Atleta de Natação do Esporte Clube Pinheiros, Eduardo Fischer, Envia Apoio a Este Blog.
Dezembro 3, 2008
Caro Sr. Alberto:
Venho acompanhando seu blog desde a publicação de seus textos no site http://www.bestswimming.com.br.
Sou atleta de natação com 2 participações olímpicas e sempre tive questionamentos e dúvidas quanto a administração do COB e da CBDA.
Não sou bem quisto por esses orgãos justamente por questionar e “bater de frente” com os “chefões” dos mesmos.
Mas queria apenas dizer que, mesmo não conhecendo o senhor pessoalmente, lhe considero meu ÍDOLO!
Muito obrigado por defender o que é certo!
Um grande abraço!
Eduardo Fischer.
Desde Folha de São Paulo Analisa Fuga do Presidente do COB, por Eduardo Ohata, 2008/12/03 at 5:12 PM
Dissidência olímpica
Luiz Roberto Magalhães
Da equipe do Correio
| Gustavo Moreno/Esp.CB/D.A Press |
![]() |
| Carlos Arthur Nuzman (C), ao lado de Bernardinho (E) e Cristovam Buarque, durante audiência pública no Senado |
Ninguém entendeu bem quando o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, alegando ter outros compromissos, deixou a audiência pública da qual participou ontem no Senado, logo depois de defender seus interesses e quando as discussões estavam apenas no início. Pela terceira vez em duas semanas, o dirigente esteve no Congresso para explicar assuntos referentes ao desempenho brasileiro nos Jogos de Pequim e a aplicação das centenas de milhões de reais que o COB tem recebido desde 2001, com a Lei Agnelo-Piva. Nas duas audiências na Câmara, na semana passada, Nuzman permaneceu até o fim. Ontem, recebeu críticas por ter ido embora sem ouvir o que os outros convidados tinham a dizer.A retirada inesperada de Nuzman na audiência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal foi ainda mais sentida depois que o advogado Alberto Murray Neto tomou a palavra. Membro da Assembléia-Geral do COB e da Corte Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne, na Suíça, Murray — neto de Silvio de Magalhães Padilha, que presidiu a entidade por 27 anos e foi vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional — disparou uma verdadeira saraivada de críticas à entidade. E, em um dos momentos mais polêmicos, avaliou como desperdício de dinheiro público a candidatura do Brasil às Olimpíadas de 2016.
“O Rio de Janeiro não tem nenhuma chance de vencer esse pleito. Por que os R$ 80 milhões (a verba com a candidatura na verdade ultrapassará os R$ 100 milhões) não são gastos para investir no esporte? Só vamos fazer uma olimpíada no Brasil quando o país tiver uma mentalidade olímpica. Isso ainda não temos”, cravou o advogado. Ele declarou que, por conta do volume de dinheiro público que recebe, o COB perdeu sua autonomia. E hoje deve, mais do que nunca, prestar contas de tudo o que gasta. “O COB tem que parar de se classificar como uma entidade autônoma”, afirmou Murray. “Ele vive de recursos públicos.”
Outro ponto contestado pelo polêmico Murray, defensor da CPI do Esporte, que aos poucos ganha força na Câmara e no Senado, aconteceu quando ele criticou a reeleição de Nuzman para mais um mandato à frente do COB. O dirigente, que assumiu a entidade em 1995, garantiu-se no cargo em uma discreta eleição em outubro, com apenas uma chapa. Reeleito, ele estará no poder até 2012. Segundo o advogado, diversas confederações disseram que só apoiaram Nuzman porque temiam sofrer retaliações nos repasses de verbas. Entre as confederações que abertamente teriam declarado a ele a insatisfação estão as de boxe, futebol e badmington.
Outra ausência sentida foi a do ministro do Esporte, Orlando Silva, que mais uma vez preferiu não participar de uma audiência pública para debater o esporte nacional. Ele foi representado pelo secretário de Esporte de Alto Rendimento do ministério, Djan Madruga. Completaram a mesa o técnico da Seleção Brasileira de Vôlei, Bernardinho; a ex-jogadora de vôlei Ana Moser, presidente do Instituto Esporte e Educação; e o secretário de esporte de São Paulo, Claury Santos Alves da Silva, além do senador Cristovam Buarque, que presidiu a audiência.
