O Mapa da Crise do Basquete Brasileiro
Novembro 10, 2008
por Sandro Luis de Santana, Advogado e Estudante de Jornalismo
O MAPA DA CRISE DO BASQUETE BRASILEIRO
Matéria e texto – Sandro Santana
- Os eleitores
- A “oposição”
- Mudanças na legislação
- O caminho
- Os eleitores
Está marcada para o dia 04 de maio do próximo ano a eleição na CBB – Confederação Brasileira de Basquete ou BASKET como consta no nome oficial da entidade.
Diferenças na nomenclatura parte, o resultado da eleição que se desenha não é muito diferente do que temos visto nos últimos 11 anos.
A reeleição do sr. atual presidente o “Grego” , é dada como certa.
Numa breve explicação, a eleição tem como colégio eleitoral os presidentes das federações estaduais, que em sua maioria são os mesmos que reelegeram o Grego na última eleição realizada em 2005.
Favorecido pelo recém terminado ciclo olímpico que, se não nos brindou com algum resultado digno de destaque, propiciou alguns contratos de patrocínio, liberação de verbas estatais, além do próprio patrocínio de uma estatal a Eletrobrás. O que permite ao atual presidente desenvolver uma política própria para tentar se estabelecer mais uma vez no poder.
Pequenos e grandes favores às federações e as migalhas de investimento, e para quem já tem muito pouco, preocupa muito uma ameaça de um eventual “corte”.
Isso sem falar nas sempre suscitadas trocas de favores que deixemos por enquanto por conta dos órgãos e das páginas policiais, pois não é esse o nosso trabalho.
A CBB atual conta ainda com a passividade de grande parte da mídia, que com raríssimas exceções, como é o caso da ESPN Brasil, não põe a mão nesse vespeiro. Leia-se nesse caso a rede Globo e a Sportv, não por acaso, detentoras dos direitos de transmissões exclusivas dos eventos da CBB.
A questão é que mesmo com o esporte a mingua em termos de exposição na mídia, investimento, de patrocinadores e interesse público, os senhores presidentes de federações estaduais continuam patrocinando essa incompetência é o que atesta o mapa da última eleição em 2005 ( em anexo ) ;
- A oposição
Segundo consta nos bastidores tenebrosos do basquete nacional, tudo leva a crer que o atual presidente da federação paulista de basquete, o sr. Antonio Chakmati, deva se lançar como candidato adversário do Grego na próxima eleição.
Note leitores, na figura acima, que o Antonio Chakmati, também votou favorável ao atual presidente da CBB, sendo que, na época, foi acusado pelo então adversário do Grego, Hélio Barbosa, ex-presidente do Grajaú Country, de mudar de voto na última hora. Embora o próprio Chakmati, também na época tenha desmentido que votaria contra o Grego.
Bem, ou devemos ter uma pulga – ou uma dúzia de pulgas – atrás da orelha, ou muita coisa deve ter mudado nos últimos anos na cabeça do presidente da federação paulista. Esperamos que sim, pois vale lembrar que a eleição de 2005 já representava a continuação de uma administração sem qualquer fruto, seja de resultados internacionais seja de estrutura de campeonatos e eventos no Brasil.
Outra lembrança é que o mundial de basquete foi marcado por algumas gafes de organização, dentre as quais o atraso no cronograma da reforma do Maracanãzinho, cuja culpa que deve ser divida com a (“Des”) organização do Pan do Rio, nas mãos do COB – Comitê Olímpico Brasileiro, que resultou na transferência do mundial para sedes em único estado, uma em São Paulo, capital, no Ibirapuera e outra no moderno mas acanhadíssimo ginásio de Barueri, cidade da grande São Paulo. Com direito a goteiras no ginásio do Ibirapuera e jogadoras escorregando na água dentro da quadra, tudo isso com transmissões ao vivo para o mundo todo.
- Mudanças na legislação
A princípio a legislação embora não regulamentada previa a participação dos atletas na eleição das confederações, porém essa situação jamais se concretizou.
Principalmente devido a total falta de união e organização dos atletas no nosso país, ainda mais no basquete onde a maioria depende do pouco para ganhar o pão de cada dia.
