O Senador Cristóvão Buarque resolveu investigar as entranhas do Olimpismo Brasileiro. Criou uma Comissão, chamou gente para ser ouvida e pelo visto está interessado pelo tema. Vivas à iniciativa do Senador.
A Folha de São Paulo de hoje, domingo, dia 26 de outubro de 2.008, publica uma frase sua: “Pelo tamanho do país e pelos investimentos feitos, a participação do Brasil na Olímpiada foi muito medíocre.”
Tenho simpatias pelas posições políticas do Senador Cristóvão Buarque, uma homem dedicado á educação. Permito-me, entretanto, discordar, do Senador em sua assertiva. Mediocre que dizer na médiana. Caro Senador, se considerarmos o que os cofres públicos despejaram no Comitê Olímpico Brasileiro neste ciclo olímpico, seja diretamente, ou por suas estatatis, a participação brasileira não chega nem a ser medíocre. É lastimável. Continuamos vivendo de valores esporádicos, individuais, cujos esforços acabam por gerar algum resultado para o Brasil. Nada, nenhuma medalha, foi objeto de um planejamento esportivo feito com a dinheirama pública que o Comitê Olímpico Brasileiro recebeu do Governo Federal.
Senador Cristóvão, sua iniciativa é muito válida. Já ousei escrever-lhe algumas cartas, com documentos e pontos cruciais que devem ser levados em contas na sua investigação. Não obtive resposta. Todavia, acho que V. Exa., ou sua assessoria, as leram.
Minha esperança, Senador, é que essa iniciativa não seja de efeito rápido, puramente midiático e que se investigue, profundamente, a questão Olímpica no Brasil.
E que se tenha em mente que medalhas não são importantes. Vale muito mais inserir o esporte, com seriedade, na sua plataforma e progaramas de educação para o Brasil.
Da quantidade, um dia, tiraremos a qualidade olímpica.
Tenho falado e escrito que uma das razões pelas quais o Rio de Janeiro não vencerá o pleito para a sede dos Jogos Olímpicos (ler posts anteriores), é a falta de confiança que os Países emergentes ainda despertam nos organismos mundiais responsáveis pelas organizações das grandes competições desportivas, mais propriamente, a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos
A Fifa anunciou um seguro de US$ 650 Mi caso as Copas de 2.010 e 2.014 (África do Sul e Brasil) não se realizem e tenham que mudar de País. A Fifa diz que isso é usual. Não é usual coisa nenhuma! A FIFA dá como razão a crise financeira mundial. Até que é uma desculpa que poderia ser aceita nos dias de hoje. Mas tabém não é só isso.
O fato real é que nem a África do Sul, nem o Brasil, por suas peculiaridades, dão confiança de que a competição futebolística realizar-se-á sem sustos. A FIFA, quando elege um País como sede da Copa do Mundo, assume uma série de compromissos escritos com seus patrocinadores, mediante as assinaturas de contratos milionários. Se a FIFA não entrega o que prometeu, o seu produto, ou seja, a Copa do Mundo, está sujeita à penalidades contratuais altíssimas. Nunca agradou muito à FIFA, em tempos recentes, essa obrigação estatutária de fazer um rodízio entre os continentes, razão unica, aliás, pela qual África do Sul e Brasil lograram organizar os certames. Tanto tal é verídico que eliminou isso do seu Estatuto.
O Comitê Internacional Olímpico, por sua vez, nunca deu importância a esse rodízio. E continuará não dando.
Uma Copa do Mundo é um evento completamente diferente de Jogos Olímpicos. A Copa do Mundo é sediada por um País. As Olimpíadas, por uma Cidade. Na Copa do Mundo, os próprios Países são responsáveis por vários de seus gastos, hospedagem, alimentação, segurança da equipe e outros. Nas Olimpíadas, a Cidade sede oferece tudo, desde a hospedagem na Vila Olímpica (há um pagamento praticamente simbólico), alimentação, transporte, segurança e outros. Os investimentos dão-se, unicamente, na Cidade que abrigará os Jogos.
O fato é que tanto os Jogos Olímpicos, bem como a Copa do Mundo de Futebol, são dois dos maiores eventos mercadológicos do planeta. Envolvem milhões e milhões de dólares. E seus organizadores não podem correr riscos. A FIFA fez o seguro. O CIO não quer ter que fazê-lo. Por isso, certamente, entregará os Jogos de 2.016 a uma Cidade de um País desenvolvido, com confiabilidade internacional de anos e anos.