Para Bernardinho — que preferiu não se envolver na polêmica nem mesmo quando Murray disse que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) não precisava mais de tantos repasses porque a modalidade já havia alcançando um nível de excelência altíssimo —, o problema, não só do esporte, mas do país, passa pela capacitação dos profissionais. “Temos que trabalhar na formação das pessoas. E para isso não há atalhos”, ensinou Bernardinho. O treinador falou por 15 minutos e foi aplaudido ao final do discurso.
Sem Nuzman para rebater as críticas, coube ao ex-jogador de vôlei Marcos Vinícius, superintendente executivo de esportes do COB, esclarecer os pontos levantados por Murray. Ele defendeu a candidatura do Rio 2016, disse que a cidade fluminense tem sim condições de bater as concorrentes Tóquio, Chicago e Madri, mas preferiu não responder as declarações do advogado. “Quem critica tendo feito pouco pelo esporte brasileiro é irrelevante para mim e para o COB”, encerrou Marcos Vinícius. A assessoria de imprensa do COB disse que a entidade não irá se pronunciar sobre as declarações de Alberto Murray.
Confira videoentrevista com Alberto Murray Neto, membro da Assembléia Geral do COB
| CPI ganha força |
Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), na próxima semana o requerimento já terá as 171 assinaturas necessárias na Câmara e as outras 27 que serão exigidas no Senado para a abertura da CPI. “Nós já tínhamos 100 assinaturas, mas teremos que recolher de novo porque agora a CPI será mista”, disse Teixeira.
De acordo com o parlamentar, o que tem chamado mais atenção são os esforços do COB para evitar que os deputados e senadores aprovem a CPI. “Acho que na semana que vem a gente liqüida esse assunto, embora haja um lobby do COB para evitar a CPI”, revelou Miro Teixeira, que disse estranhar essa manobra.
“É no mínimo estranho que o COB esteja agindo assim, porque isso não é uma CPI contra a entidade. O nosso objetivo é avaliar a aplicação dos recursos públicos e promover uma discussão para que possamos chegar a uma política nacional para o esporte”, explicou. “Mas a partir de agora, depois dessa ação estranha e suspeita, vamos trabalhar com ânimo redobrado para que possamos instaurar essa CPI”, prometeu o parlamentar.
Quando discursou ontem na audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, como já fizera nas duas audiências públicas que participou na Câmara dos Deputados na semana passada, reforçou a transparência da instituição que preside. E afirmou: “Nenhum órgão no país é mais fiscalizado do que o COB”, referindo-se às auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU). Na semana passada, em entrevista ao Correio, Nuzman disse que não temia a CPI e justificou sua tranqüilidade: “Quem é auditado pelo TCU e pela CGU não tem medo de mais nada nesta vida.” (LRM)
03/12/2008 – 10h11
Nuzman foge de crítico em audiência no Senado
EDUARDO OHATA
da Folha de S.Paulo
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, alegou compromisso para abandonar audiência pública no Senado após breve apresentação em Brasília, na terça-feira. Na reunião foram discutidos os resultados do Brasil na Olimpíada de Pequim e os recursos públicos ao esporte.
A atitude de Nuzman, classificada de “incomum” e de “deselegante”, provocou mal estar entre os senadores. Alberto Murray Neto, integrante do COB e crítico da atual gestão, que também se apresentou, aproveitou para declarar publicamente que “sabia que ele [Nuzman] ia ficar com medo”.
Segundo a reportagem apurou, Nuzman questionou o convite a Murray Neto a membros da Comissão de Educação, Cultura e Esporte. Ao ouvir confirmação de que o colega participaria da reunião, pediu que sua apresentação fosse a inicial.
O assessor de Nuzman que se encontrava em Brasília não respondeu ligação da reportagem até as 20h de ontem para comentar esse tema.
Ao ser informados por Nuzman que ele teria de se ausentar devido a “compromisso” e que o COB responderia depois as questões dos senadores, vários protestaram. A audiência estava marcada há semanas.
