Se Eu Fosse Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro.
Novembro 10, 2008
- teria vergonha de ver meu nome estampado na primeira página do maior jornal da minha Cidade, acusando-me de ter feito uma reeleicao sorrateira;
- ficaria enrubescido no corpo inteiro ao ver o outro grande jornal da minha Cidade, acusando-me da mesma coisa que o outro;
- teria dores de estômago ao perceber que a mídia de todo País condenava os meus métodos de reeleicao;
- sentirme-ia- pior ainda ao verificar que ate a mídia não especializada desviara atenção para a minha reeleicao, acusando-a de ilegitima;
- pediria para sair se constatasse que o que eu fiz não agradou a ninguem, principalmente aos Atletas, que deveriam ser a voz mais importante a ser ouvida;
- enfiaria a cabeça no primeiro buraco da praia de Ipanema, feito um siri, ao prometer mundos e fundos em algum dossie de candidatura em realização de obras de infra-estrutura para o povo da minha Cidade e não ter cumprido uma meta sequer. Não teria coragem de jogar a culpa disso em cima dos Poderes Públicos;
- teria catapora ao mostrar aos membros da Organização Desportiva Pan-Americana (“ODEPA”) que não fiz construir uma única dessas obras e que os “elefantes brancos” que edifiquei não ficaram, ao menos, à disposição do povo para, livremente, praticar esportes;
- ficaria sem voz ao constatar que, apesar dos bilhoes de Reais de dinheiro público empenhados nos Jogos Pan-Americanos, a opinião especializada concluísse que o legado para a minha Cidade fora zero;
- não saberia aonde enfiar a cara se o Tribunal de Contas do meu próprio País desse um retumbante NÃO à minha prestação de contas sobre alguma competiçao internacional realizada sob os meus auspicios;
- não faria de nenhuma Cidade do meu Pais candidata à sede de Jogos Olimpicos enquanto não fossemos uma potência economica com distribuição justa de renda, em saúde, educação, transporte, moradia, segurança, meio ambiente, cultura e tantos outros itens;
- pediria ao Governo que, em vez de empenhar milhões e milhões de Reais em uma candidatura fadada ao fracasso, aplicasse esse dinheiro na base do esporte, nas escolas públicas de ensino elementar. Eu colocaria minha experiência à serviço do Governo para auxiliar nessa tarefa. Chamaria de demagogo o Prefeito, Governador, ou Presidente que quisesse trazer uma Olimpíada para o Brasil;
- eu respeitaria a lei e faria licitação para todos os serviços contratados com terceiros;
- eu acabaria com intermediários, desnecessários, como agências de viagens, que ganham comissões às custas das reservas de passagens e hotéis comprados à partir do Comitê;
- eu não deixaria que qualquer membro do Comitê tivesse qualquer relacionamento empresarial com interesses financeiros ligados à área de esportes;
- eu tentaria passar ao povo a mensagem de que ser potência olimpica a qualquer custo é uma idiotice. Eu diria que mais importante do que contar medalhas é desenvolver na juventude o gosto pela prática do esporte para se ter uma nação mais saudável. Que após muitos anos, criando-se no País uma mentalidade Olimpica, da quantidade tiraríamos a qualidade:
- aliás, lutaria para que o Ministério da Educação incluisse em seu programa básico de ensino a obrigatoriedade de aulas de Olimpismo, na disciplina de educação física, ou de história. Isso também obrigaria aos Professores estudar a matéria;
- não “babaria ovo” para Presidente, Ministro, Secretário, patrocinador ou quem quer que fosse. Agiria com educação, mas não me afastaria, nunca, de meus princípios olímpicos, sendo capaz de criticar, publicamente, qualquer autoridade que eu achasse que devesse ser criticada. E de elogiar quem eu achasse que deveria ser elogiado;
- estimularia as críticas dos outros a mim mesmo e as analisaria com humildade para, quem sabe, corrigir rumos;
- responderia a todas as perguntas da imprensa, sem destratar qualquer repórter, mesmo quando julgasse que algumas perguntas fossem provocativas. Esse, também, é o oficio deles;
- faria definições claras para a distribuição do dinheiro da Lei Piva;
- certamente, não faria sozinho esses critérios. Chamaria as Confederações, Federações, Clubes e Atletas a dar sugestões;