Obrigado à ESPN Brasil
Outubro 25, 2008
Agradeço à toda excelente Equipe da ESPN Brasil pela colocação do meu Blog na página de seu website. A ESPN Brasil é a televisão brasileira que mantém uma Equipe de comentaristas absolutamente independentes. Por isso, para mim, é uma verdadeira honra ter meus comentários inseridos nesta página, ao lado dos grandes jornalistas esportivos do Brasil. A luta pela moralidade no esporte continuará cada vez mais forte.
Olimpíadas de 2.016 – Para Quem Vão os Votos da América Hispânica
Outubro 24, 2008
(Publicado originalmente em 23/10/2008)
Em recente conversa, no exterior, com um influente jornalista esportivo, que acompanha o Olimpismo e o Comitê Internacional Olímpico (“CIO”) há vinte anos e que está seguindo muito de perto a campanha para os Jogos Olímpicos de 2.016, foi-me falado que os votos da América Hispânica seriam destinados à Cidade de Madrid. Nem mesmo os Países vizinhos aos nosso, votariam no Brasil. Com certeza, um Membro do CIO de um País do Mercosul está na dúvida entre Madris, ou Tokyo. Ainda segundo esse jornalista, que mantém contacto intenso com Membros do CIO, não restam dúvidas de que a candidatura do Rio de Janeiro é a pior delas. A única coisa boa seria o fuso horário, que agrada às televisões americanas. O palpite dele, lastreado nas pesquisas e contacto corpo à corpo com os Membros do CIO, é que o Rio cai fora logo na primeira rodada de votações. Diz um Membro do CIO: “Eu não sei aonde o Rio vai buscar votos”.
Como conheço bem esse mundo Olímpico e as entranhas de como se dão as eleições da Cidade Olímpica, não tenho dúvidas de que as chances do Rio de Janeiro (ou de qualquer outra Cidade brasileira, para que não me chamem de barrista), é zero. Tecnicamente, deveria, sim, ser a primeira Cidade a sair fora da disputa. E as probabilidades de isso ocorrer são enormes. Talvez — e aí é um palpite meu — os latinos preserverm o Rio na primeira rodada, dividindo seus votos de forma a tentar que uma Cidade do mesmo continente não seja degolada logo de cara. Pura política de boa vizinhança, até mesmo para confundir as candidaturas mais fortes. E para cumprir um papel, digamos, de vizinhos. Se isso acontecer, o Rio passa da primeira fase. E depois fica por aí, sendo eliminado na segunda votação.
Presidentes da República, ou Chefes de Estado, nunca tiveram influência nos votos dos Membros do CIO. Talvez isso pudesse ter ocorrido na época da “cortina de ferro”, que invariavelmente votava em bloco. Mas não se sabe se por orden dos ditadores de plantão, ou ser para mostrar força política na época da guerra fria. É claro que o apoio Presidencial para a candidatura de seu próprio País é importante para a garantia dos Jogos. Mas isso não influencia votos. Por isso, quando o Presidente Lula diz que “vou pedir votos a cada Presidente, ou Chefe de Estado que encontrar”, é uma grande bobagem. Chefes de Estado não votam. E não pressionam os membros do CIO de seus respectivos Países a votar em determinada Cidade. Talvez a única exceção que possa ocorrer, em ter um Chefe de Estado influenciando na disputa olímpica, será a eleição de Barack Obama para a Presidência dos EUA. Barack Obama representará, se eleito, uma novidade para o mundo e seu poder poderá ter influência nos votos dos Páíses africanos, sobretudo. Haverá uma identidade natural. Barack Obama também representará uma nova esperança para a África, continente miserável e carente de atenção. E esses votos migrariam para Chicago. Fora isso, Chefe de Estado não muda voto de ninguém.
André Gustavo Richer – O Meu Reconhecimento
Outubro 24, 2008
(Publicado originalmente em 23/10/2008)
Nunca fui dessa linha de que “cartola” é ruim e Atleta é bom, por simples definição. Há dirigentes bons e maus. Assim como há Atletas bons e maus. Isso ocorre em todas as áreas da atividade humana. Tenho criticado severamente as atitudes do Comitê Olímpico Brasileiro e a falta de transparência em algumas de suas importantes atividades. Porém, nem tudo é ruim. Ainda bem que o Comitê ainda conta com a figura de André Gustavo Richer. Richer é Atleta Olímpico e há vários anos, Dirigente Esportivo. É advogado aposentado da Companhia Vale do Rio Doce. Possui espírito Olímpico, é honesto e trabalhador. Se Vocês perguntarem às Confederações quem leva o Comitê nas costas hoje em dia, elas dirão que é o Richer. Conheço-o muito bem. Foi Vice-Presidente do COB na época de meu avô. Após , Presidiu o Comitê por cinco anos, sem alarde, com dignidade. Não se viu o COB, no seu período, metido em escândalos de qualquer natureza, noticiados na imprensa. Richer tem uma postura discreta. Fica no Brasil enquanto os outros viajam porque, afinal, alguém tem que trabalhar, cuidar do dia-a-dia do COB. Não vai a Jogos Olímpicos, não participa dessas viagens megalômanas dessa patacoada que é o Rio 2.016. Richer trabalha em silêncio, com discrição e honestidade. Richer não é afetado. É uma das partes boas do COB.