Foi o caso de João Pedro (PT-AM), que formulara questão a Nuzman, e os autores do requerimento da audiência, Marisa Serrano (PSDB-MS) e Sérgio Zambiasi (PDT-RS). Afinal, argumentaram, não é normal a figura principal de um audiência deixar a reunião. E a idéia seria aproveitar sua presença para dirimir suas dúvidas “in loco”.
“E agora, quem é que vai responder as nossas dúvidas pelo comitê?”, questionou Pedro.
Murray Neto aproveitou para também alegar compromisso e antecipar sua apresentação. Foi uma estratégia para preservar o impacto –falou em terceiro, após Djan Madruga, secretário nacional de alto rendimento do ministério do Esporte, que representou a pasta.
O superintendente executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius Freire, que havia saído com Nuzman e voltara para acompanhar a reunião, detectado por senadores e pelo secretário da comissão, foi então chamado para compor a mesa.
Representou o comitê na segunda metade da audiência, quando os senadores fizeram perguntas. O seu contraponto foi Murray Neto, que, mantendo a tônica de sua apresentação, seguiu atacando o COB.
À argumentação do superintendente, de que o legado do Pan-07 foi a capacitação de pessoal para organizar grandes competições, contrapôs o fato de que o COB contrata muitas consultorias de fora do Brasil.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u474405.shtml
03/12/2008 – 10h30
Deputada se surpreende com dinheiro público no COB
EDUARDO OHATA
da Folha de S.Paulo
Em uma amostra da pouca familiaridade do Congresso com o tema esporte, a co-autora do requerimento da audiência pública com o COB, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), reconheceu que ficou sabendo somente na terça-feira que o comitê é o destino de muito dinheiro público.
“Me falaram que o COB recebe dinheiro público. Para mim é novidade, achei que se mantinha com recursos próprios. Se é assim, acho que preciso me debruçar melhor sobre o COB”, disse Marisa.
Em dado momento, cheia de dedos, alertou a audiência para a estranheza de uma sugestão sua. “Não sei se é uma ‘idéia doida’, mas para que tanta preocupação em receber Pan e Olimpíada se não fica nada para o povo? É melhor que esse dinheiro seja investido em algo que a população use”, disse Marisa.
Ela ouvira pouco antes da ex-jogadora Ana Moser que o esporte de alto rendimento “é para poucos”. “O que ela falou é real. Mas é preciso que exista um trabalho na base. Não é necessário sermos um país de atletas, porém de desportistas”, definiu a senadora, que presidiu a polêmica CPI dos Cartões.
Na semana passada, Nuzman passou praticamente incólume durante audiência pública na Câmara dos Deputados. Não houve um contraponto como Alberto Murray Neto na oportunidade.
Ontem, pessoas presentes à apresentação de Carlos Arthur Nuzman atacaram a superficialidade de sua apresentação. Alegaram que mostrou praticamente só o organograma da entidade e pouco mais do que isso.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u474409.shtml
Date: Wed, 3 Dec 2008 08:20:34 -0200
From: jcruzz@uol.com.br
To: cevleis@listas.cev.org.br
Subject: [cevleis] Nuzman foge do debate
O presidente do COB, Carlos Nuzman, tremeu ontem diante da presença do advogado Alberto Murray, na Comissão de Educação, Cultura e Desporto do Senado Federal.
Nuzman solicitou ao presidente, Cristovan Buarque, para ser o primeiro a falar e, visivelmente nervoso, discorreu durante 50 minutos sobre o desemppenho do Brasil, em Pequim. Depois, alegando compromissos, levantou-se e foi embora.
O Ministro do Esporte, Orlando Silva, ao saber da presença de Murray Neto, também fugiu do debate. Ele foi substituído pelo secretário de Esporte, Djan Madruga. Já o ministro da Educação nem sequer mandou representante. Como se vê, as autoriades da República não aceitam mais o convite para o diálogo democrático com o Legislativo.
Funcionários de carreira do Senado disseram que nunca viram uma situação tão escandalosa como a que Nuzmam protagonizou ontem, nem mesmo nas barulhentas CPIs do Futebol e da Nike, quando Ricardo Teixeira enfrentou os parlamentares.
