A Coluna de Augusto Nunes

Novembro 6, 2008

Sempre achei Augusto Nunes um jornalista experiente, com boa visão das coisas, sentido crítico e colocações pertinentes. Um belo dia ele escreveu um artigo, em um encarte do Jornal do Brasil, chamado “O Caçador de Podiuns”, no qual não poupava elogios ao Comitê Olímpico Brasileiro. Eu assustei. Muita gente ficou perplexa. Era um artigo que parecia encomendado. Pensei comigo: Será que o Augusto Nunes aderiu? Ou, mesmo com toda a sua experiência, está sendo enganado por aquela turma do COB?

Desde então, confesso, fiquei com uma pulga atrás da orelha com relação a tudo que lia do Augusto Nunes, embora continuasse gostando do seu texto.

Qual não é a minha felicidade ao ler sua Coluna, na Gazeta Mercantil, do dia 05 de novembro de 2.008, intitulada “O Brasil Olímpico Surfa na Marolinha”. Augusto Nunes critica, de maneira inteligente e veemente a “tabelinha” que há entre o COB e o Ministério do Esporte, condenando a gastança desmesurada do dinheiro público nos Jogos Pan-Americanos e na campanha Rio 2.016, ressaltando, que tudo passa batido pela Presidência da República.

É nessa mesma toada que esse Blog, a unanimidade da imprensa e mundo esportivo têm caminhado. Inclusive, hoje, escrevi, mais uma vez, ao Ministério Público Federal, com cópia ao Presidente do TCU e aos Senadores Álvaro Dias e Cristóvão Buarque, juntando cópia da matéria de ontem na Folha de São Paulo do jornalista Rodrigo Matos que, mais uma vez, denuncia e comprova que essa festa olímpica é feita com dinheiro público e sem licitação.

Amanhã, vou encaminhar às mesmas pessoas o Artigo do Augusto Nunes.

Juro que fiquei feliz em ler a Coluna do Augusto Nunes. Não somente pelo conteúdo, mas, sobretudo, porque a imagem que havia ficado dele na minha cabeça era a do tal “Caçador de Pódiuns”. Ter um jornalista do porte de Augusto Nunes na luta pela transparência do Esporte Olímpico, é um ativo que não pode ser desprezado. Muito pelo contrário.

O Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) criou a Academia Olímpica Brasileira (“AOB”) com seus Estautos atrelados às vontades e decisões do próprio COB. Quem escolhe os cargos diretivos da AOB são os mandatários do COB. Parece coisa do Estado Novo, da ditaura de Getúlio Vargas, em que todas as instituições que, aparentemente, estavam à serviço do povo, eram de alguma forma dominadas pelo Estado.

As Academias Olímpicas são órgão da maior importância. De lá saem estudos científicos sobre o Olimpismo que, no frigir dos ovos, é uma filosofia de vida que serve (ou ao menos deveria servir), como base para tudo que vem depois. Caso não haja estudos olímpicos e a divulgação de seus princípios, não existe razão de existir Jogos Olímpicos, nem as entidades desportivas que giram ao seu entorno. O Olimpismo, como filosofia de vida é o esteio de todo o Movimento Olímpico.

Eu também sou Membro da Academia Olímpica Brasileira, por ter estudado na Academia Olímpica Internacional, em Olympia, na Grécia. Há gente de altíssimo nível na AOB. Muitos Acadêmicos, há anos, queixam-se comigo que o trabalho científico deles não é levado à serio pelo COB. Que o COB dá pouca importância à Academia e que o relcionamento é difícil. Há pouco apoio. E que, de um modo geral, aqueles escolhidos pelo COB para dirigir a AOB, não refletem a vontade da maioria de seus membros.

Eu acho que o Comitê Olímpico Brasileiro deve ajudar a Academia Olímpica Brasileira estimulando e dando condições de pesquisa, elaboração e divulgação dos trabalhos científicos produzidos por seus Membros. Deve ajudar ainda mais a AOB dando a ela a independência necessária para que os seus próprios Membros elejam seu Presidente, Vice-Presidente e sua Diretoria.

A Academia Olímpica Brasileira deve ter liberdade democrática em seus estatutos.

Devemos, os Membros, criar um movimento democrático na Academia Olímpica Brasileira, para fazer com que o COB permita uma mudança substancial nos Estatutos, de forma a que possamos escolher livremente os cargos de direção da entidade.