Mais Dinheiro Público Para o Rio 2.016
Outubro 24, 2008
Conforme e-mail que recebo de Alexandre Netto e tendo havido a confirmação da publicação abaixo do DOE, em 21 de outubro de 2.008, o Governo Federal destinou, pelo Convênio 121/2008, adicionais R$ 3.644.398,04 ao Comitê Olímpico Brasileiro, para a contratação de vários serviços por conta da candidatura RiO 2.016. Como se não bastasse essa candidatura estar fadada à derrota, ainda assim, caberá verificar se o Comitê Olímpico Brasileiro irá licitar as tais contratações a que esse dinheiro se destina, conforme prevê o artigo 4º do Decreto 5.139, de 12 de julho de 2.004. Vou, mais uma vez, escrever ao Ministério Público Federal, em Brasília D.F., solicitando inclusão dessas peças no Inquérito cuja abertura requeri. Será que o Governo Lula não acha que esse dinheiro todo seria melhor investido na base, no esporte para todos, na formação de Atletas? Atletas, Clubes, Federações e algumas Confederações continuam à míngua. Essa destinação de verba suplementar, além dos R$ 85.000.000,00 anteriores destinados à candidatura Rio 2.016 (ou que fosse São paulo, ou qualquer outra Cidade Brasileira), e mais um soco na cara que se dá ao povo pobre do Brasil. E vamos ficar de olho para ver se o Comitê vai licitar esses serviços a serem contratados.
Carta do IDEC ao Comitê Olímpico Brasileiro
Outubro 24, 2008
Vejam abaixo a carta que o IDEC enviou ao Comitê Olímpico Brasileiro, cujos termos são auto-explicativos. Não sabemos se houve resposta do Comitê.
São Paulo, 08 de agosto de 2008
Ao Sr.
Carlos Arthur Nuzman
Presidente
COB – Comitê Olímpico Brasileiro
Assunto:
Campanha “Play Fair”
Prezado Senhor,
O Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, entidade civil sem finns
lucrativos, legalmente constituída em 1987, inscrita no CNPJ sob n°
58.120.387/0001-08, com sede na Rua Dr. Costa Júnior, n° 356, São Paulo, SP,
CEP 05.002-000, representado por sua Coordenadora Executiva Lisa Gunn, vem,
por meio desta, questionar o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) sobre sua atuação a
fim de assegurar práticas responsáveis do ponto de vista social e ambiental das
empresas com as quais mantém relacionamento de concessão de licenças e
patrocínio.
Esse questionamento decorre do apoio oficial do Idec à campanha internacional
“Play Fair”, que denuncia a exploração de trabalhadores na produção de artigos
esportivos para grandes marcas fornecedoras de roupas e calçados às equipes
olímpicas em todo o mundo. Estão à frente da “
Play Fair
” a Confederação Sindical
Internacional (CSI), a Campanha Roupa Limpa (CCC), presente em 11 países
europeus, e a Federação Internacional de Trabalhadores da Indústria Têxtil,
Vestuário e de Couro (FITTVC), com afiliados em 110 países.
A “Play Fair” pede ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e aos Comitês Olímpicos
Nacionais que, naquilo que lhes compete, assumam sua responsabilidade para
coibir a exploração e os abusos contra os direitos humanos, nas fábricas que
prestam serviços à indústria de artigos esportivos.
Um dos mecanismos para tal é que os comitês, como condição contratual, exijam
que as empresas para as quais concedem licenças, têm relação de patrocínio ou
acordos comerciais, garantam o cumprimento das normas trabalhistas
internacionais, como o pagamento de um salário digno, incentivo à liberdade sindical
e trabalho digno em toda cadeia de fornecimento.
Assim, o Idec quer saber:
O COB vai adotar as medidas propostas pela campanha “Play Fair” para
coibir a exploração trabalhista e desrespeito aos direitos humanos?