Do Coreio Braziliense de hoje:
“A retirada inesperada de Nuzman na audiência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal foi ainda mais sentida depois que o advogado Alberto Murray Neto tomou a palavra. Membro da Assembléia-Geral do COB e da Corte Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne, na Suíça, Murray — neto de Silvio de Magalhães Padilha, que presidiu a entidade por 27 anos e foi vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional — disparou uma verdadeira saraivada de críticas à entidade. E, em um dos momentos mais polêmicos, avaliou como desperdício de dinheiro público a candidatura do Brasil às Olimpíadas de 2016. “
Santa Catarina espera a sua atitude:
http://ligcev.com/dcsc
A Opinião de Nilson Duarte Monteiro
Dezembro 3, 2008
Não é só Bernardinho que é o cãozinho de estimação do Nuzman, tirando o Alberto e a Ana Moser, o resto da mesa estava totalmente adestrada pelo Nuzman e o Ministro Orlando Silva.
O bernardinho deu uma palestra motivacional enaltecendo o COB e Ministério dos Esportes. O Alberto não está sózinho nessa luta.
Nilson Duarte Monteiro
O Texto de Paulo de Magalhães Padilha Murray
Dezembro 3, 2008
Gostei muito de sua participação.Acho apenas que tem que se preparar, pois você virou o alvo da ira dessa turma. Nós sabemos bem que o Nuzman não mede consequencias de seus atos contra seus adversários.
O Bernardinho mostrou ser um belo cãozinho orientado pelos chefes. Nitidamente, tentou lhe desqualificar. Um dos maiores absurdos é aquela historia de que dirigente sulamericano precisa ficar muito tempo no poder pra ser respeitado la fora. esse é o argumento que faltava pro Chavez conseguir aprovar a nova constituição dele. lamentável.
Por Nison Duarte, Presente à Audiência Pública no Senado Federal
Dezembro 3, 2008
Por volta das seis e quinze da tarde, ontem, recebo um telefonema em meu celular.
- “Dr. Alberto, aqui é Fulana de Tal, Secretária do Ministro Orlando Silva. O Ministro quer saber se o sr. vai à audiência pública de amanhã (hoje) no Senado”.
Supreso com a necessidade de o Ministro querer saber se eu estaría, ou não, presente à Sessão, eu respondi:
- “Sim, inclusive já estou no aeroporto prestes a embarcar”.
-”Obrigado doutor. Vou avisar ao Ministro. Tenha uma boa viagem”
Meia hora depois, a Comissão de Educação, Turismo e Esporte do Senado Federal recebe um fac-símile do Ministro requerendo a sua substituição na mesa. Em seu lugar apareceu o ex-nadador olímpico Djan Madruga, Secretário Nacional do Esporte de Alto Rendimento.
Audiência Pública de hoje. Sala da Comissão. O mandatário do Comitê Olímpico Brasileiro pede a palavra e diz ao Ilustre Senador Cristovam Buarque que ” eu tenho outro comprimisso. Assim tenho que sair logo após minha exposição.”
Constrangido, o Senador disse “não há nada que me faça segurá-lo aqui. Pode ir, embora eu lamente”.
Que “outro compromisso” teve o Presidente do COB, mais importante do que prestar contas à sociedade brasileira em uma Audiência Pública no Senado da República, marcada com a devida antecedência, em cadeia nacional de televisão?
Eu já havia sido alertado que, provavelmente, tanto o Ministro Orlando Silva, assim como o Mandatário do COB não iriam enfrentar-me. Disseram: “A ti eles não enrolam. Tu conheces a matéria.”
É muita pretensão de minha parte acreditar que ambas autoridades escapuliram, cada qual a seu jeito, por não quer enfrentar-me. O que fica evidente, porém, é que nenhum deles tem o dom do debate público. Não é a primeira vez que fazem isso, quando sabem que irão deparar-se com algum tipo de contraponto. Querem platéias laudatórias. Se é assim, é melhor fazer discursos em casa. Ou em frente ao espelho. Aí, aplaudem-se a si próprios o tempo que desejarem.
