Caro Alberto Murray Neto,

Expresso minha profunda satisfação não só por tê-lo conhecido, mas também por poder ter ouvido uma das melhores palestras do anos no meu acompanhamento dos trabalhos da Comissão de Educação, Cultura e Esporte. Foi bastante esclarecedora e gerou muitos pontos que necessitam de verificação, o que eu por conta própria já tinha iniciado.

Sou atualmente o único Consultor Legislativo da área e já vejo, neste ano de trabalho, os problemas enfrentados ao conhecer sobre os dados vindos do COB, do CPB e do ME (inclusive, estou acabando uma análise preliminar sobre o Bolsa-Atleta e não consegui um única informação do Ministério do Esporte).

Coloco-me à disposição para qualquer informação que me seja possível fornecer e desejaria receber, se possível, os dados apresentados por você na palestra. Acredito que a CPMI vai sair.

Se possível também, peço que coloque meus contatos à disposição das federações e pessoas da área do esporte que você tenha diálogo.

Agradecendo pelo contato, informo-lhe que também sou um dos que desejam a moralização do esporte nacional.

ALEXANDRE SIDNEI GUIMARÃES
Consultor Legislativo do Senado Federal – Área: Esporte
Senado Federal – Anexo II – bloco B – sala 16
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trab.: (61) 3303-4526 cel. (61) 9176-1415 / 9176-1445
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E não é que a pressão deu certo. O COB havia enfiado goela abaixo das Confederações uma “nova” forma de repasse de verbas para 2.009 que, na verdade, não mudava nada e que deixou as Confederações menores de nariz torcido. Foi a tal da “meritocracia”.

A gritaria foi geral, das Confederações e da imprensa que entendeu injusta a forma de repasse.

Hoje sai a notícia de que as diferenças entre os valores repassados às Confederações diminuiu. Não é o ideal. Mas já é alguma coisa.

Eu defendo que poucas pessoas, trancadas em uma sala, não deveriam ter o poder absoluto de definir o destino de milhões e milhões de dinheiro público. Isso deveria ser administrado por um Comitê Gestor, na forma como já sugeri algumas vezes e que reiterei na Audiência Pública no Senado Federal e que escrevi neste Blog logo após o encontro com os Senadores da República.

Gostei de ler as declarações do Ministro Orlando Silva, ao defender o projeto de lei que veda as reeleições indefinidas para presidentes de Federações, Confederações e Comitê Olímpico Brasileiro. Gostei mais ainda quando ele diz que o correto será condicionar o repasse de verbas públicas à aceitação dessa norma. Espero que o Ministro leve adiante essa idéia e trabalhe pela edição dessa lei na maior brevidade possível.

Já o mandatário do COB, hoje, apareceu na Globo, na hora do almoço, defendendo a tese justamente contrária. Quem o viu, certamente notou como ele estava nervoso, gesticulava muito, com as mãos e com os olhos e tentava buscar, em algum lugar, uma justificativa que pudesse embasar a tese do poder eterno.

Agora inventaram uma história ridícula de que para ficar fortalecido no exterior, o dirigente tem que permanecer vários anos no poder. Quem tem que ter prestígio no exterior não é a pessoa que ocupa o cargo. Mas a entidade e o esporte que ela representa. É claro que um presidente competente também é necessário.  Mas nada justifica a necessidade de se ficar no poder por anos e anos para galgar postos nas Federações e organismos internacionais.

Aliás, para ser cooptado para trabalhar em uma Federação Internacional, não se faz necessário ser o presidente de sua Confederação Nacional. Se a pessoa for boa, pode ocupar cargos de direção em entidades internacionais por seus relevantes serviços prestados nos quatro, ou oito anos do seu mandato.

A alternância de poder é necessária para oxigenar as estruturas, aparar arestas, solidificar uma instituição e, quando necessário, revolucioná-la. Também não cola essa história de que “se o cara for ruim ele não ganha a eleição”. Todos sabem que é muito difícil derrubar o dirigente que tem a máquina na mão. Quem é do esporte sabe disso.

O Presidente do COB falou na televisão “que na década de 70 se tentou isso no Brasil e não deu certo”. Como assim não deu certo? Não entendi a colocação dele.

Também é curioso notar o contraponto entre o Ministério e o COB. O Ministério parece ter ouvido, ao menos nesse aspecto, o clamos da sociedade. O COB continua fazendo ouvidos moucos. A tensão mais interessante de se notar entre o Ministério e o COB será na hora de prestar contas à CPI e ao Ministério Público Federal, de quem é a culpa pelo super faturamento de 1000% (hum mil por cento) nas contas do Pan-Americano Rio 2.007. Desde já, o COB insinua que a culpa é do Ministério e quer tirar o corpo fora. na hora de gastar, é com eles. na hora de prestar contas, é com o Ministério. na hora que a coisa fervilhar, eles vão bater de frente.

Talvez Vocês não saibam. Mas o presidente do COB não é membro efetivo do Comitê Olímpico Internacional (“CIO”). O representante nato, efetivo, do Comitê Olímpico Internacional no Brasil é o João Havelange. O presidente do COB ocupa uma das vagas destinadas a presidentes de Comitês Olímpicos Nacionais. Tem mandato, inclusive. Assim, se ele sair do COB, ele tem que deixar o CIO. Isso pode explicar a razão pela qual ele também é contra a limitação de seus próprios mantados.

Se o próprio CIO mudou seus estatutos para limitar os seus mandatos, fazendo qe o Presidente não fique por mais de doze anos, por que o COB, que vive babando ovo, não imita aquilo que é bom?

Agora cabe lutar para que o Projeto de Lei que veda reeleições, mostrado na audiência pública do dia 02 pelo Senador Cristovam Buarque, seja logo aprovado.

Mas que, enquanto isso, os caras irão lá, de gabinete em gabinete, cercado de lobbistas, pedir pelo arquivamento do Projeto, ah, isso eles certamente vão fazer. E sabem que é engraçado ver essa gente entrando, esbaforida, nos gabinetes dos parlamentares, acompanhados desses lobistas profissionais, em busca de seus “legítimos” interesses pessoais.

E será que para contratar lobista se faz licitação pública?

O prazer foi meu, Dr. Alberto

O esporte olímpico brasileiro terá a sessão de ontem como referência.
Seu depoimento foi a gota d´água para me convencer q está na hora de executar o projeto de um livro contando sobre os meus 22 anos de cobertura olímpica. E, com certeza, abrirei com uma memória sobre o espisódio do Senado.
De uma só tacada o senhor espantou dois poderosos da mesa: o ministro e o presidente Nuzman.
 
 Grande abraço e sucesso em seu trabalho.
 Cruz