O Comitê sabe se as empresas patrocinadoras ou licenciadas rastreiam
sua produção, garantem os direitos dos trabalhadores e mantêm práticas
sócio-responsáveis com relação ao consumidor e ao meio-ambiente?
Considerando que o patrocínio esportivo leva à associação da marca aos
A Unanimidade Olímpica
Outubro 24, 2008
(Publicado originalmente em 21/10/2008)
Vasculhei por algumas horas vários websites do Brasil todinho, Blogs de Jornalistas, de gente que escreve por puro prazer, que gosta de esporte, ou que se preocupa com o nosso cotidiano. Lí também os jornais e revistas recentes. Não encontrei um único escrito que elogiasse a atual gestão do Comitê Olímpico Brasileiro, cuja imagem está irremediávelmente desgastada e cujo golpe de misericórdia foi a “eleição” contestada, pela unanimidade dos analistas. Existe um website chamado os Vilões do Brasil, que outorga o prêmio ao “Vilão da Semana”. Vale à pena fazer uma busca na internet e acessá-lo. Muito interessante, também, uma carta que o IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, escreveu ao Comitê Olímpico Brasileiro em 08 agosto de 2.008. Amanhã vou publicá-la na íntegra. Será que houve resposta? Ou que alguma providência foi tomada em virtude da manifestação pública do IDEC? Não sabemos. Se algum leito deste Blog achar alguém que tenha falado bem da eleição no Comitê e que esteja contente com tudo isso, ou elogiado os relatórios preliminares do TCU, por favor, avise-me. Prometo que também publico.
O Que Fazer Com a Piscina Maria Lenk
Outubro 24, 2008
(Publicado originalmente em 20/10/2008)
Conheci a Maria Lenk. Foi grande Amiga de meu avô. Ambos praticaram esportes na época em que isso era coisa de gentleman (ou de gentlewoman!). Ambos tinham no esporte uma profissão de fé. Estiveram juntos em Jogos Olímpicos. Nada mais justo do que nomear a nova piscina construída no Rio com o nome da grande pioneira da natação brasileira (sem esquecer de Piedade Coutinho, 5º lugar em Berlin, 1.936, sua companheira). Maria Lenk morreu antes do Pan-Americano, mas chegou a ver erguida a piscina em sua homenagem.
A pergunta é: Estaria Maria Lenk, hoje, feliz, com o destino que a Prefeitura e o COB deram à piscina que leva seu nome? A resposta óbvia é: Não! Maria Lenk também era a favor da massificação do esporte e, em várias ocasiões, expôs sua maneira de pensar o esporte. Maria Lenk estaria triste porque, após o Pan-Americano vieram à tona os escândalos de super-faturamento, brutal, na construção da piscina. Maria Lenk ficaria muito triste ao ler o relatório preliminar do TCU, no momento que tece comentários sobre os desmandos de dinheiro empregados na construção daquele centro aquático. Certamente, Maria Lenk também ficaria desgostosa com a destinação dada àquela piscina.
Aquela que poderia ser a piscina utilizada para que crianças, adolescente e adultos da Cidade do Rio de Janeiro pudessem nadar, sob a orientação de Professores especializados, tornou-se, por enquanto, apenas palco de competições de alto rendimento. Nada contra o alto rendimento. Pelo contrário. Tudo a favor. Mas a moderna (super faturada) piscina poderia servir às duas coisas, à massificação e ao alto rendimento, a exemplo do que acontece com a piscina pública do Ibirapuera, em São Paulo, construída da década de quarenta e que está, até hoje, cumprindo seu papel (depois dela, nenhuma piscina pública com aquelas dimensões foi construída em São Paulo. Anyes dela, ainda fora construída a piscina do conjunto desportivo Baby Barioni, cujo intuito também era o de massificar os esportes aquáticos).
A Prefeitura do Rio vê o Centro Aquático Maria Lenk como um “elefante branco”. Assim como quis desfazer-se do Engenhão (destinado ao futebol do Botafogo) e da Arena Olímpica (destinada à Globo para, primordialmente, promover shows), o Centro Aquático foi devolvido ao Comitê Olímpico Brasileiro. Li nos jornais que o Comitê vai contratar uma consultoria norte-americana para melhor orientar a utlização dessa piscina. Aliás, será que essa contratação será com licitação, como exige o artigo 4º do Decreto regulamentador da Lei Piva? E para que contratar uma empresa estrangeira para saber o que fazer com aquele centro aquático? Não precisa contratar empresa estrangeira e nem brasileira. Basta contratar um bom administrador esportivo e fazer daquele local um centro de massificação dos esportes aquáticos no Brasil, com professores especializados em cada uma das 4 modalidades. Fazer escolinhas e, igualmente, permitir que cidadãos cariocas (ou de qualquer parte do Brasil), cadastrem-se ali para apenas nadarem, exercitarem-se. A piscina olímpica do Japão é assim. A pessoa se cadastra e paga algo em torno de 5 dólares estado-unidense para nadar. Não há mistério. O Ibirapuera é assim.