- não concordaria com a “meritocracia” em que os esportes mais ricos, por terem outras fontes de renda, estariam sempre em primeiro lugar;
- tentaria achar uma forma justa de dar mais a quem tem menos, as chamadas Confederaçoes menos prestigiadas;
- exigiria das Confederações que, como um dos critérios para o repasse de verba, fosse apresentado ao Comitê a realização de trabalhos sociais, do desenvolvimento do seu esporte em comunidades pobres;
- acabaria com essas seleções permanentes e centros de excelência “de faz de conta”. Ao mesmo tempo em que exigiria disciplina dos Atletas de alto rendimento, o deixaria livres para treinar em seus clubes (célula mater do esporte brasileiro), vivendo em suas Cidades, ao lado de suas familias. As seleções poderiam reunir-se, talvez, uma vez por mes. Por princípio, os Atletas de alto rendimento devem ser responsáveis por sua vida regrada. Temos que confiar no bom senso de cada um deles;
- repassaria a maior parte do dinheiro público às Confederações, às Federações, aos Clubes e aos Atletas, porque quem menos precisa de dinheiro é o proprio Comitê, cuja função não é formar o Atleta. É a de dar condições para isso;
- acabaria com verbas altíssimas de “manutenção da entidade” e daria outra destinação a essas quantias. Certamente iria para o desenvolvimento do esporte;
- daria menos festas;
- exigiria prestação rígida de contas e não admitiria um só deslize. Tratar com dinheiro publico é coisa muito séria;
- eu daria liberdade de Associação à Academia Olímpica Brasileira, deixando com que seus próprios Membros escolhessem a sua diretoria;
- apoiaria os Estudos Olímpicos, pois a base de tudo isso nada mais é do que o Olimpismo como uma filosofia de vida a ser difundida na sociedade;
- não faria média com Confederações, levando à Jogos Olimpicos Atletas com índices fracos, apenas para inchar a delegação e sair por ai dizendo “essa é a maior delegaçao bla, bla, bla…” E daí que é a maior delegação? Jogos Olímpicos coroam a vida de um Atleta e não é lugar para se ganhar experiência;
- reduziria meu próprio mandato para uma eleição de quatro anos, com direito a uma única reeleição;
- lutaria para que o mesmo fosse feito com as Federações e Confederações;
- eu revogaria, de cara, o artigo 26 dos Estatutos do Comitê, que impede que qualquer cidadão brasileiro seja candidato à Presidente e Vice-Presidente da entidade, a qual, hoje, vive do dinheiro do povo;
- faria constar dos contratos de patrocínio assinados com empresas privadas, uma cláusula inversa à de confidencialidade. Uma cláusula que exigisse do Comitê dar publicidade àqueles contratos. Se as partes não têm nada a esconder, esse é o único caminho;
- incentivaria a literatura olímpica e esportiva de uma maneira geral, de forma mais democrática;
- tentaria dar aos nossos talentos excepcionias o tratamento especial que eles merecem. Mas não os confinaria em “campos de concentração”. Eu teria que acreditar no bom senso desses Atletas e em sua auto-disciplina. Se ele quer ser um grande Atleta, deve partir dele, antes de tudo, a responsabilidade pelos seus atos. Atleta-talento sem responsabilidade não é Atleta. Quem tem a perder é somente ele. E perderia mesmo, se fosse um irresponsável e não soubesse aproveitar as boas oportunidades;
- eu daria mais ênfase às competições nacionais estudantis e universitárias. O esporte universitário é uma das coisas mais bonitas que existem nesse meio;
- lutaria pela criação de uma agência nacional de esportes, a ser tocada por técnicos com mandato, livres de influências politicas, para fazer um planejamento a longo prazo para o esporte brasileiro;
- eu acabaria com a Casa Brasil em Jogos Olímpicos, que acaba não servindo para nada. Ou se quisessem fazê-la, que fosse por conta e ordem da iniciativa privada;
- eu não levaria presentinhos para os Membros do Comitê Internacional Olímpico. Isso não dá prestigio a ninguém. Eu tentaria obter o prestígio deles pela seriedade e clareza de minhas posições;
Novembro 10, 2008 at 12:23 pm
Olá Alberto,
Se você fosse, mas não é.
Você esquece que está no Brasil, que aqui o que prevalece é a Lei de Gerson? Coitado do Gerson vai morrer com esse sinônimo.
