Bernardo Alvarenga e Gustavo Casanova fazem parte do rol dos muitos funcionários que, hoje, para o orgulho do seu presidente, inflam desmesuradamente a folha de pagamentos do Comitê Olímpico Brasileiro. Segundo presidente do COB disse na audiência pública no Senado Federal (está gravada), o grande avanço do esporte nacional foi a contratação de um grande número de funcionários para o COB.

Pois esses dois funcionários, Bernardo Alvarenga e Gustavo Casanova apresentam-se como os responsáveis pelas três licitações em curso, aquela do ar condicionado, a da agência de comunicação e, isso mesmo, aquela outra da agência de viagens!!!!!! Eles se colocam, ao menos no website do COB, à disposição do público para questões e esclarecimentos.

Eu já postei aqui neste Blog cópia do e-mail que mandei a ambos, pedindo informações sobre o assunto. Até agora, nenhuma resposta. Isso é o que se pode chamar de boa vontade e transparência. Eu sugeriria aos leitores desse blog que também escrevessem para ambos. vamos ver se eles respondem. Ao não responderem, ou estão fazendo mal o seu trabalho, cujos salários são pagos com dinheiro do povo. Ou têm ordens superiores para ficarem quietos. Em ambos os casos, é lamentável.

Vamos ficar de olho, principalmente nessa história de agência de viagens.

Os e-mails dos dois são:

Bernardo Alvarenga – bernardo.alvarenga@cob.org.br

Gustavo Casanova – gustavo.casanova@cob.org.br

Escrevam para eles. Pagos com dinheiro do povo, têm a obrigação legal e moral de responder.

Outro dia eu inseri neste Blog três licitações públicas que estão sendo realizadas pelo COB. Depois de muita pressão e falatório, eles colocaram essas três. Mas só essas três. As consultorias no exterior, essas nem pensar. Uma diz respeito à prestação de serviços preventivos de manutenção de ar condicionado para o Parque Aquático Maria Lenk. A outra para a contratação de uma agência de publicidade. E a terceira, advinhem? Para a agência oficial de turismo do COB.

Não entendo nada de ar condicionado. Mas posso pressupor que haja mesmo necessidade de manutenção preventiva. Sobre agência de comunicação, sei lá porque o COB quer uma. Agência de viagens então, é o tipo da coisa desnecessária. Para que o COB precisa de uma agência oficial de vigens? Se o próprio presidente do COB se gaba de a entidade ter tantos funcionários, enaltecendo isso como um fato positivo na audiência pública no Senado Federal, por que ele não designa alguém lá de dentro mesmo para fazer cotações de passagens e hotéis? Para que deixar comissões nas mãos de agências de viagens, ou melhor, na agência de viagem? Eu sempre fui contra isso.

Enfiaram aí no meio das outras duas esse processo licitatório para agência de viagens. Esse é o que realmente interessa. Os demais são para desviar a atenção. Para quem se lembra bem, a licitação para a agência oficial do COB em 2.004 foi contestada.

Vai ganhar um pirulito quem advinhar quem vai ganhar essa aí da agência oficial de viagens do COB que, por sinal, a enfia goela abaixo das Confedserações despotivas nacionais.

César Maia falou hoje à imprensa que os Jogos Pan-Americanos do Rio 2.007 foram o seu grande sacrifício político. Ao aplicar verbas naquela competição, deixou, ressalta ele, de investir em outras áreas prioritárias para a população da Cidade.

Ora, o Pan não era a redenção do Rio?

O fato é que, agora que a coisa pegou, que o TCU escancarou as contas da festa, que o Ministério Público instaurou Portaria para investigar e que a população do Rio viu-se enganada com promessas não cumpridas, cada qual quer tirar o corpo fora.

O Pan do Rio, que virou o Pan do Brasil, agora é a pedra no sapato daquela gente.

Na audiência pública no Senado Federal, o assessor de imprensa do COB fazia questão de frisar que “o relatório do TCU não apresentava nenhuma irregularidade no tocante ao Comitê”.  Ficou claro – e eu disse isso na mesa - que a defesa do COB será jogar a bomba para o colo do Ministério.

Já o Ministério, por sua vez, diz que apenas repassava o dinheiro público e que sua gestão e administração (condenadas pelo TCU), eram de inteira responsabilidade do COB e do Co-Rio.

E César Maia, diz-se sacrificado politicamente por ter colocado dinheiro naquilo lá em detrimento de outras coisas que seriam mais importantes para o Rio de Janeiro.

Agora que chegou a hora de prestar contas, que se viu que o legado da competição pan-americana foi apenas uma conta super faturada de 1.000 % (hum mil por cento) para pagar com dinheiro do povo, que não se construiu uma única obra viária prometida no dossie de candidatura e que as instalações esportivas nada mais são do que alvos elefantes, ninguém quer assumir a paternidade do negócio.

O Ministro, também acuado, já começa a, publicamente, dar declarações que contrariam os interesses do COB. O COB, por sua vez, começa a tomar o Ministro como um traidor. Pelo menos é o que se comenta na diretoria da entidade.

E César Maia posa de vítima.

Na hora que o Ministério Público começar a colher os depoimentos e provas e a CPMI avançar, vai ser interessante e curioso observar a postura de cada um.

Vai ser uma estratégia do tipo delação premiada.

Mais uma vez, eu tenho que lovar a atitude do Diretor Executivo de Esportes do COB, o medalhista de prata Marcus Vinícius Freire. Jogado ao fogo pelo seu Chefe que, trêmulo e apressado, escafedeu-se da audiência pública com os Senadores, o Diretor do COB assumiu a  árdua função de tentar explicar o inexplicável. Embora encurralado pelas perguntas e comentários feitos pelos Senadores, Marcus Vinícius não arredou o pé. Da mesma forma que nao é correto o que o presidente do COB fez com o Senado Federal, não é aceitável a situação em que deixou seu pupilo, entregue, solitário, à saraivada de questionamentos endereçados à entidade que representam. Não se faz isso com um amigo, ainda mais em circunstâncias como aquela, ao vivo, em cadeia nacional.

De qualquer forma, o importante é ressaltar que Marcus Vinícius Freire falou e está gravado que o COB não teme CPI.

E não deve temer mesmo. Fosse eu aquele sob suspeita, meu desejo seria uma ampla CPI para poder mostrar minha completa inocência.

Ocorre que, enquanto o discurso do Diretor Executivo Esportivo do COB é esse, um matilha de lobistas trabalha no Congresso Federal para tentar impedir a instalção dessa CPI.

O que está valendo afinal? A afirmação correta daquele que, a mando do presidente, ficou na audiência pública e afirmou em nome do COB não temer a CPI? Ou as atitudes que, na prática, são tomadas, para barrá-la? 

Há contradição entre o que um diz e o que o outro faz.

Por isso, mais do que nunca, a CPI é necessária.