A saída do Presidente do COB logo após sua fala, de mais de uma hora, criou, sim, um constrangimento geral na sala. Na minha opinião, uma descortesia com os Senadores, que estavam lá para nos ouvir. E com todos os interessados que lotavam a sala de audiências.
O primeiro, indignado, a manifestar-se, foi o Senador João Pedro, do PT do Amazonas, logo após a fala do homem do COB.
- “Mas o sr. vai sair? E quem vai representar o COB na hora das arguições dos Senadores”. Quase que levanto a mão e apresento-me para a função, como uma brincadeira. Afinal, mesmo na oposição, sou Membro do COB. Se a cadeira iria ficar vazia, eu responderia às questões, do meu jeito, com minhas idéias e da forma como acho correto. Achei que seria ironia demais para um homem que estava visivelmente acuado, que tremia muito, nitidamente com dificuldades de segurar um copo d’água, fazendo transparecer o seu nervosismo. Uma pessoa que sentia que a sala repleta de jornalistas, desportistas, assessores parlamentares, técnicos, professores de educação física, gente do povo, não lhe era simpática.
Ao final, a saída do presidente do COB foi criticada pelo Senador Sérgio Zambiasi, do PTB/RS e pela Senadora Marisa Serrano, do PSDB/MS.
O que eu pedi ao Assessor de Imprensa do COB, em alto e bom tom, é que quando publicarem a notícia da audiência de hoje, faça-a constar da forma como realmente aconteceu, com os protestos dos Senadores. Senão fica como aquela outra matéria, da audiência havida na Câmara, na semana passada, em que 100% da imprensa do País contrariou a reportagem inserida no wesbite do COB, dando a impressão de que tudo tinha corrido às mil maravilhas. O conselho foi para o bem do próprio COB, senão vira aquela coisa de matéria “chapa branca”, que ninguém mais acredita.
A fala do presidente do COB não trouxe nada de novo. Fez uma demontsração em power point, daquelas que estamos cansados de ver, com uma série de números, chatíssima, com comparações absurdas, mostrando que o COB é o máximo, um grande organizador de eventos e, segundo o próprio mandatário, de acordo com o Comitê Internacional Olímpico, “considerado um dos mais atuantes do mundo.” Sei lá quem disse isso a ele. Mas se ele falou, deve estar correto, claro!
Acho que o presidente do COB não me viu. Talvez nem soubesse que eu fora convidado para integrar a mesa. Não me cumprimentou. Se ele não me viu, ok, eu o perdoo. Se ele, deliberadamente não me cumprimentou porque não gosta do que eu falo, ou escrevo, eu lamento. A democracia não comporta esse tipo de atitude. Ao contrário, quero ressaltar que o novo Diretor Executivo Esportivo do COB, Marcus Vinícius Freire (que acabou assumindo o posto do Chefe na mesa de debates), tratou-me com absoluta cordialidade, apesar de nossas idéias contrárias. E eu, claro, fiz o mesmo. Mostrou espírito democrático. Ficou até o final. Ouviu e respondeu às críticas dos Senadores. E as minhas também. Sempre em um tom de cordialidade. Eu mesmo disse a ele que, muito embora nossas posições sobre a administração e prioridades do COB fossem discordantes, enaltecia a maneira como ele se fez presente e respondeu às perguntas. Não é porque as pessoas discordam, que devem virar a cara uma para a outra. O Brasil democrático não comporta mais atitudes como essa. Por isso, assim como os Srs. Senadores, também lamento a atitude do presidente do COB, seja por ter saído logo após a sua fala e por não ter me cumprimentado civilizadamente, como fazem os grandes estadistas quando se deparam com seus opositores. Acho que atitudes como essas mostram quem tem e quem não tem estatura para determinados cargos.
Alguns pontos na fala do presidente do COB foram por mim anotados e gravados (pessoas que estavam na platéia gravaram a Sessão). Assim, vejamos:
1º - O presidente do COB iniciou dizendo que a entidade é uma pessoa jurídica de direito privado e que, assim, teria guarida na Constituição Federal (artigo 217) e na legislação ordinária para auto-regulamentar-se.