Em homenagem à memória de Maria Lenk, tornem aquele centro aquático um local do povo, seja para as pessoas simplesmente nadarem, ou seja uma escolhinha de natação para formar campeões.
O Exame Anti-Doping no Brasil Não é Confiável
Outubro 24, 2008
(Publicado originalmente em 19/10/2008)
Quando o Atleta é escolhido para o exame anti-doping, dentro, ou fora de competições, ele é notificado. Um formulário é preenchido e assinado por ele, com os seus dados. Cabe ao Atleta escolher o chamado kit de controle, devendo verificar, também, se o kit está intacto, inviolável e, se contém apenas três frascos iguais e com numeração idêntica. Por que três frascos com numeração idêntica? Porque o frasco A é a prova, o B é a contraprova e o C uma reserva. Coletada a urina, na frente de fiscais, esses três frascos, contendo, somente, a numeração, são enviados para o laboratório. É impossível saber a que Atleta refere-se aquela numeração específica. Pois bem, em reportagem da Folha de São Paulo, de 11 de dezembro de 2.005, a competente jornalista Mariana Lajolo demonstrou a fragilidade dos exames no Brasil. Apresentou uma fotografia, ou seja, a prova cabal, de um kit anti-doping a ser utilizado em exame em São Paulo, em uma prova de atletismo, em que dois kits continham tres frascos cada, mas com numeração idênticas. Qual é o problema disso? É muito sério. Dessa maneira, o Atleta selecionado para exame, supostamente dopado, urina nos frascos A, B e C. Outra pessoa qualquer, urina nos outros frascos A, B e C, com exatamente a mesma numeração. Na hora de enviar as amostras para análise, os frascos do Atleta supostamente dopado são maliciosamente descartados e o que vai são os outros três frascos, com urina de terceiros e com numeração idêntica ao do formulário preenchido. Portanto, a urina analisada não é a do Atleta. Para se verificar se aquela urina é, ou não do Atleta, é necessário fazer um exame de DNA (vide caso da nadadora Rebeca Gusmão), em que ficou comprovado que, em um dos exames, a urina analisada não era dela. Conter mais de kit de controle de dopagem com numeração idêntica nos frascos é uma falha grostesca, em minha opinão, feita de má-fé, justamente para ocultar dopings de Atletas chamados importantes. A reportagem da Folha mostrou que havia seis frascos com a mesma numeração, 123456. A descoberta foi feita à tempo e aquele exame de doping cancelado. Mas será que esse foi um caso isolado? Eu acho que não. Quando indagados sobre a existências de seis frascos com numeração idênticas, o laboratório Ladetec disse que sua função é, apenas, analisar a as amostras que lhe são enviadas. A Confederação Brasileira de Atletsimo assumiu ter sido um equívoco e que não haveria mais “clones”. Disse, também, que os kits numerados são enviados pelo Comitê Olímpico Brasileiro. E o Comitê Olímpico Brasileiro assumiu o erro. A existência de seis frascos possibilita, também, a troca do kit anti-doping que está em nome de um Atleta famoso, atribuindo-lhe outro desconhecido. Assim o Atleta famoso poderia escapar da punição, que recairia sobre outro. É por isso que, muitas vezes, quem é do meio, vê resultados de dopings cujas substâncias, por suas carasterísticas, são ingeridas por velocistas, mas encontradas em “controles” de fundistas. Eles podem trocar os frascos, já que houve seis deles com a mesma numeração. Tudo isso pode ser manipulado pelo ser humano desosnesto. Pessoas que não quiseram se identicar na reportagem da Folha, disseram que somente naquele anos, em três provas importantes, houve manipulação nos controles de dopagem, para livrar a cara de certos Atletas. Isso que a Folha escreveu e comprovou é uma das formas mais sujas de driblar os controles anti-dopings, pois conta com a necessidade de convivência dos próprios agentes de controle, que porduzem e numeram os frascos. Feita a reportagem da Folha, há quase dois anos atrás, sabem o que ocorreu no Brasil? Rigorosamente nada. Não houve investigação e tudo continua como está. Por isso que alguns de nossos Atletas dopados somente são flagrados em controles feitos por entidades internacionais.
