Sabe que o Rio de Janeiro tem um índice de criminalidade altíssimo. Que não tem hotel, está aqui no jornal, que a piscina olímpica não serve, que tem que fazer outra. Que vai ter que investir, que esse relatório do TCU já não está circulando por lá? Está sim. Eu tive, eu fiquei on-line com a apresentação, e eu até botei no meu blog falando. O sujeito que ouviu a apresentação saiu de lá e disse: “Duas coisas, apresentação boa, Chicago e Rio de Janeiro. O Rio usou o teleprompter como se as pessoas fossem grandes atores” Mas eu venho aqui e mostro de repente um vídeo tentando dizer que, nem sei se existe essa cidade, mas Xiririca da Serra é a maior cidade do mundo.

Quer dizer, as pessoas sabem. O Comitê Olímpico Internacional tem a tradição de dar os jogos a quem tem segurança jurídica, segurança econômica, segurança no meio ambiente. Hoje os jogos olímpicos são o maior evento do mundo, e quando ele assina o contrato com a cidade ele assina com o patrocinador. Eles não podem correr risco de dar a quem não sabe se vai sair.

Esse negócio de rotação do Comitê Olímpico Internacional não tem importância nenhuma. Tanto não tem importância esse tipo de apelo que é um apelo maior do que Atenas 96? Que era o centenário dos jogos olímpicos e perdeu para Atlanta, que foi a candidatura da coca-cola? Quer dizer, não tem nada disso.

Agora, a FIFA tanto se arrependeu de ir para a África que mudou o estatuto dela que disse: “Olha, não vai mais ter a rotação, porque quem está certo é o Comitê Olímpico Internacional que não tem isso”. E pela primeira vez a FIFA fez uma coisa que foi um seguro para as copas do mundo da África e do Brasil, porque se ela não entregar a mercadoria que ela supostamente tem que entregar que é a Copa do Mundo ela paga uma multa danada. Você vê a credibilidade que os nossos continentes, sofridos continentes ainda têm. Não vão votar. Não vão votar. Eu sei, por exemplo, para onde vai o voto do Uruguai. Não vai para o Brasil. Quer dizer, posso dizer… Eu acho que o Marcus tem que falar porque eu não quero ser o monopolizador da palavra. Enfim…