Equívoco. Na medida em que uma entitade é sustentada absolutamene com dinheiro do povo, ela perde o direito de auto-regulamentação que a lei lhe daria se seus recursos fossem eminentemente privados. Se somos nós, do povo, que sustentamos o COB, ele passa a estar sujeito a todas as normas aplicadas às entidades de direito público. Não pode fazer o que bem entende. Por isso, além de outras coisas, é ilegal o artigo 26 do COB que diz que “Art. 26 Somente brasileiros natos, que sejam membros do COB, pelo menos há cinco anos consecutivos, poderão ser eleitos para os cargos de Presidente e de Vice-Presidente.” Ou seja, ao cidadão, ou cidadã brasileiro que sustenta o COB com seu rico dinheiro, lhe é vedado ser candidato a esses cargos. Gostaría de saber quem foi o luminar jurídico que fez isso. Está mais para coisa do Estado Novo, ou para reforma plebiscitária do Coronel Hugo Chavez, do que para estatuto de Comitê Olímpico.
2º) Disse o chefão do COB que “o Comitê não forma atletas. Que por isso o dinheiro é repassado às Confederações“. Estou plenamente de acordo. O Comitê não forma atleta. E por isso, quase todo o dinheiro da Lei Piva deveria ser repassado às Confederações. Ocorre que o COB fica com grande parte dessa quantia para os seus gastos próprios. Pergunto: Para que o COB precisa de tanto dinheiro no seu caixa, enquanto algumas Confederações pequenas vivem à míngua, sem falar nos seus respectivos atletas? Em 2.007, por exemplo, do total recebido da Lei Piva, o COB repassou às Confederações menos da metade. Não sou eu quem afirma isso aleatóriamente. Minha fonte é o próprio COB e o Ministério do Esporte, com um quadro que tirei do website do próprio Ministério, que informa ter sido aquela informação prestada pelo Comitê.
3º) O presidente do COB também falou que “não é correto que quase R$ 23 milhões tenham sido gastos em manutençao da entidade, como andaram dizendo. Que isso inclui a organização de eventos”. Eu visto a carapuça. Se o presidente do COB não deu o nome aos bois, eu mesmo o faço. Esse “andaram dizendo” foi referência a mim. Eu andei mesmo dizendo e escrevendo que no ano de 2.007 o COB gastou R$ 22.955.717,40 com manutenção da entidade. E mais R$ 14.261.480,53 com organização de eventos. A minha fonte é a mesma, o próprio COB e o Ministério do Esporte. Por isso, equivoca-se, novamente, o presidente do COB quando diz que o item do balanço “manutenção da entidade” inclui a “organização de eventos”. Não inclui não. Se eles estiver certo, que então peça lá pra mudar as informações que o próprio Ministério do Esporte tem. Os dois ítens somados dão mais de R$ 36 milhões.
Aliás, essa questão me faz lembrar do texto publicado por Gabriela L. Moncau, disponível na internet, cujo título é “O Patriotismo às Avesssas dos Jogos Panamericanos”. Escreve a Jornalista o seguinte, logo no primeiro parágrafo: “O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, desde que assumiu a direção em vez de incentivar a inclusão social através do esporte, se preocupou em transformar aquela entidade numa mera empresa organizadora de eventos esportivos, com o intuito de dar lucro e projetar a sua figura nacional e internacionalmente.” Eu acho que o COB tem mesmo que parar com essas coisas de organizar eventos e preocupar-se em apoiar mais os atletas, as Confederações mais pobres e ter, sim, um trabalho de inclusão social. Se não cabe ao COB formar atletas, não nao cabe a ele, também, ser organizador de eventos.
