Isabel Kieling
é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas – claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.

http://msn.bolsademulher.com/estilo/materia/para_aonde_foi_o_dinheiro/49657/1

Para aonde foi o dinheiro?
Eleição controversa no COB e disputa acirrada do Brasileirão
Por Isabel Kieling • 07/10/2008

Falamos aqui e muita gente falou sobre os péssimos resultados do Brasil nas Olimpíadas de Pequim. Vimos que algumas Federações recebem muito do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), através da Lei Piva, sem resultado nenhum – e o que é pior: as que deram bons resultados recebem muito pouco. Houve muito questionamento no final dos Jogos, mas até hoje sem resposta do COB, sobre quais seriam os critérios usados para a distribuição dos recursos, calculados em torno de R$ 690 milhões. Dinheiro público, meu, seu, nosso, de todos os brasileiros.

Houve muito questionamento no final dos Jogos, mas até hoje sem resposta do COB, sobre quais seriam os critérios usados para a distribuição dos recursos, calculados em torno de R$ 690 milhões
O Tribunal de Contas da União, em relatório divulgado recentemente, criticou os gastos excessivos com o Pan por parte dos governos e do COB, ocasionados por erros na organização do evento. O ministro-relator Marcos Vinícios Vilaça disse que a infra-estrutura carioca não se beneficiou com o Panamericano. O impressionante é o custo calculado pelo TCU da diária de cada atleta: R$ 1.137/dia. Dizem que nem no Copacabana Palace custaria isto! E o preço de cada refeição? R$ 150. Dá para jantar nos melhores restaurantes da cidade, com vinho indicado por Sonia Melier…

Ninguém responsável explica. Numa entrevista recente, o Ministro dos Esportes disse que todo valor investido pelo Governo Federal já teve as contas prestadas e foi explicado ao TCU. Fez questão de dizer “que a verba federal utilizada no Pan foi maior que a que o governo desejava, porque o nome do país estava em jogo”. Falou também que os convênios feitos para o Pan com Estado e Município terão prestação de contas.

O Comitê Olímpico Brasileiro ainda não deu as devidas explicações. Seu presidente, Carlos Artur Nuzman, com medo da oposição das pequenas federações, correu para antecipar sua eleição, com ações suspeitas: convocação tardia de algumas confederações e federações e publicação do edital em jornais de menor circulação, sem mencionar à imprensa, como faz quando quer divulgar seus projetos. É claro que nesta eleição secreta e de chapa única, Nuzman foi eleito pela quarta vez, para mais quatro anos. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, entrou em confronto com o COB, pedindo a anulação das eleições. Aproveitou a atenção da mídia para dizer que o pessoal do COB “quer o futebol fora do esporte olímpico” e que em Pequim “eles só apareceram nos jogos da seleção para tirar nosso emblema das camisetas dos jogadores”.

No Brasil, as federações, confederações e o COB são entidades independentes e regidas por seus próprios regulamentos. Não podem sofrer intervenções nem fiscalização governamental. Somente seus filiados podem intervir. Essa regulamentação é altamente democrática, não fosse a nossa grande vocação para cartolagem, que acaba distorcendo as qualidades deste sistema. O democrático se torna um processo bem ditatorial: um grupo de aliados, favorecidos pelas maiores verbas, perpetuando uma mesma pessoa no poder.

Campeonato Brasileiro

Após a rodada desta semana, já sabemos quem briga pelo título do Brasileirão: Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo. Os dois primeiros com mais chances matematicamente, mas sabemos que Cruzeiro, Flamengo, e São Paulo ainda podem, sim, almejar a Taça, pois estão a apenas quatro pontos dos líderes. Podemos falar em líder no plural, apesar de a imprensa paulista insistir no primeiro lugar do Palmeiras. Isso porque o Grêmio está com o mesmo número de pontos e só perde por tem uma vitória a menos. O campeonato será decidido no detalhe, assim como as vagas da Libertadores. Esta, sim, com mais clubes com chances – acredito que a disputa vá até o Coritiba, embora até o Inter ainda tenha chances matemáticas. As vagas da Libertadores também devem ficar entre os mesmos cinco primeiros que disputam o título.

O campeonato será decidido no detalhe, assim como as vagas da Libertadores

Na parte de baixo da tabela, a coisa está muito difícil para Vasco e Fluminense. Acredito no rebaixamento do Vasco, pelo que vem fazendo em campo e ainda pela tabela difícil que a equipe tem pela frente. A situação do Fluminense também é difícil, mas como trocou de técnico novamente, pode ser que se anime. A possibilidade do rebaixamento vai até o Santos, com 34 pontos, já que o divisor de águas desse campeonato, o Sport, está com 39 pontos. O Sport está entre os que podem alcançar a Libertadores e os que podem cair para a segunda divisão. Claro, tudo isto matematicamente falando. O Sport está no “limbo” do campeonato, como se diz. Não consegue mais o título, mas já está classificado para a Libertadores (é campeão da Copa do Brasil) e não corre perigo de cair. Só que o Sport é um time bom e continua apavorando muita gente neste brasileirão, tanto os que estão lá em cima, que não podem perder pontos, quantos os lá de baixo, que precisam se recuperar.

One Response to “Texto da Jornalista Isabel Kieling.”


  1. [...] Carta ao leitor Entrevista Cartas VEJA on-line Radar Contexto Holofote Veja essa Arc Notas internacionais Hipertexto Gente Datas Para usar VEJA Recomenda Literatura brasileira Os mais vendidos [...]


Leave a Reply