Você esquece que gente como o Presidente do COB não fica com a cara vermelha de vergonha?
Você esquece que mais mega-eventos o COB trouxer para o Brasil, mais ricos ficarão a turma que rodeia o COB?
Eu penso que você esquece que são essas pessoas.
Novembro 10, 2008 at 3:06 pm
Bom, que fique de idéia. Isso tudo, pode, de alguma forma iluminar quem tem o “poder” para fazer acontecer, não é mesmo? Ouvi o senhor falar sobre isso no programa do Juca Kfouri, sobre os “elefantes brancos”, as construções feitas e não mais utilizadas. Dinheiro, literalmente, jogado no lixo. Meus parabéns,o que o senhor faz, mesmo sem ser o presidente do COB já é de suma importância a todos. Iluminai-vos.
Maria Isabel
Novembro 10, 2008 at 3:14 pm
Eu achei que ele não esquece, e só um jeito de criticar para mostrar mais claramente o que esta acontecendo no núcleo do COB. Às vezes é melhor um desenho que um grande artigo de crítica, às vezes um retrato de uma situação desde uma perspectiva diferente também deixa as coisas mais esclarecidas. Isso e o que este artigo pretende fazer.
Um abraço
Antonio
Novembro 10, 2008 at 5:07 pm
O tamanho do burado do COB deve ser muuuuito maior do que se imagina. De outra forma, não acho que existiria alguém na face da terra que se permitiria receber tamanhas acusações, mais ou menos corretas, sem ao menos esboçar, direta ou indiretamente, uma reação.
Novembro 10, 2008 at 5:10 pm
e tenho dito !!!!!!!!!!!!!!!!!!
sarava !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Novembro 10, 2008 at 5:21 pm
Realmente esta situação é uma vergonha. Fico feliz em conhecer uma pessoa como você, que realmente se preocupa com o esporte. Acho que todos ligados, de alguma forma ao esporte deveriam fazer o mesmo. Quem sabe assim as coisas poderiam mudar.
Novembro 10, 2008 at 7:21 pm
Eu vejo as suas declarações no blog do Juca Kfouri, inclusive as suas justificativas para continuar no COB, das quais discordo frontalmente. Depois desse seu post, não existe mais a mínima possibilidade de vc continuar lá. ou eu estou errado.
Novembro 10, 2008 at 8:57 pm
Obrigado a todos pelos comentários. Talvez a situação mais cômoda fosse sair. Mas acho que a oposição faz mais eco dentro do próprio órgão, porque, posso garantir, lá dentro há várias Confederações desgostosas. Quem sabe um dando o ponta-pé inicial, os demais não passam a ter coragem de expor suas contrariedades também? Abraços.
Novembro 10, 2008 at 9:11 pm
Discordo no que diz respeito a não levar atletas de baixo índice para a Olimpíada. É sim o melhor momento de entrar em contato com o que há de melhor em sua modalidade e tirar seu proveito.
Além disso, há sempre a expectativa da zebra olímpica, como Keitelyn, que levou o primeiro bronze feminino no judô, substituta de uma atleta que já não tinha grandes expectativas de conquista.
Novembro 10, 2008 at 11:11 pm
Olá Alberto,
Tem muitas Confederações desgostosas, mas nenhuma levanta a voz contra, ficam todas com o rabo entre as pernas aturando os desmandos do Sr. Nuzman. Será que os Presidentes de Confederações vivem somente do que ganham nas Confederações?? Ou será que esse descontentamento é só fachada??
Eu fico descontente as vezes no meu trabalho, e mesmo sendo o meu ganha pão, eu manifesto esse descontentamento seja qual for as consequências, pois graças a Deus eu tenho saúde para ir a luta, não fico engolindo sapo, faz mal ao meu coração.
Novembro 11, 2008 at 10:59 pm
Oi Fabiana, obrigado pela mensagem. Ocorre que eu sou aoenas membro da Assembléia Geral que se reune ordinariamente uma vez por ano. Não tenho poder de decisão algum lá dentro. Quem dirige a coisa no dia-a-dia e que depois nos comunica é o Conselho Diretor, uns tr~es, ou quatro. Eu realmente espero que, deflagrado este movimento, as Confederações descontentes, que são muitas, comecem a reclamar também. Não se pode ter medo. Um abraço.