4º) Isso que eu vou relatar agora está gravadíssimo. Não é brincadeira não! O presidente do COB em sua manifestação aos Senadores disse “que o grande avanço do esporte, do Comitê, foi o crescimento do número de funcionários”. Ora bolas, se a questão for essa, rebati eu, que então se contratem mais quinhentos, mil, dois mil funcionários que o esporte, o Comitê, vai resolver todos os seus problemas e todos nós vamos para casa com a missão cumprida. Pois bem, deixando a brincadeira de lado, eu faria justamente o contrário. Eu enxugaria a máquina do COB, para sobrar mais dinheiro para a formação de atletas. Certamente eu não gastaria R$ 36 milhões, nem metade disso, com manutenção da entidade e organização de eventos (eventos incluem-se não somente os desportivos, mas os jantares, almoços, presentinhos e salamaleques, aqui e no exterior). Eu aprendi que o COB se dirige com austeridade, sem afetação.
5º) O presidente do COB disse que foi tudo bem com as eleições, feitas dentro da lei e aquilo tudo mais que já ouvimos , ou lemos antes em nota oficial da entidade. Então tá. Ficaram todos satisfeitos. A manifestação contrária da CBF, do Badminton, do Tênis-de -Mesa, do Boxe e dos Esportes no Gelo (sem falar nas demais Confederações que me escreveram pedindo sigilo) não têm valor algum? Que se passe por cima delas feito um trator. Prestem atenção que logo após as “eleições”, marcou-se a Assembléia Geral para a definição do repasse de verbas às Confederações. Teve Confederação que me escreveu concordando com minha manifestação pública contrária às “eleições”, mas que pediam sigilo (vou manter o sigilo) com medo de retaliações. Que democracia é essa?.
6º) Sobre licitações públicas, o presidente emendou que o COB “é a entidade mais fiscalizada do Brasil”. Não vamos misturar alhos com bugalhos. O COB não faz licitações como manda a Lei Piva e seu Decreto regulamentador e pronto. A Folha de São Paulo anunciou que “Sem Licitação, Rio -2.016 dá R$ 46 mi a Consultores”. É disso que eu quero saber. O Marcus Vinícius, a certa altura, disse que dentre os legados do Pan-Americano estava “a criação de mão-de-obra especializada na execução de grandes eventos, coisa que não existia no Brasil”. Se um dos maiores jogadores de volleyball do Brasil levantou a bola para mim, eu não poderia ter deixado de cortá-la. Sublime honra. Pelo que, imediatamente, questionei que se aquele legado do Pan de fato existira, então por que contratar empresas de consultoria, para a mesma finlidade, no exterior, sem licitação, tipo a tal da EKS e outras, sob a alegação de que no Brasil nao existe mõ-de-obra especializada para tal? Uma moça que não conheço, sentada na audiência, olhou para mim e desferiu um sorriso irônico, de aprovação. Não havia mais nada a dizer. Idiota, eu não sou.
Depois disso e de dizer outras coisas sem muita importância, o presidente do COB mal respondeu a uma pergunta do Senador João Pedro e rompeu porta a fora, com destino ao seu outro compromisso mais importante. Disse aos Senadores que se quisessem ele mandaria as respostas por escrito. Na minha opinião, ele agora vai escrever para cada Senador, um cartinha qualquer, com algum conteúdo bonitinho, para justificar sua saída abrupta, constrangedora. Eu tabém escreverei aos Senadores, como tenho feito, para que a luta não esmoreça. Peço que aqueles que puderem também o escrevam.
Outro ponto interessante foi o debate sobre o relatório e o voto do TCU que rejeita as contas do COB. O Assessor de imprensa do COB afirmou em nota publicada hoje no Jornal Folha de São Paulo que o TCU não aponta indícios de irregularidades nas contas do Pan-Americano com relação ao COB. Eu mencionei que o relatório e o voto que ele tinha, então, não era o mesmo que eu tenho, que a imprensa tem, que está na internet e que foi parar nas mãos do Ministério Público Federal. Mais adiante, o Assessor insistiu no tema ao pedir que o Marcus Vinícius Freire frisasse que, com relação ao COB, o relatório do TCU não trazia de errado. De novo, levantaram a bola para eu cortar. Eu lí o relatório e o voto. São enormes. Eu disse: “Então Djan, estão querendo tirar o corpo fora e empurrar a bomba para o Ministério, porque pelo que está escrito aqui, alguém vai ter que prestar explicações.” De fato o relatório aponta indícios de muitas irregularidades. E de fato há, entre o COB e o Ministério, uma tensão quando se fala nesse assunto. Um quer empurrar a coisa para o outro. E em Pequin, eu ví e ouvi, houve uma certa tensão entre o presidente do Comitê e o medalhista olímpico Djan Madruga. Houve até quem dissesse, hoje, que o Ministro do esporte não foi porque não quer se encontrar em público com o presidente do COB.