Outra tentativa que tem se desenhado inclusive no Congresso Nacional é a de se reduzir para a possibilidade de uma única reeleição nessas entidades.
A esse respeito devemos ressaltar que corre no Senado Federal , estudos para um projeto de lei com intuito de tornar efetiva essa proibição de várias reeleições.
Projeto de Lei ?
Na primeira audiência pública realizada sobre o resultado das Olimpíadas e as políticas públicas para o esporte, para atender a uma intervenção feita pelo senador Flávio Arns, o presidente da C.E. – Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal , o Senador Cristovam Buarque, solicitou a secretaria desta comissão providências para a elaboração de projeto de lei proibindo mais de uma reeleição para os mandatos dos dirigentes de entidades esportivas. O estudo para subsidiar o projeto ainda não está pronto, o que deve acontecer em duas semanas, aproximadamente.
Esse projeto está relacionado diretamente ao problema do basquete nacional, que é perpetuação no poder do atual presidente, como de qualquer outro no futuro.
O próprio COB realizou eleições no dia 02 de outubro após publicar edital no “Jornal dos Sports” e no “Jornal do Commercio”, ambos no Rio , que não estão entre os maiores, e avisar dirigentes, por fax, entre nove e três dias antes do pleito.
Com a nova reeleição, Nuzman garantiu 17 anos na presidência.
Vale ressaltar que apenas uma pequena parte da mídia deu o devido destaque a essa “manobra” dos dirigentes do COB. Vale citar o jornal Folha de São Paulo, em matéria da sua edição on line, do último dia 15 de outubro:
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u456198.shtml)
E, como sempre, a ESPN BRASIL, que passou praticamente um dia todo correndo atrás de informações a respeito dessa “eleição” no COB.
Assim a entidade maior do esporte já dá o exemplo do que ela entende como democratização do esporte, e não tem moral alguma para intervir numa administração de uma modalidade mesmo sendo ela notadamente incompetente e de resultados tão pífios, como é o caso da atual gestão da CBB.
- O caminho
Dessa forma, caros leitores, não se pode esperar, que parta de alguma entidade maior qualquer atitude.
Primeiramente, o amante do basquete deve se informar sobre a intenção de voto da federação de basquete do seu estado. Ainda há tempo de pressioná-los.
Ao mesmo tempo, procure no site do Senado informações e e-mails para cobrar e apoiar a iniciativa dos senadores acima citados (Flávio Arns e Cristovam Buarque).
Veja e-mails dos senadores no link:
http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp?o=1&u=*&p=*
Também é possível contato para buscar informações a respeito através de Julio Ricardo Borges Linhares que é secretário geral da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, que poderá prestar algum esclarecimento sobre esse projeto de lei.
- Conclusão
Certamente a saída para o basquete nacional não passa simplesmente em tirar do cargo o sr. atual presidente, mesmo que isso já signifique um grande passo.
A mudança efetiva passa por uma mudança na estrutura administrativa independente de quem esteja no poder, no sentido de massificar o esporte com convênios que envolvam o poder público, principalmente no que diz respeito ao acesso desse esporte nas escolas.
O exemplo vem do basquete espanhol, que com um projeto totalmente factível para nós brasileiros, desenvolveu convênios com o governo, lógicamente com patrocínio privado, sendo o maior deles da empresa Carrefour, conseguindo massificar nas escolas a prática do basquete e, da quantidade, extrair a qualidade. Como resultado mais recente desse projeto, teve a descoberta do garoto prodígio Ricky Rúbio.
Acima de tudo, é preciso trazer os grandes ídolos do esporte de volta. Sem distinção ou divisões de gerações, seja ela a de Amauri Passos e Wlamir Marques, seja de Oscar e Marcel, ou de Laís Helena, Maria Helena Cardoso e Norminha até a de Paula e Hortência.
Os ídolos e vitoriosos do nosso esporte estão execrados e renegados ao segundo plano no esporte em que são sinônimos de vitórias. Nenhum país consegue sucesso colocando à margem aqueles que fizeram a história do seu esporte.
Pois desses ídolos tiraremos grandes exemplos não só de vitórias como de vida, capazes de unir o basquete em torno de um projeto único de reconstrução desse esporte.
Por Sandro Luis de Santana, advogado e estudante de jornalismo.