Ao fim de tudo, minhas propostas concretas foram as seguintes:
1 – Criação da CPMI para apurar as questões envolvendo o esporte olímpico. Gostei de ouvir do Marcus Vinícius que “nós não tememos CPI”. E não se deve temer mesmo. Então, em vez de irem, de Gabinete em Gabinete, implorar pela não assinatura do pedido de CPMI, deveriam fazer ao contrário. Ir lá para pedir a investigação, sim, por não haver irregularidade alguma. Tomara que essa CPMI saia. O Senador Romeu Tuma, presente à audiência, afirmou ter assinado o pedido de CPMI e trabalhar por sua implantação.
2 – As reformas educacionais devem deixar de tratar o esporte como matéria secundária, inseridas em um horário extra-aula. É necessária uma reforma educacional que contemple a prática do esporte em todos os níveis escolares, no horário normal de aulas, desde o ensino fundamental, até o superior;
3 – Construção de praças desportivas nos locais mais pobres do Brasil, dando à população condições e acesso à prática esportiva, com professores estimulados e bem remunerados;
4 – Hoje, somente 12% (doze por cento) das escolas públicas têm quadra de esporte. E mesmo assim em condições precaríssimas. Há de se ampliar esse número, vergonhos para um País que quer ter uma Cidade sede de Jogos Olímpicos;
5 – Inserir o estudo do Olimpismo como matéria obrigatória nas aulas de história;
6 – Utilizar as praças desportivas das Forças Armadas, de boa qualidade, colocando-as não somente à disposição da tropa, mas, também, da população em geral;
7 – Antes de sustentar mais uma candidatura olímpica, fadada a novo fracasso, deve criar-se no País uma mentalidade Olímpica. Em vez de despejar milhões e milhões de Reais de dinheiro público em lobby olímpico, utilizar esse dinheiro para a melhoria das condições da prática esportiva nos locais mais pobres do Brasil, aonde o esporte de base, rigorosamente, inexiste;
8 – Exigir do Comitê Olímpico Brasileiro uma prestação absoluta de contas e fazê-lo respeitar os ditâmes da Lei Nº 8.666, da Lei Piva e do Decreto 5.139, de 2.004 no que se referem às licitações públicas. Devem explicar as matérias dos jornais sobre a contratação de consultores estrangeiros sem licitações públicas;
9 – A destinação do dinheiro público que o Comitê Olímpico Brasileiro recebe não deve ser definida por poucas pessoas. Deve haver um Comitê Gestor, formado por representantes de toda a sociedade, pela comunidade esportiva, pelo Congresso Ncional, pela imprensa especializada, por empresários, por atletas, para determinar a melhor aplicação desse dinheiro;
10 – Limitação de mandatos para os órgãos desportivos no Brasil, Federações, Confederações e Comitê Olímpico Brasileiro, cuja regras valham já para os atuais mandatários. Hoje, o Senador Cristóvam Buarque deu-nos a boa notícia de que o projeto de lei sobre essa questão está pronto e começará a tramitar no Congresso; e
11 – Criação de uma Agência Nacional do Esporte, cujos diretores devam ser técnicos na questao, com mandatos fixos, para formular políticas desportivas para o País que sejam de longo alcance e cujo cumprimento independa de humores de sucessivos Governos.
Para mim pouco importa saber se o número de medalhas obtidos em Pequim satisfazem, ou não satisfazem. A questão pode ser vista e analisada sob vários ângulos. Todos eles com sua dose de razão. Importa, sim, saber se o Brasil tem uma política educacional para o esporte.
Daí, com tempo, da quantidade tiraremos a qualidade.
Alonguei-me hoje. Mas é porque o dia foi cheio.
Que essa Audiência Pública de hoje gere bons frutos para o esporte brasileiro.
É isso.
